Notas iniciais
Valéria tem um novo plano que pode custar caro para Katherine....
A PERSEGUIÇÃO FATALUNIVERSIDADE DE NOVA YORK — SAÍDA DO PRÉDIO ADMINISTRATIVO

Quinta-feira, 15h30 — Um mês após a retratação

Katherine caminhava pelos corredores familiares da Universidade de Nova York, sua pasta de couro italiana balançando suavemente ao lado do corpo. A reunião mensal administrativa havia transcorrido sem intercorrências — discussões sobre orçamentos, novos programas de residência e parcerias internacionais. Tudo voltara ao normal após a tempestade midiática do mês anterior.

Ela vestia um conjunto social Cinza Claro impecável, cabelos loiros soltos ondulando ate a cintura elegante, e pela primeira vez em semanas, sentia-se completamente relaxada. A decisão de vir sozinha havia sido libertadora — um pequeno passo em direção à normalidade que tanto desejava.

Ao sair do prédio, Katherine respirou o ar fresco da tarde nova-iorquina. Seu Bentley Continental prata a aguardava no estacionamento VIP, reluzindo sob o sol de outono.

— Finalmente, murmurou para si mesma, vida normal.

Ela ligou o carro e ajustou o espelho retrovisor, notando que o estacionamento estava praticamente vazio — apenas alguns carros espalhados aqui e ali. Colocou sua playlist favorita e começou a dirigir em direção ao Hospital Vitalis Aeternum.

HOSPITAL VITALIS AETERNUM — SALA DE REUNIÕES JURÍDICAS

15h35

Alessandro estava sentado em uma mesa oval no 14º andar, cercado por Dr. Roberto Martinez e outros cinco advogados especializados. Pilhas de documentos se espalhavam pela mesa — contratos de seguro, atualizações de protocolos legais e os últimos desdobramentos dos processos contra os jornalistas.

— Dr. Alessandro, Dr. Martinez consultava seus documentos, os últimos réus aceitaram o acordo. Indenização de 2 milhões de dólares e retratação pública adicional.

Alessandro assentiu, mas sua mente estava dividida:

— Ótimo. E sobre as medidas de segurança do hospital?

— Reforçadas conforme solicitado. Câmeras adicionais, controle de acesso mais rigoroso...

O celular de Alessandro vibrou na mesa. Ele olhou rapidamente — uma mensagem de Katherine:

"Reunião terminando. Indo para aí. Te amo. — K"

Ele respondeu rapidamente:

"Cuidado na estrada. Ainda em reunião. Te amo também. — A"

Dr. Martinez continuou:

— Sobre Valéria Carson, não temos mais movimentações. Parece ter desaparecido após a confissão pública.

Alessandro franziu a testa:

— Isso me preocupa. Pessoas como ela não desaparecem simplesmente.

— Nossos investigadores não encontraram atividade suspeita. Talvez tenha finalmente desistido.

— Espero que sim.

ESTRADA ENTRE A UNIVERSIDADE E O HOSPITAL

15h50

Katherine dirigia tranquilamente pela Avenida Madison, observando o movimento típico da tarde nova-iorquina. O trânsito estava fluindo bem, e ela calculava chegar ao hospital em vinte minutos.

Parou em um semáforo e aproveitou para verificar mensagens. Nada urgente — apenas confirmações de cirurgias para a semana seguinte e relatórios de residentes.

Quando o sinal abriu, ela seguiu em frente, mas algo chamou sua atenção no espelho retrovisor. Um sedan preto havia feito a mesma conversão que ela, mantendo uma distância constante.

— Coincidência, murmurou, tentando afastar a paranoia que havia desenvolvido nas últimas semanas.

Ela virou à direita na próxima esquina, testando sua teoria. O sedan preto fez a mesma curva.

O coração de Katherine começou a acelerar ligeiramente. Ela fez outra curva, desta vez à esquerda. O sedan a seguiu novamente.

— Não pode ser, sussurrou, suas mãos apertando o volante.

Para ter certeza, Katherine acelerou ligeiramente, passando de 60 para 80 km/h. O sedan preto imediatamente aumentou a velocidade, mantendo a distância.

O medo começou a se instalar. Katherine pegou o celular e discou para Alessandro, mas a chamada foi direto para a caixa postal — ele ainda estava em reunião.

— Merda, Alessandro, atende!

Ela tentou novamente. Nada.

INTENSIFICAÇÃO DA PERSEGUIÇÃO

16h05

Katherine estava agora a 100 km/h, claramente tentando escapar de seus perseguidores. O sedan preto não apenas a acompanhava, mas estava se aproximando perigosamente.

Ela chegou a um semáforo vermelho e foi obrigada a parar. Seu coração batia descompassadamente quando o sedan preto parou ao lado dela.

Katherine virou lentamente a cabeça e sentiu o sangue gelar.

No banco do motorista estava um homem de aproximadamente 40 anos, cabelos escuros desgrenhados, barba por fazer e uma cicatriz visível no lado esquerdo do rosto. Seus olhos eram frios e calculistas.

Mas foi o passageiro que fez Katherine sentir náusea.

Valéria Carson estava ali, mas não era a mesma mulher da entrevista televisiva. Seus cabelos loiros estavam desgrenhados e sujos, o rosto magro e com olheiras profundas. Ela vestia roupas escuras e amassadas, e seus olhos brilhavam com uma fúria que Katherine nunca havia visto.

Quando seus olhares se encontraram, Valéria abriu a janela e gritou com uma voz rouca e desesperada:

— VOCÊ NÃO VAI ESCAPAR DE MIM, GAROTA! ISSO AINDA NÃO ACABOU!

O semáforo abriu e Katherine pisou fundo no acelerador, seu Bentley disparando para frente. Mas o sedan preto a seguiu imediatamente.

— Meu Deus, meu Deus, Katherine repetia, tentando ligar novamente para Alessandro.

Ela estava agora a 120 km/h, uma velocidade perigosa para as ruas da cidade. Mas o sedan preto não apenas a acompanhava — estava ganhando terreno.

O ACIDENTE

16h12

Katherine viu a placa indicando que estava a apenas 2 km do Hospital Vitalis Aeternum. Se conseguisse chegar lá, estaria segura.

Ela entrou em uma curva fechada à direita, reduzindo ligeiramente a velocidade para manter o controle. Foi nesse momento que o sedan preto fez sua jogada final.

O motorista acelerou e investiu diretamente contra a lateral traseira do Bentley de Katherine.

— NÃO! Katherine gritou, tentando desesperadamente manter o controle.

O impacto foi devastador. O Bentley foi arremessado para fora da pista, girando violentamente. Katherine sentiu o mundo girando ao seu redor enquanto o carro capotava uma, duas, três vezes.

O sedan preto, descontrolado após o impacto, também saiu da pista e capotou várias vezes antes de parar de cabeça para baixo.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.

APÓS O IMPACTO

16h15

Katherine abriu os olhos lentamente, sentindo um gosto metálico de sangue na boca. Sua cabeça latejava com uma dor insuportável, e ela podia sentir sangue escorrendo por seu rosto.

O Bentley estava de lado, vidros estilhaçados por toda parte. Katherine tentou se mover e gemeu de dor — suas costelas pareciam estar quebradas, e cada respiração era uma agonia.

Mas foi o cheiro que a fez entrar em pânico: combustível.

— Preciso... preciso sair daqui, ela murmurou, lutando contra a dor.

Com um esforço sobre-humano, Katherine conseguiu se desvencilhar do cinto de segurança e rastejar para fora do carro através da janela quebrada. Cada movimento era uma tortura, mas o instinto de sobrevivência a impulsionava.

Ela caiu no asfalto, suas roupas rasgadas e ensanguentadas. Sua visão estava embaçada, e ela sentia que podia desmaiar a qualquer momento.

Mas então viu o sedan preto, a cerca de 20 metros de distância, também de cabeça para baixo. Não havia movimento.

Katherine se arrastou penosamente até o carro acidentado. Através da janela quebrada, ela podia ver o motorista — claramente morto, com o pescoço em um ângulo impossível.

Valéria estava inconsciente, mas respirando. Sangue escorria de um ferimento na cabeça, e sua respiração era laboriosa.

Por um momento, Katherine hesitou. Esta mulher havia tentado matá-la. Havia destruído sua vida, incriminado seu pai, e agora quase a havia assassinado.

Mas ela era médica. E médicos salvam vidas.

Katherine olhou ao redor e percebeu onde estava — a apenas uma quadra do Hospital Vitalis Aeternum. Ela podia ver as luzes do prédio através das árvores.

CHEGADA AO HOSPITAL

16h25

Katherine se arrastou pela calçada, deixando um rastro de sangue. Cada passo era uma agonia, mas ela sabia que precisava chegar ao hospital — não apenas para se salvar, mas para salvar Valéria também.

Suas pernas tremiam e falhavam constantemente. Ela caía, se levantava, caía novamente. Sua visão escurecia nas bordas, mas ela continuava.

Finalmente, as portas de vidro automáticas do Hospital Vitalis Aeternum se abriram diante dela.

Maria Santos, a recepcionista do turno da tarde, olhou para cima de seus documentos e gritou de horror:

— MEU DEUS! DRA. KATHERINE!

Maria correu para ampará-la, segurando Katherine quando suas pernas finalmente cederam.

— Dra. Katherine! O que aconteceu? Quem fez isso com a senhora?

Katherine tentou falar, mas apenas conseguiu sussurrar:

— Alessandro... chame... Alessandro...

— Vou chamar agora mesmo! Maria tentou pegar seu celular enquanto sustentava Katherine, mas era impossível fazer as duas coisas.

Katherine estava perdendo a consciência rapidamente:

— Carro... uma quadra... dois feridos... Valéria...

— Não entendi, Dra. Katherine. Fique comigo!

Foi nesse momento que Nicolas, Luana, Rebecca, Lucas e Beatriz apareceram no saguão, retornando de uma ronda de visitas nos andares superiores.

Nicolas foi o primeiro a ver a cena e correu imediatamente:

— KATHERINE!

Ele a pegou nos braços, aliviando Maria do peso:

— O que aconteceu? Quem fez isso?

Lucas já estava correndo para buscar uma maca:

— EMERGÊNCIA! MACA AGORA!

Luana verificava os sinais vitais de Katherine:

— Pulso fraco, respiração superficial. Possível traumatismo craniano e torácico.

Rebecca pegou o celular:

— Vou chamar Dr. Alessandro!

Katherine, lutando para manter a consciência, agarrou a camisa de Nicolas:

— Nicolas... uma quadra daqui... carro capotado... dois feridos... um morto... Valéria está lá...

— Valéria? Sua mãe?

— Ela... ela tentou... me matar...

E com essas palavras, Katherine desmaiou completamente.

MOBILIZAÇÃO DE EMERGÊNCIA

16h28

O Hospital Vitalis Aeternum se transformou instantaneamente em uma máquina de emergência. Lucas chegou correndo com a maca, e Nicolas colocou Katherine cuidadosamente sobre ela.

— Para o centro cirúrgico! AGORA! Luana comandou.

Beatriz corria ao lado da maca, monitorando os sinais vitais:

— Pressão caindo! 90 por 60!

Rebecca estava ao telefone com a emergência:

— Preciso de uma ambulância na Rua Madison, uma quadra do Hospital Vitalis Aeternum. Acidente de carro com feridos!

Maria, ainda em choque, conseguiu enviar uma mensagem para o bip médico de Alessandro:

"EMERGÊNCIA! DRA. KATHERINE FERIDA GRAVEMENTE. ACIDENTE DE CARRO. VENHA PARA O CENTRO CIRÚRGICO IMEDIATAMENTE!"

ALESSANDRO RECEBE A NOTIFICAÇÃO

16h30

Alessandro estava explicando um ponto legal complexo quando seu bip médico emitiu o sinal de emergência máxima — três bipes longos que indicavam situação de vida ou morte.

Ele olhou para a tela e sentiu o mundo desabar:

— KATHERINE!

Ele se levantou tão bruscamente que derrubou a cadeira:

— A reunião acabou. AGORA.

Dr. Martinez tentou protestar:

— Dr. Alessandro, ainda temos pontos importantes...

— MINHA ESPOSA ESTÁ MORRENDO!

Alessandro correu para fora da sala, deixando os advogados atônitos. Ele desceu as escadas correndo — mais rápido que qualquer elevador — saltando degraus de três em três.

CENTRO CIRÚRGICO — PREPARAÇÃO

16h35

Katherine foi levada diretamente para a sala de cirurgia mais avançada do hospital. A equipe médica trabalhava com precisão militar.

Luana assumiu o comando:

— Traumatismo craniano severo, possíveis fraturas de costela, suspeita de pneumotórax!

Nicolas verificava as pupilas:

— Pupilas reagindo, mas lentamente. Concussão cerebral confirmada.

Rebecca preparava os equipamentos:

— Tomografia de emergência! Precisamos ver a extensão dos danos internos.

Lucas administrava medicação:

— Analgésicos e anti-inflamatórios. Pressão estabilizando.

Beatriz coordenava com o laboratório:

— Tipagem sanguínea urgente! Preparem bolsas de sangue tipo O negativo!

ALESSANDRO CHEGA AO CENTRO CIRÚRGICO

16h38

Alessandro irrompeu no centro cirúrgico como um furacão, ainda vestindo o terno da reunião, mas já arrancando o paletó.

— ONDE ELA ESTÁ?

Luana tentou interceptá-lo:

— Dr. Alessandro, ela está na sala 3, mas...

— MAS O QUÊ?

Nicolas se aproximou:

— Alessandro, você não pode operar. Ela é sua esposa. Ética médica...

Alessandro o encarou com uma intensidade que fez Nicolas recuar:

— Nicolas, você vai me impedir de salvar a vida da mulher que amo?

— Alessandro, seja razoável...

— RAZOÁVEL? Alessandro gritou. MINHA ESPOSA ESTA MORRENDO E VOCÊ ESTA ME PEDINDO PARA SER RAZOAVEL?

O olhar de Alessandro era uma mistura de desespero e determinação que nenhum dos presentes havia visto antes. Suas mãos tremiam ligeiramente, mas sua voz ganhou uma firmeza inabalável:

— Escutem bem todos vocês. Eu vou operar Katherine. Vocês podem me auxiliar ou podem sair da minha frente, mas NINGUÉM vai me impedir de salvá-la.

Luana se aproximou cautelosamente:

— Alessandro, entendemos, mas as diretrizes éticas...

— FODA-SE AS DIRETRIZES! Alessandro explodiu, já caminhando em direção à sala de preparação. Sou o melhor cirurgião cardiovascular desta cidade, e Katherine tem lesões internas que podem matá-la. Vocês querem explicar para minha filha por que deixaram a mãe dela morrer por causa de burocracia?

Todos recuaram, ali eles perceberam que não conseguiriam impedir Alessandro de Salvar a vida de Katherine e sinceramente eles não queria impedir, sabiam que somente ele seria capaz disso.

Rafael apareceu correndo:

— Dr. Alessandro, a tomografia mostra hemorragia interna no tórax. Precisa de cirurgia imediata.

— Então vamos operar. AGORA.

Nicolas e Luana trocaram olhares preocupados. Tecnicamente, Alessandro não deveria operar a própria esposa, mas também sabiam que ele era a melhor chance de Katherine sobreviver.

Hinata se pronunciou:

— Eu vou auxiliar na cirurgia. Para garantir que tudo seja feito corretamente.

Nicole concordou:

— Eu também. Vamos todos auxiliar e supervisionar.

Alessandro parou e olhou para seus colegas:

— Obrigado. Agora vamos salvar minha esposa.

PREPARAÇÃO CIRÚRGICA

16h45

Alessandro entrou na sala de preparação e começou a se vestir com a precisão mecânica que havia desenvolvido ao longo de anos. Suas mãos não tremiam mais — o modo cirurgião havia assumido o controle.

Rebecca ajudava com as luvas estéreis:

— Dr. Alessandro, os exames mostram três costelas fraturadas, pneumotórax no pulmão direito e hemorragia interna no baço.

— Tempo estimado de cirurgia?

Lucas consultou os dados:

— Quatro a cinco horas, dependendo das complicações.

Alessandro respirou fundo:

— Então vamos começar.

SALA DE CIRURGIA 3

17h00

Katherine estava na mesa de cirurgia, conectada a múltiplos monitores. Sua pele estava pálida, mas os sinais vitais haviam se estabilizado minimamente.

Alessandro entrou na sala, seguido pela equipe completa. O ambiente estava tenso, mas profissional.

— Status? Alessandro perguntou, assumindo sua posição.

Luana, agora como primeira auxiliar:

— Paciente estável para cirurgia. Pressão 100 por 70, frequência cardíaca 95 bpm.

Alessandro olhou para o rosto de Katherine, e por um breve momento, a máscara profissional quase caiu. Mas ele se recompôs:

— Vamos começar. Bisturi.

PRIMEIRA FASE DA CIRURGIA — HEMORRAGIA INTERNA

17h15

Alessandro fez a primeira incisão com precisão cirúrgica absoluta. Suas mãos se moviam com uma destreza que impressionava até mesmo colegas experientes.

— Hemorragia localizada no baço, Nicolas observou. Laceração de aproximadamente 4 centímetros.

— Vou fazer esplenorrafia, Alessandro decidiu. Não quero remover o baço se puder evitar.

Hinata monitorava os sinais vitais:

— Pressão estável. Sangramento controlado.

Alessandro trabalhava com movimentos precisos e rápidos:

— Sutura absorvível 3-0. Vamos fechar essa laceração.

Rebecca antecipava cada necessidade:

— Fio preparado, Dr. Alessandro.

— Perfeito.

Lucas observava admirado:

— A precisão dele é impressionante. Mesmo sob pressão emocional.

Beatriz sussurrou:

— Ele está salvando a vida dela.

SEGUNDA FASE — PNEUMOTÓRAX

18h30

Com a hemorragia controlada, Alessandro se voltou para o problema pulmonar.

— Pneumotórax confirmado no pulmão direito, ele anunciou. Vou inserir dreno torácico.

Nicole preparou o equipamento:

— Dreno de 28 French pronto.

Alessandro fez a incisão intercostal com precisão:

— Aspiração imediata. O pulmão está respondendo.

Rafael monitorava a oxigenação:

— Saturação subindo. 92%... 94%... 96%. Excelente.

— Mais uma fase concluída, Alessandro murmurou, sua concentração absoluta.

TERCEIRA FASE — FRATURAS COSTAIS

19h15

— Agora as costelas, Alessandro anunciou. Três fraturas, duas com deslocamento.

Luana auxiliava na visualização:

— Quinta, sexta e sétima costelas. Fragmentos ósseos próximos ao pulmão.

Alessandro trabalhou meticulosamente:

— Vou fixar com placas de titânio. Não podemos correr o risco de perfuração pulmonar posterior.

Hinata observava:

— Que precisão. Ele está fazendo em uma hora o que levaria três para qualquer outro cirurgião.

Nicolas concordou:

— O amor está guiando suas mãos.

QUARTA FASE — TRAUMATISMO CRANIANO

20h30

A parte mais delicada da cirurgia havia chegado.

— Edema cerebral leve, mas sem sangramento ativo, Alessandro analisou as imagens. Vou monitorar pressão intracraniana.

Rebecca preparou o equipamento de monitoramento:

— Sensor de PIC pronto.

Alessandro inseriu cuidadosamente o dispositivo:

— Pressão em 15 mmHg. Dentro dos parâmetros normais.

Rafael administrou medicação:

— Manitol para reduzir edema. Corticosteroides para inflamação.

— Perfeito. Agora é esperar e monitorar.

FINALIZAÇÃO DA CIRURGIA

21h00

Alessandro começou a suturar as incisões, suas mãos ainda firmes após quatro horas de cirurgia complexa.

— Suturas internas finalizadas, ele anunciou. Vamos para as suturas externas.

Luana observava:

— Técnica perfeita. Cicatrização será mínima.

Nicolas se aproximou:

— Alessandro, você fez um trabalho extraordinário.

Alessandro não respondeu, focado completamente em finalizar a cirurgia perfeitamente.

— Última sutura, ele murmurou. Pronto.

Ele se afastou da mesa e olhou para Katherine, agora estável e com todos os ferimentos tratados.

— Como estão os sinais vitais?

Hinata verificou os monitores:

— Todos estáveis. Pressão 110 por 80, frequência cardíaca 75 bpm, saturação 98%.

Alessandro finalmente permitiu que suas emoções aflorassem:

— Ela vai ficar bem?

Rafael colocou a mão em seu ombro:

— Vai, Alessandro. Você salvou a vida dela.

TRANSIÇÃO PARA O PÓS-OPERATÓRIO

21h15

Alessandro tirou as luvas cirúrgicas e a máscara, revelando um rosto exausto mas aliviado.

— Agora não sou mais o cirurgião, ele disse para a equipe. Sou apenas o marido. Vocês assumem os cuidados médicos.

Luana assentiu:

— Levaremos ela para a UTI VIP. Monitoramento 24 horas.

Alessandro seguiu a maca enquanto Katherine era transportada, segurando sua mão delicadamente.

UTI VIP — QUARTO 1501

21h30

Katherine foi instalada no mesmo quarto VIP onde havia se recuperado da crise de ansiedade um mês antes. Desta vez, porém, os equipamentos eram muito mais sofisticados.

Alessandro se sentou na cadeira ao lado da cama, não soltando a mão de Katherine:

— Eu deveria ter insistido para você não ir sozinha.

Nicolas entrou no quarto:

— Alessandro, você não podia prever isso.

— Deveria ter insistido, ele repetiu, acariciando os cabelos de Katherine.

Rebecca se aproximou:

— Dr. Alessandro, encontraram os ocupantes do outro carro.

Alessandro olhou para ela:

— E?

— O motorista morreu no local. Valéria Carson está em cirurgia no andar 12.

Alessandro sentiu uma raiva intensa:

— Ela tentou matar Katherine.

Lucas acrescentou:

— A polícia está investigando. Quando ela acordar, será presa.

— Se acordar, Alessandro murmurou friamente.

Nicole o repreendeu suavemente:

— Alessandro, você é médico. Não pode desejar a morte de ninguém.

Alessandro olhou para Katherine inconsciente:

— Ela quase matou a mulher que amo. Perdoem-me se não sinto compaixão.

CHEGADA DE REFORÇOS

22h00

John chegou correndo ao hospital, tendo sido avisado por Anna sobre o acidente.

— Como ela está? ele perguntou, ofegante.

Alessandro se levantou para abraçar o sogro:

— Estável. A cirurgia foi um sucesso.

John olhou para a filha na cama de hospital:

— E Valéria?

— Sendo operada. Vai sobreviver.

John cerrou os punhos:

— Aquela mulher não para nunca.

— Agora para. A polícia vai prendê-la.

VIGÍLIA NOTURNA

23h00

Alessandro não saiu do lado de Katherine por um segundo. A equipe médica fazia verificações de hora em hora, mas ele permanecia vigilante.

Hinata verificou os monitores:

— Sinais vitais estáveis. Sedação diminuindo gradualmente.

— Quando ela vai acordar?

— Provavelmente amanhã de manhã. O corpo precisa se recuperar do trauma.

Alessandro beijou suavemente a mão de Katherine:

— Estarei aqui quando você acordar, amor.

INFORMAÇÕES SOBRE VALÉRIA

23h30

Dr. Martinez entrou no quarto com informações:

— Alessandro, preciso te atualizar sobre Valéria Carson.

— Fale.

— Ela sobreviveu à cirurgia, mas tem lesões graves. Traumatismo craniano severo, fratura de fêmur, lesões abdominais.

— Vai ficar com sequelas?

— Provavelmente. O neurocirurgião disse que pode haver danos cognitivos permanentes.

Alessandro não demonstrou nenhuma emoção:

— E sobre a investigação policial?

— Testemunhas viram a perseguição. Câmeras de segurança registraram tudo. Quando ela se recuperar o suficiente, será presa por tentativa de homicídio.

— Bom.

John se pronunciou:

— Finalmente essa mulher vai pagar pelos crimes que cometeu.

PRIMEIRA MOVIMENTAÇÃO DE KATHERINE

00h30 — Sexta-feira

Katherine começou a se mexer levemente, seus dedos se contraindo na mão de Alessandro.

— Kate? ele sussurrou. Você pode me ouvir?

Luana verificou as pupilas com uma lanterna pequena:

— Reação pupilar normal. Está voltando à consciência.

Katherine gemeu baixinho, tentando abrir os olhos:

— Alessandro...

— Estou aqui, amor. Você está segura.

Katherine tentou se sentar, mas Alessandro a manteve deitada:

— Calma, Kate. Você passou por uma cirurgia. Precisa descansar.

— Valéria... ela tentou...

— Eu sei. Mas você está segura agora. Ela não pode mais te machucar.

Katherine olhou ao redor, reconhecendo o quarto VIP:

— Quanto tempo...

— Quatro horas de cirurgia. Você estava inconsciente por seis horas.

Nicolas se aproximou:

— Katherine, como se sente?

— Dolorida. Muito dolorida.

Rebecca ajustou a medicação:

— Vou aumentar os analgésicos.

Katherine olhou para Alessandro:

— Você operou?

— Operei.

— Mesmo sabendo que não devia?

Alessandro sorriu:

— Mesmo sabendo que não devia.

Katherine tentou sorrir, mas fez uma careta de dor:

— Obrigada por me salvar.

— Sempre, Kate. Sempre.

MANHÃ SEGUINTE — RECUPERAÇÃO

Sexta-feira, 08h00

Katherine estava mais alerta, conseguindo se sentar na cama com ajuda. A dor ainda era intensa, mas manejável com medicação.

Anna chegou com Lunna, que havia passado a noite na mansão sem saber da gravidade da situação.

— Mamãe! Lunna correu para a cama.

— Cuidado, princesa, Alessandro a segurou. Mamãe está machucada.

Lunna observou os curativos e equipamentos:

— Você vai ficar boa, mamãe?

Katherine segurou a mão da filha:

— Vou, minha estrela. Mamãe é forte.

— O que aconteceu?

Alessandro e Katherine trocaram olhares. Como explicar para uma criança de cinco anos que a avó biológica havia tentado matar a mãe?

— Mamãe teve um acidente de carro, princesa. Mas está tudo bem agora.

Lunna assentiu, satisfeita com a explicação simples.

NOTÍCIAS SOBRE VALÉRIA

10h00

O Investigador da Polícia Carlos Rodrigues veio prestar depoimento sobre o caso.

— Dra. De Médici, como se sente?

— Melhor, obrigada.

— Preciso que me conte exatamente o que aconteceu.

Katherine relatou toda a perseguição, desde a universidade até o acidente.

— E Valéria Carson? Como ela está?

— Sobreviveu, mas com sequelas graves. Provavelmente danos neurológicos permanentes.

Alessandro perguntou:

— Ela será presa?

— Assim que receber alta médica. Tentativa de homicídio, perseguição, direção perigosa... Vai pegar no mínimo 15 anos.

Katherine se sentiu estranhamente vazia:

— Finalmente acabou.

Alessandro segurou sua mão:

— Agora sim acabou, Kate. Para sempre.

REFLEXÕES FINAIS

12h00

Katherine estava sozinha com Alessandro, processando tudo que havia acontecido.

— Você sabe o que é mais triste? ela disse.

— O que?

— Por um momento, quando vi ela inconsciente no carro, pensei em não fazer nada. Deixar ela morrer.

Alessandro a encarou:

— Mas não fez.

— Não. Porque sou médica. E médicos salvam vidas, mesmo de pessoas que tentam nos matar.

— É por isso que te amo tanto, Alessandro murmurou. Sua humanidade é inquebrantável.

Katherine olhou pela janela:

— Agora realmente acabou. Valéria não pode mais nos machucar.

— E nossa família está completa e segura.

Katherine sorriu — um sorriso genuíno de alívio e esperança:

— Sim. Finalmente, estamos em paz.

E assim, enquanto se recuperava no hospital que havia ajudado a construir, Katherine Luna De Médici sabia que havia sobrevivido ao último ataque de seu passado. Valéria Carson seria responsabilizada por seus crimes, e a família De Médici poderia, finalmente, viver em paz completa.

A tempestade havia passado definitivamente. E desta vez, para sempre.


Notas finais
Katherine estava bem, mais o seu subconsciente não esqueceu o trauma e decidiu que era hora de descansar...