Notas iniciais
Olá, pessoal! Faz algum tempo, ein? Mas finalmente terminei este capítulo da Rebecca... Conto com a sua opinião, querido(a) leitor(a)!

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Tarde demais.

Seus passos ecoavam pela sala praticamente vazia, exceto pelo homem gordo de terno brilhante detrás dos fios de fumaça amargos de charuto sentado na grande mesa ao centro. Para ela, era como se o homem sequer estivesse ali. Desimportante.

— Há quanto tempo partiram? — Ela perguntou, irreverente como sempre. Fervendo e congelando ao mesmo tempo com a mera possibilidade violenta e brutal que lhe corria pela mente.
— Como é, pirralha? Quem é você mesmo? — Ele disse, divertido pela ousadia da criança que adentrara seu salão de reuniões.

Sem responder, ela partiu. Não havia tempo. No corredor, alertou a todos os drogados e prostitutas que faziam seus negócios do outro lado das portas por onde passava. Descendo as escadas, quase tropeçou e caiu. Esbarrou com alguém que não importava, nada importava. Precisava encontrá-los antes que fosse tarde demais.

Na entrada, pegou o segurança pela gola:

— Por quê? Por quê não me disse que eles já haviam saído?

O homem ficou em silêncio, relutante diante de seu colega de trabalho. Havia apenas pesar em seu rosto.

E então ela seguiu correndo. Correu até que seu peito doesse. Correu até que as pernas falharam. Cruzou vielas, subiu morros e degraus estreitos, até uns becos pelos quais não se via mais a luz do dia por sua altura. Então, ouviu os estalos. Secos e poderosos, ensurdecedores. Muitos deles…

Virou-se na direção do som e viu um dos garotos correr em sua direção, uma arma grande demais pendia desajeitadamente do seu peito. O jeito como ele a olhou a atingiu como um raio, dando-lhe toda a energia que precisava para correr novamente, dessa vez até o garoto. Então viu mais alguém sair do beco à sua frente e ouviu mais estalos. Líquido quente espirrou em seu rosto quando o garoto caiu em seus braços. Mais estalos. Via agora mais alguns homens adultos e suas pistolas, agora cessando fogo. Por que?

Então ela compreendeu. Sentia dor no ombro, no pescoço, na barriga, nas pernas… Pequenas punções quentes e geladas, dor pulsante…

E então, tudo terminaria assim. Tudo em vão. Os garotos, todos mortos, e ela também. Agora era questão de tempo até que seu corpo apagasse totalmente, e ela pôde jurar que seria a última piscada. Seu fim chegaria com o sabor amargo da decepção, um Deus impiedoso e desapegado, disposto a largar seus filhos para a dor e para a morte. Sem amor, sem justiça… Apenas dor. E morte.

Um dos adultos se aproximou, hesitante. Sua arma apontava para a cabeça dela, pronta para um tiro de misericórdia. para o fim do sofrimento. Ouviu um novo estalo ao fechar os olhos, porém este último foi esticado, como se o próprio tempo fosse uma pedra amarrada em uma corda sendo jogada pela janela, mas alguém, ou algo, segurou a corda. Então, de olhos abertos novamente, ela viu o mundo congelado. Uma bala pendia no ar, quase encostando na testa. Uma luz, quase como um imenso holofote dourado, iluminava a ela de cima, de baixo, de todos os lados. Um sentimento a atravessou, como um sussurro vindo diretamente de sua alma. Um sussurro que, sem palavras, contava historias de justiça, de batalha e guerra. A luz que vinha de todos os lados e de dentro também tornou-se prateada. E novamente, um sussurro lhe contou, como em um abraço, que tudo ficaria bem. Que seu chamado havia chegado. Seria aquele um olhar direto Dele? Finalmente, tinha tido tempo para sua filha? Como se em resposta á sua indagação, sentiu um calor que a invadiu. Certeza a cobria como uma armadura invisível. A dor que sentia desapareceu, junto com as balas, que se projetavam vagarosamente para fora de seu corpo até caírem no chão. Olhou para as mãos, que brilhavam como o mármore mais pálido. Instintos guiavam seu corpo e lhe tiravam o controle, como se relâmpagos a guiassem. Voltou à posição em que se encontrava, segurando o garoto nos braços, fazendo a pedra cair de vez. Sentiu um desconforto na cabeça e viu faíscas saírem do raspão da bala sob a pele de pedra e então se levantou, colocando o garoto morto de lado. O homem à sua frente disparou de novo e de novo, cada bala rasgando tecido das suas roupas, mas ricocheteando no corpo, duro e sólido como rocha. Incrédulo e de pente vazio, o homem apenas olhava conforme a garota se levantava e agarrava sua mão, sacando seu bastão de ferro das costas e acertando-o no rosto. O impacto, dez vezes mais potente do que ela poderia imaginar, o arremessou contra a parede, sem vida. Os outros homens olhavam de longe e disparavam, sem compreender o que estava acontecendo. Para a garota, estava tudo claro: Era hora de fazer justiça.

Com um estrondo, ela se arremessa para frente, deslizando pelo chão em um quase vôo até o grupo de atiradores. com uma rajada de golpes, desfez as vidas humanas que destruíram a sua própria, revelando o que ela agora era: Um anjo vingativo. E então, quando os soldados de Navalha acabaram, ela adentrou o beco. Lágrimas escorriam como uma tormenta sobre os corpos desfalecidos de seus irmãos, de seus filhos, sua família… A dor uivante em seu peito a fazia gritar, uma voz potente e grave como um relâmpago. No fim da rua, lá estava o culpado. Um homem meio corcunda, de cabelos longos e desgrenhados da cor do trigo, barba por fazer e roupas rasgadas. Escondia algo atrás de si com as mãos enquanto apresentava um sorriso lunático em seu rosto. Rebecca, O Anjo da vingança, salto até o homem com um único deslize, novamente, apenas para deparar-se com a surpresa de navalha: O homem insano gargalha, revelando uma granada engatilhada, que explode gerando uma onda de vermelho, laranja e branco. Tudo apaga em dor.

Quando ela abre seus olhos novamente, tudo o que havia vivido pareceu um sonho ruim, já distante. luz multicolorida dos vitrais sobre sua cabeça lhe dava dor nos olhos. O cheiro era de incenso e velas. Completo silêncio cobria o ambiente ao seu redor, e conforme ela se levantava, se dava conta de que estava em um lugar conhecido. Era a velha igreja do bairro, a que costumava frequentar com seus pais. Uma voz grave e tranquilizadora, quase como a voz de um pai, falou atrás dela:

— Bem-vinda de volta, Rebecca.

Dois homens a fitavam, numa mistura de pesar, hesitação e ansiedade. Um era um garoto, quase da mesma idade que ela, vestia batina como o padre. Seu cabelo dourado era bem arrumado e curto, os olhos cor de âmbar, embebidos de uma chama tão especial… Era como se eles dois fossem iguais, mesmo que ela não soubesse explicar como ou por quê. O semblante do garoto dizia que ele sentia o mesmo. Ao seu lado, o padre. o velho padre Morrison, e seu cabelo castanho bem arrumado de sempre.

— Quem é você? — ela perguntou, intrigada demais com os sentimentos curiosos que possuía sobre o garoto.
— Meu nome… É Allan. Allan Soldier. — ele respondeu, um pouco tímido, mas faminto de curiosidade tanto quanto a garota. — E o seu?

Notas finais
Parece que não vimos o fim de Rebecca ainda! Eu quero escrever mais sobre ela e sobre essa transição dela para o mundo sobrenatural. Ansioso pra colocar os elementos oitentistas que tanto amo! Os fliperamas, as bandas, as cores... E você, o quê espera desta spinoff de "Sob a Escuridão"?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.