Cidade De Heróis

10 Depois da Tempestade


Notas iniciais
Depois da Tempestade sempre tem a polícia... Feliz férias, pessoal!

A luz ilumina a noite, a eletricidade nos abate. A calçada racha em pedaços quando o raio a atinge. A mulher era a única que não corria desesperada. Como é que o raio não a arremessava para longe? Seria como eu? Quando o fogo não queimava minhas roupas? O meu controle sobre as chamas mantinham-nas longe? Talvez.

Vejo o pedestal pontudo do centro da praça rachar ao meio. Quem diabos poderia ter um poder como esse?

Concentre-se! Penso para mim mesmo. Não posso continuar a viajar fora da luta assim. Tenho que manter minha mente acordada. Eu e Fatal nos escondemos atrás de um dos murinhos da praça que servem para segurar a terra e as árvores decorativas. Percebo, ao olhar a mulher, que seus cabelos, que antes eram castanhos, tornaram-se brancos e parcialmente arrepiados. Pequenos raios circundavam-na como se ela fosse uma Bobina de Tesla gigante.

O vento acumula e torna-se mais forte, fazendo o fogo nas minhas mãos mudar de direção frequentemente. Os raios na praça atingem aleatoriamente. Alguns caem nos para-raios dos prédios que nos circundam.

Será que seu poder apenas restringe a mudar o tempo? Talvez não tivesse controle sobre os raios.

As mãos da mulher apertam e são movidas para nossa direção, como se apontasse para nós. Ela poderia atirar raios das mãos?

—Sai daí!- Fatal grita. Em um segundo, impulsiono meus pés contra o chão, direção esquerda. Uma luz de contraste azul ilumina o chão, e ao atingir o chão, sou arremessado sete metros de distância. O som não demora a chegar.

Sou forçado contra um dos bancos de madeira da praça, e ele parte em dois pedaços. Minhas costas fumegam. Sinto dor nas costelas. Meus ouvidos doem, uma sirene fina e alta abate minha audição. Se eu não tivesse poder de cura, talvez já estaria morto.

Por outro lado, isso responde minha questão. Ela tem controle sobre os raios. Me levanto rapidamente, e sinto câimbra na perna esquerda. Manco até outro murinho de pedra. Acendo fogo novamente na palma da minha mão direita. Miro na mulher.

O fogo alastra até a direção dela. Levanto minha mão esquerda e atiço as chamas também. Se ela consegue controlar os raios e fazê-los circundar sem queimá-la, por que eu não?

Concentração. Eu consigo! O rosto de Caitlin aparece. Tento voltar a concentrar, mas o rosto dela apenas se torna mais nítido. Droga!

As chamas nas minhas mãos parecem esquentar. Forço mais. Esquenta. A Mulher-Raios continua a desviar-se, mantendo ela distraída de Fatal. Fatal, sem fazer um único som, se aproxima dela. Prepara-se para socá-la.

Um dos raios que circundam o corpo dela atinge ele, como se estivesse protegendo-a! Como ela pode ter tanto poder? Concentro-me mais. Pense! Como se fosse uma armadura. Uma armadura, protegendo-o de qualquer faca que tente penetrar sua carne. Algumas finas camadas de fogo começam a arredondar o meu braço, logo, o meu corpo.

Então libero as mãos. Eu sempre forcei o pulso para lançar o fogo no oponente, mas não é isso que eu devo fazer. Eu devo liberá-lo. A mulher desvia novamente, mas eu controlo a ponta do fogo na sua direção, como se fosse um dragão totalmente de fogo a caçar o cordeiro no alto da colina. Atinjo-a nas costas.

Aproveito o tempo para alcançar o Fatal, caído no chão rochoso e bege da praça. Ele tenta se mover, mas está aparentemente muito fraco. Chego mais perto e lhe dou apoio para carregá-lo até a árvore mais próxima. Percebo que sua camisa tem um rasgo fumegando onde o raio atingiu. Passo a mão por perto, e o fogo é absorvido.

—Você está bem?- pergunto. Ele geme. Espero ele dizer algo engraçado, como acontece em quadrinhos da Marvel, mas ele não responde por alguns minutos. Até então, a Tempestade já se pôs de pé. Observo enquanto ela tira o casaco em chamas e joga-o no chão.

Sinto o celular no bolso da minha calça vibrar. Quem será que está me ligando agora? Vejo o número da Caitlin aparecer na tela. Atendo.

—Cait? Que foi?- pergunto. Percebo que estou respirando alto. O cansaço me atinge facilmente. Espero um pouco para ela responder.

—Ta-tava tem-tentando te li-ligar faz uma ho-hora!- a conexão está horrível. Os raios da tal Miss Eletricidade parecem atrapalhar as linhas telefônicas. -Que chiado é esse?

—Parece que a conexão está ruim!- respondo. Fatal me olha, como se eu estivesse fazendo algo estranho.

—Você traz seu celular para luta?- ele pergunta. Não respondo, apenas fico parado ouvindo o chiado, tanto da voz dela atrás da linha quanto dos raios da mulher tentando nos matar.

—É, eu a-acho q-que é is-zo!- Caitlin responde. -O-onde você tá? Em casa?

Penso em uma resposta boa. Algo que pudesse ser considerado metade verdadeira.

—Eu estou na... praça.- digo por fim. Sei que isso não é uma resposta completa. Existem milhares de praças em Manhattan. Mas não posso dizer qual- com certeza qualquer uma menos essa, que está sendo palco de luta de dois vigilantes e uma inimiga com poderes.

—Então, q-que foi?- eu pergunto. Vejo a Miss Eletricidade levantar as mãos. Daqui a pouco eu não posso mais continuar a falar. -Acho que não vai dar pra gente falar muito agora, sabe, tem uns problemas...

—Vo-você não estaria po-por aca-caso na praça de-de Columbus Circle, es-estaria?

Como ela sabe? Percebo, então, um helicóptero nos filmando do alto. Droga! Se o noticiário já chegou aqui, quanto tempo demoraria para a polícia também entrar?

—Não, não é essa praça.- minto. -Por quê?

—Eu estou olhando na TV... Tá te-endo uma luta-ta daqueles Afetados nes-za praça. Uma mulher com poderrr-res de raios... e te-tem um que queima... e uma espécie de-de ninja.- ela me informa. -O ninja e o cara do fo-fogo estão parad-dos agora. Acho que da-daqui a pouco um raio cai ne--

A conexão cai. Vejo um clarão no céu.

—Cuidado!- grito para Fatal. Mas ele já tinha se movido. Tento me esconder novamente. Olho para a calçada quebrada em pedaços de rocha, depois para o meu celular.

Conexão Perdida. Novidade. Guardo o celular no bolso, e antes que pudesse perceber, estou partindo pra cima da Afetada. Meus pés formam faíscas ao bater no chão. Acumulo minhas chamas nas minhas mãos, e jorro na mulher. Ela tenta desviar correndo, mas sigo-a com o fogo, como se fosse um lança-chamas. Outro raio cai. Sou arremessado novamente.

Quando bato a cabeça no chão, olho para o céu. Já é totalmente noite. O helicóptero nos céus parece perder um pouco a estabilidade após o raio. Qual é a deles? Está caindo uma tempestade aqui e eles decidem nos filmar com um helicóptero.

Me levanto depressa, e então ouço as sirenes.

—Depressa, Fatal. A polícia!- aviso-o.

—Eu SEI!- ele responde, desviando das cargas elétricas da Afetada. -Mas a gente ainda tem que acabar com ela, né?!

As sirenes da polícia parecem aumentar. Eles estão quase chegando. -Vamos!

Tento ajudá-lo jorrando fogo. Mas ela sabe se defender. Logo ela também percebe o barulho da polícia, e nesse meio tempo nós ficamos lutando. Não quero deixar ela fugir. Não podemos arriscar sermos presos também. Qual era a melhor alternativa?

Desvio dos seus raios, alguns acertam o metal nos botões do meu casaco, como se os raios fossem conduzidos até mim. Bem, metal é condutor. Mas não posso sair por aí com um casaco de borracha!

Fatal acerta-a com um chute, fazendo-a desequilibrar e cair duro perto do pedestal. Ela tenta se levantar, mas empurro-a de volta.

—Você fica aí!- ameaço, ou tento, ao menos. Vejo luzes vermelhas e azuis iluminarem a rua. Três carros da polícia aparecem. Os policiais saem, com as armas apontadas para nós.

E agora? Levanto as mãos, um gesto ridículo. Fatal também. A Tempestade continua no chão, parada. Depois percebo sua mão esquerda tremendo.

Os policiais vão se aproximando com cautela. Suas armas já estão com a mira travada e gatilho pronto.

—Central, conseguimos eles.- ouço um deles avisar pelo comunicador preso na camisa. Espere... Central?

O homem aperta o gatilho. Sinto o vento ir contra mim. Num flash de som, o braço do Fatal está na minha frente. Vejo a bala na sua mão. Um tranquilizante.

Eles estão usando tranquilizantes contra nós?

No canto do olho, vejo a mão da mulher apertar com força.

—CUIDADO!- berro repentinamente. Num salto, me afasto da explosão, alguns milésimos antes do raio cair no chão. Depois, nenhum sinal da Afetada.

—Bem, parece que também é a nossa deixa.- aviso a Fatal. Nós dois corremos na direção dos prédios, abaixando aleatóriamente ao som dos tranquilizantes sendo atirados.

Fatal sobe o prédio com destreza. Faço o mesmo. Quando estou perto de chegar ao topo, um dos tranquilizantes perfura meu ombro. Sinto meu braço fraquejar, e quase caio, se não fosse pelo Fatal segurá-lo bem a tempo. Apago após isso, observando as luz dos faróis acesos nos carros da polícia.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.