Chá!
1 Chá!
Notas iniciais
Desculpa aos que tem como preferência CharmingxSnow, ou HookxEmma, EmmaXRegina ou tantos outros... mas Rumple e Belle e sinônimo de p-e-r-f-e-i-ç-ã-o!
Parecia que o outono tinha de fato chegado, as ruas de Storybooke estavam carregadas de folhas secas e gravetos pelo chão, o sol estava alto mas a brisa ainda gelada fazia com que os moradores vestissem casacos pesados para suas saídas.
A jovem Bela se encontrava em frente à loja de antiguidades de Mr. Gold varrendo algumas flores murchas que o vento insistia em carregar pra dentro, ela sorria com simpatia para alguns vizinhos, que no máximo se davam o trabalho de balançar a cabeça e mudar o rumo com o olhar de reprovação... Ou seria pena? Desde que ela havia assumido seu romance com o Mr. Gold o ar perto dela parecia pesado e constrangedor, exceto por Ruby que lhe havia ajudado desde o começo e Mary Margaret que era apaixonada por romances e amores alheios.
Assim que Bela havia terminado o serviço, ajeitou longos cabelos castanhos e entrou. O sino que balançou com a porta fez o dono da loja sair de algum devaneio, ele sentou-se ereto na cadeira em frente ao balcão principal e voltou a fingir que afiava um desses antigos punhais romanos. Ele levantou os olhos e encarou aquela magnífica pessoa a sua frente, Bela, só o nome lhe dizia muitas coisa, seria redundância explicar. Os olhos claros, em algumas luzes refletia o azul, em outras o verde; os cabelos na altura dos seios caindo em belos cachos largos; as bochechas rosadas, além da personalidade repleta de doçura, inteligência e carisma. Mr. Gold se praguejou por ser a criatura mais estúpida, velha e amaldiçoada que andava por entre os mundos... Sendo eles mágicos ou não.
Ele sorriu sem mostrar os dentes e disse com rouquidão:
– Com sede?
Bela passou a palma da mão na testa enxugando algumas gotas de suor preste a escorrer.
– Que tal um chá? – A moça respondeu com outra pergunta. Girou o corpo pelos calcanhares e com os dedos ágeis virou a placa presa na porta, que agora lia-se "Fechado" para os que passassem do lado de fora. Ela virou-se pra ele e sorriu mordendo o lábio inferior, meio travessa.
Mr. Gold até pensou em protestar, mas tudo que conseguiu fazer foi sorrir sem graça, sentindo sua face magra esquentar.
– Cla... Claro. — Foi tudo que consegui dizer.
O senhor estendeu o braço indicando os cômodos residenciais atrás da loja, Bela sorriu e entrou primeiro ele a seguiu apoiando-se em sua bengala.
Ela deixou a água esquentando em um chaleira enquanto arrumava a mesa, colocou duas xícaras sobre os pires, um potinho prateado com açúcar, o pequeno vidro de mel e algumas colheres pequenas. Mr. Gold se deu o trabalho de sentar e observá-la.
– Gostaria que esquentasse o leite também? — Ela não tirou os olhos da água fervente, mas quebrou o silêncio.
– Leite seria ótimo. — Ele sorriu, e assim ela fez.
Sentou-se na frente dele e o serviu com o maior carinho que conseguia.
– Olha só! Você a tem até hoje! — Ela disse com mais empolgação que o necessário, o sorriso incrustado em seus lábios rosa.
– Perdão? — Ele pousou a xícara no pires.
– A xícara... A lascada. — Ela apontou para a xícara inutilizada sobre a mesa envolta de uma redoma de vidro. Era um pouco exagerado essa proteção, mas ela sabia que para ambos não era apenas um objeto, era uma memória, uma prova de magia, era algo mais do que pudesse ser explicado.
Ambos coraram, as faces quentes, os lábios tremendo, aquilo significava um amor que eles haviam desistido em um mundo mágico, era um amor que havia sobrevivido a mortalidade e falta de coragem. O amor que era uma força poderosa demais para ser esquecida.
Mr. Gold sorriu com gosto:
– Não saberia viver sem ela... E claro, sem a pessoa que a lascou — Ele limpou o canto dos lábios com o guardanapo e discretamente jogou a cabeça para se livrar da franja que incomodava. Bela sorriu. Levantou-se e levou o par de xícaras até pia, Mr. Gold apoiando em sua bengala a ajudou guardando os outros utensílios, ele se virou para Bela e sussurrou:
– Mas eu acho que é hora, dessa xícara ficar no lugar que merece.
Bela fez uma careta tentando compreender, ele pegou a redoma e saiu da cozinha indo em direção a um lugar que a moça sabia muito bem, ela a seguiu. Mr. Gold abriu a porta do corredor e entrou em um quarto de hóspede, havia uma cama de solteiro, uma penteadeira meio bagunçada e um armário aberto repleto de vestidos.
– Vou colocar... Hm... – Seus olhos cerrados percorreram o quarto – Aqui! — Ele cuidadosamente colocou a redoma na penteadeira próxima à porta – Ficará sobre os seus cuidados.
Bela sorriu agradecendo, se aproximou dele e o abraçou, conseguia sentir seu corpo magro sobre aquele terno, e além disso, tinha o coração pulsante acima do normal. Mr. Gold retribui o abraço, esfregando seu nariz em seus cabelos longos e emanando seu perfume.
– Ah! Minha doce menina.
Então Bela o beijou, Mr. Gold ainda se arrepiava com aquele toque, como se ainda fosse a primeira vez. Ele a puxou pela nuca fazendo seus lábios se afundarem no dela, enquanto entrelaçava os dedos em seu sua cintura. As línguas pediam passagem e o beijo foi tornando-se ritmado.
– Ah... Rumple. — Ela gemeu enquanto ele mordiscava o lóbulo da sua orelha.
Rumple a pegou no colo com um pouco de dificuldade, a sua perna mesmo depois de todos esses anos ainda não era boa o suficiente. Ela colocou os seus braços entre o pescoço dele, enquanto ele guiava para à cama, ficando de joelho por cima dela. Eles sentiam-se queimar pelo desejo.
Rumple a beijava, e passava a língua em torno do seu pescoço. Ela tirou o terno preto e desabotoava sua camisa, enquanto ele puxava o zíper frontal de sua blusa.
– Be... Ah! Bela. — Ele sussurrou – Eu não posso...
– Gold? O quê? – Ela se ajeitou na cama para encará-lo. – O que houve?
– Não podemos ir rápido demais. Agora que a tenho em meus braços novamente... Eu... – Ele sentou-se na cama ficando de costas pra ela. – Não posso perdê-la, não de novo... Eu... Não aguentaria viver...
Bela fechou sua blusa discretamente e ajoelhou-se atrás dele, abraçando seu pescoço entre os braços brancos e macios.
– Eu entendo. Só... Só queria tanto aproveitar os minutos que tenho com você. Depois de tudo que passamos. Eu te amo tanto, Rumplestilskins.
– Vejo muita gente falando de amor, e tantas poucas sabendo amar. – Ele sussurrou
– Eu já vejo muita gente querendo amar, e tantas poucas permitindo o amor.
– Eu vejo muita gente dando passagem ao amor e afundando pelo mesmo motivo.
– Eu vejo muita gente se reerguendo por esse mesmo sentimento. – Bela retrucou.
Eles sorriram, Mr. Gold virou e lhe deu um beijo rápido enquanto ela desamassava seu terno.
– Adoraria que você lesse pra mim. Por favor... – Ele ficou de pé apoiando em sua bengala saindo do quarto.
– O que gostaria de ouvir? – Ela se levantou caminhando até a biblioteca com Mr. Gold ao seu lado segurando sua mão.
Eles adoravam esses minutos dedicados à literatura. Bela tinha uma voz agradável e sentia-se feliz ao ler para ele. Mr. Gold apreciava seu timbre, o jeito que ela segurava o livro e suas pausas quando ficava emocionada com o livro.
– Acho que hoje o dia pede poesias. E mais um pouco de chá.
Bela sorriu e enquanto ele deu um beijo longo em sua testa e foram caminhando em direção a biblioteca.
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