Cidade 12
4 Capítulo 4: Duelando com um Ogro
Notas iniciais
Chegou o grande dia da batalha.
O grande duelo iria acontecer no próprio Forte de Follet, no pátio central, o maior dos três pátios.
Eram somente 5 da tarde, mais a lua já podia ser vista no horizonte e o sol já estava mergulhando nas águas do Mar no Norte. O Ogro, grande como um urso entrou bufando na arena e...
– Narrador! – gritou Midas – Não precisa de tudo isso não! Eu vou explicar bem direitinho, deixa comigo: eu estou desse lado do pátio, com um capacete, uma cota de malha uma espada de dois gumes e um pequeno escudo de bronze. O Ogro tá lá no fim do mundo sem nenhuma armadura e somente um bastão feito de tronco de árvore. Nós vamos duelar até morrer e bla, bla, bla...
Ok. Assim como Midas ia dizendo. Não me pergunte o motivo de Midas está usando uma espada quando poderia muito bem usar uma das armas de fogo da Cidade 12, mas eu acho que é por que as leis dos duelos daquelas terras são assim, nada de armas de fogo, somente armas brancas.
Um sino soou estridente no pátio central, o que deu início a luta. O Ogro avançou pesado e lento. Enquanto o Ogro vinha andando com seus passos pesados, Midas já usava seu raciocínio rápido para pensar em algum plano. Ele pensava: “Bem, eu sou magro e baixo. Em questões de força bruta eu não poderia nem competir com esse Ogro. Mas ainda assim eu sou mais ágil e esperto que ele. Preciso montar uma estratégia para que, mesmo sozinho, eu possa derrota-lo.”
E mal Midas parou de pensar, o Ogro já estava na sua frente brandindo e levantando sua clava de madeira. O pequeno estrategista pulou pro lado bem na hora em que a arma do Ogro explodiu no chão, levantando uma nuvem de poeira.
“É agora!” — pensou Midas. Mas, infelizmente, não era agora. Midas se levantou de um pulo, aproveitando de sua agilidade para atacar o Ogro e, graças a nuvem de poeira, ele pensou que poderia fazer isso sem ser visto. Porém, ele se esqueceu de um detalhe: Ogros são altos. E, mesmo com toda aquela poeira, o Ogro ainda podia ver os vultos que nela se movimentavam. A enorme fera verde se virou pro lado e fincou o cotovelo na barriga de Midas, derrubando-o no chão e fazendo-o vomitar sangue.
“Droga! Droga, droga, droga, droga, DROGA!!!” – Midas aproveitava a distância que estava do Ogro para pensar. – “ Eu preciso de um plano. Vamos lá, o que eu sei sobre os Ogros? Eles tem uma boa visão, mas praticamente não tem olfato nem audição. Se eu conseguir vender os olhos dele com alguma coisa... Já sei!”
Midas, mesmo com toda aquela dor, se levantou gritando e recuou até a parede do pátio. O Ogro correu, e dessa vez ele foi rápido de verdade, correndo mais do que Midas pensasse que ele podia correr. A fera verde segurou a clava como se fosse uma lança e fez um movimento de jogada. Se Midas não tivesse se abaixado, naquele exato instante sua cabeça seria esmagada pelo enorme pedaço de madeira que furou a parede acima dele. O estrategista aproveitou que o Ogro não conseguia se movimentar com a clava cravada na parede e tirou a enorme tanga que servia como cueca para o Ogro.
Nesse momento todos gritaram e taparam os olhos. E pode acreditar que se fosse você que visse os órgãos genitais de um Ogro, você faria o mesmo. Midas aproveitou o enorme pano que tinha em mão, foi para trás do Ogro e pulou em cima dele, agarrando-se nas gorduras de seu pescoço e apoiando os pés envolta dos ombros da fera. E, em pouco tempo, Midas já estava como uma criança em cima das costas do pai.
O Ogro finalmente conseguiu tirar a clava da parede. Midas ainda estava para vendar os olhos do adversário. O garoto, desesperado, fez uma daquelas coisas que só quando você está muito desesperado faz. Ele fez uma coisa idiota.
– Olhe, Rei Ogro! Midas está ali!
Midas realmente não acreditava que aquilo desse certo, mas pelo visto o intelecto do Ogro era mesmo muito inferior as dos humanos, pois não é que o Ogro olhou pra lá e ficou procurando a pessoa que estava bem em suas costas! Imagine qual não foi a raiva do Ogro em perceber que todos envolta do pátio estavam rindo dele!
– Ora! Mas onde foi que vocês esconderam ele! – Grunhiu o Ogro num ataque de raiva – vocês vão ver só!
– Não Ogro, está errado! – Gritou Roland da plateia – é você que não verá mais nada!
E, daquele jeito metade confuso e metade sem entender nada, o Ogro foi vendado pela própria cueca.
Midas pulou de cima das costas do seu adversário. O Ogro se debatia e berrava em sua voz horrenda, arranhada e grossa. Midas quis aproveitar do momento para fincar sua espada na barriga do monstro, mas esse se debatia tão ferozmente que acabou acertando o estrategista com a palma da mão e arremessando-o longe. Midas caiu no chão de areia do pátio. Ele queria gritar, mas não conseguia. Queria falar, mas não pode. Não conseguiu nem ao menos pensar de tanta dor. Foi ai que ele se deu conta do que havia acontecido.
Midas havia quebrado o maxilar.
O estrategista se revoltou. Levantou-se gritando e partiu brandindo a espada. Ele primeiramente acertou a perna do Ogro, que caiu no chão. Depois Midas deu um giro e acertou nas costas da fera. E, por último, saiu traçando uma linha horizontal do centro das costas até o centro do tórax, e como movimento final, subiu repentinamente a espada, cortando o peito e o ombro do Ogro, que caiu no chão sem mais condições de lutar.
Midas havia ganhado.
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