Cidade 12

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Notas iniciais
aqui tá o resto dessa coisa (nossa, que amigável)

Roland e Midas observaram atentamente os grandes portões antes de entrar cautelosamente no campo de batalha.

Dentro das muralhas, Roland e Midas encontraram a rua principal e seus arredores quase todos destruídos, com várias construções pegando fogos e machados e picaretas fincados no chão.

— Fique por aqui. – falou Midas – Pegou sua sniper e vá pra cima de um prédio qualquer que não tenha sido destruído. Me dê cobertura. – Depois de falar isso o garoto puxou sua espada da bainha.

— Como vou segurar uma sniper com um braço?

— Dê seu jeito, eu já estou indo.

Midas continuou andando, deixando Roland sozinho. O general do exército da Cidade 12 resmungou um pouco, depois decidiu que era hora de agir. Apoiou a sniper com os pés e depois colocou um cano na mira. Se deitou no chão, olhou pela mira com ajuda do cano e colocou a mão que ainda tinha sobrado no gatilho. Tudo isso já depois de subir num prédio.

— Vou dar cobertura pra esse idio...

BAM, um tiro.

— Caramba, deixa nem o cara terminar de falar.

Voltando pra visão de Midas, agora o estrategista já estava a 100 metros da Mina Pirâmide. Sua imensidão e seu brilho dourado se estendiam a sua frente, quase cobrindo o Sol. Dali já dava pra ouvir os sons das lâminas batendo uma nas outras. E de vez em quando, gritos. Alguns simplesmente gritavam “AAAHHH!”, outros gritavam “Nunca dominarão nossas minas, humanos!” e Midas jurou que ouviu alguém gritar “EU AINDA AMO TACOS!!!”.

Ignorando gritos e tacos, Midas continuou seguindo em frente, na direção da Mina Pirâmede. Até chegar um anão que pulou em cima dele.

— Mas o que é isso? Alguém me salva! – Midas gritava.

— Aqui é o anão protetor da Mina Pirâmide, tá ligado?

— Isso não está certo!

— Pra chegar na Mina Pirâmide precisa adivinhar uma charada. – Depois disso o anão acalmou-se um pouco mais e desceu de Midas, para, depois de pigarrear, fazer a charada – Diga: a senha.

— A senha.

— Nossa! Tu és bom mesmo, cara. Próxima charada: qual charada é essa?

— Nenhuma. Essa charada não existe, você mesmo falou que era só uma charada.

— Boa! Você é bom mesmo, hein? Próxima charada:...

— Ah, cala a boca!

Depois disso, Midas meteu a guarda da espada na cabeça do anão, que caiu no chão.

— Próxima charada! – falou Midas, conversando com o anão como se ele ainda estivesse acordado – Se um pato bota um ovo na divisa entre o Brasil e a Argentina, o patinho será argentino ou brasileiro?... Nenhum dos dois, porque nem o Brasil nem a Argentina existem mais!

Piada ruim. Sem comentários.

— Te odeio narrador.

Idem. Bem, o estrategista da Cidade 12 correu até a Mina Pirâmide novamente, mas dessa vez sem interrupções.

A Mina Pirâmide era exatamente como uma pirâmide egípcia, a diferença é que havia uma mina em baixo. Midas, chegando nela, olhou pra cima e viu um monte de vultos batalhando. Ainda era de manhã, mas ele só via vultos por causa do Sol, que ofuscava a visão e surgia aos poucos da ponta da pirâmide, como se fosse a bola mágica de um cajado.

Midas puxou algo do bolso. Era relativamente grande e tinha um monte de fios, e também uns amontoados de pólvoras compactados em papel madeira, tendo o papel madeira compactado por uma base de latão. Os fios soltos estralavam de vez em quando.

Era uma bomba. Pior que isso, pela descrição que eu fiz era uma bomba de pobre.

— Isso vai dar problema depois pro Lockheart, mas ele que resolva. – falou Midas, ajustando a bomba na parede da pirâmide.

Ele, quando a bomba já estava ajustada, se distanciou um pouquinho e puxou, do outro bolso, o ativador da bomba. Midas, só por segurança, deixou ele bem longe do corpo e, com o dedo trêmulo, apertou o botão...

BOOM!

Midas, por sua burrice imensa, estava perto demais da bomba. A explosão aconteceu e ele foi arremessado pra trás até bater numa parede. Quando bateu na parede ele cuspiu um pouco de sangue, depois foi deslizando até sentar no chão.

A explosão da bomba havia deixado um grande buraco na lateral da pirâmide e, por causa da diferença de peso, ela se partiu e começou a cair, cair bem em direção de Midas! As pessoas que estavam lá em cima — anões e humanos — tinham dois destinos: a maioria dos anões caiu para a morte, e a maioria dos homens conseguiu segurar-se na pirâmide e sobreviver.

— Eu sou mesmo um maluco. – sussurrou Midas pra si mesmo enquanto via a pirâmide cair em cima dele, e o destino eminente de morte chegar.

Ah, fala sério, ninguém tá preocupado por que os heróis não podem morrer, certo? Errado.

A pirâmide bateu na mesma parede em que Midas estava, em um ponto um pouco mais alto e, pouco a pouco, foi deslizando, até quase cair na cabeça de Midas. O pequeno estrategista nada podia fazer, pois o impacto contra a parede o havia deixado atordoado. Sua visão rodava, seus olhos já quase não viam mais nada, o mundo estava desfocado e ele não conseguia sentir seu corpo.

— Ótimo, narrador. – falou Midas – Eu vou morrer e, invés de falar que eu fui um herói, você me descreve como um usuário de drogas.

A pirâmide deslizou, Midas abaixou a cabeça, fechou os olhos e uma última lágrima escorreu pela lateral de seu rosto. A pirâmide fez um estrondo horrível e...

E mais nada. Midas ainda estava lá, a pirâmide não havia caído em cima dele.

Então o que havia acontecido? O estrategista olhou pra cima, buscando a resposta, e viu Tharroc empurrando a pirâmide, impedindo que ela caísse em cima dele.

— Rápido, grande estrategista. – falou Tharroc – use suas últimas forças para escapar daí.

Midas, com dificuldade, rolou para o lado e saiu de baixo da pirâmide, mas Tharroc continuou lá.

— Venha, Tharroc! – falou ele.

— Midas, eu tive força para aguentar essa pirâmide, mas não terei para sair de baixo dela.

— Mas se ficar aí você vai...

— Midas! Os Ogros podem ter um novo rei.

E depois disso Tharroc não aguentou mais. Diminuiu a força devagar e a pirâmide caiu em cima dele.

Roland se aproximou de Midas por trás. O pequeno estrategista ainda estava ali, chorando e com a mão estendida, como se Tharroc fosse aperta-la a qualquer minuto.

Por trás de Roland, os batedores sobreviventes começaram a chegar. Um, a um, observando a cena. Depois disso veio os Ogros, que choraram ao saber da notícia.

“Os Ogros podem ter um novo rei.” – as últimas palavras de Tharroc ecoavam na cabeça de Midas, como uma música chiclete. “Quem seria o novo rei?” — pensava o estrategista.

Midas não mais aguentou. Se levantou de um pulo, gritou, levantou uma picareta que estava por perto, e a fincou com força nas pedras esfareladas da pirâmide. Roland pousou a mão em seu ombro e falou:

— Midas, seja forte.

— Como posso ser forte agora? O que precisarei quebrar pra ser esse tal “forte” que vocês tanto dizem? – perguntou Midas, de cabeça abaixada, sem olhar pra Roland.

— Você não precisa quebra nada. Já dizia o filósofo: “Não seja forte como uma onda que tudo destrói, mas sim como uma muralha que tudo aguenta.”

Midas caiu de joelho no chão, afogou a cara nas mãos e começou a chorar.

— Sinceramente, — falou Roland – eu venho tentando ser bom, mas preciso falar.

Ele pigarreou e continuou:

— Eu pensava que todo esse drama só acontecia em filme ou animação japonesa. Fala sério! Se você veio pro exército, então veio disposto a ver gente morta. Pessoas precisam morrer, Midas! Se ninguém morresse, o que seria a vida? Se a morte não existisse, a vida seria eterna e nós a gastaríamos como quiséssemos! Com a morte, precisamos viver o máximo que podemos, não importa do que irão nos chamar ou do que irão achar da gente. A morte serve pra isso: para transformar a vida num tesouro. – Roland percebeu que Midas estava prendendo a respiração para não chorar mais, e decidiu diminuir um pouco o tom de raiva na voz, mas continuou a falar – Já dizia o poeta: “um dia nós iremos deixar esse mundo pra trás, então viva uma vida que nós lembraremos.”.

Midas soltou um último grito, mas dessa vez não foi por Tharroc, foi pela dor que ele estava sentindo nas costas.

...

No dia seguinte, Midas estava deitado numa cama do hospital da Cidade 12. A operação havido sido abordada. Eles tinham muito poucos homens para poder fechar uma aliança com os Meio-Dragões. Ninguém sabia o porquê, mas Midas estava completamente chateado por isso.

Roland também estava na enfermaria, na cama ao lado de Midas. O braço seria um problema difícil de resolver, por isso, durante os 3 meses que Roland ia ficar ali, Midas seria o general. Roland só iria poder lutar daqui a 3 meses, como já foi dito, mas por ter feito o curativo antes de chegar na Cidade 12, ele conseguiu uma pequena melhora e estava liberado para andar pelo QG. Não iria batalhar, mas pelo menos iria poder tratar das discursões de guerras e tudo o mais.

Midas fraturou algumas costelas. Passaria também um bom tempo sem poder lutar, mesmo recebendo alta bem mais cedo que Roland. Ora, se Midas não pode lutar, como ele pode ser o general? Por Midas já ser o estrategista, ele vai ficar recuado mesmo sendo o general, então não precisará lutar de todo o jeito.

— Não acredito que vou passar o meu aniversário de 18 anos na droga de uma enfermaria. – falou Midas para Roland.

— Midas, quando você tiver a minha idade, aniversários já não importarão, mas, conhecendo o pessoal, eles com certeza trarão algo pra você.

— Espero.

Como se estivessem esperando a deixa — na verdade eles estavam escondidos atrás da porta esperando a deixa -, todos os soldados restantes entraram de uma vez na enfermaria, com um bolo enorme acima da cabeça deles. Aquele bolo com certeza daria pra todo mundo do QG.

-Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida... – e cantaram a música até o final.

— É isso aí! – falou um dos soldados – Agora que Midas já em 18, ele pode beber!

— Quê?! – Perguntou Midas, gritando.

Um outro soldado chegou e socou o rosto do infeliz que tinha falado aquilo, só pra certificar que não iria mais falar nada.

Todos os homens fizerem um semicírculo em volta de Midas. Roland, que ficou lá atrás, ofuscado pelos soldados, gritava pra chamar atenção. A enfermeira, chateada com a bagunça, tentava ao máximo acalmar o ânimo do pessoal.

O mesmo soldado que levou o soco se levantou, foi até Midas e falou:

— Ei, mas agora você realmente pode namorar, certo?

— Não, obrigado. – falou Midas – Eu não namoro mais.

— Por que não?

— É uma longa história.

...

A festa foi uma grande bagunça. Algum tempo depois de todo mundo comer bolo e ir embora, Roland se levantou e falou que ia dar uma volta. Midas, depois de 2 horas sem ver Roland, conseguiu permissão da enfermeira pra poder sair por um tempo.

Ele saiu e virou pra direita, seguindo pelo corredor principal. No final do corredor havia a sala de reuniões. Pela luz acessa e o barulho, parecia ser lá em que todos estavam.

O estrategista foi se aproximando devagar, e, chegando perto da porta, ouviu a voz de Roland no microfone:

“Então, resumindo­­­ tudo, Midas é...”

Nesse momento Midas escancarou a porta. Todos que estavam sentados viram seu rosto, mas Roland, que estava de costas para Midas, virado de frente para os solados e falando, não o percebeu e continuou seu discurso:

-... o pior tipo de traidor possível. Além de ser um Meio- Dragão, ele ainda foi criado como irmão de Linch – que viveu no HH por alguns anos — pela família real e fugiu pra cá não por que aprecia o nosso estilo de vida, mas sim porque ele foi condenado a morte e é procurado por todo o território dos humanos superiores.

Midas aplaudiu devagar, e Roland, notando a presença, se virou assustado.

— Mas que mal gosto! – falou o estrategista – Eu te conto meu passado como um segredo, você conta pra todo mundo pelas minhas costas e ainda no dia meu aniversário?!

— Atirem! – grita Roland.

O general se abaixa e os tiros passam por cima de sua cabeça. Midas, em um movimento do braço, consegue fazer todas as balas queimarem no ar. Roland levanta a mão, simbolizando um cessar fogo. Ele se levanta e fala:

— Midas, antes de nós te matarmos aqui, me responda uma coisa: como você pode ter os poderes de Meio-Dragão e uma aparência de humano?

— Eu não devo satisfação a você, mas vou contar mesmo assim: meu pai é um Dragão e minha mãe era uma humana. Eles tiveram gêmeos, eu e meu irmão. Meu irmão nasceu com a aparência de um Meio – Dragão, mas sem os poderes. Eu nasci com os poderes, mas sem a aparência. – respondeu o estrategista.

Depois disso, Midas puxou a arma do cinto e mirou em Roland.

— E agora, adeus. – falou.

— Adeus digo eu. – respondeu Roland.

Roland pulou pra trás e, no meio do exército, um grande tanque de guerra foi avistado. Midas, surpreso, abaixou a arma e disse:

— Desde quando vocês têm um tanque de guerra aqui?

— Boa pergunta. – observo Roland, que olhou com desconfiança para o soldado que fornecia as armas – Ótima pergunta.

— Ei! – falou o soldado que fornecia as armas – Vocês que deviam ir mais ao armazém.

Roland desviou os olhos do soldado e gritou: “FOGO!!!”. Um soldado saiu de dentro do tanque com um fósforo acesso e falou:

— Fogo? Tá aqui, ô.

Roland afundou o rosto entre as mãos, como o general costumava fazer. Midas sentia que Roland estava ficando mais parecido com o general pouco a pouco. Depois de algum tempo lamentando, ele levantou a cabeça e ordenou, apontando para Midas:

— Atirem logo com esse tanque antes que ele vá...

Roland só ouviu a porta abrindo, o vento entrando e Midas andando tranquilamente pelo corredor principal.

-... embora.

Todo mundo ficou um tempo sem fazer nada, olhando atônito para a porta.

— Peguem ele! – gritou Roland, deixando sua natureza mandona de general tomar conta dele.

Midas andava tranquilamente pelo corredor. Mas quando ouviu a porta abrindo e os primeiros gritos começarem a surgir, saiu correndo.

O corredor principal era enorme. Nele havia a sala de reuniões, a sala de negociações, a sala do projetor, a sala do cinema, a enfermaria, 4 dormitórios com 10 camas cada um — não eram todos os soldados que dormiam no QG, por isso havia poucas camas -, 2 banheiros masculinos, um no início do corredor e outro no final, a sala de terapia, o refeitório e a sala de discursão, onde Midas e os outros de patente alta se reuniam para bolar uma estratégia.

Enquanto Midas corria, um míssil de RPG foi disparado lá atrás. O Meio – Dragão olhou por cima do ombro e, quando o míssil foi chegando perto, ele pulou pra trás e caiu bem em cima da bala. Como o projétil ia mais rápido que ele, Midas atravessou o corredor bem mais depressa do que atravessaria normalmente. Quando o míssil chegou perto da parede, o Meio – Dragão pulou pra trás novamente e aterrissou com segurança no chão, enquanto o projétil, na sua frente, colidiu na parede e abriu um buraco para ele sair.

— Obrigado pela carona! – gritou Midas para Roland enquanto saia do QG pelo buraco.

O estrategista, já numa rua do lado de fora do QG, pulou e uma nuvem de chamas apareceu sobre seus pés. Midas, com a ajuda da nuvem, começou a voar pela Cidade 12, passando por cima dos prédios. Roland chegou ao buraco no findo corredor arfando e conseguiu ver a cena.

— Isso já está parecendo filme de ficção. – falou ele.

...

Midas, depois de passar por toda a Cidade 12, conseguiu aterrissar numa pequena fazenda abandonada na área rural. Assim que a nuvem se desfez em baixo dele e seus pés tocaram no chão, um pilar de fogo, de mais ou menos 1 metro e 75, surgiu ao seu lado, assustando o Meio-Dragão.

Depois de um tempo, o pilar começou a sumir, de baixo pra cima, revelando pernas, corpo, braços e cabeça. Midas, sem nem se virar pro lado para ver a figura, falou:

— Há quanto tempo, irmão.

— Digo o mesmo, Midas. – falou a figura. O irmão de Midas.

O irmão de Midas era bem diferente de Midas. Ele tinha cabelos ruivos e olhos pretos amendoados. Saindo do cabelo, havia dois chifres, mas não eram nada parecidos com chifres de demônios. Era como se fossem orelhas de gatos, mas mais dura e mais grossa. Ele usava roupas diferentes também. Usava um casaco preto grande, que ia até seus pés e cobria toda a parte da frente, como se o casaco fosse sua única vestimenta. Na parte da cabeça havia um capuz. Ele também estava com um crachá vermelho e amarelo, que indicava que seu nome era Sileno.

— Uau! – exclamou Midas – Então você conseguiu mesmo se tornar parte da ATLAS, hein?

— Sim, eu consegui, querido irmão. E, por eu ser da ATLAS, você já sabe o que vai acontecer. Não é?

— Sim, eu sei.

Atrás de Sileno, surgiram vários pilares de fogo, cada um sumia depois de um tempo e revelava uma nova pessoa. Pelos crachás, todos eram da ATLAS.

— A ATLAS – explicou Sileno – é uma gigante. Na verdade, seu nome vem do gigante Atlas, que teve como castigo, aguentar o peso dos céus em suas costas. A ATLAS é uma empresa gigante. Nós, que trabalhamos para ela, somos lendas, assim como Atlas. E, assim como Atlas também, nós carregamos o peso dos céus sobre nossos ombros, pois nós fazemos coisas que nenhum outro tipo de pessoa conseguiria fazer: – depois de falar isso, asas se abriram nas costas de todas aquelas pessoas. Sileno continuo – Nós julgamos se alguém deve ir para o Céu, ou para o Inferno. Midas, conte-nos a história de como conseguiu a façanha de se meter, de propósito, no corredor da morte.

— Então, o que eu preciso fazer exatamente? – perguntou Midas.

— Muito simples, precisamos saber o que você fez de bom e o que você fez de ruim, e também precisamos saber o momento em que você se meteu no corredor da morte. Resumindo tudo, conte um resumo da sua vida.

— Ok! – falou Midas, sentando numa cadeira que havia surgido do nada.

As pessoas com asas começaram a se amontoar em sua volta e, de uma pequena fazenda, o cenário virou uma imensidão negra. Era negro cobrindo o chão, o céu e o horizonte. Midas começou a falar:

— “Como a maioria de vocês já devem saber, meu pai é um Dragão e minha mãe, que infelizmente está morta, era uma humana. O casamento desses dois é uma história engraçada, mas vamos pular pra parte em que minha mãe engravidou.

Ela estava gravida de gêmeos. Eu e meu irmão Sileno. Surpreendentemente, Sileno conseguiu a aparência dos Meio-Dragões, mas lhe faltava os poderes, por isso ele dizia que queria entrar para a ATLAS, para poder ser alguém importante mesmo sem o controle das chamas. Eu nasci com os poderes, mas sem a aparência.

Os Meio-Dragões já haviam entrado em guerra com os humanos, por isso não aguentavam ter alguém com aparência humana por perto, por isso, mesmo meu pai, que era Dragão, superior aos Meio-Dragões, teve que esconder minha mãe com medo da fúria deles. Porém, quando nós dois nascemos, meu pai não conseguiu mais guardar segredo.

Os Meio-Dragões me aguentaram por 4 anos, mas, quando eu comecei a falar e a fazer travessuras, eles ordenaram a meu pai que me mandassem embora e que sacrificassem a minha mãe. Quando eu comecei a notar que as pessoas me olhavam com desdém, eu perguntei a minha mãe:

— Mãe, por que as pessoas não gostam de mim?

— Porque você é diferente, filho. E as pessoas tem medo da diferencia.

— Por que eu sou diferente mãe? Quem sou eu?

— Você é Midas, filho. Seu pai é Dionísio e seu irmão é Sileno. Pense bem, você tem o dom de transformar tudo que você toca em ouro. Tudo que você toca é contagiado pelo seu coração cheio de bondade. Mas tome cuidado, pois Pã e Apolo podem chegar a qualquer hora e deixar pra você orelhas de burro.

Eu encerrei a discursão naquele momento, não entendi nada que ela falou, mas agora a verdade surgiu pra mim. Se não fosse meu irmão Sileno, eu teria só a aparência e não o poder. Ele foi o caminho para eu ter meus poderes, assim como na lenda. Dionísio, meu pai, foi quem me deu os poderes, sem ele, eu seria só um humano comum, assim como na lenda. Minha mãe foi o que foi usado para eu conseguir chegar a Dionísio, resumindo, minha mãe é a vaca (infelizmente). Pã e Apolo são, respectivamente, general e Roland, pois eles me passaram a perna e me fizeram de burro na frente de todo o exército da Cidade 12.

Depois de tudo isso, os Meio-Dragões me deram aos elfos. Os elfos, também perturbados com a minha aparência, me deram para Amanda Evens Alladin, que me tratou como um servo. Eu, basicamente, era o escravo de Linch. Ele me usava para pregar peças nas cozinheiras ou nos duques que iam lá pro Heart of Hell. Mais ou menos aos 7 anos, eu já não aguentava mais o abuso de Linch, por isso, com uma faca de cozinha, eu rasguei o antebraço inteiro dele. Como forma de punição, eu fui condenado à morte por ser um simples plebeu e agredir um membro da nobreza.

Não sei porque, mas Evens teve pena de mim e simulou minha morte usando o cadáver de uma criança já morta. Enquanto a suposta “morte” acontecia, Evens me botava numa carroça, com rumo para a maior cidade do território inferior: a Cidade 12.

Ei, mas espera um pouco, eu tinha 7 anos! Como iria sobreviver lá, sozinho e largado numa cidade completamente desconhecida? Evens pensou nisso e enviou uma pessoa junto comigo. Essa pessoa era um outro servo que servia a pouco tempo a família Alladin: Mantery Brans. Mas conhecido por essas terras como “general”.

General morria de raiva de mim, pois, por minha culpa, ele tinha perdido o emprego e tinha sido forçado a trabalhar para os “lixos inferiores”. Assim que chegamos na Cidade 12, ele me largou e foi trabalhar no exército da cidade. Ele nunca mais me viu desde então. Foi o mesmo que não vir com ninguém.

Agora eu me via sozinho na Cidade 12. Tinha 7 anos, tinha fome e tinha sede. Eu passei algumas semanas perambulando pelas ruas, pedindo água, comida e abrigo. Comer, só 1 vez a cada 2 dias, e a comida quase sempre era fria e crua. Beber água? Eu só podia me permiti esse luxo 3 vezes por dia, e era água suja, de esgoto.

Eu batia de porta em porta, procurando ajuda, mas ninguém me dava nada. Até que, um dia, eu o encontrei. Meu salvador, meu eterno herói: Puck d’Artagnam.

Ele me deixou ficar em sua casa, e disse que me daria abrigo, água e comida pelo tempo necessário. De início eu desconfiei, mas depois resolvi aceitar a proposta, e passei 10 anos vivendo com Puck, dos 7 até os 17 anos. Sr.Puck era uma pessoa excêntrica. Ele não parava quieto, trabalhava como cientista durante muitas horas e é a única pessoa que conheço com pensamento estratégico maior que eu. Sr.Puck me ensinou os ofícios da ciência e o poder da inteligência humana. Ele era irônico, inesperado e totalmente descuidado e distraído. Parecia até personagem de algum tipo de desenho de comédia no sense.

Bem, mesmo eu já tendo grande parte da mina personalidade definida aos 7 anos, eu me espelhei muito nele e me tornei a pessoa que sou agora. Sr.Puck nunca soube as minhas verdadeiras origens.

Eu tinha tudo para me tornar um cientista, mas tinha uma pessoa que eu gostaria de rever: Mantery. Ele era uma espécie de vilão para mim, e eu queria encontra-lo de novo e confronta-lo. Por sorte ou azar, quando eu entrei no exército, ele não me reconheceu depois daqueles 10 anos, e eu decidi ficar calado, como fiquei minha vida inteira.

Pelo visto, um pouco antes da retomada da Cidade 4, ele percebeu tudo e organizou uma rebelião, mas ele e todo o 1 pelotão acabaram morrendo.

Então eu...”

E Midas continuou a contar sua história, até o ponto em que sabemos que ele está hoje.

...

Midas terminou de contar sua história. Sileno pigarreou e, com um movimento de mão, abriu uma tela grande, que flutuava em sua frente. Na tela haviam coisas como gráficos, imagens, ideogramas, documentos, e outros. Sileno, com alguns cliques, abriu outras telas e ficou repetindo o processo em cada tela, até todas fecharem numa tela só.

— Interessante. – falou Sileno – pelo visto você se meteu no corredor da morte no momento em que contou a história de sua vida para Roland.

— Isso é meio óbvio, não é? – perguntou Midas, se levantando da cadeira.

Sileno o fuzilou com o olhar antes de fechar a tela.

— Bem, — continuou Midas – então agora tem jeito de escapar da morte ou eu vou ter que ficar sentado esperando morrer?

— Na maioria dos casos, — falou Sileno – não tem jeito que não seja morrer. Porém, no seu caso existe uma única exceção.

— E o que seria essa exceção?

— Matar Riouma Lockheart.

Midas ficou sorrindo por um tempo, depois tentou se levantar da cadeira, mas caiu. Quando Sileno foi levanta-lo para socorrê-lo, Midas gritou:

— O quuueeeee???!!!

— Ora essa. Vamos Midas, você odeia os Alladins. Não será assim tão difícil matar o Lockheart. – falou Sileno.

— O problema não é matar Riouma. – explicou o estrategista – O verdadeiro problema é que eu estou devendo um favor enorme para Evens, e Evens ama o Riouma! Se eu mata-lo, eu estarei atacando a pessoa que salvou minha vida.

— É a vida dele ou a sua.

Midas se levantou e, estendendo a mão, invocou uma arma cuja lâmina queimava entre as brasas dos Meio-Dragões.

— Eu preferia quando Cidade 12 tinha mais comédia! – falou ele.

Depois, Midas começou a correr e, dentro de pouco tempo, estava voando em outra nuvem flamejante.

Quando o Meio-Dragão era só um pontinho claro no horizonte, uma figura misteriosa surgiu de trás de uma moita. Até porque toda pessoa que sai de repente de trás de uma moita no meio da noite e no meio de uma fazenda abandonada é uma pessoa suspeita. A figura misteriosa andou até Sileno e falou:

— Muito bem, Buff.

Ao término dessa frase, todas as figuras encapuzadas e com asas desapareceram em outro pilar de fogo e deram lugar a elfos magros e esguios. Quando todos os elfos já estavam elfos novamente, a figura misteriosa tirou o capuz e revelou seu rosto.

Mantery Brans, o general.

— Fizemos muito bem em colocar elfos por aqui. – falou.

...

Midas estava sentado em sua nuvem, vendo a paisagem das grandes cidades superiores passarem por de baixo dele. Nesse momento o Sol já fazia seu primeiro raio aparecer no horizonte. Já faziam 6 horas de viagem e o estrategista ainda nem havia pensado em dormir. Ele estava, naquele momento, sobrevoando as cidades mais prósperas dos humanos. Estava voando sobre a Cidade 89. Ainda iria demorar 2 horas até a Cidade 94, onde o HH ficava.

Lá embaixo, bem no centro da Cidade 89, uma grande agitação acontecia. Soldados do HH traziam grandes e poderosos canhões para a Praça Central.

— Mas o que é isso? É revolta? É manifestação? – perguntou o estrategista, confuso.

Midas notou que os canhões não estavam apontando para o povo. Estavam apontando para cima. Estava apontando para um lugar muito próximo a Midas.

O primeiro tiro foi dado, e o Meio-Dragão desviou por pouco. Naquele momento ele tinha certeza que os canhões miravam nele. Porém, de repente, uma grande sombra cobriu ele, e, quando Midas olhou para cima, lá estava um balão gigante. Um Zeppelin. Aquilo era uma raridade e só pessoas da nobreza podiam pilotar um.

Da janela do Zeppelin, uma pessoa surgiu e estendeu a mão para Midas, que, mesmo hesitando bastante, aceitou. Ele foi erguido de sua nuvem e entrou no balão. Ele ouviu uma voz falando:

— E pensar que eu estava planejando matar o super Big Midas.

Quando Midas olhou pra cima, lá estava Linch. Claro! Somente Linch chamava Midas de Big Midas. Aquele era um apelido de quando os dois eram crianças e brincavam juntos. Midas se levantou, relutante, e falou:

— E eu pensava que você me odiava por eu ter te machucado.

— O que? Tá brincando?! – respondeu Linch – Esses idiotas da realeza me tratam como se eu fosse um boneco feito de ouro. Eu não posso quebrar nenhuma regra, eu não posso ser machucado, eu não posso brincar com crianças normais, blábláblá. O dia em que você me machucou foi um dos poucos dias em que eu senti dor e, mesmo sendo doloroso, a sensação é tão boa que eu quero sentir mais!

— Esse discurso está me soando meio masoquista. – falou Midas, recuando alguns passos.

— Eu quero que você fique sempre do meu lado e sempre me machuque e me faça sentir esse sentimento tão bom chamado dor! Prometa que vai ficar sempre do meu lado! – continuou Linch

— Agora piorou, está sadomasoquista e gay!

— Bem, mas isso não importa. – falou Linch, ignorando Midas e se virando para a janela – Temos que dar um jeito nesse tal de Riouma Lockheart.

— O que? – perguntou Midas, impressionado – Você também quer mata-lo?

— Claro! Esse mundo precisa de gente melhor do que uma escória como ele!

— Você só quer ser o primogênito, né?

— Claro! – nesse momento Linch pegou uns binóculos e focou em alguma coisa qualquer – E aí eu poderei ser rei e dominarei tudo que meus olhos podem ver!

— Interessante você falar isso focando naquela mercadora loira ali. – falou Midas.

Linch nem teve tempo de contra argumentar. Assim que Midas acabou de falar isso, uma bala de canhão acertou o Zeppelin, que começou a cair.

— Linch, por um segundo eu pensei em pensar em tentar ser seu amigo, mas agora eu vejo: você é um idiota sem salvação. – berrou Midas enquanto apertava os botões de um painel qualquer.

— Vamos esquecer nossas inimizades por enquanto e focar no nosso principal objetivo! – respondeu Linch fazendo a mesma coisa que Midas fazia: apertar botões desesperadamente.

— Sair vivo dessa?

— Não, matar o Lockheart! Depois de matar nós podemos tentar não morrer!

— Eu acho que seus acontecimentos em ordem cronológica estão na ordem errada.

O Zeppelin caia cada vez mais rápido, e, dentro de poucos segundos iria acertar o chão. Midas, sentindo o perigo, abraçou Linch e pulou pela janela. Antes de cair no chão uma nuvem de fogo surgiu e os dois ficaram são e salvos.

— Finalmente es-estamos bem. – falou Linch, arfando e gaguejando.

— É Linch, agora me solta. – falou Midas, que já havia soltado Linch, mas Linch mesmo assim continuou abraçado a Midas.

— Epa, foi mal. – respondeu Linch largando o Meio-Dragão.

Midas olhou para frente, como se tentasse esquecer que a pessoa que ele mais odiou em sua infância estava do seu lado, mas a surpresa que teve ao olhar para a frente foi muito pior do que ficar conversando com Linch. Várias raízes se estendiam por ali, formando um mar de folhas e galhos, nenhum humano era visto, pelo menos até onde a vista conseguia alcançar, não.

— O que são essas coisas? – perguntou Midas, observando atentamente cada movimento das raízes.

— Isso já é o Heart of Hell.

— Impossível! – Midas agarrou a gola de Linch e o ergueu no ar – Estamos a 1 hora e meia de viagem até lá nessa nuvem que anda a 80 quilômetros por hora!

Linch desviou o olhar e murmurou:

— Eu sei. O HH devastou muito, dominou muito. Suas raízes se estenderam por 120 quilômetros, e elas mataram todo mundo que estava na área.

Midas apoiou a cabeça na mão e se sentou de pernas cruzadas na nuvem. Os amigos que ele teve, as pessoas que ele conheceu durante a infância, todas elas causaram isso. Ele se deu o luxo de permitir que uma lágrima escorresse pela lateral do seu rosto. Quando a lágrima caiu na nuvem flamejante, ela entrou instantaneamente em calefação.

— Big Midas... – começou Linch. Midas olhou pra ele, mas nem deu tempo de continuar a frase, uma das raízes do HH atravessou a nuvem e a cortou ao meio.

Linch tombou pro lado esquerdo e Midas tombou pro lado direito. Os dois começaram a cair, mas o Meio-Dragão conseguiu apoiar os pés em uma das raízes e impulsionou o próprio corpo para se lançar pra frente. Se lançando, ele conseguiu pegar Linch e salva-lo da morte, mas as raízes continuaram a persegui-lo.

Midas invocou a espada de lâmina flamejante e, num movimento circular para frente, decepou 3 raízes. Apoiou os pés em outra raiz e pulou, conseguindo chegar no topo dela.

— Agora fique aí. – falou Midas para Linch, que ficou paradinho no topo da raiz. O estrategista se virou e decepou outra raiz que vinha na direção deles.

Midas “pousou” em um galho e cortou uma raiz que estava do lado dele. Uma raiz enorme apareceu acima da cabeça do Meio-Dragão, que pulou para trás segundos antes de ser acertado e, em 3 cortes, dilacerou a raiz. Mais raízes apareceram, uma do lado direito e outra do esquerdo, e as duas avançaram ao mesmo tempo pra encurralar Midas, mas o mesmo se apoiou num galho, pulou pra cima e, quando viu as duas raízes se chocarem em baixo dele, deu um giro no ar e cortou ambas.

Ele olhou pra trás para ver se Linch estava bem, e qual não foi a surpresa dele ao ver que o irmão de Riouma Lockheart estava batalhando – no soco mesmo – com dois galhos ao mesmo tempo. Midas pousou em outro galho, flexionou bem os joelhos para ganhar impulso, mirou a espada flamejante em um dos galhos, e aí...

— Ah, ele vai ficar bem! – falou o Meio-Dragão dando as costas para Linch.

— Bem o caramba! – gritou Linch, que ouviu o que Midas disse – Se eu ficar aqui mais 5 minutos ou se vir um terceiro galho, eu morro!

Como se esperasse a deixa, um terceiro galho surgiu de trás dele.

— Eu me odeio – sussurrou Linch pra si mesmo.

Midas notou a preocupação do companheiro e dessa vez ele tinha que ajudar. Pulou o mais alto que pode e desceu fazendo um movimento em forma de arco, que cortou o terceiro galho, depois se virou e, num outro movimento em forma de arco – que passou em cima da cabeça de Linch – decepou os outros dois.

Midas, aproveitando o fato dos galhos terem esquecido dele por um tempo, segurou Linch novamente e pulou, atravessando em velocidade máxima pelos galhos. O irmão de Riouma Lockheart só gritava assustado. Nunca antes na vida ele tinha pulado tão alto ou corrido tão rápido.

Midas estava extremamente atento em todas as direções. Depois de um tempo de corrida, ele viu um galho surgir repentinamente do lado esquerdo, pelo meio de outros dois. Midas notou o galho e, quando o mesmo avançou em altíssima velocidade, ele virou a cabeça pra direita, e o ataque passou raspando pela sua bochecha. Porém Linch não estava tão atento nem teve a mesma sorte. Midas, que estava segurando a sua mão há 4 segundos, sentiu que, de repente, ele não estava mais lá. Midas ainda segurava a mão de Linch, mas estava tão leve que parecia que não tinha ninguém.

Quando Midas olhou pra trás, viu que realmente ainda estava segurando a mão de Linch, mas o resto do corpo não estava mais lá. Linch foi levado pelo galho.

O galho havia sumido com Linch.

Linch estava morto.

Midas deixou outra lágrima cair. Mesmo sabendo que Linch estava morto, ele o procurou em todos os cantos. De baixo do galho, atrás do galho, depois do galho e em cima do galho.

— Haha! Primeiro de abril! – gritou Linch correndo em cima do galho.

— Mas hoje é 20 de setembro! – gritou Midas, ainda meio confuso.

— Eu invento meu primeiro de abril!

Midas, do nada, parou de andar.

— Espera aí, como você está vivo? – falou o Meio-Dragão. É que Midas é burro e só nota grandes detalhes como esse depois da piada besta do escritor burro.

— Eu pulei. – falou Linch. Dãã.

— E essa mão que eu estou segurando?

— Mão falsa. – Dãã.

Bem, depois de tudo resolvido, Midas e Linch continuaram a correr. Não foi preciso muito tempo de caminhada para começar a ver o imenso e vermelho Heart of Hell bloqueando a luz do Sol com a sua torre mais alta, onde a princesa estava trancafiada. Por que a princesa estava trancafiada? Por que ela era uma princesa elfa louca presa pela área e ela insistia em dizer que era uma avestruz que havia ingerido alucinógenos. Eu acho que é um ótimo motivo para ela estar trancafiada.

Bem, ignorando avestruzes, princesas loucas e alucinógenos:

— Ainda falta 1 hora pra gente chegar lá e já estamos vendo a torre mais alta. Quantos quilômetros de altura tem essa coisa?

— Bem, antes do HH, a construção mais alta do mundo era o Burj Khalifa, na inexistente Dubai. Ele tinha 828 metros. O HH aqui tem incríveis 2 quilômetros de altura e só conseguiu isso através das novas tecnologias que foram criadas quando a Torre de Rádio de Varsóvia caiu. Essa nova tecnologia se consiste basicamente em...

— Pode ir parando por aí, cientista é o Sr.Puck, não eu. – falou Midas, interrompendo Linch.

— Sr.Puck?

— Ah, é mesmo, você não conhece ele. – Midas fez uma cara de tristeza por se lembrar que seu herói não era conhecido pelo seu próprio “irmão”.

Dois galhos apareceram do nada e atacaram Midas e Linch. Midas com um movimento em forma de “X” cortou os dois em 4 pedaços. Mais um saiu de um emaranhado de raíze s e tentou acertar a dupla por trás, mas Linch percebeu o movimento e deu um chute no ar que bateu bem na cara do galho — galho tem carra? -. O atacante recuou por alguns segundos, o que foi tempo suficiente para Midas acelerar um pouco o passo e se afastar dele.

— Tá ficando tenso. — falou Linch, arfando de adrenalina.

— Essa fala ninguém fala assim, de um modo trivial, enquanto está prestes a morrer!

— Eu falei.

Outro galho surgiu do meio de...

— Narrador! – gritou Midas – Ninguém precisa saber de onde o galho veio, a velocidade que ele veio e blábláblá. Só diga assim: “chegou um galho, avanço, Midas é incrível e o cortou ao meio. Ehh!! Viva o nosso herói!”.

Não é assim que funciona, mas tudo bem. Chegou, cortou, chegou, cortou, comemorou, fim do livro.

Tchau!

— Não, caramba! Da um “ctrl z” nisso aí.

Bem, Midas continuou correndo. O galho que Linch havia chutado mais cedo vinha em velocidade máxima atrás deles.

— Trocar! – gritou Linch.

Midas, segurando a mão de Linch, o lançou pra frente e virou rápido para ficar de frente ao galho e, aproveitando o movimento de giro, fez um ataque em forma de arco e o cortou.

O irmão de Riouma Lockheart, sem a ajuda do Meio-Dragão, meio que voava. Eles estavam indo tão rápido que a gravidade demoraria um pouco pra puxar, por isso Linch pode ficar um tempo no ar. Nesse tempo, outro galho apareceu do lado direito, indo com tudo pra cima e depois descendo num movimento avassalador.

— Isso é o que eu chamo de ataque. – falou Linch olhando pro galho, observando sua morte eminente.

Midas percebeu pelo rabo do olho que o galho iria acertar Linch e, aproveitando que já estava girando por causa da força do golpe com o outro galho, continuou o giro e cortou esse também.

O Meio-Dragão pegou a mão de Linch antes dele cair e os dois pousaram em segurança na muralha do Heart of Hell. Espera um pouco, na muralha do Heart of Hell?! Quando Midas olhou pros lados, observou a Guarda Real avançando em direção a eles.

Uma curiosidade do HH é que todos os guardas são Losts, sem exceção.

E Losts bem fortes.

— Isso é o que eu chamo de Guarda Real. – falou Linch apontando com orgulho para os Losts que avançavam.

— Sinceramente, Linch, eu queria que você estivesse morto.

Os Losts continuavam a avançar. Eram 4 vindo do lado esquerdo e 5 do direito. Nem mesmo um Meio-Dragão podia lutar com tantos Losts de uma só vez.

— Pula! – gritou Midas.

— Pro lado de dentro da muralha ou pro lado de fora?

— Pro lado de fora cairemos nas raízes, e pro lado de dentro cairemos nos Losts... pula pro lado de fora!

Linch e Midas deram, ao mesmo tempo, dois passos para trás e pularam inclinando o corpo para o lado das raízes. Logo estavam os dois, caindo mais de 1 quilômetro de altura.

— Vai se aproximando da parede! – gritou Midas, com a voz

intercortada pelo vento.

Linch tentou, mas com dificuldade. Midas, que tinha mais controle no ar, segurou com força a mão de Linch e o arremessou contra a parede. Linch atravessou uma janela suja, cuja vidro já estava quebrado. Midas foi se aproximando da parede logo depois disso e caiu em outro quarto abandonado, três andares abaixo.

— Aguenta aí que eu já estou chegando! – gritou Midas para Linch.

Midas conhecia o HH, assim como Linch, então os dois estavam seguros de andar por ali, o estômago do HH. O estômago do HH é onde fica os depósitos. Tudo que não presta é engolido pelo Heart of Hell. Midas saiu com cuidado daquela sala para não pisar em nada. Chegando no final da sala, ele virou para esquerda e correu pelo corredor para chegar as escadas, mas Linch já estava lá.

— Bem rápido você foi, hein? – falou Midas para Linch, arfando, o corredor era enorme e o estrategista já estava cansado.

— Vamos nessa. – falou Linch, voltando a subir as escadas.

Os dois subiram dois andares e, no segundo correram até uma porta velha que estava um pouquinho enferrujada pela falta de uso. Pelo mofo na parede, fazia muito tempo que ninguém ia ali.

Quando eles abriram a porta, Losts. Midas botou a mão pra frente e soltou uma rajada de chamas, que queimou todos de uma vez.

Os dois continuaram correndo por dezenas e dezenas de salas, até, finalmente, entrarem numa sala enorme, com um tapete vermelho que levava ao trono, sentado ao trono...

— Riouma Lockheart. – falou Midas enquanto se aproximava do trono.

Riouma estava bem tranquilo, mesmo sem nenhum Lost na sala. Lockheart se levantou devagar de seu trono. Olhou com um sorriso no rosto.

— Pensar que meu irmão e seu serviçal iam me trair! – falou ele.

— Eu não sou o serviçal desse babaca! – falou Midas apontando pra Linch.

— Isso! Ele não é o serviçal desse... EI! – tá bem óbvio quem foi o retardado mental que falou aqui.

Riouma avançou em direção dos dois e sacou a espada Nalawera.

— Nalawera... – falou Midas, com os olhos fixos na lâmina, reconhecendo a espada forjada pelos elfos.

Nalawera tinha a magia dos elfos e esses blábláblás chatos nela. Resumindo, ela era A Espada. Linch também sacou sua espada e Midas botou a mão na frente de seu corpo para lançar uma rajada flamejante, mas...

— Parados aí!!! – gritou Roland de cima do camarote.

Ao longo da sala do trono havia uma espécie de balcão elevada, um de cada lado. Eram naqueles “camarotes” que os nobres assistiam coroações e outros eventos. Ninguém sabia ao certo como Roland havia chegado aqui, mas isso importa? Era a primeira vez que um humano inferior havia chegado até lá, burlando a segurança.

Do outro camarote, do lado direito, quem invadiu foi o general:

— Parados aí!!!

— Isso é sério? – perguntou Lockheart olhando confuso para os dois camarotes.

— Sim! – gritou Roland – Midas é um traidor que veio aqui fazer um trato com você para nos matar!

— Errou! – gritaram Linch e general ao mesmo tempo – Midas está aqui para matar Riouma Lockheart, e eu vim para impedi-lo. – nesse exato instante, Linch deu um chute em Midas e bateu com força em sua nuca, fazendo-o cair no chão, se contorcendo de dor.

— Um movimento e você morre! – dessa vez, todos gritaram, sem exceção. Tudo bem, Roland notou que errou pensando que Midas era um traidor, mas todos tinham um objetivo em comum: matar Midas.

— Muito bem. – falou Riouma Lockheart largando a espada no chão – Agora eu irei te levar para um lugar pior que o Inferno!

— Seu quarto? – perguntou Midas. Ele perdia a vida, mas não perdia a piada.

Riouma o segurou pelo cabelo e o ergueu, fazendo o Meio-Dragão gritar de dor. Riouma riu e continuou:

— E agora você vai...

Por algum motivo desconhecido, Lockheart foi arremessado e só parou ao bater numa parede com toda a força possível, cuspindo sangue. Quando ele olhou pra Midas, um furacão de chamas de formava devagar em volta dele. As pessoas atiravam, mas nenhuma bala passava pelo furacão. O chão, aos poucos, começou a rachar, e das rachaduras saia magma. Todo mundo parou de atirar e tentou correr, para fugir da fúria de Midas.

— O poder de um Descendente das Chamas! – falou Riouma rindo.

Depois disso, uma enorme esfera de fogo surgiu repentinamente e seguiu consumindo tudo.

— Losts, me protejam! – gritou Roland, se afastando pouco a pouco das chamas, para os Losts do Esquadrão de Emergência que ele trouxe com ele.

E depois disso, nada mais foi ouvido ou sentido no Heart of Hell.

...

Roland abriu os olhos devagar. Não sabia onde estava, mas olhava fixamente o teto branco, se lembrando vagamente da enfermaria da Cidade 12. Ele tentou se sentar, mas gritou e caiu de novo na cama onde estava. Seu corpo inteiro estava enfaixado. Quando olhou pro lado, uma enfermeira vinha correndo até ele.

— Onde eu estou? – perguntou Roland, ainda meio sonolento, para a enfermeira.

— Está no Hospital da Cidade 94.

Roland riu e falou:

— Por que humanos superiores cuidariam de mim, um mero inferior?

— Isso não existe mais. – falou a enfermeira, com um sorriso no rosto.

— O que?! – gritou Roland, mais alto do que deveria. Ele tentou se sentar novamente, mas grunhiu e voltou pra cama.

— Bem, você entrou em coma por 3 semanas depois da destruição do Heart of Hell, então deve estar meio confuso. Deixe-me explicar: os humanos “superiores” já queriam a muito tempo sair do domínio de Riouma Lockheart, mas ninguém falava nada com medo do HH. Quando Midas, o Herói, o destruiu, todos os humanos entraram em um estágio de paz. Agora todos tem os mesmos deveres e direitos e partilham das mesmas alianças e das mesmas tecnologias.

Roland se levantou usando todas as suas forças e caminhou até a janela. Quando olhou pra cima, o Sol brilhava estavam mais agitados do que nunca. Mas aí ele se lembrou de um detalhe:

— E Midas?

— Ele desapareceu depois da queda do HH. Dizem que ele morreu soterrado pelos destroços, assim como todas as outras pessoas que estavam lá, menos você.

10 anos depois

— Venham, venham todos! – gritava um vendedor de algodão doce – Aproveitam aqui a comemoração do décimo Dia do Midas!

Roland andava pela multidão que vinha a Praça Central da Cidade 94, capital do Reino Humano, para comemorar o Dia do Midas, feriado criado a 10 anos atrás para celebrar a vitória da justiça sobre a tirania do Heart of Hell. Ele chegou ao pedestal do Monumento, que era uma enorme estátua que representava Midas pisando na cabeça de Riouma Lockheart. Na parte da frente do Monumento havia a atração mais visitada do mundo: o Túmulo do Herói. O lugar onde Midas havia sido “enterrado”. Enterrado entre aspas porque, mesmo com várias tentativas, nunca conseguiram achar seu corpo.

Roland, por ter sido próximo a Midas durante a vida, era tratado como VIP e não precisava pegar vila para deixar flores e fazer uma oração ao Herói, como ele era chamado agora. A destruição do HH só havia acontecido há 10 anos, mas a vida de Midas já estava em todos os livros de história.

Roland entrou na sala onde ficava o caixão sem nenhum corpo dentro, deixou um boque de flores ali, se ajoelhou e falou:

— Midas, sua vida foi difícil pra caramba! Sua mãe morreu por ser uma humana entre Meio-Dragões, seu pai é um Dragão, seu irmão nunca virá te visitar, e praticamente todas as pessoas que você conheceu e amou agora estão mortas. Eu devo ser o único “VIP” nessa lista, porque sou a única pessoa que você teve como amigo em vida que está disposta a vim aqui todos os meses. Fomos bons amigos, mesmo tendo algumas inimizades no final. Muito obrigado por tudo que fez, Herói.

E, de um Reino distante, Midas riu.

E, de um Reino distante, Midas riu.

Tá legal, você já sabe disso, mas muito possivelmente você teve a ideia errada da frase. Midas riu sentado a mesa de jantar do castelo de Dionísio, general do Reino dos Dragões.

— Do que está rindo, filho? – perguntou Dionísio olhando confuso para Midas. Desde que o filho chegara aqui, Midas já havia feito várias coisas que Dionísio não entendia.

— Nada pai, só me lembrei de uma piada.

— Filho, — falou Dionísio se debruçando sobre a mesa – você chegou aqui a 8 anos, desde então se esconde no meu castelo, sem ninguém no mundo, NINGUÉM, além de mim, conhecer sua existência. Você passou 2 anos se escondendo no Reino dos Humanos antes de vim pra cá, já são 10 anos de solidão, todo mundo pensa que você está morto!...

— E eu realmente estou. – falou Midas, atrapalhando o pensamento do pai.

— Mas, entenda filho, — continuou Dionísio – você tem 28 anos e não tem amigos, namoradas nem uma esposa! — O Dragão parou de repente, como se tivesse tido uma ideia brilhante, depois realmente mostrou que teve uma – Filho, você sabe que semana que vem é meu aniversário, não é?

— Claro pai.

— E você vai me dar um presente, certo?

— Irei sim, mas ainda não sei o que dar.

— Pois eu tenho uma sugestão: de presente de aniversário eu quero que você saia e mostre sua existência para, pelo menos, uma pessoa.

— Na verdade, tem três que eu gostaria de ver.

— Ótimo, pode ir visita-los quando quiser.

...

No dia da visita, como ficou conhecido o dia em que Midas iria sair para visitar seus amigos, o Meio-Dragão vestiu um longo capuz preto, que cobria o corpo inteiro, e deu, depois de anos, seu primeiro passo fora do castelo.

O chão estava úmido, mas quente, por ironia. Num Reino vulcânico que era o Reino dos Dragões, chuva era magma.

Midas invocou novamente sua nuvem flamejante. Aquilo não iria levantar suspeitas, porque, depois da unificação dos povos – como ficou conhecida a destruição do HH – era comum todo tipo de raça ir pra lá visitar o agitadíssimo comércio. Agora, o Reino Humano não era mais uma monarquia, mas sim uma república.

O Reino dos Dragões era um Reino isolado, mas, ironicamente, como tudo naquele Reino, era um lugar que tinha fácil acesso a outros Reinos.

— Bons tempos aqueles que eu era somente mais um estrategista no exército da Cidade 12, com o sonho infantil de conquistar o mundo. – dizia o Meio-Dragão enquanto passava por cima das agora abandonadas Minas de Sauron.

A primeira pessoa que o Herói iria visitar não estava mais naquele mundo, era Mantery Brans.

Midas posou delicadamente no cemitério escuro e isolado em que o corpo do general foi enterrado. Midas se ajoelhou e chorou silenciosamente. O Meio-Dragão se deu o luxo de tirar o capuz, já que naquele cemitério não havia ninguém.

Uma pessoa misteriosa foi se aproximando silenciosamente, saindo do meio das árvores. Midas primeiramente se assustou, mas depois reconheceu quem era.

— Dessa vez é você de verdade, né? – Midas perguntou, sem tirar os olhos da lápide.

— O que você quer dizer? – perguntou Sileno, que se aproximava.

— Bem, o fato de você nem saber revela que é você de verdade. Como sabia que eu estava aqui?

— Fala sério, A ATLAS sabe de tudo!

— Então o você de verdade realmente entrou pra ATLAS.

— O que quer dizer com “de verdade”? Você anda estranho.

— Você não poderia saber como eu “ando” se não me ver a uns 25 anos.

— Midas, me entenda, eu sofri muito sozinho nesse mundo sem você! Eu não vivo sem um irmão como você!

— Aprenda a viver sem as pessoas que vivem sem você. – Midas ficou frio e cínico depois de 10 anos de isolamento.

Sileno se irritou e socou com força a cara de Midas, que foi parar no chão.

— Boa dica. – falou ele, ironicamente.

Midas piscou, tentando afastar a dor, e, quando olhou pra cima, não havia mais ninguém lá. O Meio-Dragão se levantou, confiante, botou o capuz na cabeça e seguiu para o segundo destino.

Depois de meia-hora de viagem, ele finalmente chegou a Cidade 94, A Capital. Ela era uma cidade movimentada, mas, a essa hora da noite nada nem ninguém atravessa as ruas. Já passava em muito do toque de recolher.

Midas bateu silenciosamente na porta de uma casa de aparência pobre, escondida no subúrbio da cidade. Quem abriu a porta foi Roland.

— Midas... – falou ele, surpreso, ao ver o seu antigo companheiro ali.

— Roland. Todos passaram 10 anos achando que eu estava morto, mas você foi o único que realmente fez algo por mim em todo esse tempo. Mesmo você tendo me traído no final, é como dizem: grandes problemas só acontecem em grandes amizades.

— Ninguém diz isso.

— Eu sei, acabei de inventar. – Midas esboçou um sorriso.

— Onde você estava todo esse tempo? – perguntou Roland ajeitando a casa e o convidando para entrar.

Midas contou, aos poucos, a história do que fez depois da destruição do HH. Roland ficava mais surpreendido a cada minuto. Nem ele podia imaginar que o Herói estava vivo. Quando a história acabou, Roland parecia não acreditar.

— UAU! – falou ele – Por favor Midas, prometa que você verá me visitar todo ano para contar mais histórias suas, tá legal?

— Roland, eu vou viver extremamente só pra ter mais coisas pra te contar. Mas, a propósito, onde você está trabalhando agora? Continua no exército?

— Fala sério, Midas! Eu tenho 37 anos, eu só serviria pra ser general, estrategista ou comandante de pelotão. Eles querem gente nova agora. Eu trabalho como tecelão por aqui.

— Os tempos são outros.

— É, pode crer.

De uma maneira chorosa, Midas conseguiu saciar a curiosidade de 10 anos de Roland e quando já era de manhã, ele saiu pra ver a terceira pessoa.

Foram 10 horas de viagem até a Cidade 12.

Aquela cidade, tão amada por Midas, agora tinha só metade da população. Muito dos humanos inferiores, como o próprio Roland, saíram das pobres cidades inferiores para ir pras grandes cidades que antes pertenciam somente aos superiores.

Midas aterrissou na praça onde o comércio era mais forte ali na Cidade 12. Os mercadores ficaram admirados, pois quase nunca tinham a chance de ver de perto um Meio-Dragão. Midas seguiu por um dos quatro caminhos que saiam em forma de cruz da praça e, chegando ao final de uma rua, bateu na porta de uma casa de pedra. Quem abriu a porta foi um homem gordo e baixo.

— O que deseja, senhor? – perguntou o homem.

— Puck d’Artagnam ainda mora aqui?

— Não, essa casa não é mais dele.

— E o senhor saberia me dizer onde ele está agora?

— Eu ouvi, não sei se é verdade ou se é mentira, que Puck d’Artagnam, mesmo sendo um inferior, foi convidado para uma palestra científica na Cidade 67 e morreu quando a mesma foi atacada pela Cidade 12, que seguia as ordens de Midas, o Herói.

— Ah, tá certo, me desculpe por incomodar. – falou Midas se virando.

O Meio-Dragão cumpriu a promessa de visitar Roland todo ano e, pelo menos na mente de uma pessoa, ele ainda estava vivo.

Fim.

Notas finais
Fim!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!