Cicatrizes

14 Capítulo 14


-Gente, eu consegui!-exclamou Gil, ao tentar abrir a caixa após diversas tentativas.

Para cada tentativa, ela tinha uma ideia diferente; quando finalmente acertou a senha, havia usado as últimas letras de cada palavra da frase que servia como dica no diário que lera: L-I-B-E-R-D-A-D-E.

Dentro da caixa, havia um meio de cultura lacrado, e ao lado, uma folha de papel. Ela pegou o papel e leu o conteúdo:

"Bactéria de classificação espirilo mutante; inofensiva à maioria das formas de vida".

Atrás, outra anotação:

"Nociva para seres transgênicos".

"Justamente o que precisávamos", pensou.

Gil não perdeu tempo e começou a preparar um método de usar a bactéria contra os mutantes.

Amarah pensava em como seria bom encontrar a família. Para começar, pediria perdão pelo o que fez. Se fosse possível, já que o lugar para onde retornara estava irreconhecível.

Por um momento, sentiu-se como uma viajante do tempo. Desejou de volta os velhos tempos. Seu maior desejo era ajudar a medicina com o bom uso da tecnologia. Tinha esperança de ajudar sua mãe com uma doença nos olhos que a obrigava a usar óculos, pois não tinha cura. Mas o sonho acabou. Uma doença grave a levou para longe da filha. Ela havia morrido.

O mesmo deve ter acontecido com sua família há dois anos atrás.

Amarah estava decidida a fazer o que fosse necessário para reconstruir sua cidade natal.

Dirigiu-se até o local onde Gil estava terminando o projeto de um plano que livraria o mundo de uma grande ameaça:

-Como está o plano?

-Não deu para muita coisa,-disse Gil-mas vai dar certo. Eu tinha algumas cápsulas vazias onde coloquei as bactérias. Se as lançarmos com microgranadas, elas vão se espalhar pelo ambiente e acabar com aquelas coisas!

-Quantas temos?

-Vinte.

-Certo, escute, eu tenho um plano. Vamos nos reunir com Olívia, Nick e Sabina para combinar tudo direitinho!

-Tudo bem, vamos lá, já está tudo pronto!

As duas se reúnem com os outros na sala onde Nick estava só.

Amarah passa as primeiras instruções:

-O plano é o seguinte: cada um carregará consigo um determinado número de microgranadas com as cápsulas para pontos estratégicos diferentes da cidade. Seguimos por uma rota retilínea, e no meio do caminho, lançamos uma microgranada cada. Depois, todos seguiremos para a direita, lançando duas e nos encontramos no centro, onde lançaremos as últimas.

-É uma boa estratégia,-observou Gil-mas para dar certo, temos que contar com duas coisas: sorte e habilidade.

Todos concordaram com a ideia, mesmo sabendo que não ia ser fácil.