Cidade Sitiada
3 Capítulo 02: Um mais um nem sempre é dois
Notas iniciais
A festa havia terminado no meio da madrugada, pois quase todos os convidados haviam ficado muito cansados e alguns poucos haviam ficado para tomar um pouco mais de vinho argentino e ouvir Gardel, Sosa, Leiva, Lamarque e tantos outros enquanto o resto de Buenos Aires era embalado por Morfeu.
— Simplesmente fantástico, María! – exclamou Leopoldo aos sorrisos e empunhando um copo de vinho.
— Mi Rusito, no sea por eso! – ria a rica senhora, que perguntou: — Mas musicas, mi hermoso?
— Tarde que me invita a conversar/ Con los recuerdos,/ Pena de esperarte y de llorar/ En este encierro... – cantou ele.
— Tanto en mi amargura te busqué/ Sin encontrarte.../ ¿cuándo, cuándo, vida, moriré/ Para olvidarte? – continuou María.
“Quiero verte una vez más,/ Amada mía,/ Y extasiarme en el mirar/ De tus pupilas;/ Quiero verte una vez más/ Aunque me digas/ Que ya todo terminó/ Y es inútil remover/ Las cenizas de un amor...
Quiero verte una vez más/ ¡estoy tan triste/ Y no puedo recordar/ Por qué te fuiste!/ Quiero verte una vez más/ Y en mi agonía/ Un alivio sentiré/ Y olvidado en mi rincón/ Más tranquilo moriré.
Noche que consigues envolver/ Mis pensamientos.../ Quejas que buscando nuestro ayer/ Las lleva el viento.../ Sangre que ha vertido el corazón/ Al evocarte.../ Fiebre que me abrasa la razón/ Sin olvidarte...”
http://www.youtube.com/watch?v=ufYMGoXh_N4
Os outros seguiram a música e cantaram toda a sua letra sem precisar de nenhuma nota musical extra.
Mais adiante, no auge da madrugada, Maruja Córdoba, em sua cama tentando dormir, não conseguia sequer fechar os olhos, pois todas as vezes que o fazia, a imagem dele vinha em sua mente, repetidas vezes, em dois tempos distintos...
Flashback...
“Julho de 1993...
— Papai! – gritava a menina entre tossidas e em desespero ao vê-lo segurar uma estrutura que era pelo menos dez vezes seu peso.
— Marujita, por favor, vá daqui antes que esse lugar desmorone! – exclamou o homem tossindo em razão da intensa fumaça proveniente do incêndio que destruía o local.
— No sin usted, papá! – a menina abraçou as pernas do pai chorando.
— Não decepcione o papai, por favor. Vá, meu anjo. Eu não sei quanto tempo mais poderei aguentar segurar tudo isso – dizia ele com a voz já enfraquecida pelo esforço.
— Papai – disse ela novamente abraçando-se às pernas dele, quando alguém a agarrou: — Menina, esse lugar vai desabar! Me... perdoe, senhor!
Ele correra com a menina em seus braços enquanto a frase saíra quase muda de seus lábios e quando finalmente estava fora do local, este explodira, colocando a estrutura inteira abaixo enquanto a pequena Maruja chorava ao ver que seu pai nunca sairia de lá andando: — Papá!
— A menina era a última! Obrigado, senhor! – disse uma voz desconhecida.
— Eu queria... ter salvo... o pai dela... também, mas, não... pude – a voz da pessoa falhava.
— Você fez o que pôde. Não é qualquer um que ultrapassa a faixa dos bombeiros e entra em um cinema pegando fogo para procurar mais sobreviventes. E claro, não é qualquer um que faz o que aquele homem estava fazendo. Tentamos de todo o jeito demovê-lo de lá, mas ele disse que não sairia enquanto todos não fossem tirados, de preferência, vivos – disse o desconhecido olhando para a menina que chorava inconsolavelmente.
— Tome, fique com isso. Está frio, pequena – disse a voz, abaixando seu corpo para ficar ao nível da menina e dando seu casaco para ela, que o olhou: — El amigo de Gatica.
— No soy El Ruso, soy solamente alguien parecido a él, niñita – sorriu ele para depois se levantar: — Adiós, pequeña.
— Pero…? – ela perguntaria sobre o casaco quando ele, como névoa, sumira entre a escuridão das ruas seguintes.”
Fim do flashback...
— Não pode ser, não tem como – pensava Maruja, que refletia mais: — Deve ser algum parente ou um irmão. Certamente é isso.
Seus pensamentos foram interrompidos por um forte vento que escancarou a janela...
— Carajo de mierda! Me olvidé de poner la tranca en la ventana! – exclamou a policial se levantando e indo à janela, no que ela sentiu um gelado vento arrepiar sua pele: — Que estranho, não estava tão frio quando eu, Bella e Edward voltamos. Caramba.
Quando ela se virou para ir para sua cama, visualizou pendurado na velha estrutura de cabide o casaco preto que lhe fora dado na fatídica noite de 24 de julho de 1993 e lembrou-se de que o dono nunca a procurara para requerer de volta a vestimenta ou sequer apresentar-se para pelo menos dizer como se chamava. Sorriu tristemente quando viu Bella entrar: — Eu acordei com alguma coisa batendo e vim até aqui.
— Droga, as janelas dessa casa são velhas e rangem muito. Me desculpe se isso a acordou – disse Maruja rindo.
— Eu tive sorte de acordar com a janela batendo, pois eu estava tendo um pesadelo terrível antes de ser bruscamente acordada – disse Bella tremendo um pouco em razão do vento que corria por uma ventarola aberta.
— Sonhou com aquele cara esquisito que conhecemos na festa? – perguntou Maruja como se pudesse adivinhar.
— Como sabe?! – Bella espantou-se.
— Sexto sentido, talvez. Mas o fato é que aquele amigo da minha madrinha é muito estranho – disse a policial tentando conter, sem sucesso, o espanto que ainda tinha.
— Edward me disse que tem algo errado com Leopoldo, mas ele não soube me dizer o que era. E eu ainda tive esse pesadelo com ele me mordendo no pescoço e na festa, você suava e tremia depois de ver o convidado que María nos apresentou – disse Bella.
— Ele é igualzinho a uma pessoa que conheci quando era criança, mas não pode ser o mesmo porque ninguém passa dezessete anos sem mudar um dia sequer. Isso é humanamente impossível – riu Maruja quando a americana olhou para o cabide no canto do quarto: — O que é aquele casaco?
— A pessoa que conheci me deu após me salvar de morrer no incêndio de um cinema do qual o meu pai foi a única vítima – disse a oficial apesar de não gostar muito de falar sobre o assunto.
— Eu ouvi sua madrinha comentando isso com uma amiga dela quando a tal senhora disse ter te reconhecido de uma foto de 1993 de uma reportagem que comentava que você havia sobrevivido – Bella a observava.
Maruja nada respondeu e assim Isabella notou o quanto aquele assunto a incomodava:
— Desculpe, entendo você.
— Acho que passou de nossa hora de dormir, não? – riu Maruja.
Ambas riram e logo foram entregar-se a Morfeu ao mesmo tempo em que um observador anônimo sorria ao longe: — Nunca pensei que aquela menina do cinema se tornaria uma mulher tão linda e que fosse provar o sangue de alguém da Norte América, porém, será somente uma vez.No dia seguinte, Maruja, Edward e Isabella acordaram para ir à delegacia, pois certamente o chefe da policial já iria começar com os depoimentos das testemunhas e isso já não podia esperar mais. Foi quando o americano reparou em Isabella: — Você está sentindo alguma coisa? Está pálida, meu amor.
— Não sei, Edward. O stress dos últimos dois dias deve ter me deixado assim. Teve uma hora que meu sono foi embalado por um pesadelo horrível onde alguma coisa mordia meu pescoço e chupava meu sangue – disse Bella omitindo a parte referida ao inesperado responsável, sentindo que seria melhor não dizer nada sobre.
— Realmente fica parecendo isso, pois você está ainda mais branca do que já é, mas certamente deve ser a quantidade de stress que tivemos – disse Edward preocupado.
— Na delegacia tem posto médico. Quando chegarmos, eu levo Isabella até lá – disse Maruja.
45 minutos depois, o trio chegava à delegacia, ao que eles foram ruidosamente recebidos pelos colegas de Maruja:
— Hola! Como están?
— Todo mundo, por favor, os deixem respirar! – disse o homem que parecia ser o chefe.
— Buenos dias, comisionado Porcel – sorriu a policial.
— Lo mismo a tí, Marujita. Estos son los testigos de dos dias antes? – disse Porcel.
Ela assentiu e logo Porcel pediu que os dois se sentassem e contassem o que tinham visto quando Maruja disse que levaria Bella ao posto médico, pois ela não parecia bem, ao que ele assentiu e pediu a Edward que começasse a dizer o que sabia ou tinha visto.
— Eu não vi o ato em si, mas o barulho de gritos e coisas sendo rasgadas foi o suficiente para me deixar profundamente chocado, mas eu juro que não posso entender como apenas uma única pessoa ou o que fosse aquilo, poderia fazer tal ato.
— Como vocês foram parar no posto? – perguntou um detetive escrevendo em um caderninho.
— Eu e Bella chegamos a Buenos Aires quase anoitecendo e demoramos um monte para achar um táxi e o único que encontramos estava com o tanque quase vazio e com o motor superaquecendo, tanto que o taxista nos pediu desculpas após parar e ainda, disse que não cobraria nada mais do que o trajeto. Eu estava morto de fome e precisava comer alguma coisa. Foi quando, chegando ao caixa, vimos o taxista e a balconista conversando e de repente quase fui pego por uma bala de escopeta e eu e minha esposa tivemos que nos esconder atrás do balcão da loja do posto, para depois sermos rendidos por uma quadrilha de vinte homens armados que queriam assaltar o local e sabe Deus fazer mais o que. Do jeito que eu estava, nem consegui sair do lugar e Bella propôs que deveríamos entregar nossas coisas aos ladrões e assim ela se ofereceu para fazer o “serviço sujo”, mas apenas cinco minutos depois, ela voltou até onde estava com a expressão horrivelmente assustada. Só ontem tomei coragem para perguntar o que ela tinha visto e ela me descreveu do seguinte modo...
— Não deveria ser ela a falar sobre isso? – perguntou o detetive, que recebeu uma reprimenda: — Por Dios, Molina! La señora Cullen está con un mal estar y necesitó de medicarse!
— Sim, o stress dessas últimas 48 horas nos deixou esgotados, especialmente a Bella, que já tem uma saúde um pouco frágil em consequência do antigo vício dela em drogas – Edward disse, porém, tapou a boca ao perceber que falara mais do que deveria.
— Senhor Cullen, não se preocupe, não estamos aqui para julgar as decisões passadas de qualquer uma das partes, só precisamos saber o que aconteceu naquele posto dois dias atrás. As imagens das câmeras de segurança nos darão uma melhor ideia, mas ainda estamos esperando o mandado de busca porque a dona não quer mostrá-las por algum motivo – disse o delegado Porcel.
— Considerando o que aconteceu, não me surpreendo com isso. Ninguém iria querer ver certamente. Considerando o resultado final que eu e Isabella vimos, não fico admirado com a recusa da dona – disse Edward.
— Mas acho que você sabe que precisamos de todas as evidências que pudermos para resolver isso, não? – perguntou o detetive Molina, que logo ficou vermelho ao ser chamado por outro policial: — Pierry, vem cá!
— É o apelido do Molina por causa de uma série que passava no começo dos anos 90 – riu Porcel para depois perguntar: — A balconista e o taxista conversavam sobre o que exatamente? E foi nessas circunstâncias que você e sua esposa conheceram a detetive Maruja?
— Na verdade eu não tive tempo... Realmente eu não quis me meter em assuntos alheios, então, não questionei embora eu tenha notado que eles já se conheciam e que ela tem uma prótese mecânica em uma das pernas. E sim, ela estava no posto tomando café quando a vimos pela primeira vez – disse Edward começando a sentir uma estranha presença na delegacia enquanto Porcel lhe pedia para descrever o que Bella havia visto, sendo que ela ainda se encontrava sendo examinada pelo médico.
Edward descrevera exatamente o que Bella lhe contara: um rosto perfeito e sem expressão, imensa brancura que aparentava ser fruto de maquiagem muito pesada, nenhum traço de sobrancelhas, o cabelo escuro e farto, um corpo perfeito, parecendo se movimentar como se estivesse levitando e que mais parecia um boneco de loja do que uma pessoa. A veste completamente branca estava coberta de sangue e o corpo da coisa era coberto por buracos de bala, um total de vinte três de onde escorria muito líquido vermelho vivo, que fazia um rastro desde local desconhecido. Enormes presas na boca e os outros dentes pareciam estar escondidos pelos caninos, que fizeram sua esposa se perguntar como aquilo conseguia se projetar sem rasgar a mandíbula, pois o misterioso rosto parecia de cera. O pior mesmo havia sido quando a coisa de expressão imóvel sorriu e mostrara que todos seus dentes eram pontudos e afiados, tão dessa maneira que era de se perguntar como a boca se fechava sem rasgar o rosto todo.
— E o resto, o senhor já sabe – suspirou Edward com alívio ao perceber que tinha terminado de dizer o que sabia, porém, sentindo o ar pesado à sua volta com a misteriosa presença que aos poucos se materializava aos seus verdes olhos e somente a eles.
— Agradeço pela sua colaboração. Espero que com isso e mais as imagens das câmeras de segurança, possamos resolver isso logo e deixar a cidade tranquila – Porcel se mostrava satisfeito com o rumo das investigações.
— Usted sabe que eso nunca será posible se yo y otros quedarnos sin nuestro derecho de tener el descanso eterno – o homem de bigode sussurrava ao ouvido de Edward, que estava a um passo de ter uma crise de pânico ao que o delegado percebeu que ele não parecia bem: — O senhor precisa de alguma coisa? Você parece se sentir sufocado.
— Só preciso de ar fresco, lugares fechados nunca me fizeram bem desde sempre – disse Cullen para depois pedir permissão para sair de onde estava.
Com a permissão dada, Edward saíra em direção ao posto médico para ver Isabella, porém, se viu obrigado a parar no meio do caminho e ir para um lugar escondido, pois o espírito não parava de chamá-lo e dizer que o ouvisse...
— Quien és usted? Qué quieres de mí? – o coração de Edward batia com tal força que por um momento ele achava que seu peito se rasgaria de dentro para fora.
— Mi nombre era, y aún lo és, José Ignacio Rucci y necesito de tu ayuda, extranjero. No puedo más soportar quedar preso en el mundo cuando ya estoy muerto hace mucho. No lo puedo más, jovencito, no tengo más fuerzas para estar preso a la Tierra, pero, estoy, así como otros, prendido a una fuerza que no se decir lo que és – dizia o espírito.
— Por qué entonces usted hizo aquellos horribles homicidios? Te olvidaste que un día fuiste humano como yo? – perguntou Edward quase às lágrimas.
— Cúando tienes rabia, odio, inconformidad, descrencia, todo misturado adentro, una hora todo eso viene afuera y en mi caso, hize todo aquello no solamente por estar aprisionado a mi pasado como también por mirar que este mundo se convierte en algo cada día más podrido e en decadencia, pero, jamás quiso realmente hacerlo, mas, como le dije, una fuerza inexplicable me llevó a eso – a voz dele se alternava entre normal e diabólicamente alterada durante toda a fala e sua aparência ora tinha bigode e parecia normal e ora era a horrenda expressão impassível.
— Yo haré lo necesario para libertarte de esa horrible prisión. Ningún hombre, vivo o muerto, merece algo así – disse Edward ao que o espírito o olhou de soslaio:
- Sólo te hablo una cosa: tengas mucho cuidado, joven extranjero. Esta ciudad puede ser muy linda y sus noches inolvidables, pero, en ellas se ocultan cosas extremamente demoníacas y mucha, mucha sed por sangre, preferencialmente, sangre humana.
— De qué hablas? – Edward perguntou apavorado, porém, o desencarnado logo desaparecera.
Edward ainda se encontrava apavorado e somente faltando alguns passos para chegar ao centro médico onde Bella estava sendo atendida. Sem imaginar que estava sendo observado por Molina e o policial que o chamara:
— Ele tem um dom, Pierry. Um dom muito perigoso, você sabe. Se o inimigo souber de Edward Cullen, esse garoto vai correr risco de morte.
— Eu sei disso, Lisandro. Nós temos que protegê-lo. María, Ramón e Lucía já não podem mais exercer seu dom plenamente, os três estão mais velhos e ficam muito fracos quando o usam, mas Edward parece ter medo daquilo que é capaz de fazer – disse Molina analisando o depoimento de Edward.
— Que pessoa não se sentiria deslocada sabendo que pode falar com gente que já morreu? – perguntou Lisandro.
Molina só pôde balançar a cabeça em negativa enquanto ele e o policial pensavam em como proteger o paranormal Cullen de prováveis ameaças.
Quando o jovem americano finalmente alcançara o posto médico para avisar que sua esposa não precisaria depor, ouviu uma conversa que parecia estar na metade...
— Se você não acredita, Maruja, preste atenção nisso – disse o médico esticando um pouco a pele de Isabella, ao que nela apareceu uma marca dupla cuja cor era vermelha.
— Doutor, o que significa isso?! – Edward entrou correndo sem dar chance alguma de uma espantada policial responder.
— Maruja no me creé, pero, mira esto, señor – pediu o profissional, que em seguida disse: — Sua esposa foi atacada por um vampiro. Essa palidez não é fruto de stress. Isabella foi drenada em pelo menos um litro e 400 ml de sangue. Muita gente não crê em vampiros, mas qualquer pessoa que observar com cuidado percebe que esta ferida foi a transferidora do sangue para a criatura.
— Até onde eu sei, não existe nenhuma evidência da existência dessas coisas. Como o senhor tem tanta certeza disso? – Maruja se recusava a abandonar sua postura cética.
— Como? Pense bem: se essa marca tivesse sido causada pela mordida de um animal, ela não seria do tamanho que está aqui. E ainda, a mordedura de um animal de grande porte poderia matar Isabella considerando o impacto sobre os ossos e caso ela não recebesse o atendimento adequado e a de um morcego seria pelo menos três vezes menor que essa e não drenaria mais que alguns ml de sangue. Neste caso, a mordida drenou perto de um litro e meio e mostra uma distância de pelo menos cinco centímetros entre os orifícios – disse o homem, deixando Maruja e Edward quase sem reação.
— Se isso realmente, eu digo se, for autoria de um Drácula da vida, qual razão ele teve para deixá-la viva? Até onde eu conheço sobre vampiros, eles não são chegados em preservar a vida das vítimas – Maruja não queria acreditar no que via, mas as evidências eram claras demais.
— Parece que nosso amigo, ou amiga, de caninos alongados não gosta de matar ou está preferindo desfrutar vagarosamente do sangue jovem da senhora Cullen. Além do mais, com todo o respeito, jovem senhor, Isabella é uma linda mulher. O senhor é um homem de sorte – sorriu o médico.
A policial e o paranormal se olhavam enquanto Isabella pensava em quanto seu pesadelo havia sido real e agora começava a desconfiar de que não havia tido um simples sonho ruim, considerando com quem ela havia tido semelhante experiência. Somente começava a relembrar.
— Recomendo que a senhora tome uma boa dose de vitaminas e durma com as janelas trancadas a partir de hoje. Prefiro garantir que seu pescoço e sangue estejam seguros – disse o homem, que se apresentou como Dr. Paco Gatica.
— E os cadáveres do posto de gasolina? – perguntou Maruja.
— Não foi exatamente fácil autopsiá-los, considerando que tive que remontar pelo menos doze deles antes de começar o trabalho, mas notei de cara que as mortes foram causadas por ferimentos impostos através de algo extremamente afiado capaz de rasgar coisas como se fossem papel – disse Gatica.
— Certo. Vou reportar isso ao Porcel – disse Maruja saindo com o casal Cullen.
Os três, após aquela conversa com o doutor Gatica, sentiam como se o mundo tivesse sido colocado em suas costas. Seria difícil, mas eles não imaginavam que agora, estavam a um passo de ter que salvá-lo.
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