O chão tempestuoso, frio e seco atraiu a água quente do chuveiro que escorria até o chão tempestuoso, o vapor de água quente que subia baixou bruscamente a pressão no centro do chão tempestuoso e para compensar a queda de pressão mais vapor subia até o chão e quanto mais vapor subia mais rápido o chão girava. As paredes do boxe do banheiro começaram a oscilar e a derreter, depois viraram borrões de cores, como se um pincel por elas tivesse passado e manchado o quadro com tinta ainda fresca.

Meu corpo, no centro do furacão de chão tempestuoso se balançava para frente e para trás, enquanto tudo ao redor girava, girava, girava... até meus pés ficarem dormentes e a água que escorria pelos meus cabelos, ficar fria. O vento que zoava nos meus ouvidos, frio e alto, como se o mundo estivesse de cabeça para baixo, o turbilhão de pensamentos sincronizados com o girar do chão tempestuoso e do vento, tão rápidos que não se decifrava uma imagem que pelos olhos passavam, apenas vultos, vultos e tinta borrada em várias nuances de marrom. As bocas se mexiam mudas, o olhar que não mirava ninguém, os corpos vazios derretiam e escorriam pelas paredes do furacão de chão tempestuoso e tudo foi tão rápido que logo parou bruscamente.

Mas algo dentro de mim ainda se mexia.

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