Chá com Anjos

1 DIA I - O Começo de Tudo


DIA I — O Começo de Tudo.

Como eu poderia começar isto? Bem, chamo-me Tony. Mamãe mandou-me escrever um tipo de diário, ela diz que és para eu exercitar a minha escrita usando a Máquina de Braille que ela deu-me de aniversário. Eu achei inútil, mas, caso não fizesse isto, ficaria de castigo.

Não entendo porque ela és assim. Em alguns momentos desconfio que sou adotado, porém, isto me parece impossível, mas sempre que eu pergunto para ela sobre como foi o meu nascimento, ela nega dizer uma palavra sequer. Acho que ela tem vergonha de ter um filho com deficiência visual. Não vejo problema algum nisto, porém, as pessoas não pensam como eu. Isto não foi uma opção, ter algum tipo de deficiência nunca é uma opção, eu nasci assim, nós nascemos assim. Claro, se eu pudesse mudar isto, mudaria, mas, infelizmente, não sou eu quem decido isto. Aliás, odeio ser tratado como uma pessoa "especial", sou apenas uma pessoa normal, não quero que as outras pessoas sintam pena de mim.

Às vezes sinto falta de papai. Ele foi para a guerra. Qual és o motivo de homens matarem-se? Por poder? Se tu for comparar, a política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes. A política é uma guerra sem derramamento de sangue, e a guerra uma política com derramamento de sangue. Só rezo para que nada de ruim aconteça ao papai.

Depois que papai foi para a guerra, mamãe anda mais preocupada, não gostaria nem de imaginar como ela reagiria caso papai fosse ferido. Ela lembraria que tens um filho? Acho que não, tenho quase certeza que tuas jóias são mais importantes do que tua família. Gosto de comparar mamãe com Adolf Hitler: ela tens um bom coração e boas intenções, porém, não sabes como usar isto para o bem, para o teu próprio bem. A única diferença és que Hitler comete assassinatos, já mamãe comete pecados.

Espero que um dia eu olhe para trás e, veja o quão ela foi especial para a minha pessoa. Tanto no meu crescimento mental, como no sentimental. Apesar de tudo, mamãe és uma boa pessoa, com um coração generoso. E, és por isto que eu espero que ela sejas feliz.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.