Cidade De Heróis
5 DareDevil
Notas iniciais
Ela se aproxima lentamente até mim. Aquela garota que inexplicavelmente saiu de coma... e que está se aproximando. As pessoas por perto também não devem ter esperado por ela: todos não cansaram de sussurrar seja lá o que. Todas as mesas pararam de olhá-la, mas eu consigo ouvir a conversa de cada um.
–Jack?- ela diz, sorrindo. -Minha irmãzinha falou de você... eu sou Selena! Sai daquele coma, e sabe como é? Eu perdi a noção do tempo, como sempre.
Ela realmente parece legal, mas não são todos que saem de coma de um dia para o outro. Eu não sei o que dizer.
–Tudo bem, Jack?- Cait se preocupa.
–Oi? Ah!- estou realmente estranho. Mas não posso demonstrar isso. -Okay. Vou pegar meu almoço...
Leyland se surpreende. Por nada.
–Mas ninguém sai dum coma do nada!- nós caminhamos pelo corredor. Próximo horário, História, não demanda muito por atraso, então eu posso ficar conversando um pouco mais que devido.
–Eu sei, Leyland, mas pode... pode...- paro de falar. Lá está ele, que eu achava que tinha faltado. Mas era só mais um idiota atrasado. Ethan.
Agarro-o e pressiono ele contra o seu armário, furioso. Ele matou gente. Como uma cobra. Seus olhos são de espanto primeiro, mas depois se transformam em raiva.
–Qual é! Me larga, Staggerson!- ele fala bem alto.
–Você! Sua serpente!- ele me olha confuso. Mas o outro olhar se segue ao professor de Física ao meu lado.
–Querem parar o que diabos estão fazendo e irem para a sala, ou vou ter que chamar o diretor para decidir?- ele desafia.
Largo Ethan, e me apresso para a aula. Leyland corre até mim, curioso. Como sempre. Eu realmente não quero conversar sobre o que acabou de acontecer, mas dessa vez não vou me safar.
–Pode me dizer que merda você tava fazendo com Ethan?- ele pergunta. -Uma hora cê tava de boa, depois furioso. E não é só agora. Me diz!
–Isso é entre mim e o Ethan! Não vai se meter nisso!
Ele sai de perto de mim, dizendo: -Okay, mas não espere falar comigo até você explicar o que tá acontecendo.- E sai.
Não chamo o nome dele nem nada. Apenas entro na sala, escolhendo um lugar.
Finalmente, dá o fim da aula, e saio para caçar O Serpente. Não é um nome legal, mas é tudo que tenho em mente.
Pego um casaco vermelho por cima da camisa cinza, ajeito a gola, e pego a minha touca. Mas não está furada como a que eu uso. A de assaltante... não está, pego a touca e ponho-a sem outra opção.
Repito o que fiz ontem, subindo nos prédios. Quando localizo o som de serpente familiar, percebo que outro som se mistura com esse, um som de luta. Sem mais nem menos, pulo do prédio, caindo livremente, vendo as ruas aumentarem enquanto entro em chamas, e me aproximo da rua afastada da cidade e de onde ocorreu a explosão.
Dois homens lutam quando pouso suavemente em um telhado. O Serpente desfere golpes com a cauda e garras, enquanto o outro, que usa um tecido tampando os olhos e o nariz e uma camisa de manga comprida preta, desfere outros golpes, mais marciais.
O Serpente ataca com a garra e cauda ao mesmo tempo, e o inimigo deflete a garra e a põe no chão, pisando com o pé, e a cauda ele puxa para si, desequilibrando o Serpente. Uma série de outros golpes do de preto são feitos, cada soco no Serpente.
Mas então o Serpente revela a parte humana, trocando escamas por pele. Mas ao contrário de quem eu esperava ver, não é Ethan. É um homem bem mais velho, que ri do mascarado de preto, que levanta a mão, pronto para matar o Serpente.
–Não!- demando num grito. O mascarado olha para mim enquanto ataco-o. Não gosto de Ethan, mas ele não pode morrer agora. Ataco o mascarado com um soco em chamas ardentes.
Mas ele desvia. Volto a dar um chute, que ele esquiva. Com um combo de um soco, outro soco, chute e cotovelada. Mas ele simplesmente dá dois passos para trás. É como se ele pudesse ler meus golpes.
Quando ele tenta dar um soco, acabo segurando com a mão de chamas, mas ele tem um pano que protege a mão. Aperto a mão dele a ponto de queimar carne viva. Ele me chuta nas costelas e solto sua mão, que sai uma fumaça pequena que some com ele chacoalhando a mão. Mas sorrio ao ver que causei algum dano.
Continuamos a lutar.
–Eu estou do seu lado!- digo a ele.
–Teria me deixado matá-lo, se estivesse.- ele retruca, desferindo um chute.
Retalho e troco com um soco, ele se move para o lado. Um chute, e ele leva o corpo para trás. Ele tem poderes sem que alguém perceba.
–Não pode matar meu amigo.- sei que Ethan não é tanto meu amigo, mas estou tentando salvar uma vida.
–Amigo? Meu irmão é aquele monstro!
Paro de lutar, e me movo como um lança chamas para trás.
–E se ele não for nenhum dos dois?- imagino, retirando minhas chamas e torcendo para que ele pare de lutar. -Se ele tiver o poder de transformar-se em outra pessoa?
Ele parece pensar. Agora o Serpente/Camaleão desapareceu, e a polícia já está por perto para saber quais eram o barulhos de socos e queimadas.
–Me encontre aqui, na próxima. Eu sou Fatal, e nunca estive aqui, se perguntarem.- e some.
Também dou o fora, chegando até perto de minha casa, mas alguém me para. Uma mulher de preto.
Revolucionária.
–Que você está fazendo aqui?- ela pergunta a mim.
–Fugindo.- respondo. Nós simultaneamente perguntamos, eu pergunto E você?, e ela pergunta De quem?
Ela responde primeiro.
–Te segui.
–Fugindo da polícia, porque fiz muito barulho lutando. Mas então...
Simultaneamente de novo perguntamos. Eu pergunto Por que me seguiu?, e ela pergunta Com quem?
–Com quem o que?- eu pergunto de novo.
–Estava lutando.
–Uma serpente.
Percebo, então, que os pés dela não estão no chão.
–Te segui- ela responde. -Por curiosidade.
–Já tem umas respostas.- digo e corro, mas ela me bloqueia.
–Não se meta em encrencas, ou eu vou ter mais respostas ainda.
Entro em casa, esperando meu pai. Mas ele já está dormindo, e não penso em mais nada senão ir para cama.
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