Cidade 12
12 Capítulo 12: O segredo
Notas iniciais
– Droga! Já não aguento mais enfermarias, esse já deve ser bem o terceiro ou quarto capítulo que eu começo em uma! – gritou Midas, altamente chateado por se ver ali naquela situação novamente.
Sua cabeça estava enfaixada e o corpo quase caia de uma cama de grandes folhas improvisada em cima de um galho baixo numa das árvores que rodeavam a clareira. Quando Midas olhou pro lado e viu que sua cama não estava “no chão”, ele levou um susto e caiu, fazendo um baque surdo no chão.
– Ah Midas, ainda bem que você acordou. – falou Tharroc andando até ele. Só naquele momento que o estrategista percebeu que foram os Ogros que o ajudaram – Temos um caso para você.
– Um caso? – perguntou um Midas confuso e esparramado no chão
– Sim, um caso!
– Encontraram uma namorada para mim?
– Não, seu idiota! Siga-me. – Midas se levantou com dificuldade e seguiu Tharroc.
Quando olhou ao redor, o estrategista percebeu várias camas improvisadas, tanto no chão quanto em galhos baixos. Olhando para além de Tharroc, Midas viu o grupo de Ogros que havia salvado sua vida pouco tempo atrás. Todos estavam rodeando algo que parecia ser um corpo humano amarrado a quatro troncos fincados no chão. Perto dos Ogros estava Roland, o único humano além de Midas que estava acordado.
– Pegamos esse ser humano no ataque, nós o raptamos e os trouxemos aqui para um interrogatório, mas esse humano imbecil não quis falar nada, por isso iremos te dar a honra de mata-lo. – falou Tharroc ao se aproximar do grupo de Ogros já citados anteriormente.
– Entendo, então tirem esse saco que está na cabeça dele e me deem uma boa faca que eu o matarei num só golpe. – falou Midas com um sorriso de vingança no rosto.
Ao chegar ainda mais perto do grupo de Ogros, Midas recebeu os cumprimentos das feras verdes e uma piadinha de Roland, falando o quanto ele era bom por ter acordado primeiro. No final de tudo isso, o estrategista recebeu a faca e Tharroc tirou o saco da cabeça do homem preso por eles. Mas que surpresa não teve Midas ao saber que, na verdade, aquele “homem” se tratava de uma mulher.
– Ah não, não, foi mal. Eu não mato mulheres. – falou Midas, abaixando a faca.
Vendo a “covardia” de Midas, a mulher gritou:
– Machista opressor idiota!
E Midas enfiou a lâmina inteira da faca no tórax dela, fazendo a mulher gritar de dor.
– Tá feliz?! – gritou Midas para a mulher.
Não era um ferimento grave o suficiente para matar, mas com certeza ela ia passar uns meses sem poder fazer tudo que ela fazia antes do machucado.
Quando a mulher parou de gritar e foi levada para uma das camas — os Ogros planejavam deixa-la viva para ver se ela falava alguma coisa sobre o ataque -, Midas se lembrou de um detalhe extremamente importante:
– E Linch? O que aconteceu com ele? Está morto?
Um grande silêncio pairou pelo grupo dos Ogros e por Roland. Ninguém queria falar, ninguém queria nem ao menos dar a notícia do que acontecera. Mas a notícia tinha quer ser dita, e ela foi dita pela boca de Roland:
– Ele matou mais três de nossos homens e fugiu.
Midas cerrou os dentes. “Fugiu!” – pensou – “Esse idiota vai simplesmente matar nossos companheiros e fugir? Precisamos acelerar essa viagem. Se nós conseguirmos a proteção dos Meio-Dragões, nunca mais Linch irá nos incomodar!”.
– Não precisa se preocupar com outros ataques de Linch . – falou Tharroc, como se estivesse lendo a mente de Midas – Conseguimos alguns dos transportes dos humanos superiores para vocês, mas guardando segredo que vocês são inferiores, claro. Falamos que vocês eram comerciantes que desejavam fazer negócios com os Meio-Dragões.
– E eles compraram a mentira? – perguntou Midas.
– Não, mas eu fiz eles comprarem.
– Ah! – falou Midas, se virando o mais rápido possível, com medo.
– A propósito, — falou Roland, com um tom de alta curiosidade na voz (se é que esse tom existe, mas o escritor aqui sou eu e eu escrevo a burrice que eu quiser) – que relação é essa que você falou que tinha com os Meio-Dragões lá no forte?
Midas suspiro rapidamente, depois hesitou. Olhou fundo nos olhos de Roland e viu que poderia confiar nele. Se virou para Tharroc e pediu que dispensassem os Ogros e que fossem para bem longe dali, para Midas e Roland conversarem em paz. Quantos os Ogros já dormiam do outro lado da clareira, Midas se apoiou num dos troncos de árvore que usaram para prender a mulher e começou a falar:
– Roland, tenho um segredo para te contar, e espero que você o guarde bem... – e Midas contou a verdadeira história de sua vida.
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