Já estava perdida, não sabia bem oque fazer o rabugento Baxter tinha acabado de nos despejar de casa, já não posso culpar minha mãe, ela tem trabalhado muito, e eu, tenho tentado ajudar, mas já não tem jeito, ninguém quer uma pirralha de 16 anos para trabalhar, para todos eu sou irresponsável o bastante para afundar seus negócios, são todos babacas, posso ser mais esperta que aqueles bobões da faculdade. Minha mãe chorando como sempre, já não sabia para onde poderíamos ir, e eu apenas sentei na calçada e fiquei observando tudo e todos, aquilo era entediante, uma hora ou outra minha mãe ia parar de chorar e dar um jeito em tudo era sempre assim, ela sempre se manteve forte, e por incrível que pareça sempre encontrava uma solução.

-Já sei! Vamos para a casa abandonada de sua avó, nós podemos ajeitar tudo e com o tempo nos acostumamos, vai ser melhor que dormir na rua.

Ela disse já pegando todas as tralhas, e eu apenas obedeci não tinha nada a se fazer. Caminhamos por vinte minutos logo chegamos, era a quatro quarteirões de casa, eu nem sabia que aquela casa pertencia a minha família, era uma casa abandonada, e como toda casa abandonada ela estava um pouco destruída, mas não era tão ruim, tinham algumas janelas quebradas, teias de aranha e coisas do tipo, era para eu ter medo, mas já tinha passado por tanta coisa que nem me importei. Encontramos alguns móveis amontoados em um cômodo, minha mãe estava tão cansada, que nem ajeitamos nada, ela apenas forrou um pano e quando me dei conta já estava dormindo, eu tentei fazer o mesmo mais o sono não vinha, eu estava faminta, mais não tínhamos oque comer, fiquei acordada por algumas horas, pensando em um futuro melhor, era quase um sonho, sem perceber adormeci. Acordei com barulho de alguns espirros vindos de minha mãe, eu levantei lentamente tentando abrir os olhos, mais era quase impossível o sol estava batendo em meu rosto de uma maneira insuportável, eu olhei para os lados e me vi em um ambiente agradável, bem arrumado.

- O que acha filha? Mamãe acordou bem cedo e arrumou tudo, queria um lugar bem aconchegante para nós, não é a mesma coisa de uma casa, mais é o que temos.

-Perfeito!

Fiquei sem reação, nem acreditei que minha mãe tinha acordado de madrugada e ajeitado tudo, minha mãe era realmente uma guerreira, me senti culpada, eu poderia estar fazendo mais para ajuda-la, bem mais. Então com um pulo peguei meu casaco, sorri para minha mãe e sai apressada, ela não seve ter entendido mais eu estava decidida precisava de um emprego. O primeiro lugar que fui era a uma casa de ração, um lugar que só vende ração, mais não tinha vaga, então me lembrei de um mercadinho perto da escola, era um lugar pequeno, o proprietário era um idoso bem mal humorado e quase sempre os garotos da escola, pegavam refresco sem ele perceber, confesso que eu já peguei, talvez se ele me desse emprego eu poderia ajudar ele, e claro, pagar minha divida.

-Holly Perez.

Disse assim que entrei, creio que foi meio tolo.

- Carter, senhor Carter. O que deseja senhorita?

-Senhor Carter, bem... O senhor teria uma vaga par...

-Não, sempre trabalhei sozinho e vou continuar assim.

Fiquei um tanto irritada e respirei fundo, tentei me conter.

-Se não vai comprar nada, pode ir tirando esse traseiro imundo do meu mercado!

E sim, foi o suficiente, não aguentei tive que falar algo, ele tinha passado do limite.

- Ah ent...

Naquele exato momento, vi um garoto pegando um refresco, então pensei bem e fui mais esperta.

-Muito obrigada, pela atenção, senhor Carter, e boa sorte com aqueles garotos ali, acabaram de roubar alguns refrescos.

- EI GAROTOS! DEVOLVAM MEUS REFRESCOS!

Ele saiu correndo, e eu continuei apoiada no balcão, apenas observando, ele voltou gritando os nomes mais feios possíveis. Então ele olhou em minha direção e foi logo gritando

- O que você ainda faz aqui menina?

Sai andando em direção à porta,

- Ei espera, vou precisar de você, apareça amanhã às duas da tarde.

Voltei para casa, feliz, estava um dia tão bom, apesar da fome, nada podia me deixar para baixo, eu Holly Perez, tinha um emprego. Andava pelas ruas cantarolando deixava o vento levar meus cabelos castanhos escuros. Ao chegar a casa fui logo dar a noticia a minha mãe, ela como ninguém ficou feliz, mais mesmo assim pude ver a tristeza em seu olhar,

-Mãe.. o que ouve ? Não está feliz por eu ter arranjado um emprego para te ajudar?

-Sim estou, mas filha não me agrada saber que vai passar o resto do dia trabalhando, esse era meu dever, isso me faz sentir mal.

- Oh mãe, deixe de orgulho, eu quero muito ajudar a senhora, e sei que será bom, não se preocupe, alias ninguém me obrigou a nada, fiz por vontade própria

-Pois bem, Vamos fazer assim, você fica lá, até eu arranjar outro emprego que me paguem mais, depois você vai sair e se dedicar somente aos estudos ok? Você não sabe de como me orgulho de você, minha filha.

Eu não achei aquilo muito certo mais acenei com a cabeça, como se estivesse concordando, depois nos abraçamos, e eu senti um conforto, uma segurança, uma coisa que só pode ser sentida, não tem como explicar. Depois disso, foi para o local onde seria meu quarto temporário, não era bem um quarto, era um porão onde minha avó guardava suas coisas sem importância, não era o melhor lugar da casa mais com o tempo e algum esforço ficaria perfeito.

Comecei pelas caixas nas prateleiras, tirei tudo do lugar, e fui tirando o pó que por sinal era muito, e por fim depois de tirar todas aquelas caixas e coisas, finalmente estava limpo, tinham alguns móveis no andar de cima, minha mãe me ajudou a descer algum deles, eu estava um tanto indecisa, onde eu colocaria a cama, e aquela cômoda, e aquela prateleira ocupava muito espaço, decidi então tirar ela dali, com muito esforço, e contei,

-Um... dois..três!

Puxei a primeira tábua, era bem pesada, agora só faltavam duas, depois de mais dez minutos tentando, consegui tirar todas, e me surpreendi com uma coisa um tanto estranha, havia uma porta, uma porta por trás das prateleiras. Talvez fosse um abrigo, ou coisa do tipo, mais a porta era toda detalhada, de madeira, parecia coisa de conto de fadas. Tentei abrir mais era impossível, a porta estava trancada, eu tentei chutar, empurrar, dar socos... Mas a porta só abria com a chave, e eu precisava achar ela.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.