Cidade Da Noite
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Enfim, assim que pude tentei escrever rapidinho pra postar pra vocês :))
Foi tudo muito rápido e Carol ainda se perguntava como havia ido parar na praia ao lado de sua melhor amiga. Letícia havia aparecido do nada, acertando alguma coisa brilhante que ela não conseguiu ver na cabeça de Victor e então puxara a amiga pelo braço, levando-a até ali e soltando xingamentos.
– Você já pode me explicar o que está havendo? – Carol perguntou.
– Ainda não – a amiga respondeu simplesmente. Então abaixou o tom de voz. – Mas que merda, não acredito que aquele idiota... Victor não tinha o direito, aquele desgraçado...
Carol apenas balançou a cabeça e continuou seguindo a amiga, que caminhava a passos rápidos. O que estava havendo afinal? Naquele momento, tudo parecia culpa de Ben, afinal as coisas começaram a ficar assim depois que ele apareceu, não é?
Houve uma explosão. Meu corpo foi jogado no ar e senti meu coração avançando em um ritmo frenético e então falhar uma batida. Estava ventando, mas o ar não veio para meus pulmões. Lá em baixo, Victor encarava o carro com o cenho franzido. Mas ele estava bem, caíra agachado ao lado do carro. Mas como? Então o ar me segurou. Ou parecia que isso acontecera, porque o ar não tem consistência.
A menina balançou a cabeça, havia se perdido na imagem do acidente de novo. Depois disso as coisas haviam ficado estranhas. Victor se aproximou dela e começou a ter um senso protetor psicótico. Letícia ficara ainda mais enjoada com os estudos, prendendo ela quase todas as tardes. E então apareceu o Ben. Havia alguma ligação em tudo isso?
Um vulto atravessou sua visão. A pressão em seu braço cessou. A seu lado, Letícia estava caída, olhando-a com uma expressão surpresa e um rastro de sangue em sua perna.
– Fuja, sua idiota – Letícia disse entredentes e estendeu algo brilhante para a amiga.
Carol pegou o objeto e continuou parada até Letícia chutar-lhe as pernas com a sua que estava intacta. A menina correu, sem saber para onde deveria ir ou do que estava fugindo. Continuou pelo calçadão e pelo canto do olho viu o vulto novamente, além de pensar ter visto um sorriso afetado.
Suas pernas começaram a doer e pensou que estaria tudo acabado. Sem que percebesse começou a chorar, um estranho desespero dominando-a. Seu pé entrou em uma fresta no calçadão e ela colocou as mãos na frente para aparar a queda. As mãos arderam ao encontrar o chão cheio de areia. Respirou fundo e sentiu alguém agarrar sua blusa por trás, levantando-a.
Quando se virou, viu uma figura alta vestida com uma roupa completamente negra, o capuz escondendo o rosto. Carol teve o impulso de puxá-lo para trás, mas achou melhor não. A pessoa bateu o salto agulha da bota negra contra o chão, que tremeu ligeiramente.
– Vamos logo, criança – uma voz feminina melodiosa disse.
Carol foi aos tropeços, meio sendo arrastada pela mulher pela praia, até o mar. O pânico a invadiu. Será que morreria assim? Afogada? A água gelada encontrou seus pés e ela estremeceu conforme ia ficando mais fundo.
Quando apenas a cabeça das duas estava de fora, a estranha tirou o capuz, revelando um longo cabelo loiro esverdeado e olhos vermelhos vivos. Abriu um sorriso de dentes afiados e continuou a tirar o resto da roupa. Por que diabos ela está tirando a roupa? Pensou assustada.
Mas a mulher simplesmente largou toda a roupa para trás e mergulhou, puxando a outra para baixo d’água. Carol viu, com espanto, que agora a mulher possuía uma longa cauda, esverdeada como seus cabelos, que parecia ter quase dois metros de comprimento. A mão em seu braço parecia uma garra, pois as unhas haviam crescido e perfuravam sua pele.
Percebeu que seus pulmões não aguentariam muito mais, precisava de ar. Sentiu o corpo todo começar a formigar e uma enorme pressão contra sua cabeça. Então realmente seria assim. A única coisa que a incomodava, era o fato de nem saber por que estava sendo assassinada.
Sem aguentar mais, puxou a água para seus pulmões. Mas não houve ardência, nem nenhuma reação. Piscou, aturdida, e notou que a pressão em sua cabeça havia passado. Estava escuro ali devido à profundidade, mas ela enxergava cada detalhe com perfeição. Talvez ela já estivesse morta e seu espírito estivesse vagando embaixo d’água.
Mas não.
Seu olhar se direcionou para o local onde a sereia segurava-lhe o pulso e ela abriu a boca, surpresa – mais uma vez sem encontrar problemas em engolir água – quando viu que suas unhas estavam compridas e brilhantes. Correu os olhos pelo próprio corpo e seus olhos se arregalaram. Estava cheio de escamas esverdeadas.
Notou que seus dedos do pé se uniam com membranas finas. Então as pernas também se uniram sem seu comando e uma membrana também se formou ali. Diante de seus olhos, as pernas ganharam uma camada esverdeada e uma longa cauda cresceu, ajudando no nado, antes desajeitado.
– Eu estou sonhando? – disse, levantando a mão livre e colocando sobre a boca em um gesto automático.
A sereia soltou uma risadinha e virou os olhos vermelhos para ela. Então apertou o braço de Carol com força, as garras cravando fundo em sua pele e causando um rastro avermelhado. Carol gemeu de dor e se convenceu, imediatamente, que era real.
– Então... Eu sou uma sereia.
A mulher olhou para ela novamente e revirou os olhos, em um gesto que Carol entendeu como “você é boba mesmo, não é?”.
– Você podia abrir a boca e falar. – Porque isso já esta me irritando.
– Você não é uma sereia, criança – A estranha disse, agora em uma voz cortante e rouca.
Carol engoliu em seco e se arrependeu de pedir a sereia para falar. A voz, antes bonita e convidativa, agora estava estranhamente vazia e causava um frio em sua espinha.
Não demorou muito e luzes começaram a aparecer abaixo. A menina observou com espanto o que pareciam vários corais gigantes. Parecia uma explosão de cores. Sua boca se abriu quando notou que eram casas. Estruturas brilhantes, uma mais diferente que a outra.
Várias sereias e tritões deslizavam por ali, como uma cidade, onde havia crianças e adultos.
– Por que todos estão olhando para nós?
– Seu cabelo – a mulher simplesmente respondeu.
Todos ali possuíam os cabelos esverdeados como suas escamas, mas o cabelo da menina permanecia em um tom loiro escuro. Ela se perguntou o que todos pensavam sobre ela, se achavam que ela era uma intrusa – o que realmente era.
Chegaram até uma construção imponente com duas grandes torres prateadas encrustadas de conchas avermelhadas. O castelo chamava grande atenção e ficava no centro da cidade aquática. As duas enormes portas peroladas se abriram assim que elas se aproximaram, revelando um grande salão com enormes pilastras rodeadas por algas.
As paredes incialmente pareciam ter um tom prateado, mas conforme Carol andava e olhava por ângulos diferentes elas tomavam as mais diversificadas cores. No fundo do salão, um trono rústico, com as mesmas conchas avermelhadas das torres, chamava a atenção. E nele, sentava-se uma sereia.
Duas coisas a diferenciava do resto dos híbridos ali: a cauda, que conseguia ser ainda mais longa e robusta que todas as outras; e a coroa com uma única pérola no centro que levava na cabeça.
– Ana Carolina, então você finalmente saiu de sua toca? – A voz cortante da rainha fez com que Carol se retraísse.
– Ela estava com a protetora humana, mas parece que alguma coisa mudou – a sereia que segurava a garota respondeu.
A rainha observou a garota da cauda à cabeça por alguns instantes. Quando seus olhos vermelhos se fixaram nos de Carol, a garota estremeceu.
– Tem medo, criança? – ela passou a língua pelos lábios. – Deve ter, de fato.
Victor piscou os olhos e levantou em um movimento rápido. Ben o olhava fixamente com os braços cruzados.
– Onde elas estão? – indagou correndo os olhos pela sala.
– Letícia e Ana? Saíram daqui depois de apagar você.
Moveu-se rapidamente até a porta e se surpreendeu ao ver Ben parado à sua frente. Ninguém normal conseguia se mover daquela forma. Tinha algo de errado com o estranho, mas Victor não tinha tempo naquele momento para descobrir.
– Saia da frente – disse entredentes.
Ben balançou a cabeça lentamente, os olhos determinados.
– Deve existir um motivo para Letícia ter feito aquilo com você, e imagino que isso seja pelo fato de você ter toda essa aura negra.
Victor cerrou os punhos, impaciente.
– Não existe droga nenhuma de aura. Agora. Me. Deixe. Passar.
Antes que qualquer outra coisa pudesse acontecer, um cheiro forte e conhecido atingiu Victor em cheio. Ele estava prestes a empurrar Ben para o lado quando a porta se escancarou e Letícia apareceu, caindo em cima de Ben.
– Letícia, o que...?
– Carol... A Carol...
– Quem? – Victor perguntou já se aproximando da porta.
– As sereias... Victor, se você...
Não ouviu mais nada. Deslizou para fora do apartamento e correu pelas escadas. Ignorou que as pessoas estranhassem sua velocidade e foi em direção à praia. Embora estivesse correndo extremamente rápido, seu coração permanecia calmo, batendo em seu ritmo controlado.
Tirou o cabelo do rosto de forma impaciente e mergulhou na água. Nadou o mais rápido que podia – o que não era pouca coisa – e viu quando a cidade das sereias surgiu diante de seus olhos.
Não demorou muito e tritões vestindo armaduras brilhantes e carregando lanças apareceram. Os olhos vermelhos encarando Victor.
– O que deseja aqui, Victor? – perguntou um.
– Preciso falar com a rainha, Faryn.
– Ela está ocupada. Não aceitará intromissões.
– Vocês sabem muito bem porque quero ir lá e também sabem que não vou desistir.
– Então não há nada mais que possamos fazer – Faryn disse apontando a lança para ele, sendo seguido por todos os outros.
Victor trincou os dentes e avançou. Algumas lanças fizeram cortes, deixando rastros negros na água, mas ele ainda era mais rápido e determinado. Cravou cada tristão na própria lança e observou os corpos flutuarem na água por alguns segundos.
Nadou então até a cidade, indo em direção ao castelo. O povo já não dava muita importância para sua presença, mas ele se lembrava das primeiras vezes que viera até ali. Os olhares raivosos, as presas à mostra. Ignorou o pensamento e bateu na porta do castelo.
Ninguém abriu.
Xingou enquanto se lançava contra as grandes portas, sabendo que não funcionaria. Correu os olhos pelo lugar até fixa-los na janela da torre direita. Nadou até lá, agradecendo por não haver nada que pudesse impedi-lo.
Os olhos correram pelo quarto. Uma cama de casal, uma penteadeira, um tapete, uma porta... Até notar um movimento a seu lado. Victor virou-se instantaneamente, prestes a atacar, quando reconheceu os cabelos escuros e olhos castanhos.
– Carol?
A expressão dela mudou de medo para alívio e levantou-se, jogando os braços ao redor dele. Ele sentiu as escamas que agora cobriam as costas da garota com uma estranha curiosidade.
– Está tudo bem, nós vamos embora daqui.
Assim que terminou sua frase, porém, a porta do quarto se abriu, revelando tritões armados que nadaram para cima deles.
Notas finais
Beijinhos
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