Cidade 12

7 Capítulo 7: O passado de Midas


Notas iniciais
Oi! Bem, novo capítulo de Cidade 12 pra vocês. A história já está rolando a muito tempo, mas as tretas de verdade começam a partir daqui!

O Esquadrão de Emergência.

O que? Você não sabia que ele existia? Não me surpreende. O Esquadrão nunca antes havia sido usado em todas as batalhas da Cidade 12. Mas não pense que, por serem reforços ou por nunca lutarem, o Esquadrão era um monte de homens gordos e bêbados.

Não, ele definitivamente não era.

O Esquadrão era a fora mais poderosa que uma Cidade – seja ela governada por Superiores ou Inferiores – poderia chamar. Aí você me pergunta: se eles são tão fortes, por que nunca lutaram antes em toda a história da Cidade 12? Pense bem, se você estivesse no meio de uma guerra e tivesse uma bomba nuclear, você não iria joga-la logo de cara. Iria ver os movimentos do inimigo, iria estudar seus comportamentos e iria garantir que não erraria o alvo.

E era isso mesmo que o Esquadrão de Emergência era: uma bomba nuclear. Mas não falo ao pé da letra, claro. O Esquadrão era sempre formado pela raça mais parecida fisicamente com o homem, os Losts.

Tá legal, eu admito, os humanos e os Losts eram idênticos em aparências, porém em habilidades físicas... os Losts pulavam mais alto, corriam, andavam e nadavam mais rápido, eram mais precisos com as espadas que qualquer ser humano e eram naturalmente mais fortes.

Quanto os Losts saíram de suas cabanas no acampamento perto da Cidade 4, foi uma visão que cada homem deveria ver ao menos uma vez na vida: os cordéis marrons galopando mais rápido do que a vista pode acompanhar, os elmos cobrindo a cabeça dos Losts, as espadas balançando na bainha, e, finalmente, a parte mais bonita. A cena mais bonita era quando todos os membros do Esquadrão se alinhavam em 5 filas de 5 homens cada uma e desembainhavam a espada ao mesmo tempo, puxando-as de suas bainhas e as rodando inúmeras vezes no ar.

E este era o Esquadrão, estes eram os Losts, estes eram a evolução da raça humana.

...

O Esquadrão de Emergência chegou rápido como um trovão na Cidade 4. A catedral era o ponto mais distante da entrada da Cidade, e também os únicos que os humanos Superiores não ousaram profanar, pois aquele era um templo de um deus Inferior. As religiões eram politeístas, geralmente cada povo tinha um monte de deuses, e, na religião humano, os deuses Inferiores e Superiores eram inimigos. Os deuses Inferiores não permitiam nada que fosse superior, e, pior ainda, amaldiçoavam todo e qualquer humano Superior que entrava no templo de um deus Inferior. E era por isso que os Superiores não ousaram entrar na catedral.

Mudando de assunto, o Esquadrão finalmente havia chegado na torre do sino. Já estavam desmontados dos cavalos, já estavam na porta da torre, e mesmo assim nem sinal do inimigo.

– Midas, fique esperto. Olhe se o pelotão 1 ainda está na torre do sino! – falou Luin, capitão do Esquadrão, para Midas, pelo walktalk.

– Não dá! – respondeu Midas – Eu perdi o sinal deles! Eles devem ter quebrado o walktalk ou alguma coisa assim. Pra fazer isso precisava ser alguém que conhecesse a formação, e só existe uma pessoa no pelotão 1 que conhece todo o meu plano... o general!

– Não, definitivamente não. – falou Luin – Eles devem ter ameaçado o general e obriga-lo a falar tudo o que sabia.

– É, deve ter sido isso mesmo. Muito bem, espadas fora da bainha, permissão para entrar na torre do sino concedida.

E Luin arrombou a porta. Ainda nada. Os Losts Continuaram andando devagar, com passos largos e pouco barulhentos, não se ouvia nem um único sussurro.

POW!

E foi aí que, quase do nada, uma mão apareceu e socou fortemente o rosto de Luin. Todos os Losts apontaram a espada para o rosto do dono da mão, e qual não foi a surpresa ao descobrir que era o próprio general.

– General, mas... por que? – Falou Luin na parede, se recuperando do forte soco que levará.

– O que foi? – falou o general, bloqueando o caminho dos Losts – Por que estão ai parados com cara de bunda? Vocês não teriam coragem de usar essas suas espadas no general, teriam? Então por que não se juntam ao meu lado?

Nenhuma resposta foi ouvida. Midas interrompeu o silêncio falando pelo walktalk:

– Não! Não acreditem nele! – Midas via tudo o que estava acontecendo por meio de uma câmera escondida no elmo de um dos Losts – Ele nos traiu, ele é o culpado pela recente perda de quase todo o pelotão 4!

– Não deem ouvidos a ele. – falou o general com voz serena e calma – Eu tenho patente superior, eu sou o líder! Vocês aceitariam ser considerados traidores pelos humanos Inferiores?

– Luin, mate-o! – Midas gritou desesperado pelo walktalk – Vamos lá, mate-o! Ele não merece ser mais nosso líder com todo esse comportamento infantil, ele é uma desgraça para os humanos Inferio...

– Eu sabia Midas! – interrompeu o general com um grito que ecoou por toda a torre do sino – Eu vi você quando era bebê, eu estava lá, sabia? Desde o dia em que você chegou e deitou no maldito berço dos Alladins, eu soube que você seria a ruína de nosso povo, eu soube que você seria aquele que iria estragar toda a estrutura do nosso governo e que você iria ser uma desgraça! No dia em que você sentou numa das cadeiras da Mesa Real todos sentiram que você realmente era um demônio, por isso te mandaram embora!

– MATE-O! – berrou Midas – General, você não precisa saber de minha desgraça, você não precisa saber de nada! Eu não fui mandado embora por isso, eu não sou mais quem eu era antes.

Na torre do sino, um tiro foi ouvido. O alvo do tiro não era o general, muito pelo contrário, o general era o atirador. O corpo de Luin caiu no chão, sem nem ao menos vida. O capitão do Esquadrão estava morto.

– Viram isso, não é? – falou o general apontando para o cadáver de Luin – Melhor irem embora, se não o mesmo acontecera com vocês.

E nesse momento todos os Losts foram embora da torre, não importa o que estivesse acontecendo, eles já não queriam mais saber. Pra eles seria melhor assim.

Midas, ainda no acampamento, pegou os walktalks dos pelotões 2, 3 e 4 e disse:

– abortem a missão, vocês já derrotaram forças inimigas demais, podem deixar que os Losts cuidarão do resto.

A porta da barraca se abriu, deixando entrar a luz do sol, e, parado na porta da barraca de Midas, estava Roland, o líder dos batedores e o único que não precisava lutar nas batalhas, com exceção de Midas, claro.

– Que história era aquela? – perguntou Roland com os olhos arregalados, fervendo de raiva – Midas, o que você tem a ver com os Alladins?!

E, pela primeira vez desde que entrara no exército, Midas chorou.