Cicatrizes

1 Capítulo Único - O que a roupa esconde...


Notas iniciais
Bem gente. Aqui está uma fofura que se passou pela minha mente e eu não pude ignorar.
Espero que aproveitem ♥

Estava saindo mais uma vez de seu restaurante preferido, o Ichiraku. É impressionante o quanto ele evoluiu e cresceu, sendo agora um dos mais famosos de todo o mundo Shinobi. A demanda não era suficiente para só dois funcionários, tendo agora vários auxiliares.

Mas quem entrava na cozinha era só ele, a filha e a sua aprendiz. Ninguém ousava questionar isto. O melhor Lámen do mundo, segundo a heroína mundial (motivo a qual deixaste aquele lugar tão famoso) só poderia ser feito por eles, e talvez por um possível filho da Ayame... Se Kakashi parar de ser bunda mole e casar com ela logo.

— Naruto Sama, a Godaime te espera na torre dos Hokages. — um ANBU apareceu do nada, e ao perceber que a loira havia entendido o recado, sumiu do mesmo modo. Ela jamais iria se acostumar ou gostar desse método.

Era chato, e um pouco irritante, para alguém tão comunicativa.

Mas não era nenhuma surpresa, estava a três dias na vila, então era de se esperar um chamado: ela ultimamente não parava quieta. Depois da quarta guerra, ela fora reconhecida mundialmente, tendo que agora conviver mais do que gostaria com missões diplomáticas.

Estava com saudades de poder ficar mais com seu tesouro, que era Konoha.

Suspirou e andou lentamente, ainda vendo os pontos diferentes que havia desde a última vez que passara por ali: a vila estava se expandindo, sem sombra de dúvidas.

Umas crianças do orfanato que frequentavam a academia, estavam voltando de seu horário escolar, e Naruto sorriu ao vê-los. Morria de saudades dos pestinhas.

— Naruto Sama! — a única coisa que detestava. Essa formalidade com ANBUS, ou em uma reunião, até engolia. Mas não era necessário a todo tempo, como as pessoas (até mesmo as crianças) acabavam por fazer. — Eu aprendi um Jutsu muito legal hoje!

Hieko estava tão animado como sempre.

— Uh, qual é? — sorriu e o pegou no colo, acenando a cabeça para a responsável pelas crianças, Maika.

— Ah, não é justo! Hieko sempre chega primeiro e fica no colo dela! — Matsumi reclamou, e logo se voltou à rotina de um Kage Bunshin para cada uma das treze crianças.

— Kawarimi no Jutsu! — ele respondeu voltando ao assunto principal. Mexia os braços de uma forma expansiva, como se fosse a coisa mais legal do mundo, principalmente se você olhasse em seus olhos, e percebesse o brilho de animação e orgulho. — Agora se os caras maus vierem, eu vou poder desviar e ver a cara de bunda deles, quando virem que não me acertaram.

E as crianças riram. Ele realmente era o palhaço da turma.

— Ora gente, está certo. Esses Jutsus básicos podem te salvar em uma batalha decisiva, em questão de segundos entre a vida e a morte... — Maika tentava corrigi-los, mas ainda sim, riram.

Matsumi voltou a falar, mas parou para respirar e pegar fôlego. — Mas é que ele acha que o inimigo vai ficar lá, olhando para o nada e querendo saber do porquê de um tronco ter aparecido.

— Ele também vai saber! — outro garotinho entrou na conversa, Atse.

— Eu sei, eu sei. — murmurou com as orelhas e bochechas rosadas. — Só vai ser tão rápido, que ele nem vai saber onde eu estou!

— Você ainda com essa história de velocidade... — o outro debochou.

— Claro, eu ainda vou ser mais rápido que a Naruto Sama, e ser o mais rápido Shinobi do mundo! — gritou seu sonho.

Cena tão nostálgica...

Ela acariciou os cabelos do menino, e diferente do passado dela, o estimulou com um sorriso. — Estarei te esperando.

Ele sorriu também aliviado (ela acredita nele!) e se apoiou em seu colo, só esperando o fim da caminhada e chegada do orfanato.

A loira não tinha lembranças muito boas daquele lugar, contudo fica feliz que mudara, e que agora as crianças, mesmo sem pais, podem ser alegres e amadas. Quem diria que o responsável por tal proeza seria Kabuto?

Por falar no diabo...

— Naruto Sama... — cumprimentou a ela e as crianças, que trataram todas de se reencontrar com seus amiguinhos que não estão se formando ninjas, e todos foram para o banho.

— Kabuto.

Eles ainda não se davam muito bem, mas dane-se. Cada um no seu canto, todos sem problemas. Se curvaram levemente terminando o cumprimento e ela se voltou ao caminho da Hokage.

Deve ser melhor se teletransportar, ela já enrolou o bastante...

— Você demorou... — Tsunade nem esperou a loira entrar direito. Sabia que se tratava da mesma, pelo simples fato de ser a única que entra sem pedir permissão.

— Gomenasai’. — não inventou desculpas, demorou por que quis e as duas sabiam disso. Mas Tsunade não poderia culpá-la. Sabia que Naruto amava a vila, mas quase nunca podia aproveitá-la. — Quanto tempo?

— Duas horas, haverá uma reunião em Kumo — a vila mais distante em relação a Konoha — daqui a uma semana, mas você deverá partir logo, pois terá que encontrar-se com Gaara.

— Então eu o farei companhia para a tal reunião? — questionou tentando entender. Desde que a guerra acabou, por causa do seu status acabou recebendo uma bandana de cada grande vila Shinobi, sendo obrigada a cumprir missões de todas as cinco.

— Mais ou menos, você irá fazer companhia, mas estará junto a reunião com os Kages e Mifune.

— Entendo... — sua voz estava um pouco dura. Mal havia chegado, para ser sincera, não queria sair tão cedo.

— Maa... — seus olhos transbordavam compaixão, sabia como tudo estava sendo difícil para com sua ‘neta’. — Pelo menos você irá ter um tempo com Gaara... Isso não compensa?

A loira mais nova sentiu suas orelhas arderem de vergonha.

— Urusai’ Dattebayo. — reclamou e saiu antes que sua voz a traísse.

Sim, valia a pena.

Não sabia como, muito menos quando... Mas a loira amava Sabaku no Gaara.

Ele que a sustentava nesse tempo, quando mal podia ficar com o seu tesouro. Amava muito Konoha, e finalmente tinha o amor e reconhecimento que tanto lutou, mas não podia usufruir como planejara.

Só ele mesmo, para ela poder se sentir verdadeiramente feliz nesse tipo de situação.

Contudo, ao mesmo tempo era uma faca de dois gumes. A realidade inevitável é: ela jamais poderia ficar com ele. Com tantas coisas acontecendo, e com a realidade que seu grande sonho finalmente iria se realizar, e ela se tornaria a Hokage, as chances deles ficarem juntos eram praticamente nulas.

Então, querendo não sonhar com um futuro completamente improvável, chegou em casa e logo foi tomar um banho. Relaxou profundamente, e depois de enrolar um pouco, saiu. Estava mais do que na hora de arrumar suas malas e partir para a Suna.

Depois de um tempo, quando se conformou com o fato que teria que ir embora mais uma vez, não pode conter o sorriso.

Realmente ele valia à pena...

• • •

Depois de um dia e meio correndo parando só uma única vez a noite para descanso, chegou ao seu destino, Suna. Não era a toa que era conhecida como a mulher mais rápida do mundo.

— Seja muito bem vinda, Narut...

— Se começar a me perturbar com formalidades, eu meto a mão na sua cara, Kankurou. — avisou séria. Os amigos dela, não iria permitir.

—... Naruto. — sorriu, sabendo a raiva dela.

— Obrigada. — sorriu e Kankurou passou a andar, estava ali para fazer companhia para a mesma, de qualquer forma. — Onde está sua irmã?

Estranhou já que ela era a responsável pela recepção.

— Onde você acha? — perguntou debochado.

Shikamaru... Pensou com um sorriso.

— Nós vamos partir quando? — quanto mais rápido acabasse, mais rápido voltaria para Konoha.

— Daqui a dois dias. Mas Gaara explica melhor para você mais tarde.

Oh merda...

Quando pensou em ser reconhecida, jamais pensou que poderia acontecer coisas assim. Não, não que ela esteja arrependida. Só queria um tempo para poder ficar na própria vila.

Não é pedir demais...

Ou é, como está parecendo ultimamente.

Saiu de seus devaneios quando sentiu aquele cheiro que sempre a acalmava. Como agora seu Chakra e o de Kurama são praticamente o mesmo, seus sentidos naturais melhoraram, e ela podia saber claramente que ele estava perto.

Gaara.

— Naruto... Que bom que já chegou.

— Não poderia demorar, de qualquer forma. — sorriu, e logo abraçou ele. Pelo menos, isso ela ainda podia fazer. Aproveita para sentir mais ainda daquele perfume que sua mente recusava em esquecer.

— Kankurou, deixa que eu mostro onde ela vai ficar. Pode voltar ao seu posto.

O irmão sorriu, claramente satisfeito por deixar os dois pombinhos a sós. Só os dois bobos ainda não perceberam que são correspondidos, e adoraria que eles se resolvessem.

— Como andam as coisas por aqui? — perguntou olhando em volta. Suna tinha uma beleza exótica que a chamava atenção. Principalmente em relação a detalhes, como o fato que as casas eram sempre floridas.

Como lá não tinha condições muito boas para plantação, cada cidadão acabou por pegar o costume de ter pelo menos uma própria planta para si, desafiando a natureza. Esse tipo de contraste fascinava a loira.

— Calmas, não tivemos muitos problemas graves desde a guerra. — confirmou o que ela já sabia. Sabia que a Naruto não queria um silêncio desconfortável.

— Fico feliz, mas imagino que ainda esteja atarefado com aquela pilha de papéis. — brincou e ele acabou soltando uma risada.

Algo que só ela era capaz de fazer com ele.

— Me adiantei tanto, que dessa vez estou milagrosamente sem. Posso passar o resto da noite de folga. — olhou para a lua que reina imponente no céu.

— Isso é muito bom. Acho que se a Baa Chan bebesse menos escondido, conseguiria essa façanha...

— Acho que isso é o que chamamos de “impossível”.

E riram novamente.

Até que chegaram ao lugar que ela iria ficar.

— Mas Gaara... Aqui é onde você mora. Sabe, o Kage... — respondeu nervosa. Fala sério, era o luxo da aldeia.

— Sim, o local que a “Grande Heroína” deve ficar. — respondeu simplesmente.

— Ah, Gaara... — murmurou desconfortável. Até porque, depois daquela frase, sabia que ele não iria mudar de ideia tão cedo.

Principalmente porque ele é o Kazekage, então sabe muito bem que o forte de Suna nunca foi hotéis, e tenta mudar isso há alguns anos, melhorando bem aos poucos.

A Uzumaki soltou um muxoxo e endireitou a sua pequena mochila de viagem (podia usar Fuuins sim, mas não perdia o costume) e andou causando o desconfortável silêncio.

E quando Gaara finalmente entrou, não entendendo o porquê de tanto desconforto, ele já não podia encontrá-la, pois já havia se trancado no quarto.

Preocupado, e achando aquilo muito estranho, bateu na porta.

— Naruto... O que foi? — estava com um tom cauteloso. Alguma coisa estava muito errada.

— Nada... — o murmuro veio magoado.

Ela queria tanto ficar longe dele?

— Naruto... — sussurrou sério. Alguma coisa definitivamente estava acontecendo.

— Esquece minha bobeira, Gaara. Eu só fiquei um pouco surpresa... — suspirou. Era um pouco complicado.

— Eu vou lá fazer sua reserva... — deu meia volta, já que não queria ver a mulher que ama daquele jeito, por mais que não entendesse nem um pouco o motivo do ressentimento. O importante era ela feliz, e mais nada.

Só que fora surpreendido pela mão dela, que aparentemente saiu do quarto, o parando.

— Não se preocupe com isso. — ela sorriu. — Vai ser um prazer dormir aqui. — e uma tentação, ao mesmo tempo. Concluiu mentalmente.

— Não parecia isso há alguns segundos passados. — se virou para ela. Era incrível como ela era um livro aberto, onde claramente podia saber tudo que sentia, mas ao mesmo tempo, era um incrível enigma que ele adoraria decifrar.

E tentaria todas as vezes que pudesse.

— Desculpa... Eu... — pronto, agora Naruto Uzumaki estava nervosa e não conseguia terminar a frase. Algo muito errado estava acontecendo.

E ela só descobriu que iria dormir na casa dele!

— Naruto... Não precisa ter vergonha. Nós somos amigos... — tentou tranquilizá-la, mas não era muito de palavras. Então puxou ela para um abraço, um pouco parecido com o que ela tinha feito antes.

Já que ela foi a única pessoa que já fez isso com ele.

— É complicado... De explicar. — suspirou no abraço. — É que... Eu queria ser um pouco eu mesma.

E assim mais um ponto de interrogação se plantou na mente do Sabaku. Ser ela mesma? Ela já não era? Além do mais, o que se hospedar em um hotel tem haver com isso?

Percebeu-a puxando um pouco mais de ar, enquanto tremia levemente. O que diabos estava acontecendo? A Uzumaki o puxou para o quarto, mas em um movimento completamente ágil o deixou no centro do cômodo enquanto a mesma encostou-se à porta com a cabeça um pouco baixa.

Não iria falar, percebeu que tudo aquilo era um jeito estranho dela se preparar para contar o que estava acontecendo. As perguntas a cada segundo surgiam as montes, mas sabia que a única que poderia responder seria ela.

A mulher a sua frente não poderia ser defina ou explicada com lógica.

A mão encostada na porta começou a soltar o que parecia ser uma tinta, e ele pode perceber que a sala agora estava protegida por um Fuuin que tinha a função básica de uma Kekkai, mas chama muito menos atenção.

O que quer que aconteça nos próximos minutos, ela não queria que mais ninguém visse ou ouvisse. Por fim, ele pode observar com a calma que fazia parte de sua personalidade, letras e símbolos sendo criados e espalhados por toda sala, enquanto o Selo não ficava pronto.

— Isso era a primeira coisa que eu teria feito quando eu chegasse ao quarto do hotel. É um tipo de privacidade que prefiro nesse tipo de viagem. — explicou parecendo menos nervosa.

Cada vez mais parecida com a mulher que ganhara completamente seu respeito, amor e pensamentos. Contudo, ele tinha a impressão que iria conhecer uma mulher completamente diferente...

— Depois eu iria desfazer um Fuuin que quase ninguém sabe que existe. Um que mostra a Naruto humana. E isso pode ser assustador, Gaara. — se aproximou do ruivo que tinha mais perguntas ainda.

— Eu não tenho medo de você, Naruto... — sussurrou baixinho enquanto segurou de leve no rosto delicado que relaxou um pouco mais a expressão, se permitindo até fechar os olhos.

Para muitos, aquilo poderia soar como um desafio. Mas eles dois sabem como essa frase é importante, pelo fato de serem temidos durante toda a infância. Sabe o conforto que aquelas palavras traziam.

Eles se entendem como ninguém mais poderia compreender.

— Gaara... — sussurrou o nome dele.

Como ele conseguia fazê-la amá-lo mais? Isso deveria ser impossível! Mas lá estava ele, fazendo-a perder-se mais ainda nesta paixão e compartilhar um segredo que mais ninguém, absolutamente ninguém sabia.

A sua maior fraqueza.

Quando fora abrindo os olhos lentamente, fora também desfazendo o tal Fuuin. Este era responsável por esconder as cicatrizes que ela carregou por toda sua vida de batalhas. E não eram poucas.

A primeira que dava para perceber de cara, era uma no rosto, que parecia como se tivesse queimado, bem na parte do olho esquerdo. Até mesmo a coloração da pupila fora alterada, se tornando um pouco mais azul que o outro, como se tivesse “desbotado”. Porém, para o Sabaku, era como se nunca a tivesse visto tão linda.

— Isso são...?

— Cicatrizes. Ser uma Kunoichi e não ter nenhuma é um pouco sonhador de mais, não? — para ele não, já que era o homem com a melhor defesa do mundo, e desde criança teve a areia o defendendo, mesmo quando o ruivo não queria.

Mas... Nem todos são como ele. Alias, ninguém é.

— E você as esconde? — perguntou tirando a mecha rebelde que insistira em ficar bem em frente a cicatriz que lhe chamara atenção, e a frente do olho que ele se maravilhou. Prendeu-a atrás da orelha e continuou olhando ali, completamente enfeitiçado.

— Acabei pegando o costume de quando pequena, e acabei optando por não trazer tudo a tona quando eu descobri esse Fuuin. — explicou. Agora entendia o porquê de ela usar roupa gola alta e mangas cumpridas.

Não era somente para chamar atenção, mas realmente esconder a pele embaixo.

— Era algo tão vergonhoso assim? — a instigou a continuar, só não imaginou que ela tiraria a roupa assim na frente dele, deixando a blusa em qualquer lugar no chão que Gaara não se preocupou em descobrir qual é.

Ele não poderia desviar os olhos da loira que só estava de sutiã — previsivelmente laranja — e mais cicatrizes que ele poderia contar. Mas muitas não pareciam ser de batalha, se ele permitisse analisar.

Porém, antes que ele pudesse expressar qualquer coisa sobre o recente acontecimento, ela se virou de costas e ele teve que engolir um reflexo de surpresa. As costas dela estava com uma queimadura terrível, que a vendo assim, não podia imaginar como Naruto tinha sobrevivido a um golpe tão cruel.

Além do mais, tinha outra cicatriz, só que era diferente de todas que Gaara tinha visto na loira: ela formava uma palavra. Dava para identificar que um ser humano queimou ferro e o deixou em brasas e com plena consciência feriu as costas de Naruto. E pela palavra, ele sabia o motivo.

Akuma. Demônio.

Fizeram isso por ela ser uma Jinchuriki.

Agora o Kazekage não soube o que dizer. Estava completamente sem fala ou reação.

— Essas são a primeira e a última cicatriz que conseguia até agora. — dizia segurando seu cabelo que ela tinha passado ao pelo pescoço e o deixando a frente para que ele pudesse ter uma melhor visão de suas costas.

Agora resolveu fazer um coque, prendendo-o firmemente, dando um tempo na sua fala para também confirmar que o homem ao quarto não iria tomar a palavra. Pelo menos não por enquanto.

— A primeira foi no meu aniversário de cinco anos, e a última foi na guerra quando eu lutei com Sasuke. Isso é o resultado de uma pele diretamente afetada pelo Amaterasu...

Ela suspirou, claramente tentando não se abalar. Ela não tinha conseguido o salvar. Quando finalmente tinha se acabo, e ele iria voltar para Konoha, o ódio carregado por anos naquele chakra amaldiçoado que dominava o cérebro entrou em colapso. (**)

Redenção não era uma opção para o Uchiha.

Nos últimos segundos que Sasuke tinha de vida, pois até ele mesmo percebeu que aquilo tudo era fruto da ambição dele e que não havia mais volta, ele sorriu e agradeceu a Uzumaki por nunca ter desistido do irmão cabeça dura que ele foi, e pediu desculpas por não poder voltar com ela.

E depois disso, não sobrou nem o corpo para enterro, já que o Chakra desintegrou cada célula que compunha o Uchiha. A Jinchuriki que estava sem poder mexer um único músculo do corpo por causa do extremo cansaço, só pode chorar completamente desesperada. Porque ela sabia, por mais que pudesse lutar contra tudo para tentar salvá-lo, ela não poderia livrá-lo das consequências. Ela era a irmã, e não Kami.

Duvidava se algum dia iria superar.

Sabaku no Gaara poderia ser muita coisa, menos burro. Ele sabia por onde a mente de sua amada viajou e não gostou nem um pouco. Sem querer que ela continue se perdendo e que continue a lembrar de coisas tão tristes, tratou de voltar ao assunto original: o motivo dela esconder as cicatrizes.

— Você tinha vergonha dessa marca? — chegou mais perto da citada e colocou delicadamente os dedos sobre a mesma, o que causou um leve arrepio na Uzumaki.

Ninguém além dele sabia sobre isso.

— Eu tenho vergonha do que ela me lembra... — sussurrou e virou-se para encará-lo nos olhos. Se já tinha começado aquilo, iria até o fim. — Eu tenho vergonha do que eu fui capaz de fazer Gaara. As pessoas hoje em dia têm costume de achar que eu sou perfeita, que eu sou bondosa... Mas eu não sou, e nunca fui assim.

Ele segurou o rosto de Naruto com as duas mãos. Ainda não falaria, pois agora era o momento dela. Sabia que o quer que fosse dito, seria um desabafo por parte dela. Um peso nas costas a menos.

— Nesse dia, quando me marcaram no orfanato, e mesmo com todos os gritos de dor ninguém veio me ajudar, ainda tive a “sorte” de ter sido abusada. Foi horrível e eu simplesmente não conseguira me controlar. — ele podia sentir o corpo dela tremendo enquanto revelava. — Eu perdi a minha consciência, e quando despertei de novo, estava deitada no meio do sangue de todos aqueles que me fizeram conhecer o inferno em uma noite.

Ele voltou a abraçá-la e percebeu que a mesma começou a chorar. Nunca tinha a visto tão frágil, e se ela precisasse dele como apoio, faria questão de ser.

— As pessoas acham que eu sou boazinha, mas eu sempre tenho medo que um dia me descontrole e faça algo assim de novo. E tive razão, já machuquei a minha melhor amiga e nem sei o que fui capaz de fazer quando perdi o controle na luta com Nagato. — apertou o abraço. — A responsabilidade fica cada dia maior, e eu juro, eu tenho medo sim! Tenho medo que tudo isso que eu construí suma para sempre, porque não me controlei!

— Mas você já não fez amizade com a Kurama? Isso não impede de que tal coisa aconteça? — tentou compreender. Só que o buraco era mais fundo.

— Por um lado sim, por um lado não... Como você bem sabe, nossos Chakra’s se fundiram, e eu deixei de ser humana em parte, e ela se tornou mais humana. Então essa parte “dela” que ficou dentro de mim, ainda é culpada pelos erros do passado. Kurama não é inocente, e muito menos os humanos. Agora o sangue que estava com ela, está em minhas mãos. Sou tão culpada quanto ela...

— Naruto...

— A noite, quase todas na verdade, eu sonho com essas coisas que Kurama fez no passado. É perturbador, pois parece que eu fiz tudo aquilo. Sinceramente, é um grande passo para se perder a sanidade...

— Mas você não vai! — decretou determinado.

— Como você pode ter tanta certeza!? — se soltou do abraço e olhou. Pela primeira vez ela não estava tão determinada em si.

— Por que eu acredito em você... Porque todos nós acreditamos. Só falta você, Naruto... — abaixou lentamente tomando uma coragem que nem sabia que tinha e selou os lábios junto a loira.

Era a primeira vez que qualquer um dos dois fazia algo parecido, então tudo aconteceu de maneira lenta, calma, doce e simples... Com os dois descobrindo um ‘novo mundo’ e seguindo seus instintos.

Não foi o beijo perfeito, mas possivelmente será o beijo favorito deles até o fim de suas vidas.

— Eu acredito em você, Naruto. Eu amo você, Naruto. Então só posso te dizer que não precisa carregar tudo sozinha, e quando precisar de alguém eu estarei aqui pronto para te ajudar, não importa no que... Estarei sempre aqui por você. — revelou, e para sua grande surpresa, a loira a sua frente estava chorando.

Há quanto tempo ela guardava aquele segredo dentro de si? O que ele estava fazendo com ela? Por que ninguém nunca percebera que algo estava errado?

A explicação, o Sabaku nunca chegaria a descobrir, pois ele não conseguia imaginar que era tudo porque Naruto só conseguira confiar a ele aquele segredo, e mais ninguém.

— Eu te amo, Gaara... — soltou de uma vez, para a surpresa do Kazekage que arregalou suas pupilas verdes. — Eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo...

Continuou repetindo por todas as vezes que quis falar, porém se impediu. Estava tão repentinamente feliz que pulou em cima do ruivo e o derrubou no chão. Olhou mais uma vez naqueles olhos verdes que ficara hipnotizada por anos e repetiu mais uma vez.

— Eu te amo muito, Gaara.

E então começaram a rir.

Riram até doer a barriga e os olhos lacrimejarem.

Depois se olharam novamente.

E se beijaram.

E se amaram.

E descobriram muito mais um do outro, o que jamais qualquer outra pessoa iria saber.

E pela primeira vez na vida, eles tiveram uma noção quase plena do amor.

O amor que sempre acharam que jamais seria deles.

Um amor que eles conquistaram.

Notas finais
(**) Para quem não se lembra, o Sharingan é um Chakra 'amaldiçoado' que atua na área do cérebro e se manifesta como poder através das pupilas. O Tobirama explica isso melhor no mangá antes de ir para a guerra como o Edo-Tensei, então se quiserem saber mais (para quem não lembra, repito) é só dar uma pesquisadinha básica ♥

Curiosidade: sobre a cicatriz no olho dela, também fora algo feito na guerra. Ela foi atingida pelo ácido do seis caldas, mas não pretendo me aprofundar muito nisso. Só achei que vocês talvez ficassem curiosos de como ela conseguiu a façanha Hahah ♥

Então é isso pessoas, espero que tenham gostado e até mais ♥♥♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!