Cicatrizes de Ouro - O Legado de Katherine
20 Epílogo!
Notas iniciais
Segunda-feira, 7h00 — Setembro de 2029
A manhã de setembro entrava suavemente pelas janelas panorâmicas da sala de café da manhã, iluminando uma cena de perfeita harmonia familiar. A mesa de carvalho estava posta com a louça especial — porcelana branca com detalhes dourados — que Katherine reservava para ocasiões importantes. E hoje era definitivamente uma ocasião importante: o primeiro dia de faculdade de Lunna.
Luca Vittorio De Médici, aos cinco anos, era uma miniatura perfeita de Alessandro, com cabelos castanhos ondulados que se recusavam a ficar penteados e olhos verdes brilhantes herdados da mãe. Ele estava sentado em sua cadeira especial, balançando as perninhas enquanto tentava cortar seu waffle com uma determinação adorável.
— Mamãe, por que a Lunna está tão nervosa? — ele perguntou, sua voz ainda com aquela doçura infantil que derretia o coração de todos. — Ela ficou acordada a noite toda arrumando a mochila.
Katherine, aos 35 anos, estava mais radiante do que nunca. Seus cabelos loiros chegavam agora até os ombros, em um corte moderno que emoldurava perfeitamente seu rosto. Ela vestia um conjunto social preto elegante — blazer ajustado e saia lápis — que realçava sua figura ainda esguia. Seus olhos verdes brilhavam com o orgulho maternal enquanto observava os filhos.
— Porque hoje é um dia muito especial para sua irmã, meu amor, Katherine explicou, servindo mais frutas no prato de Luca. — Ela vai começar a faculdade de medicina.
Lunna, agora com 15 anos, havia herdado a beleza da mãe e a inteligência de ambos os pais. Seus cabelos castanho-claros estavam presos em um rabo de cavalo alto, e ela vestia uma blusa branca social, calça jeans escura e tênis brancos — um visual jovem mas profissional para seu primeiro dia. Apesar da confiança que tentava demonstrar, suas mãos tremiam ligeiramente enquanto mexia no celular.
— Não estou nervosa, ela mentiu, claramente ansiosa. — Só... é que é medicina, né? E pediatria sempre foi meu sonho.
Alessandro, aos 40 anos, estava ainda mais charmoso com alguns fios grisalhos nas têmporas que lhe davam um ar distinto. Ele vestia um terno cinza-chumbo impecável, mas havia afrouxado a gravata para o café da manhã em família. Seus olhos castanhos observavam Lunna com orgulho paternal evidente.
— Princesa, ele disse, colocando a mão no ombro da filha, você tem 15 anos e já está entrando na faculdade de medicina. Isso é extraordinário.
Luca largou o garfo e olhou para a irmã com admiração:
— Lunna, você vai ser médica igual à mamãe e ao papai?
Lunna sorriu, sua ansiedade diminuindo um pouco:
— Vou, Luca. Vou cuidar de crianças doentes, igual a tia Nicole faz.
— E você vai usar aqueles jalecos azuis bonitos?
Katherine riu:
— Vai sim, meu amor. E vai ficar linda neles.
Anna, agora com 38 anos, entrou na sala carregando uma bandeja com panquecas recém-feitas. Seus cabelos estavam completamente grisalhos, mas seus olhos ainda brilhavam com a mesma dedicação de sempre.
— Panquecas especiais para o dia especial da nossa doutora, ela anunciou, colocando a bandeja na mesa.
Lunna corou:
— Anna, ainda não sou doutora.
— Para mim, você sempre foi especial. Lembro quando tinha cinco anos e dizia que ia cuidar de crianças doentes.
Luca bateu palmas:
— Eu quero panqueca! Eu quero panqueca!
Alessandro riu:
— Calma, campeão. Vamos comer com educação.
Katherine olhou no relógio elegante em seu pulso:
— São 7h15. Lunna, você tem certeza de que não quer que eu te leve?
— Mãe, eu tenho 15 anos. Posso ir de Uber.
Alessandro franziu a testa:
— Uber? No primeiro dia? Nem pensar. Eu te levo.
— Pai...
— Não discuta comigo, princesa. É o primeiro dia da minha filha na faculdade de medicina. Vou te levar e buscar.
Luca se animou:
— Posso ir junto? Quero ver a faculdade da Lunna!
Katherine sorriu:
— Claro que pode, meu amor. Vamos todos.
HOSPITAL VITALIS AETERNUM — ESCRITÓRIO DE KATHERINE8h30
O escritório de Katherine havia sido renovado nos últimos anos. Agora tinha uma decoração mais moderna, com móveis em tons de branco e azul-celeste, plantas naturais que davam vida ao ambiente, e uma parede inteira dedicada a fotos da família e conquistas profissionais.
Katherine estava revisando alguns relatórios quando Sofia, sua secretária, bateu na porta:
— Dra. Katherine, seu pai está aqui.
John entrou no escritório, e a transformação nele era notável. Aos 62 anos, ele havia encontrado seu lugar no mundo. Vestia um terno azul-marinho elegante, seus cabelos grisalhos estavam bem cortados, e ele exibia uma confiança que não tinha há anos. Como administrador-chefe do hospital, ele havia se tornado uma peça fundamental na operação.
— Bom dia, minha princesa, ele disse, beijando a testa da filha.
— Bom dia, pai. Como estão as coisas na administração?
John se sentou na cadeira em frente à mesa:
— Tudo funcionando perfeitamente. Os números do último trimestre são excelentes. Aumento de 15% nos atendimentos, redução de 8% nos custos operacionais.
Katherine sorriu orgulhosa:
— Você está fazendo um trabalho incrível, pai.
— Aprendi com a melhor, ele piscou. — E como está nossa futura médica? Nervosa para o primeiro dia?
— Tentando disfarçar, mas está sim. Alessandro insistiu em levá-la pessoalmente.
John riu:
— Claro que insistiu. É a princesinha dele.
Nesse momento, Celine bateu na porta e entrou. Aos 24 anos, ela havia se tornado uma jovem profissional confiante e competente. Seus cabelos loiros estavam presos em um coque profissional, e ela vestia um conjunto social discreto em tom de cinza. Como assistente social do hospital, ela havia encontrado sua vocação ajudando famílias em momentos difíceis.
— Bom dia, Katherine. Bom dia, Sr. John.
— Bom dia, Celine. Como foi o fim de semana?
Celine se sentou, colocando uma pasta sobre a mesa:
— Produtivo. Consegui resolver a situação da família Santos. O menino vai poder fazer a cirurgia, e o plano social vai cobrir todos os custos.
Katherine se emocionou:
— Celine, você é incrível. Esta família estava desesperada.
— É para isso que estou aqui. Aprendi com você que medicina vai além de cirurgias.
John observou a interação com orgulho:
— É lindo ver como esta família cresceu. Celine, você se tornou uma profissional excepcional.
Celine corou ligeiramente:
— Obrigada, Sr. John. Ter vocês como exemplo me inspirou a ser melhor.
Katherine olhou para o relógio:
— Celine, você tem reunião com a família do paciente do quarto 302 às 9h30, certo?
— Sim. É um caso delicado. Criança de 8 anos com leucemia, família sem recursos.
— Você sabe que pode contar com todo apoio do hospital.
— Eu sei. E é por isso que amo trabalhar aqui.
FACULDADE DE MEDICINA — ENTRADA PRINCIPAL8h45
O campus da Faculdade Central de Nova York — Medicina era impressionante, com prédios modernos cercados por jardins bem cuidados. Alessandro dirigia o BMW preto da família, com Katherine no banco do passageiro, Lunna no banco de trás tentando controlar os nervos, e Luca na cadeirinha, observando tudo com curiosidade.
— Uau! Luca exclamou, vendo os prédios. — É aqui que a Lunna vai estudar?
— É sim, meu amor, Katherine respondeu. — É uma das melhores faculdades de medicina do país.
Alessandro estacionou em frente ao prédio principal:
— Chegamos, princesa.
Lunna respirou fundo:
— Pai, você tem certeza de que eu estou pronta para isso?
Alessandro se virou para olhá-la:
— Lunna, você tem 15 anos e já domina conceitos que estudantes de 20 anos têm dificuldade. Você nasceu para isso.
Katherine se virou também:
— Meu amor, lembra quando você tinha 5 anos e dizia que ia cuidar de crianças doentes? Este é o primeiro passo.
Luca desafivelou o cinto e se virou para a irmã:
— Lunna, você é a irmã mais inteligente do mundo! Vai ser fácil!
Lunna sorriu, a tensão diminuindo:
— Obrigada, Luca. Você sempre sabe o que dizer.
Eles saíram do carro, e Alessandro insistiu em carregar a mochila de Lunna:
— Pai, eu consigo carregar minha própria mochila.
— Hoje não. Hoje você é minha princesa no primeiro dia de faculdade.
Katherine segurou a mão de Luca enquanto caminhavam em direção à entrada:
— Luca, vamos conhecer onde sua irmã vai estudar.
— Posso conhecer os laboratórios? Quero ver onde fazem as experiências!
Alessandro riu:
— Claro, campeão. Vamos fazer um tour completo.
FACULDADE DE MEDICINA — AUDITÓRIO PRINCIPAL9h00
O auditório estava cheio de novos estudantes e suas famílias. Lunna era visivelmente a mais jovem, atraindo olhares curiosos, mas Katherine e Alessandro flanqueavam-na com orgulho protetor.
Dr. Roberto Mendes, o diretor da faculdade, subiu ao palco:
— Bem-vindos à Faculdade de Medicina. Vocês estão iniciando uma jornada que mudará suas vidas e as vidas de incontáveis pacientes.
Luca sussurrou alto demais:
— Mamãe, por que aquele homem está falando tão sério?
Algumas pessoas riram, e Katherine corou:
— Ssh, meu amor. É importante.
Alessandro pegou Luca no colo:
— Vamos ouvir sobre a escola da Lunna.
Dr. Mendes continuou:
— Entre vocês, temos uma estudante muito especial. Lunna De Médici, aos 15 anos, é nossa mais jovem caloura. Filha dos renomados Drs. Katherine e Alessandro De Médici, do Hospital Vitalis Aeternum.
Todos os olhares se voltaram para Lunna, que corou intensamente. Alessandro e Katherine sorriram orgulhosos.
— Lunna, gostaria de dizer algumas palavras?
Lunna olhou para os pais, que assentiriam encorajadoramente. Ela se levantou, suas pernas tremendo ligeiramente:
— Eu... obrigada. Sei que sou jovem, mas medicina sempre foi minha paixão. Quero me especializar em pediatria e ajudar crianças como meu irmãozinho.
Ela olhou para Luca, que acenou animadamente:
— Oi, Lunna!
O auditório riu carinhosamente, e Lunna ganhou confiança:
— Prometo estudar muito e honrar a confiança que depositaram em mim.
Os aplausos foram calorosos, e quando ela se sentou, Alessandro sussurrou:
— Estou muito orgulhoso de você, princesa.
HOSPITAL VITALIS AETERNUM — REUNIÃO DE DIRETORIA10h00
A sala de reuniões da diretoria havia sido modernizada, com uma mesa de vidro elegante, cadeiras ergonômicas e um sistema de videoconferência de última geração. Katherine presidia a reunião, com Alessandro ao seu lado como vice-presidente.
Hinata, agora diretora clínica há cinco anos, havia se tornado uma líder respeitada. Seus cabelos pretos estavam presos em um coque profissional, e ela vestia um conjunto social impecável:
— Os números de satisfação dos pacientes continuam excelentes. 98% de aprovação no último trimestre.
Nicolas, como diretor executivo, apresentava os dados financeiros:
— Receita aumentou 22% em relação ao ano passado. Conseguimos expandir para mais duas especialidades.
Katherine sorriu:
— Excelente trabalho, pessoal. E como estão nossos ex-residentes?
Hinata consultou suas anotações:
— Luara está fazendo especialização em neurologia na Johns Hopkins. Beatriz abriu uma clínica pediátrica em São Paulo. Lucas está no Hospital do Coração como cardiologista. Michael fez doutorado em neurocirurgia e Rebecca está terminando especialização em pediatria oncológica.
Alessandro se orgulhou:
— Todos seguindo caminhos brilhantes.
Luana, agora supervisora de residentes, acrescentou:
— E temos uma nova turma excepcional. Cinco residentes que prometem muito.
Katherine olhou para o relógio:
— Perfeito. Agora preciso ir buscar Lunna. Primeiro dia de faculdade.
Nicolas sorriu:
— Como ela estava esta manhã?
— Nervosa, mas determinada. Igual à mãe na mesma idade.
FACULDADE DE MEDICINA — FINAL DO DIA17h00
Alessandro, Katherine e Luca esperavam na entrada da faculdade quando Lunna apareceu, visivelmente exausta mas radiante.
— Como foi, princesa? Alessandro perguntou imediatamente.
Lunna se jogou nos braços do pai:
— Foi incrível! Difícil, mas incrível!
Luca correu para abraçar a irmã:
— Lunna! Você virou médica hoje?
Lunna riu:
— Ainda não, Luca. Vai demorar alguns anos.
Katherine abraçou a filha:
— Conte tudo. Como foram as aulas?
Enquanto caminhavam para o carro, Lunna falava animadamente:
— Anatomia foi fascinante! E fisiologia é mais complexa do que eu imaginava, mas consegui acompanhar tudo.
Alessandro abriu a porta do carro para ela:
— E os outros estudantes? Como reagiram à sua idade?
Lunna entrou no carro, acomodando a mochila:
— No início ficaram meio assustados, mas depois que eu respondi algumas perguntas nas aulas, eles começaram a me respeitar. Até fizeram um grupo de estudo e me convidaram!
Katherine se virou do banco da frente:
— Que ótimo! Fazer amigos é importante.
Luca, já acomodado em sua cadeirinha, perguntou curioso:
— Lunna, você viu algum coração de verdade hoje?
Lunna riu:
— Não, Luca. Hoje foram só aulas teóricas. Mas o professor disse que semana que vem vamos ao laboratório de anatomia.
— Que legal! Posso ir junto?
Alessandro riu enquanto ligava o carro:
— Acho que você ainda é muito pequeno para laboratórios de anatomia, campeão.
— Mas eu quero ser médico igual à Lunna!
Katherine sorriu:
— Um dia você pode ser, meu amor. Mas primeiro precisa crescer bastante.
MANSÃO DE MÉDICI — JANTAR EM FAMÍLIA19h30
A mesa da sala de jantar estava posta com especial carinho. Anna havia preparado o prato favorito de Lunna — salmão grelhado com risotto de cogumelos — para celebrar seu primeiro dia. Velas aromáticas criavam uma atmosfera acolhedora, e um buquê de rosas brancas decorava o centro da mesa.
John havia chegado do hospital e estava sentado à mesa, ainda de terno, mas havia afrouxado a gravata. Seus olhos brilhavam de orgulho ao olhar para a neta.
— Então, doutora Lunna, ele brincou, como foi conhecer seus futuros colegas de profissão?
Lunna corou:
— Vovô, para de me chamar de doutora! Mas foi ótimo. Os professores são incríveis.
Anna entrou carregando uma travessa:
— Jantar especial para nossa pequena médica!
Luca bateu palmas:
— Anna, o que você fez de sobremesa?
— Surpresa, meu pequeno. Mas primeiro vocês têm que comer tudo.
Alessandro serviu vinho para os adultos e suco de uva para as crianças:
— Um brinde ao primeiro dia de Lunna na medicina.
Todos ergueram os copos:
— À Lunna!
Lunna estava visivelmente emocionada:
— Obrigada, pessoal. Ter vocês como família me dá força para qualquer coisa.
Katherine segurou a mão da filha:
— Estamos muito orgulhosos de você, meu amor.
John se voltou para Katherine:
— E como foi seu dia no hospital, princesa?
— Produtivo. Celine resolveu mais um caso social complexo. Ela está se tornando indispensável.
Alessandro acrescentou:
— E os números da diretoria estão excelentes. Hinata e Nicolas estão fazendo um trabalho fantástico.
Luca, que havia terminado de comer, perguntou:
— Papai, quando eu vou poder ir trabalhar com vocês no hospital?
Alessandro riu:
— Quando você crescer e decidir o que quer ser, campeão.
— Eu já decidi! Quero ser médico igual a vocês e à Lunna!
Katherine acariciou os cabelos do filho:
— Você tem tempo para decidir, meu amor. Mas seja o que for, vamos apoiar.
John observou a família com satisfação:
— Sabem, às vezes me belisco para ter certeza de que isso tudo é real. Anos atrás, eu estava preso, Katherine lutando sozinha... E olhem onde chegamos.
Katherine segurou a mão do pai:
— Chegamos juntos, pai. Como família.
HOSPITAL VITALIS AETERNUM — SETOR DE SERVIÇO SOCIALTerça-feira, 9h00
Celine estava em sua sala, uma sala moderna e acolhedora decorada com plantas e fotos de famílias que ela havia ajudado ao longo dos anos. Ela estava revisando o caso da família Santos quando Vanessa bateu na porta.
— Posso entrar, querida?
Celine sorriu ao ver a tia:
— Claro, tia Vanessa! Que surpresa boa.
Vanessa entrou carregando uma cesta:
— Trouxe almoço caseiro. Sei que você esquece de comer quando está concentrada.
Celine abraçou a tia:
— Você me conhece bem demais.
Vanessa se sentou na cadeira em frente à mesa:
— Como está Valéria?
Celine suspirou:
— Bem. Ela tem ido às terapias religiosamente. A psicóloga disse que ela está fazendo progresso real.
— E o relacionamento de vocês?
— Melhorando. Não é perfeito, mas... ela está tentando ser uma mãe melhor. E eu estou aprendendo a perdoar.
Vanessa sorriu:
— Isso é tudo que podemos pedir. E Katherine? Como ela tem reagido?
— Katherine é incrível. Ela incluiu nossa mãe em jantares familiares, leva Luca para visitar... Ela realmente perdoou.
Nesse momento, alguém bateu na porta. Era Rebecca Carter, agora uma pediatra oncologista de 28 anos, voltando para uma consulta no hospital.
— Celine! Que bom te ver!
As duas se abraçaram calorosamente:
— Rebecca! Como está a especialização?
— Terminando! E adivinha? Recebi uma proposta para trabalhar aqui no Vitalis como pediatra oncologista.
Celine bateu palmas:
— Que maravilha! A família está voltando para casa!
Rebecca se sentou:
— É incrível como este lugar marca a gente, né? Cinco anos depois, e ainda sinto que é aqui que pertenço.
Vanessa observou a interação:
— É lindo ver como Katherine e Alessandro criaram uma verdadeira família aqui.
HOSPITAL VITALIS AETERNUM — ESCRITÓRIO DE ALESSANDRO10h30
Alessandro estava em videoconferência com médicos de outros países quando Katherine entrou silenciosamente. Ele fez sinal para que ela se sentasse e finalizou a chamada:
— Desculpem, preciso encerrar por aqui. Falamos amanhã.
Katherine sorriu:
— Reunião importante?
— Proposta de intercâmbio com o Hospital Infantil de Barcelona. Eles querem que nossos residentes façam rotação lá.
— Que ótimo! E como você está se sentindo hoje?
Alessandro se levantou e a abraçou:
— Feliz. Realizado. Vendo Lunna começar medicina, Luca crescendo, nossa família unida...
Katherine se aconchegou em seus braços:
— Às vezes ainda não consigo acreditar em tudo que construímos.
— Nós construímos, Kate. Juntos.
Eles foram interrompidos por uma batida na porta. Luca entrou correndo, seguido por Anna:
— Desculpe, Dr. Alessandro, ele fugiu de mim!
Luca se jogou nos braços do pai:
— Papai! Posso almoçar com vocês hoje?
Alessandro o pegou no colo:
— Claro, campeão. Que tal comermos no restaurante do hospital?
Katherine sorriu:
— Ótima ideia. Anna, você almoça conosco também.
Anna corou:
— Obrigada, mas não quero atrapalhar...
— Você é família, Anna. Sempre será.
RESTAURANTE DO HOSPITAL — MESA PRIVATIVA12h30
O restaurante do hospital havia sido reformado e agora tinha uma área VIP reservada para a diretoria e convidados especiais. A mesa estava elegantemente posta, com vista para os jardins internos do hospital.
A família estava reunida: Katherine, Alessandro, Luca, Anna, John, e por surpresa, Hinata e Nicolas se juntaram a eles.
Luca estava animado, contando para todos sobre sua manhã:
— E aí a Anna me levou para ver os jardins, e eu vi um passarinho fazendo ninho!
Hinata sorriu:
— Que legal, Luca! Você gosta da natureza?
— Gosto! A mamãe disse que posso ter um aquário no meu quarto.
Alessandro quase se engasgou com a água:
— Eu disse que vamos pensar sobre isso.
Katherine riu:
— Ele tem sido muito responsável. Talvez um aquário pequeno...
John observou a família:
— Sabem, anos atrás eu imaginava como seria ter netos. Nunca imaginei que seria tão... perfeito.
Nicolas se emocionou:
— Sr. John, é incrível ver a família que vocês construíram. E Lunna na medicina aos 15 anos!
Anna acrescentou:
— Ela sempre foi especial. Lembro quando tinha 3 anos e já 'operava' as bonecas.
Luca se animou:
— Eu também vou ser médico! Vou operar... ursinhos!
Todos riram carinhosamente.
Katherine olhou ao redor da mesa:
— Vocês sabem que são nossa família escolhida, né? Pai, Anna, Hinata, Nicolas... vocês são parte de nós.
Hinata se emocionou:
— Katherine, você mudou minha vida. Quando vim do Japão, estava perdida. Aqui encontrei não só uma carreira, mas uma família.
Nicolas concordou:
— Alessandro, você me ensinou que liderança é sobre servir, não sobre mandar.
Alessandro levantou o copo de água:
— Um brinde à família. Biológica e escolhida.
Todos brindaram, e Luca gritou:
— À família!
FACULDADE DE MEDICINA — LABORATÓRIO DE ANATOMIASexta-feira, 14h00 — Final da primeira semana
Lunna estava em sua primeira aula prática de anatomia, usando um jaleco branco com seu nome bordado — presente de Katherine. Ela estava visivelmente concentrada, mas confiante.
Dr. Fernando Silva, o professor, observava impressionado:
— Srta. De Médici, pode identificar esta estrutura?
Lunna se aproximou do modelo anatômico:
— É o ventrículo esquerdo do coração. A câmara responsável por bombear sangue oxigenado para todo o corpo.
— Correto. E esta?
— Átrio direito. Recebe sangue desoxigenado do corpo.
Os outros estudantes olhavam impressionados. Marina, uma colega de 19 anos, sussurrou:
— Ela é incrível. Sabe mais que alguns residentes.
Carlos, outro colega, acrescentou:
— E é super humilde. Nunca se gaba de saber mais.
Dr. Silva sorriu:
— Srta. De Médici, seus pais devem estar muito orgulhosos.
Lunna corou:
— Eles me apoiam muito. Mas sei que tenho muito a aprender ainda.
MANSÃO DE MÉDICI — NOITE DE SEXTA-FEIRA20h00
A família estava reunida na sala de estar, uma tradição de fim de semana. Katherine estava no sofá com Luca no colo, que estava quase dormindo. Alessandro lia relatórios médicos em sua poltrona favorita. Lunna estava no tapete, estudando para as provas da próxima semana.
— Como foi sua primeira semana, princesa? Alessandro perguntou, tirando os óculos de leitura.
Lunna levantou os olhos dos livros:
— Intensa, mas maravilhosa. Cada aula é uma descoberta nova.
Katherine acariciou os cabelos de Luca:
— E os colegas? Estão te aceitando bem?
— Sim! Marina e Carlos até me convidaram para estudar juntos no fim de semana.
Alessandro franziu a testa:
— Estudar onde?
Lunna riu:
— Na biblioteca da faculdade, pai. Nada de festas ou baladas.
— Ainda bem. Você ainda é muito jovem para isso.
Katherine deu uma cotovelada discreta em Alessandro:
— Amor, ela tem 15 anos, mas é muito madura. Confie nela.
Luca murmurou sonolento:
— Mamãe, posso dormir no seu colo?
— Claro, meu amor.
Alessandro observou a cena com ternura:
— Você sabe que daqui a alguns anos ele vai ser grande demais para isso.
Katherine beijou a testa de Luca:
— Por isso aproveito cada momento.
Lunna fechou os livros:
— Pai, mãe, obrigada por me apoiarem nesta decisão. Sei que ser médica tão jovem traz responsabilidades extras.
Alessandro se levantou e se sentou no braço do sofá:
— Lunna, você nasceu para isso. Sua vocação é evidente desde pequena.
Katherine acrescentou:
— E sempre estaremos aqui para te apoiar, aconteça o que acontecer.
DOMINGO — ALMOÇO DE FAMÍLIA ESTENDIDA13h00
A mansão estava em festa. Era domingo de almoço de família estendida, uma tradição que Katherine havia estabelecido. A mesa grande da sala de jantar estava posta para doze pessoas.
Presentes estavam: Katherine, Alessandro, Lunna, Luca, John, Anna, Donatella e Ângelo (que haviam vindo da Itália para uma visita), Vanessa, Valéria e Celine.
Valéria, aos 55 anos, estava visivelmente diferente. Seus cabelos estavam bem cuidados, ela usava roupas simples mas elegantes, e mais importante, seus olhos tinham uma paz que não existia antes. A terapia havia realmente funcionado.
— Katherine, Valéria disse suavemente, obrigada por me incluir novamente.
Katherine segurou a mão da mãe:
— Você é minha mãe. Sempre terá lugar nesta mesa.
Donatella, elegante como sempre, observava a interação:
— È bellissimo vedere una famiglia unita. (É lindo ver uma família unida.)
Ângelo concordou:
— Katherine, você criou algo especial aqui.
Luca, sentado em sua cadeira especial, estava animado:
— Nonna Donatella, você trouxe aqueles doces da Itália?
Donatella riu:
— Claro, mio bambino! Cannoli fresquinhos para você.
Lunna estava contando sobre a faculdade para os avós:
— E na próxima semana vamos começar a estudar o sistema respiratório.
John se orgulhou:
— Minha neta, médica aos 15 anos. Quem diria.
Celine acrescentou:
— E eu acabei de conseguir aprovação para um novo programa de assistência social no hospital.
Alessandro se interessou:
— Que tipo de programa?
— Suporte psicológico para famílias de crianças em tratamento oncológico.
Katherine sorriu:
— Que iniciativa maravilhosa.
Anna apareceu da cozinha:
— Almoço está servido! Fiz a lasanha favorita de todos.
Quando todos se sentaram, Alessandro se levantou:
— Gostaria de fazer um brinde.
Todos pegaram seus copos:
— À nossa família. Que cresceu, que se curou, que se uniu. Aos sonhos realizados e aos que ainda estão por vir.
Katherine se levantou também:
— Ao amor que nos trouxe até aqui, e que nos levará adiante.
Lunna acrescentou:
— À medicina, que nos une a todos.
Luca gritou:
— Ao hospital mais legal do mundo!
Todos riram e brindaram:
— À família!
HOSPITAL VITALIS AETERNUM — REUNIÃO ESPECIALSegunda-feira, 16h00
Katherine havia convocado uma reunião especial na sala de conferências principal. Presentes estavam: Alessandro, Hinata, Nicolas, Luana, Nicole, Rafael, John, Celine, e por videoconferência, os ex-residentes que estavam em outras cidades.
— Obrigada por virem, Katherine começou. Queria compartilhar algumas novidades importantes.
Na tela de videoconferência apareceram Luara (de Baltimore), Beatriz (de São Paulo), Lucas (de São Paulo), Michael (de Boston) e Rebecca (que estava fisicamente presente).
— Primeiro, Alessandro anunciou, temos o prazer de informar que Rebecca vai se juntar oficialmente à nossa equipe como pediatra oncologista.
Aplausos ecoaram pela sala e pela videoconferência.
Rebecca se emocionou:
— É um sonho voltar para casa.
Katherine continuou:
— Segundo, decidimos criar o Programa De Médici de Bolsas de Estudo para jovens talentos da medicina.
Hinata se animou:
— Que ideia fantástica!
— A primeira bolsa será administrada por Celine como programa social, e vai dar oportunidade para jovens de baixa renda estudarem medicina.
Celine se emocionou:
— Katherine, que honra administrar isso.
Luara, pela videoconferência, disse:
— Dr. Katherine, Dr. Alessandro, vocês continuam mudando vidas.
Beatriz acrescentou:
— Este hospital é realmente especial.
Alessandro sorriu:
— E temos mais uma novidade. John foi promovido a Vice-Presidente Administrativo.
John ficou surpreso:
— Eu... não sei o que dizer.
Katherine beijou a testa do pai:
— Você merece, pai. Transformou nossa administração.
MANSÃO DE MÉDICI — NOITE DE SEGUNDA-FEIRA21h00
A família estava novamente reunida na sala de estar. Luca já estava dormindo no sofá, coberto com uma manta que Donatella havia tricotado para ele. Lunna estudava com música suave no fone de ouvido. Katherine e Alessandro conversavam baixinho.
— Como você se sente sobre tudo isso? Alessandro perguntou.
Katherine olhou ao redor:
— Realizada. Completa. Lembra quando achávamos que nunca teríamos uma família normal?
— E agora temos mais família do que podíamos sonhar.
Katherine se aconchegou em seus braços:
— Às vezes tenho medo de que seja bom demais para ser verdade.
Alessandro beijou sua testa:
— É verdade porque construímos juntos. Cada desafio, cada vitória, cada momento difícil... tudo nos trouxe até aqui.
Lunna tirou os fones:
— Pai, mãe, posso interromper?
— Claro, princesa.
Lunna se levantou e se aproximou:
— Só queria agradecer. Por me apoiarem, por acreditarem em mim, por serem os melhores pais do mundo.
Katherine se emocionou:
— Nós é que temos sorte de ter você como filha.
Alessandro a abraçou:
— E mal podemos esperar para ver que tipo de médica você vai se tornar.
Lunna sorriu:
— Vou ser como vocês. Vou salvar vidas e criar uma família linda.
Katherine limpou uma lágrima:
— Tenho certeza que vai.
EPÍLOGO DO EPÍLOGO — CINCO ANOS NO FUTUROHospital Vitalis Aeternum — Cerimônia de FormaturaMaio de 2034
O auditório do hospital estava novamente decorado para uma formatura, mas desta vez era especial. Lunna, agora com 20 anos, estava se formando em medicina, tendo completado o curso em tempo recorde.
Katherine, aos 40 anos, ainda radiante, estava na primeira fileira com Alessandro (45 anos) e Luca (10 anos), que usava um terno pequeno idêntico ao do pai.
No palco, Lunna usava beca e capelo, mas já vestia por baixo o jaleco azul-celeste do hospital — ela havia sido aceita para fazer residência no próprio Vitalis Aeternum.
— Lunna De Médici, o diretor da faculdade anunciou, formanda com honras máximas, especialização em pediatria.
Quando Lunna subiu para receber o diploma, o auditório inteiro se levantou em aplausos. Katherine chorava de orgulho, Alessandro assobiava, e Luca gritava:
— Essa é minha irmã!
Depois da cerimônia, no jardim do hospital, a família se reuniu para fotos. Presentes estavam: Katherine, Alessandro, Lunna, Luca, John (agora com 67 anos, mas ainda ativo), Anna, Donatella, Ângelo, Vanessa, Valéria (que havia se tornado uma avó presente e carinhosa), Celine (agora diretora de assistência social), e todos os ex-residentes que haviam voltado para a celebração.
— Dr. Lunna De Médici, Alessandro disse orgulhoso, como soa bem.
Lunna riu:
— Ainda sou só uma residente, pai.
— Mas já é médica, Katherine acrescentou. E vai ser uma pediatra fantástica.
Luca puxou a barra do jaleco da irmã:
— Lunna, agora você pode me operar se eu me machucar?
Todos riram, e Lunna se abaixou para ficar na altura do irmão:
— Espero nunca precisar, Luca. Mas se precisar, vou cuidar de você.
— E quando eu crescer, vou trabalhar com vocês!
Alessandro e Katherine trocaram olhares cúmplices. Mais uma geração De Médici estava sendo preparada.
Valéria, que havia se tornado uma avó amorosa e presente, se aproximou de Katherine:
— Obrigada por me dar a chance de ver este momento.
Katherine segurou a mão da mãe:
— Família é isso, mãe. Segundas chances, perdão, e amor.
Enquanto o sol se punha sobre o Hospital Vitalis Aeternum, a família De Médici se preparava para mais um capítulo de sua história. Lunna começaria sua residência na segunda-feira, Luca continuaria crescendo e descobrindo seu caminho, e Katherine e Alessandro continuariam construindo legados — tanto no hospital quanto em casa.
O círculo estava completo, mas a história continuava. E como sempre, continuaria com amor, medicina, e família no centro de tudo.
FIM DO EPÍLOGO
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