Cicatrizes.

11 #11 – Câmera.


Notas iniciais
#ÚLTIMA SEMANA

Sentia-me fora da realidade.

As luzes piscavam ao meu redor, cada batida do som me deixava calmo, meus amigos dançavam – algumas vezes rápido demais e outras lentamente. Sentia-me fora da realidade...

Olhei para o relógio em meu pulso. 02h03.

– Temos que ir – disse a Mateus.

Ele apenas assentiu e começou a me ajudar a chamar o pessoal que dançava loucamente ao nosso redor. Jef dançava com uma garota quando o chamei e Gustavo estava no bar. Esperei que Mateus chamasse Davi e Bruno, e quando eles enfim nos encontraram, saímos do salão principal, subimos os poucos degraus da escada e fomos para o lado de fora.

Olhei para o céu e a lua – que havia se deslocado desde a última vez que a vi – ainda brilhava intensamente. Entrei no Série 3 M3 Coupé Sport azul, ajudando Jef, pois ele estava com dificuldade para abrir a porta, e esperei até que Davi, Bruno e Mateus entrassem no X5 SUV prata. Mateus deu a partida e eu fui o seguindo, pois não tinha memorizado o caminho.

Chegamos ao sítio dos Dantas em um pouco mais de uma hora, pois não havia engarrafamento. Descemos do carro, e Gustavo me ajudou a levar Jef, enquanto Davi e Bruno entravam na mansão e Mateus segurava a porta para entrarmos.

– Tentem não fazer barulho – disse a eles.

Olhei para a sala de estar e vi que estava tudo bagunçado. Provavelmente a despedida de solteira de Lay tinha sido tão boa quanto à de Davi.

– Galera, já vou subir – disse Davi. – Obrigado pela noite.

– Você merece – disse, enquanto ele subia a escada.

– Ééééé... você me-re-ce – disse Jef.

– Eu também já vou subir – disse Bruno. – Boa noite. Você vem Mateus?

– Vou – respondeu Mateus.

– Boa noite – disse eu e Gustavo quase ao mesmo tempo.

Bruno e Mateus subiram a escada enquanto eu e Gustavo ajudava Jef.

– Venha, vamos levá-lo para beber um pouco de água – disse a Gustavo.

Levamos ele até a cozinha e o fizemos tomar dois copos com água gelada.

– Você precisa é de um banho gelado – disse Gustavo, rindo.

– Vocês me aaa... Judam? – Perguntou Jef.

– Eu estou fora! – Disse Gustavo.

– Faz o seguinte – disse, levando-o até a porta do banheiro –, tenho certeza que depois do banho você vai se sentir melhor, então... – o coloquei dentro do banheiro e fechei a porta – Boa sorte!

Gustavo ria incontrolavelmente.

– Vocês não querem me... – Gritava Jef de dentro banheiro.

– Não! – Gritou Gustavo, ainda rindo, interrompendo-o.

Resolvemos não esperar Jef e subimos as escadas rindo. Como o meu quarto era um dos primeiros, me despedi de Gustavo, abri a porta e entrei. Olhei para o relógio em meu pulso. 03h10. Tirei meu sapato e, quando eu ia deitando na cama, percebi que alguém estava deitado nela.

– Paula? – Percebi que era ela, pois a luz da lua cheia que entrava pela janela ainda aberta iluminava seus cabelos loiros.

– Pedro... – disse ela, se despertando. – Você chegou. — Ela se sentou na cama e ficou me olhando. – Como foi a despedida de solteiro de Davi? – Sua voz estava fraca.

– Foi boa, e a de Lay?

– Também.

– E... – sentei na beira da cama. – Porque você dormiu aqui?

– Sei lá, senti a sua falta – ela esfregou os olhos e ficou me olhando.

Seu cabelo estava um pouco bagunçado e comecei a rir.

– O que foi? – Perguntou ela.

– Nada. É que... Seu cabelo...

– Seu chato – ela pegou o travesseiro que estava atrás dela e jogou em mim.

Continuei rindo e ela também começou a rir.

– Mas não se preocupe, você continua linda – disse.

Ela ficou me olhando fixamente enquanto colocava aquele pequeno sorriso de sempre, e logo em seguida veio em minha direção, ficou de joelhos na cama e me beijou enquanto me empurrava, fazendo-me deitar. Seu beijo foi completamente desprevenido, o que o tornou ainda melhor.

Sua mão foi dos meus braços ao meu corpo, e então ela puxou minha camisa, parou de me beijar e me ajudou a tirá-la.

– Espera – disse, quando ela iria começar a me beijar novamente. – Você tem certeza de que quer fazer isso?

– Você é o cara mais carinhoso e incrível que já conheci, e somos oficialmente namorados agora. Tenho consciência do que estou fazendo, e... – ela olhou para o lado e depois ficou me encarando – Acho que finalmente encontrei o cara com quem eu quero viver o resto da minha vida.

Suas palavras calmas e profundas deixaram-me calado por alguns segundos.

– Ainda me lembro do quão nervoso estava para te convidar para sair, das risadas que você arrancou de mim, dos abraços, do nosso segundo primeiro beijo... Você me fez sentir algo que eu não sentia por alguém há muito tempo, o que me faz concluir tudo em uma única frase.

– Ah é, e qual seria essa frase? – Perguntou ela, com o pequeno sorriso estampado no rosto.

– Eu te amo! – Disse enquanto olhava seus olhos verdes sobre a fraca luz da lua que entrava pela janela aberta. – E eu me jogaria na frente de uma bala para salvar você.

Seus olhos começaram a brilhar e percebi que ela chorava.

– Eu também te amo! — Disse ela, voltando a me beijar.

Aos poucos fui tirando sua roupa e ela as minhas, até enfim nos entregarmos um ao outro.

[ANTES]

Após a trilha terminar, olhei para a água verde do lago e senti o vento úmido bater em meu rosto. Que lugar lindo.

– O que viemos fazer aqui? – Perguntei.

– Esse lugar é lindo, não é? – Perguntou ela, desviando-se da minha pergunta.

Olhei novamente para o lago de águas verdes à minha frente, para as árvores que me cercavam, e ouvi os sons dos pássaros ao longe. Tudo estava calmo. Olhei para Lay e ela me encarava de um jeito estranho.

– O que foi? – Perguntei.

– Você sente algo por mim? – Perguntou ela de repente.

Arregalei os olhos, assustado com a pergunta repentina.

– Como assim?

– Se você sente alguma tração por mim?! Sei lá, isso é tão estranho...

– Como assim “estranho”?

– Eu acho que estou gostando de você – respondeu ela.

[AGORA]

Despertei-me de repente. Olhei para lado – Paula dormia tranquilamente – e logo em seguida olhei para a janela. Ainda estava escuro. Sentei-me na cama, esfreguei meus olhos com as costas das mãos e olhei para o relógio em meu pulso. 04h36.

– Está tudo bem? – Perguntou Paula, se despertando.

– Está – respondi. – Desculpe tê-la acordado – deitei-me na cama novamente.

– Tudo bem, estava acordada. Tenho o sono leve e achei ter ouvido algum barulho.

Fiquei olhando para o teto e meus olhos rapidamente se direcionaram para o ponto escuro no forro. Olhei rapidamente para o lado e vi que Paula também olhava para a mesma direção.

– Que ponto escuro é esse no seu teto? – Perguntou ela.

– Deve ser só sujeira – respondi.

– Estranho, pois tem um igual no meu quarto – disse ela.

– Igual?

– É, e na mesma direção. Logo acima da minha cama.

– Deve ser só coincidência – disse. – Deixa eu te mostrar.

Fiquei em pé na cama, estiquei o braço e comecei a tentar tirá-lo.

– Não quer sair – disse.

Estiquei o outro braço e, com os dois dedos indicadores, puxei com toda força que tinha. O objeto se partiu em dois. Um dos pedaços do objeto preto caiu na cama, perto de Paula, enquanto o outro pedaço ficou pendurado por alguns fios. Peguei-o, e olhei atentamente para ele.

– Você pode ligar a luz? – Perguntei a Paula.

Ela sentou-se na cama e ligou o abajur ao seu lado. Direcionei o objeto para a luz e analisei tanto os fios que saiam do forro quanto à lente que brilhava sobre a luz.

– O que é isso? – Perguntou Paula.

– É uma câmera!

Notas finais
Amanhã... Capítulo #12 - Gritos.