Cidade Sitiada

1 Capítulo 00 (Prólogo): Um dia ruim


Notas iniciais
Esse é só o começo da fanfic...
Um atraso de quase quatro horas do voo os deixara esperando em pé atrás de uma imensa fila e portando pelo menos cinco malas, já que eles planejavam passar apenas uma semana em Buenos Aires, a pedido de Bella, que sempre sonhara em ir naquela cidade para conhecer a beleza da qual Renée tanto falava.

Inúmeras turbulências que o avião havia sofrido até a Argentina e que custara ao jovem casal uma série de sustos que os fizeram pular das poltronas, que não exatamente eram confortáveis, pois a maior parte do dinheiro que eles haviam juntado para a lua de mel seria investido em passeios e compras de souvenires, razão pela qual eles haviam comprado passagens de segunda classe, porém, aquela escolha não havia sido das mais inteligentes.


A chegada não havia sido muito tranquila, pois chovia horrivelmente na cidade e todos os táxis já estavam sendo ocupados por passageiros mais rápidos, o que fizera com que o jovem casal tivesse que esperar pelo menos uma hora por um veículo enquanto a chuva ainda caía como se algo estivesse sendo anunciado.


Nenhum dos dois achava que aquele dia pudesse piorar.


Eles estavam redondamente enganados.

...


O táxi havia parado em um posto de gasolina porque não somente o tanque estava quase vazio mas também porque o motor estava com sérios problemas, ao que o turista perguntou enfastiado:

- Como o senhor dirige um carro pelas ruas da cidade com essas condições?


— Quanto a isso, não se preocupe, não cobrarei tarifa extra, eu só preciso colocar gasolina no carro e depois de deixá-los no hotel, vou levá-lo para a oficina e pegar outro veículo enquanto este estiver sendo consertado – disse o taxista, evidentemente constrangido pela situação e depois dizendo com certo rubor nas faces: — É que hoje é o dia em que eu faço mais corridas e consequentemente, ganho mais. Nos dias de hoje, não está fácil para ninguém.


— Entendo, lá nos Estados Unidos também não está tão fácil quanto o resto do mundo pensa – disse uma bela e sorridente jovem.


— Bella, eu estou com fome. Vamos entrar e comprar algo? – disse o jovem colocando uma mão sobre o estômago.


Ela assentiu e logo o taxista foi atrás, como se quisesse se proteger de algo que estava por perto ao que o jovem turista perguntou: — O senhor também sente fome?


— Sim – ele sorriu e depois disse: — O taxímetro está desligado. Então vocês vão pagar a tarifa que ali ficou e mais 25 pesos pelo resto do trajeto.


— Certo – disse Bella e depois falou bem baixinho com o marido após eles entrarem no local e irem para um lado oposto ao do taxista: — Edward, o tom de voz dele me indica que ele está mentindo. Mas por quê?


— Tem certeza de que ele mentiu em relação a estar com fome? – perguntou Edward no mesmo tom.


— Eu sou psicóloga caso você não lembre. Sei quando as pessoas mentem. Eu notei que o taxista parecia estar fugindo de alguma coisa, como se ele previsse que algo está errado – disse Bella se surpreendendo com suas próprias palavras.


Edward nada disse e logo os dois estavam com sacolas contendo sanduíches e água mineral indo para o caixa quando notaram que o taxista, a balconista estavam atrás do balcão enquanto outra mulher, de cabelos curtos e que usava uma blusa branca mais uma calça de couro perguntava o que estava acontecendo, quando o taxista disse ter visto um grupo armado vindo pela outra rua e que certamente eram assaltantes ou coisa pior e o casal escutou o que parecia ser um estampido, ao que o casal e a mulher à frente do balcão foram rapidamente para trás do móvel, ficando abaixados enquanto um grupo de homens armados chegava e anunciava um assalto.

— Cara, que dia tá sendo esse! Era só o que nos faltava acontecer! – exclamou Edward apavorado, pois nunca tinha ouvido um estampido de bala tão próximo, especialmente porque o projétil passara menos de meio metro de sua cabeça.

— Merda! Eu não posso sozinha com eles e se levantarmos, vamos levar tiros de escopeta! – disse a bela de cabelos curtos que logo anunciou ser policial e que se chamava Maruja Córdoba.

— Passa tudo o que tiverem senão vou atirar! – disse um dos bandidos apontando a escopeta em direção ao balcão que servia de trincheira ao que Bella achou melhor eles cederem e por isso saíra vagarosamente do balcão com as mãos já prontas para serem levantadas, porém, a jovem só pudera ficar muda de pavor ao ver que alguma coisa que parecia inumana ao ponto extremo da palavra, se é que era possível a existência de tal coisa, entrar no local.

O rosto perfeito e sem expressão parecia ter sido desenhado pelo melhor dos melhores, a brancura imensa parecia ser fruto de maquiagem muito pesada e parecia ser ainda mais realçada pela falta de sobrancelhas e a cor escura do cabelo ou o que fosse que cobria a cabeça além do corpo, igualmente perfeito, se movimentar como se estivesse levitando e que mais parecia um manequim do que uma pessoa. A veste completamente branca estava coberta de sangue e era possível ver um rastro vermelho vivo que vinha desde local desconhecido.

Algo naquela coisa, porém, deixara Bella apavorada: o corpo da coisa era coberto por buracos de bala, um total de vinte três e deles saía tanto sangue que era possível imaginar um rio transbordando com a chuva. Ainda, a coisa tinha enormes presas na boca ao que o resto dos dentes parecia estar escondido pelos colmilhos. Isso fez Bella se perguntar como era possível aquelas coisas enormes saírem daquele rosto sem rasgar a mandíbula ou algo semelhante, pois o mesmo parecia feito de cera visto do ângulo onde ela se encontrava.

O que ela não sabia é que o pior ainda estava por vir: a coisa de expressão imóvel de repente sorriu e Bella quase gritou ao ver que todos os dentes da criatura eram pontudos e afiados, tão dessa maneira que ela se perguntava como a boca se fechava sem rasgar o rosto todo. A jovem sequer conseguia se mover do local e muito menos os assaltantes, que pareciam ter perdido a coragem de fazer qualquer coisa embora estivessem ainda com as armas empunhadas, mas tremendo como folhas ao vento e tentando articular alguma palavra, mas qualquer tentativa saía mais como um grunhido de medo. Bella não deixava de dar razão a eles e por mais que tentasse se mexer, não podia, pois o medo a paralisava inteira.

Inesperadamente, a coisa, que parecia sorrir mais ainda do que antes, somente com um movimento de mãos, fez as escopetas voarem por todos os lados, no que as batidas contra as paredes acabaram causando tiros involuntários que milagrosamente só atingiram as paredes. Os então corajosos bandidos agora estavam desarmados e logo a criatura começou a mais inacreditável série de movimentos que a jovem já vira ao que a policial a puxara antes que fosse ouvido o primeiro ruído de algo sendo rasgado. Aquilo era só o começo.

Bella, se vendo abraçada por Edward, escutava com atenção cada sibilo de raiva seguido de rasgões e gritos que pareciam cortar o ar em várias partes enquanto o taxista, trincando as mãos em uma oração desesperada, pedia que a jovem americana permanecesse calma, porém, ela chorava misturando sentimentos como incredulidade, pavor, espanto e tudo o que se passava na cabeça de alguém que tinha somente iniciado a testemunhar um massacre, que corria a sangue solto pelo estabelecimento, inclusive com um braço voando próximo à cabeça de Edward, que dera um berro tão alto que poderia ser ouvido do outro lado da cidade.

E ao mesmo tempo, os assaltantes, uma quadrilha formada por pelo menos vinte sujeitos, era submetida a toda a sorte de ferimentos gravíssimos internos e externos, com direito a berros que pareciam saídos de gargantas inumanas, membros sendo vagarosa e dolorosamente decepados de seus indignos donos e sangue correndo como se uma queda de água caísse sobre aquele local.

O jovem também começara a chorar do mesmo modo, ou até pior do que Isabella, ao que a dona do estabelecimento, que conseguira se arrastar até o escritório em razão de estar abaixada atrás do balcão, voltava com uma escopeta pronta para atirar quando o último dos berros cessou e a coisa responsável por aquilo se virou e saiu sem dizer uma única palavra, isso se ela tivesse voz para dizer algo e também se houvesse o que ser dito.

Nenhum deles sabia quanto tempo havia se passado desde então e francamente, ninguém, nem mesmo a policial, tinha coragem o suficiente para sair dali, porém, Edward, parcialmente recuperado do choque e olhando o braço atirado ao lado dele, disse: — Nós temos que chamar a polícia. E vou tentar olhar por cima o que houve. Sou médico, talvez eu possa ajudar em algo.

— Não há mais nada o que fazer por esses homens, rapaz. Estão todos mortos – disse o motorista de táxi como se soubesse o que havia causado aquele cenário tétrico.

— Mas... o que... aconteceu? – Isabella se perguntava em pânico de tal maneira que mal podia parar em pé.

— As Expressões – respondeu a balconista sem emoção alguma.

— Expressões? – perguntou Maruja, a policial.

— Vocês não vão querer saber o que são essas coisas e muito menos como elas surgem e do que são capazes. É apavorante – disse o taxista cujo coração parecia estar a ponto de parar.

Os corações de Bella e Edward estavam pulando e suas mentes ainda tentavam processar aquele horrível acontecido enquanto Maruja, colocando o profissionalismo policial acima de seu pavor, chamava seus colegas de trabalho, da delegacia que ficava a quatro quarteirões do posto onde eles se encontravam.

— Melhor vocês dois ficarem calmos agora. Meus colegas logo vão estar aqui e vamos conversar sobre toda essa situação – disse a policial depois de terminar de falar ao telefone.

— Ainda?! Olha, senhorita, nós dois acabamos de chegar a Buenos Aires e sequer sabemos onde vamos conseguir um hotel a essa hora da noite! – exclamou Edward exaltado.

— Sinceramente, quanto menos estivermos envolvidos nisso, melhor. Estamos cansados, com fome e extremamente exaustos após essa droga toda. Por favor, pode nos liberar por hoje e amanhã conversamos? – Bella já não podia segurar outras lágrimas que chegavam.

— Pelo menos poderiam esperar a polícia chegar e se identificarem e dar um contato? – perguntou a oficial.

Os dois assentiram e cinco minutos depois, a equipe policial chegava ao posto junto à perícia, a primeira a entrar no local, que agora era visto por todos: pelo menos vinte corpos despedaçados com direito a vísceras de todos os tipos em exposição e sangue espalhado por cada centímetro das paredes, portas e janelas do local, visão que deixou o jovem casal Cullen em mais pânico ainda.

Apenas alguns segundos depois, a balconista mostrava a todos uma saída alternativa e logo o casal fora ao táxi pegar suas bagagens, porém, o condutor disse: — Não mesmo! Levarei vocês a um local seguro. Não posso deixar que andem pelas ruas neste horário nefasto!

Os dois agradeceram e logo Maruja fez o procedimento de rotina: — Nomes, idades e local de onde vocês vieram.

— Edward Cullen e Isabella Swan Cullen, nós temos 26 e 24 anos e somos dos Estados Unidos, mais precisamente de Seattle, estado de Washington. Viemos a Buenos Aires para passar a lua de mel durante um mês – disse o jovem médico.

— Profissões? – novamente a policial perguntava.

— Sou psicóloga e meu marido é ortopedista – disse Isabella com a voz trêmula.

— Contatos? – Maruja falou.

Os dois deram seus números de celular e disseram que logo dariam o contato do hotel onde ficariam no próximo mês quando a policial disse: — Não mesmo. Numa situação como essa, vocês precisam ficar em segurança, então, fiquem na minha casa enquanto isso.

— Não podemos! Não queremos dar trabalho a senhorita! – exclamou Isabella.

— Bells, com tudo o que aconteceu hoje, não estou com cabeça alguma para procurar um hotel e estou morto de cansado. Preciso dormir urgente, mas com toda essa porcaria ocorrida, vai Deus saber se poderei dormir – disse Edward desanimado.

— Certo, Edward, você me convenceu, mas só ficaremos uma noite e depois vamos procurar um hotel. E desculpe senhorita Córdoba, mas não podemos ficar atravancando a sua casa com nossas malas e muito menos te dar trabalho – Isabella estava convicta de que não queria dar problemas à Maruja.

— Meu dever como mulher da lei e especialmente, ser humano, é garantir a segurança das pessoas – disse ela convictamente.

Edward e Bella sorriram, embora tristemente, e se olharam desejando que aquele dia ruim somente se tornasse uma lembrança distante.


Notas finais
Se vocês acham que não pode piorar, vai, e muito!