Cicatrizes
1 Capítulo 1
-E agora, Amarah?
-Estamos quase lá. Acredito que esse projeto nos dará a nota máxima!
-Tem razão, afinal, apesar do avanço tecnológico, ainda há uma série de questões no plano biológico que os cientistasdeixaram para depois, e agora precisam recuperar o tempo perdido, principalmente em termos de saúde.
-Isso mesmo.Unindo a engenharia da computação com a neurociência, podemos encontrar sa respostas para as doenças que afetam a saúde das pessoas.Creio que em breve podemos criar tratamentos à base de ondas eletrônicas, não só para as doenças do sistema nervoso como para outros males ainda sem cura.Podemos encontrar a cura!
-Certinho! ei, já está tudo pronto?
-Quase, agora precisamos...acho que só testar o equipamento, mesmo!
-Certo, vamos lá!
As máquinas são ligadas. O primeiro teste é iniciado.
-Céus, o que está acontecendo?
-Não sei, acho que super...
Não há tempo para mais nada. A sala de estudos do prédio principal da universidade torna-se uma caixa de escombros. Amarah grita pelo nome da amiga. Sem resposta. Resta apenas a dor e o desespero.
-Amarah, tudo bem?
Um sonho.Um sonho constantemente lembrado durante dois anos.Mas o sonho era uma lembrança do passado.
-Acho que foi outro pesadelo, não foi?
-É, foi sim.-Respondeu Amarah.-Não precisa se preocupar.
Amarah se olha no espelho enquanto as lembranças fluem em sua mente. Ela tinha a pele alva e os cabelos compridos e lisos eram negros, como a cor dos seus olhos. Porém, seu rosto estava marcado pelo terrível acidente: ela usava um tipo de tapa-olho de metal do lado esquerdo, onde perdeu a visão, restando intacto o olho direito. Além disso, havia algumas faixas de ataduras que cobriam as cicatrizes do rosto, a maioria também do lado esquerdo.
Porém, a verdadeira ferida não cicatrizada de Amarahé a dor do acontecimento.
Há dois anos, seu projeto da faculdade causou uma tragédia. Amarah, agora com vinte anos, não saiu muito ferida, mas sua amiga, com quem trabalhava no projeto, acabou muito pior.
Amarah fugiu desesperada do hospital um dia depois, quando telefonou para casa mas não falou com a família, e passou dois anos na região da Stradivanger, lugar onde vivem grupos de gurreiros mercenários e seres vivos da natureza potencialmente perigosos para quem não conhece a região.
Sua sorte foi encontrar Nick, um guerreiro high tech que ajudou Amarah a superar as dificuldades de sobreviver ao lugar quando ela partiu confusa e com medo do futuro que poderia encontrar.
Agora que decidiu voltar para casa, Amarah pensava se retornar à cidade de Tecnópolis valia a pena, já que não sabia como recomeçar a vida.
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