Cidade De Heróis
6 Camaleão
Notas iniciais
Acordei espantado, as últimas cenas da noite anterior correndo pela minha mente.
A Revolucionária. O Fatal. Selena.
Me levanto, tomo banho, coloco uma camisa vermelha, um jeans e um casaco preto. Me pergunto como minhas roupas não queimam quando pego fogo. Desisto de pensar nisso, e vou para a escola.
Me encontro com Caitlin no almoço, deixando o que deveria ser o lugar do Leyland (o idiota) ser um espaço a mais. Enquanto enfio goela abaixo meu macarrão, um pouco quente demais(haha), ela diz:
–A gente tá livre hoje à noite. Poderíamos combinar alguma coisa.- tento evitar a empolgação. Até ela dizer: -Minha irmã pensou em boliche.
Selena vai? Tô ferrado. Penso, sentindo minha garganta esquentar, e o motivo não é o macarrão.
–Pode ser...
Selena me olha, novamente aqueles olhos de águia. -E você pode trazer aquele seu amigo.
Sei que ela quer dizer Leyland. Mas como vou chamar ele? Ai, bosta.
Vou para a primeira pessoa que consigo pensar.
–Sério mesmo?- Ethan reclama.-Eu?
–Só uma noite, cara. Por favor.- digo. Mostro dez dólares.-Eu te pago!
–Só isso? Depois do que você me fez passar no corredor?
Pego uma nota de cinco. -Quinze? Boliche.
Ele aceita. Espero todas as aulas passarem, um pouco ansioso demais. Até as aulas acabarem pelo dia, então vou para casa, sabendo que meu pai só voltará mais tarde do seu emprego como engenheiro. Me arrumo, ainda com o casaco, e vou até o boliche correndo(ainda não peguei a manha de como voar).
Chego lá vendo que todos os outros já haviam chegado. Sempre chego atrasado. Vejo a tabela de boliche deles ao chegar:
SEL |------------------------------------16
CAI |------------------------------------10
KOB |-----------------------------------14
–Ainda no primeiro round?- pergunto. Mas presto atenção mesmo em Caitlin. Ela veste um casaco bege e uma camisa preta, com calças jeans.
Ela está linda. Mas me olha estranho.
–Que foi?- ela pergunta. Também sinto o olhar pesado da irmã. Qual é o problema dela?
–Quem diabos é Kob?- pergunto, tentando disfarçar constrangimento.
–Sou eu.- diz Ethan, depois de um spare. -Kobe Briant, pra eu ser mais profissional.
Ethan é Ethan.
Paro de pensar e vou me juntar ao jogo, digitando o meu nome:
Jack
Ethan observa. -Vamos lá! Cadê os nomes bons?
Penso, apago o nome. Penso em algo relacionado com fogo. Não demora! , Selena diz. Mas não ouço.
Híperion
Melhores nomes, aqui vamos nós! Muito bom ter um nome melhor do que Flame Thrower.
Mas ao voltar para o jogo, fica assim:
HIP |------------------------------------------|00
Ethan ri, acompanhado de Selena. Caitlin sorri para mim, e retribuo.
–Sua vez, Hippie.- Ethan zoa. Me encaminho até a pista de boliche, pego qualquer bola e me surpreendo: Não pesa nenhum pouco!
Jogo-a sem atenção, com toda força à frente. A bola gira pela pista em rapidez, sem efeito. Abate quatro pinos.
–Você é horrível.- diz Selena. Será que vi Caitlin lançar um olhar pesado para a irmã?
–Só estou começando!
Lanço outra, um pouco mais concentrado. A bola voa no ar, batendo os seis pinos restantes. Yeah! Consegui!
Depois de um tempo, com mais spares e decepções(ao menos para mim, ao ver que não faço um strike), esperamos e pedimos algo para beber.
Sigo Caitlin para pedir tudo ao barman, que literalmente dorme no canto. Antes de alcançarmos ele, falo:
–Sua irmã não parece gostar de mim.
Ela sorri levemente. -Ela é assim. Desde que movemos para cá.
Apenas permaneço quieto.
–Eu acho estranho que ela estava em coma há alguns dias... e agora está aqui, completamente normal. Completamente como antes.- ela continua. -Mas não é assim. Eu sei que tem algo estranho. Alguma coisa diferente nela. Não sei o que é, e nem ela quer demonstrar.
–Diferente?- eu pergunto.
–Você não vai entender. Nunca teve que viver com ela.- ela diz, virando os olhos para o lado. -Não sabia como seria começar uma vida nova aqui. Tava perdida. Eu contava com a minha irmã para me ajudar, mas ela não tava lá na hora certa. Você tava. Me ajudou muito que eu me arrumasse em Manhattan.
Olho ela. Ela me olha. Meus olhos laranjas olham os seus olhos verdes brilhantes. Nos olhamos por tempo suficiente, até nos beijarmos. Um beijo nem longo nem pequeno, mas quente, e até que nos soltamos. Ela sorri novamente, desta vez mais feliz. Eu também.
Cutucamos o barman e pedimos duas pizzas.
Depois dessa parte da noite, me arrumo para fazer o que sempre faço: apanhar a gangue do Edward. Mas agora tenho um outro objetivo: me encontrar com Fatal e apanhar o Camaleão.
–Aqui estou eu!- grito para o mesmo local de antes, esperando o homem de preto chegar de qualquer outro lado.
Até que ele cai, pousando suavemente no chão.
–E aí, Esquentadinho?- ele fala.
–Sério mesmo?
–Você não tem nenhum apelido.- ele reclama.
–Pode me chamar, de agora em diante...- digo com uma pausa teatral.- Híperion!
–Extravagante.
–O que?
–Muito chato.- ele começa a correr.
–Sou eu quem devo escolher!- eu termino a discussão do meu nome. -Onde estamos indo?
–Uma loja!- paramos em uma farmácia.
–Vai comprar remédio?
Ele espera.
Ouço o som das escamas correndo em nossa direção.
Entro em combustão.
Fale com o autor