Chuva de Flores
1 Flower Shower
Notas iniciais
Essa fanfic era para o desafio Mon-One, mas não deu tempo de entregar porque ficou grandinha e acabou que ficou uma oneshot normal. Espero que gostem.
Capa e banner feitos pela Alexia, ela arrasa sempre, obrigada por sempre me socorrer ❤
Lee Minji se olhava no espelho analisando toda a produção que tinha acabado de fazer para ir rumo ao tão sonhado fim de semana, planejado nos últimos três meses por ela, sua irmã mais velha Dior, o namorado dela Wonho e seu chefe Son Hyunwoo juntamente com a noiva, Yoo Yeojoo. Tudo estava indo bem, no seu ponto de vista, claro, até que a secretária de Hyunwoo decidiu ir também.
Já não bastava a mulher estar todos os dias na cola de Hyunwoo, que era sua paixão platônica em processo de superação, ela tinha que se meter em um evento que era íntima de sua família e amigos, apenas para lhe encher o saco, como se no escritório já não fosse o bastante.
Chae Dodo era a personificação da mulher perfeita. Rica, elegante, alta, com corpo de modelo, sonho de consumo de muitos homens que se derretiam por onde ela passava. Sem falar que completamente competente, não iria tirar o mérito dela, ela realmente era boa no que fazia. Todos teciam elogios para a mulher que sempre sorria falsamente tímida quando a cercavam para parabenizá-la por simplesmente fazer o seu trabalho.
Minji a detestava desde a primeira vez que se viram, na entrevista de emprego, e sabia que o sentimento era recíproco, porque a olhada dos pés a cabeça que recebeu quando pôs os pés na sala da entrevista lhe deixou óbvio que a mulher condenara o conjuntinho simples que decidira usar para a entrevista na empresa do Son.
Na época ela não tinha tantas condições para ter uma roupa melhor e engoliu o desconforto que sentiu ao ser analisada pelos olhos afiados da outra durante todo o tempo que estava sendo interrogada. Sem falar que tinha que se manter impassível para que nada estragasse a chance de trabalhar no mesmo escritório do seu amor platônico, que se estendia desde o colegial.
Claro que depois de descobrir que Hyunwoo estava comprometido com outra mulher, Minji decidiu incinerar seus sentimentos. Queimar até virar pó era a única opção porque algo que virava cinzas não poderia jamais retornar ao que era antes, e ela precisava esquecer qualquer amor que tinha por aquele homem.
Mas voltando ao assunto anterior, desde o momento da entrevista e de seu primeiro dia de trabalho para o momento atual, Minji tinha que aturar a companhia da secretaria insuportável de Hyunwoo, que sempre pegava no seu pé. A mulher vivia lhe perguntando coisas pessoais, depois claro, de sempre repetir o que fez na maldita entrevista.
Sempre tinha que lidar com a análise que a Dodo fazia toda vez que chegava no trabalho, seu rosto ficava estranho e tinha certeza de que ela lhe julgava internamente. No começo, Minji não se sentia confortável quando lhe olhavam por muito tempo, e isso era algo que sempre lidou a vida toda.
Por sua irmã mais velha Dior ser linda, talentosa e maravilhosa, Minji era sempre comparada a ela. Principalmente na aparência, porque fora isso, conseguiu com o tempo provar que poderia ser muito boa, em qualquer coisa que fizesse.
Mas o fantasma da aparência sempre lhe perseguia, porque as duas eram muito diferentes, Dior era mais alta, magra, cabelos castanhos longos e esvoaçantes, personalidade extrovertida, sorriso iluminado e super comunicativa, nunca gaguejava ou errava uma palavra mesmo quando falava rápido.
Já Minji era um pouco desajeitada, não muito magra, apesar de não ter um peso fora do normal, não era uma fada como a irmã. Tinha olhos pequenos demais, bem puxadinhos, bochechas com covinhas profundas, essa característica ela amava, diga-se de passagem. Possuía cabelo preto volumoso mesmo que fosse quase liso, salvo umas ondas nas pontas.
Ela era tímida, não do tipo que era antissocial, apenas demorava um pouco mais para ter confiança em se abrir e fazer novos amigos, mas ela conseguia.
O fato era que ficar perto de Dodo a deixava desconfortável porque a lembrava de que não era tão bonita como as outras garotas, e isso a chateava um pouco, pelo menos no início, não mais depois que conseguir finalmente ter acompanhamento psicológico e então conseguir se enxergar com outros olhos.
O objetivo de procurar tratamento era por causa da ansiedade que adquiriu na adolescência, mas acabou servindo para outras áreas que nem imaginava, então com o tempo acabou adquirindo confiança e finalmente descobriu sua própria personalidade.
O fato que mais a incomodava sobre Dodo, era que a mulher tinha mania de fazer piadinhas sem graça e por vezes ficava perto demais de si. Sempre se perguntava qual o problema dela, porque Minji não fingia simpatia, apesar de não se afastar, não lhe respondia a maioria das vezes e nem ria, para ver se deixava claro, mas parecia que a outra gostava de provocá-la.
Mas tinha uma coisa que a morena tinha certeza, Dodo deveria ter percebido que Minji tinha uma queda gigantesca pelo chefe, porque toda vez que ele estava por perto, a secretária fazia questão de ficar perto, tocar e se exibir ao lado dele, e sempre a encarava sorrindo falsamente, como se jogasse na sua cara que tinha mais intimidade com ele do que ela.
Seu sangue fervia ao lembrar disso, mas percebendo o rumo de seus pensamentos, balançou a cabeça para espantar todos, ela estava decidida a relaxar e se forçaria a isso, Dodo que se dane, não iria gastar seu tempo pensando nela. Verificou mais uma vez sua roupa, estava satisfeita com o resultado, trabalhar sua auto estima e amor próprio estava realmente rendendo coisas positivas.
Para aquele momento havia separado um vestidinho amarelo com estampas de flores, curto e com mangas frouxas que ficavam caídas nos braços, elas não precisavam sustentar o vestido por ele ser justo o suficiente para se manter no lugar, destacando as formas do seu corpo. Não incomodava mais se não tinha uma cintura fina como a da irmã, não ficava desproporcional por seu quadril era um pouco mais largo, lhe deixando com cintura de violão e aprendeu que também era muito bonito.
A segunda coisa que também apreciava, o que não fazia antes era seu belo par de coxas, nunca sequer tinha notado isso até pouco tempo, e se vendo no espelho naquele momento, estava se achando uma tremenda gostosa, até a bunda que antes era seu terror por ser redonda demais agora tinha deixado o vestido muito mais bonito.
Se repreendeu mentalmente por ter passado a maior parte da sua vida não apreciando a si mesma. Claro que ainda estava em processo e não se amava 100% ainda, já que alguns olhares ainda a incomodavam, mas nas circunstâncias atuais estava muito melhor do que um dia já esteve.
Deu uma ajeitada no cabelo que estava na altura dos ombros e alinhou a franja que estava um pouco crescida, agora em vez de cobrir a testa, estava partida ao meio. Duas mechas laterais foram puxadas e presas por um grampo de lacinho de strass em cada lado da cabeça, dando um penteado simples, mas satisfatório nos fios ondulados.
Os olhos estavam com uma sombra rosada brilhosa, as maçãs do rosto levemente coradas e a boca carnuda em formato de coração chamava a atenção com a cor vermelha vibrante. O resultado final de ter acordado cedo para se arrumar lhe rendeu contentamento pelo esforço. Se fosse um ano atrás, sequer estaria cogitando sair de casa naquelas circunstâncias.
Havia mudado, era fato, e para melhor. Só precisava agora superar um certo alguém e ficar livre para embarcar em um novo amor. Bem que seu admirador secreto poderia aparecer, e com isso a conquistar de vez, já que ele demonstrava sentimentos tão lindos com os poemas que mandava para ela.
Com esse pensamento, ela pegou sua mala e saiu porta afora, rumo ao seu tão merecido final de semana na praia.
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A viagem havia ocorrido de forma tranquila, foram apenas duas horas até chegar no litoral, o que foi vantajoso, ainda era manhã quando chegou na casa de praia da família Son. Percebeu que havia sido a última a chegar, já que encontrou todos reunidos na sala discutindo sobre o que pediriam para o almoço.
A irmã, que já morava com o namorado e por isso não lhe fez companhia na ida até ali, estava com o cardápio em mãos apontando sobre o que queria, ela discutia com Yeojoo, que queria pedir frango e Dior se negava a comer aquilo quando estavam na praia, poderiam pedir frutos do mar ou algo diferente.
Reparou que Hyunwoo estava no sofá, ao lado da noiva e Dodo estava do outro lado, participando da discussão. Quando notou a sua presença, a secretária parou de falar, e como das outras vezes, a analisou dos pés à cabeça. Evitou rolar os olhos e caminhou para mais perto, a fim de cumprimentar todos, que a receberam calorosamente.
Logo a irmã a colocou dentro da discussão, falando como era idiota comer frango no almoço quando tinham outras opções mais saborosas. Yeojoo mais uma vez discordou e as duas voltaram a falar alto, apesar de tudo, eram muito amigas e era recorrente terem essas discussões acaloradas por terem uma personalidade parecida. Depois de toda a algazarra, decidiram fazer os pedidos individualmente e cada um pagava o seu.
Quando tudo acabou, Yeojoo a levou rumo às escadas, a jovem era mais baixa, cabelos pretos e usando roupas em cores neutras, era muito reservada. Sua companhia era agradável, assim como a de Hyunwoo, que apesar de ser bem alto e ter um corpo musculoso, parecia um usuário fofo por ser mais tímido e na dele. Os dois eram muito bonitos juntos e se davam muito bem, agora torcia apenas pela felicidade deles.
Quando encontraram o quarto de hóspedes, Yeojoo entrou e Minji a acompanhou, pode ver duas camas de solteiro, entre elas uma pequena cômoda de quatro gavetas, na parede em frente as camas havia um armário grande, e na parede ao lado tinha uma porta para o banheiro, tudo na cor branca.
Só então descobriu que iria dividir o quarto com outra pessoa, e ninguém mais ninguém menos que Dodo. Não queria acreditar que ela a perseguiria até mesmo na hora de dormir, antes de conseguir protestar, a futura senhora Son explicou que todos que a maioria ali era casal e os quartos eram poucos, as duas eram as únicas solteiras e foi inevitável juntá-las.
Logo em seguida Dodo entrou também, mas permaneceu calada enquanto Yeojoo explicava algumas coisas em relação a estadia e Minji se alojava melhor. Quando a menor saiu, só permaneceram as colegas de quarto, em silêncio. Minji estava desconfortável e tentava parecer não estar enquanto arrumava as roupas no seu lado do armário.
Dodo estava impecável, como sempre, usava uma tiara de tecido com laços pontudos para cima no cabelo castanho acobreado e sedoso, vestia uma calça preta justa e camisa branca de alças finas. O rosto estava levemente maquiado, parecia uma boneca com seus olhos grandes e arredondados, nariz arrebitado com a pontinha redonda que, em vez de ficar estranho, deixava a face da mulher ainda mais bonita.
Ela estava sentada ereta em sua cama com as pernas compridas cruzadas, observando Minji. A morena sentia o olhar julgador dela, sobre si.
— Está muito bonita, Minji, como sempre — a voz aveludada quebra o silêncio no quarto.
Minji respirou fundo antes de responder se virando para Dodo, ela sorria e a mulher tremeu achando o quanto ela era cínica e falsa. Aquele sorrisinho grande cheio de dentes perfeitos no lábios volumosos e rosados não a enganava.
— Obrigada — respondeu retribuindo o sorriso voltando ao que fazia.
— Esse vestido realmente te valorizou muito — Dodo continuou.
"Sim, eu sei, não sou cega" foi o que queria responder, mas ficou na dela.
Não deu muita atenção, torcendo para que a outra desistisse a deixasse em paz, depois de mais algumas palavras, se viu sozinha novamente e agradeceu por isso. Logo mais todos se reuniram para almoçar e descansar até que fossem para fora aproveitar o sol e a praia.
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O local em que se encontravam não estava muito movimentado com pessoas e até o vento e as águas estavam calmos, perfeito para relaxar. Minji havia conseguido um guarda sol gigante acoplado em uma cadeira de madeira leve estilo espreguiçadeira. Sentada de lado no momento, se encontrava com os pés na areia. Tinha colocado um biquíni e era a primeira vez que usava um assim em público, estava um pouco envergonhada, mas decidida a se aprumar.
Havia escolhido um conjunto rosa claro estampado com rosas e pequenas flores brancas, a a calcinha era de cintura alta com cordinhas laterais, de cima para baixo, que dava para puxar e amarrar. A parte superior era um top reto de elástico franzido com manguinhas curtas no braço, comportando os seios redondos um pouco de tamanho levemente acima do mediano. As duas peças eram confortáveis, e sem fio dental.
Estava retirando o caderno de anotações da bolsa quando sentiu alguém se aproximar, sentando ao seu lado, Minji reconheceu o perfume, era o mesmo que impregnava o quarto. Não deu atenção, continuou a procurar agora uma caneta.
— Minji, pode me ajudar com o protetor? — a voz de Dodo era tão irritante.
Ficou embasbacada com o pedido, ela não poderia ter pedido a outra pessoa? Como por exemplo o primo dela que chegou de última hora? Changkyun e o namorado, Jungkook, eram até bonitinhos juntos e muito legais, com certeza a ajudariam com mais entusiasmo do que ela.
— Vem, eu passo em você também, sei que ainda não fez isso — ela estava vigiando seus passos?
Meu Deus, qual o problema dela? Minji perguntou internamente quanto externamente se virou e estendeu a mão. Se fizesse rápido, logo se livraria. Viu ela segurar o cabelo na frente antes de se virar de costas.
Foi então que viu o que a outra usava, um biquíni clássico de modelo triangular, pequeno e com tirinhas para amarrar, na cor verde escuro. Só comprovou o que já sabia sobre o corpo de Dodo, Minji não era idiota ou cega, e era aquilo que a iritava, não tinha um defeito sequer, tudo em seu devido lugar, nem grande demais, nem pequeno demais.
Mas enquanto passava o protetor pela pele de trás da outra, viu que nem espinhas nas costas ela tinha. Às vezes a vida era tão injusta, lamentou internamente.
Percebeu que a tagarela não falava nada, o que achou estranho, na verdade de repente que ela sentiu o corpo a sua frente tenso conforme esfregava o creme por toda a extensão, devagar e firme para que fosse bem absorvido, sentindo a maciez da epiderme de Dodo. Quando chegou na cintura fina, sentiu ela se mexer meio desconfortável, com certeza ela sentia cócegas, então tentou ser mais rápida.
Quando terminou, Dodo se virou e percebeu o rosto dela vermelho, o sol realmente estava forte e era bom ela proteger o rosto, então como já estava com a mão na massa, apenas colocou mais um pouco nos dedos e se aproximou da outra, passando na pele com delicadeza. A mulher à sua frente desviou o olhar quando ela ficou muito perto, achou estranho.
— Prontinho — Minji finalizou entregando a embalagem para a mais alta.
— Deixa eu colocar em você também — pediu sorrindo, daquele jeito solícito e irritante.
Porém apenas se virou e deixou ela passar o protetor, no fim, ainda precisaria que alguém fizesse isso por ela, e se Dodo estava oferecendo, para que recusar?
Sentiu a mão da mulher passar delicadamente, estava um pouco desconfortável porque nunca alguém lhe tocou daquela forma, seu corpo era praticamente imaculado, mas tentou deixar de lado, lembrando que aquilo era normal. Era apenas outra mulher passando protetor solar em suas costas, não tinha o porquê ficar com vergonha, só que ainda estava.
Entretanto manteve a pose parada, esperando ela terminar, e quando finalizou, Dodo não se moveu mesmo depois de Minji se virar para ela.
— Obrigada — Minji agradeceu torcendo para a outra não perceber que seu rosto estava queimando de vergonha.
Mas pelo olhar, ela percebeu, no entanto Dodo não falou nada, apenas sorriu levemente fazendo os olhos diminuírem. Sentiu um negócio na barriga do estômago e acabou engolindo em seco, estranhando aquilo.
— Coloque no resto do seu corpo — Dodo estendeu a embalagem para Minji novamente, que apenas aceitou tentando voltar ao seu normal — Você vai entrar na água agora ou só mais tarde? — perguntou curiosa fazendo a menor voltar com a antipatia de antes.
— Mais tarde, ainda está muito quente e mesmo protegida, não gosto muito de sentir o sol na minha pele — Minji explicou sem muita vontade.
— Ah, certo — e tudo ficou em silêncio entre elas.
Foi quando ouviram o nome de Dodo ser gritado ao longe, era seu primo que estava perto da água. Ele chamava para que ela fosse para onde estavam suas coisas, para vigiar por causa do vento que começava a soprar levemente.
— Pode ficar com o meu — apontou para o protetor — Depois você me devolve — ela se levantou e se despediu rápido da outra, que passou a passar o creme pelo restante do corpo em paz.
Depois de feito isso, Minji se acomodou melhor, pegando finalmente seu caderninho e passou a folhear. Estava de folga e queria ver se estava inspirada para escrever alguma coisa, a paisagem naquele lugar era linda, e o momento era tão agradável, porque não transformar isso em palavras?
Estava adquirindo o hábito de escrever poemas, apesar de não saber como funcionavam as regras, ela se via escrevendo para si mesma sempre que experimentava novas experiências, tanto boas quanto ruins. Essa vontade nasceu desde que passou a receber buquê de flores com poemas de um admirador secreto.
Ainda não sabia quem era, mas depois que começou a receber eles, passou a sentir ainda mais animação nessa mudança que vinha ocorrendo em sua vida. Arrumar um emprego que garantia cuidar de si sem depender de ninguém estava sendo libertador em vários sentidos e a prova de que estava dando certo era estar recebendo essas flores.
Todos os que havia recebido, acabaram colados no caderno, tudo em ordem por data.
Olhou para o primeiro, ele veio acompanhado de um buquê de Dálias. Sabia quais eram todas as flores porque pesquisou, eram todas lindas, mas o que lhe deixou de coração acelerado foi o poema que sempre vinha junto.
Passou os olhos para ler as frases tão conhecidas, de tanto que as admirava, lembrando de quando recebeu cada uma delas.
O primeiro foi certamente o mais marcante.
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Você me captou
Me raptou
Ao encontrar teu sorriso
Tenho certeza que Eros me flechou
Porque em volta de Ti meu mundo se fechou
E apenas em ti pude prestar atenção
Porque tu tens a beleza de Afrodite
Com a inteligência de Atena
É uma raridade
Tu tens singularidade
É uma beldade
Que navega pelos mares da minha cabeça
Bianca Dominici
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Minji havia recebido depois de uma semana muito ruim quando descobriu sobre Hyunwoo e Yeojoo, por isso havia decidido superar e estava sendo muito difícil porque convivia com o homem todos os dias. Foi o primeiro e recebeu na frente de todos da empresa, inclusive Dodo e Hyunwoo.
Ficou toda feliz naquela tarde, nem mesmo o comentário de Dodo havia lhe deixado para baixo. Depois da mulher invadir seu espaço e ler o poema, perguntou "Não acha um pouco brega receber poemas?" perguntou indiferente como se realmente achasse aquilo. Minji respondeu um "não, na verdade eu gosto muito e as flores são lindas". Com aquilo a outra se calou.
Pela primeira vez ficou satisfeita por ter cortado o comentário idiota dela sem sentir que havia sido grossa, ela tinha um admirador secreto e não deixaria ninguém estragar aquilo. Depois disso, passou a receber alguns com uma certa frequência.
Uma semana depois veio o segundo buquê de Magnólias com mais um poema.
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Me ganhou com seu sorriso,
Me conquistou com seu olhar,
Me enlouqueceu com seu corpo de mulher,
Que não consigo parar de olhar.
Mateus de Sousa
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Esse veio depois que passou a investir em seu guarda-roupa, melhorando seu gosto que era péssimo, e sim, ela era consciente disso, confirmando que seu esforço estava trazendo bons resultados. Se já estava satisfeita com o que estava fazendo, só sentiu mais gás para continuar sua mudança, que vinha de dentro para fora.
Entendia agora o quanto terapia era benéfica na vida de uma pessoa, você se conhece, passa a se cuidar, se amar, se levantar e conquistar o que deseja. Sentia que estava encontrando seu lugar no mundo, descobrindo coisas novas e vendo tudo ao seu redor de uma forma mais leve, mais brilhante e bonita.
Mais uma semana depois veio o terceiro buquê, dessa vez de Camélias Brancas, e o cartão veio junto.
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Das ilhas gregas
Aos canais de Veneza,
Dos montes Cárpatos,
Até a Primavera Irlandesa
Nenhum desses lugares de tamanha beleza
Conseguem superar teus olhos de intensa beleza
Bianca Dominici
Esse realmente a deixou nas nuvens durante todo odia, rendeu até comentários dos outros funcionários, e Dodo era uma delas. Chegou a questionar se Minji estava apaixonada por seu admirador secreto, apesar de se sentir muito lisonjeada, não estava. Ela não fazia ideia de quem era a pessoa, e às vezes se pegava pensando se não era um stalker maluco psicopata. Mas depois descartava a ideia.
Se fosse um doido mandaria para sua casa, porém ela só recebia no escritório, então estava pensando que poderia ser algum funcionário, mas quem queria? Tinha poucos solteiros e nenhum parecia interessado nela, porque se estivessem, ela teria notado que tinha a possibilidade de ser algum dos companheiros.
Na verdade, quem trouxe a questão foi Dodo, quando em uma das conversas com Yeojoo, falando ainda sobre a possibilidade de ser um doido varrido, a secretária, como uma boa intrometida que era, falou que era óbvio que era alguém conhecido e que só se viam no escritório. O que fez todo sentido.
Mas depois soltou uma piadinha de que Minji era uma abelhinha e tinha alguém que estava doido para provar do seu mel, deixando a mais nova irritada.
Assim como os outros, com uma semana veio o próximo, dessa vez com Jasmin, porém a maior surpresa foi uma caixa de chocolate que veio junto, com uma embalagem de coração e bombons da mais alta qualidade.
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Esse Magnetismo que você tem sob mim
Me traz calor
Quando te vejo, meu coração acelera tão forte
Doce dor
Doce? Doce.
Porque essa dor vem com uma sensação
Que me tira da minha monótona razão
Bianca Dominici
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Não sabia se era coincidência, mas naquela semana estava de tpm e estava mais deprimida do qualquer outra coisa, e nem fazia questão de esconder. Quase foi pega chorando no banheiro por Dodo, por um motivo bem besta que nem lembrava mais, mas que lhe afetou muito por causa dos hormônios.
No entanto tinha certeza que havia sido discreta o suficiente porque a outra estava animada demais para lhe contar que havia ganhado um carro de seus pais de presente de aniversário, jogando indiretamente na sua cara que era pobre. A essa altura já sabia que Dodo havia nascido em berço de ouro e não entendia o porquê de ela querer trabalhar como secretária quando não precisava.
O fato era que seu admirador era muito perspicaz, havia lhe dado o melhor mimo do mundo para que pudesse passar por aquele maldito tormento mensal. E com isso se sentiu ainda mais especial por aquela pessoa que não fazia ideia de quem fosse.
Na semana seguinte, quando estava em sem estado de melhor humor, recebeu outro, e dessa vez veio junto uma pulseira dourada, com pingentes pequeno rosados em formato de flores e pétalas de sakuras brancas. Ficou extremamente encantada com a delicadeza da peça que recebeu, ainda não tinha usado, mas sempre carregava consigo, não sabia exatamente o por quê.
O seguinte poema também lhe deixou ainda mais encantada.
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você é uma frase bonita
dessas que a gente sublinha no livro
faz tatuagem, conta pra todo mundo
dessas que dividem a gente
em antes e depois
Ryane Leão
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Na sexta vez, que foi a semana anterior a que ela se encontrava, recebeu Dentes-de-Leão amarelas, e em vez de poema, veio o nome de uma música.
Escute Beautiful, do Monsta X.
Minji não era ligada em kpop, mas acabou viciada naquela música, pois além da letra ser incrivelmente linda, a melodia e a voz dos cantores eram agradáveis. Havia ouvido bastante e já conseguia acompanhar a música.
Só achou meio estranho não ter recebido nada no dia anterior, pois durante as semanas que se passaram, era o dia da semana que recebia as flores. Toda sexta feira seu dia começava com ela recebendo as flores. Ficou um pouco pensativa, mas voltou ao plano inicial, que era escrever um pouco e com isso, ficou um bom tempo quieta.
Quando sentiu que era mais seguro sair ao sol, decidiu entrar na água. O mar estava um pouco agitado e ventava bastante, mas não ligou muito, iria dar alguns mergulhos apenas para dizer que foi na praia e se banhou. Foi tudo tranquilo, conseguia desviar das ondas e depois de alguns minutos dentro da água salgada, decidiu sair, a altura alcançava o peito. Quando virou de costas em direção a areia, não viu quando uma onda maior a atingiu e foi jogada para dentro da água com força. Não estava acostumada com a turbulência das ondas e não conseguiu se equilibrar para sair.
Mesmo se debatendo, não pôde sequer tirar a cabeça para fora para respirar, então bateu o desespero, se sentiu puxada pela água. Achou que era o seu fim, estava perdendo o fôlego e já havia engolido água salgada. Foi quando sentiu braços puxarem seu corpo, em seguida conseguiu ficar em pé.
Finalmente o oxigênio voltou a percorrer em seus pulmões, que ardiam por causa da água que havia sugado pelas narinas. Continuou sendo amparada até estar totalmente livre, suas pernas fraquejaram, tudo parecia rodar e ela acabou caindo de joelhos. Sentiu a pessoa se ajoelhar do seu lado, e só então conseguiu ouvir, parecia que ela gritava, mas só percebeu naquele momento.
— Minji, você está bem? Está me ouvindo? — era Dodo, que foi para a frente dela, segurando em seu rosto, com a testa franzida, totalmente desgrenhada.
Tudo estava confuso, viu vários rostos agora ao seu redor, todos preocupados, não sabia para quem olhar.
— Se concentra em mim — a mulher pediu e apenas atendeu o que foi pedido — Agora respira devagar — e passou a fazer exercício de respiração e Minji seguiu.
Depois de alguns minutos ela se encontrava melhor, e foi a vez de Dior tomar a frente da situação e ajudar Minji a voltar para casa. Já era finalzinho de tarde e todos foram para casa, ainda preocupados com ela. A morena não estava gostando muito da atenção que estava recebendo, principalmente de Dodo, que estava exagerando demais, até mesmo sua irmã já tinha a deixado de lado quando falou que estava tudo bem.
A secretária tinha ido até a cidade um pouco distante procurar uma farmácia para comprar remédio, alegando que poderiam estar preparadas se alguma coisa acontecesse, sendo que não havia sido nada demais. Depois da janta, Minji subiu para o quarto, vestia sua roupa de dormir, uma camisa branca de algodão com estampa de abelha e um short amarelo curto.
Decidiu assistir um pouco na Netflix, já que os casais estavam juntinhos demais e não queria ficar de vela sozinha na sala. Antes que pudesse retomar o episódio de Romance Is a Bonus Book já deitada na cama, Dodo voltou para o quarto, com uma sacola cheia de remédios.
Ela tinha saído na pressa e era a primeira vez que a via sem estar totalmente produzida, usava uma calça preta de moletom, regata cinza, os cabelos estavam presos em um coque bem mal feito, e a cara estava totalmente limpa. Mas ainda assim ela tinha uma pele impecável. Minji realmente ficou indignada.
— Eu trouxe analgésico, se você estiver sentindo dor, antitérmico se você ficar com febre, esse negocinho que o homem disse que serve para limpar o nariz, então se sentir algum desconforto ou ficar entupido, use ele — Dodo falava tudo enquanto mostrava cada item — E esse aqui e- — foi interrompida por Minji que se sentou.
— Dodo, não precisava ter comprado isso tudo, eu já falei que estou bem — disse impaciente.
— Eu sei, mas isso é só no caso de acontecer alguma coisa, estamos longe de tudo. Tive que dirigir até o centro da cidade, e foi difícil achar uma farmácia, está quase tudo fechado porque hoje é feriado — Dodo explicou, arrumando os remédios em cima da cômoda entre as camas.
— Eu não te pedi para fazer isso — Minji replicou.
— Não, mas eu quis fazer, não quero que você fique doente — explicou olhando para ela com o olhar preocupado e a testa franzida.
— Não sei porquê estava tão preocupada — Minji desviou o olhar incomodada, já não aguentava mais aquela mulher.
— Como não? Você quase morreu, Minji — Dodo falou um pouco exaltada.
— Mas eu não morri — retrucou em um tom mais alto.
— Mas foi quase.. — a voz de Dodo vacilou e aquilo foi a gota d'água para a outra.
— Já chega! — se levantou da cama, assustando a outra — Para de fingir que gosta de mim, eu sei que você me odeia.
— O quê? — Dodo ficou tão indignada que se levantou também — Do que você está falando?
Minji riu sarcástica, aquela mulher era inacreditável.
— Não sou cega, toda vez que você olha para mim, sinto que está debochando e zombando de mim e da minha aparência — disse o que esteva preso em sua garganta durante aquele quase um ano em que conviviam.
— De onde você tirou isso? — Dodo fez uma expressão ofendida e magoada — Eu nunca fiz isso! — afirmou.
— Como não? Desde a entrevista de emprego, o jeito que me olhou, como se eu fosse algum tipo de coisa bizarra, e durante todo esse tempo forçado amizade comigo na frente dos outros para manter essa pose de funcionária legal e fofa. Mas você não me engana, Dodo. Sei que por trás de cada sorriso, você esconde o quanto não gosta de mim — despejou enquanto a outra mudava de expressão, agora estava incrédula.
— Minji, como você pode pensar tão mal de mim dessa forma? — a voz dela tremeu e seus olhos começaram a acumular lágrimas.
Minji sentiu algo estranho, aquilo não parecia falso, mas não fez nada.
— Você está enganada, eu te olhei daquela forma, na entrevista — Dodo falou mais baixo e devagar, tentando manter o controle, Minji notou que ela tremia — Não foi porque te achei bizarra, ou feia, ou sejá lá o que você pensou, foi porque eu te achei linda.
A informação pegou Minji de surpresa, que não conseguiu sequer reagir.
— Eu nunca tinha visto uma mulher tão bonita e fofa quanto você, se pensei algo do seu terninho e do seu cabelo, que naquela época cobria seu rosto junto com aquele óculos enormes, foi porque ele te escondia quase por completo — explicou enquanto Minji sentia seu estômago receber um soco — E se eu forcei amizade com você, foi porque eu queria ser sua amiga, queria te conhecer de verdade. Quando começou a trabalhar, me peguei ainda mais encantada por você, com seu jeitinho tímido e doce. Conforme os meses passavam, notei que você estava passando por uma mudança, foi se abrindo e cada dia que aparecia no escritório, parecia que você brilhava um pouco mais — uma lágrima escorreu do olho direito de Dodo enquanto ela sorriu minimamente ao falar aquilo, enxugou rapidamente para continuar — Eu queria ficar ainda mais perto de você. Mas você me evitava, acha que eu não percebi que seu semblante mudava quando eu me aproximava? Por várias vezes eu pensei em desistir de te conquistar, de estar perto de você. Mas quando te via, eu desista de desistir, tinha esperanças de que um dia você entenderia, que enxergaria o que eu queria. Mas acho que eu estava errada, não podemos forçar nada. Nem mesmo mudar a forma como alguém nos vê — Dodo falava tudo aquilo com dor, agora suas lágrimas desciam sem controle, finalmente abria seu coração, mas não era da forma como gostaria.
— O que isso significa? — os olhos pequenos de Minji estavam mais abertos do que nunca, ela não estava compreendendo o que tinha acabado de ouvir.
Dodo riu com a boca, mas seus olhos choravam.
— Se ainda não percebeu, eu estou me declarando para você.
Minji não podia acreditar no que tinha acabado.
— Como?
— Minji eu sou apaixonada por você, desde a primeira vez que eu te vi. Todos aqueles olhares eram de admiração, apreço, amor. Tudo o que eu queria era te amar, da forma mais simples e pura. E você interpretou da pior forma possível meus sentimentos por você — e então um soluço saiu da garganta dela e Dodo se pôs a chorar, cobrindo o rosto com as mãos.
Minji processava tudo o que tinha ouvido. Como assim Dodo era apaixonada por ela? Aquilo não tinha lógica, e o pior, provou que tudo que pensava dela era a mais pura loucura da sua cabeça. Sentou na cama novamente enquanto a outra permaneceu em pé, ainda chorando com o rosto coberto.
Permaneceram naquela situação por alguns minutos, até Dodo conseguir se acalmar um pouco, enquanto Minji permaneceu imóvel. A secretária foi até o guarda-roupa, pegou uma muda de roupa, a necessaire e sua toalha, caminhando até a porta do banheiro, mas antes de entrar, parou segurando na soleira da porta sem virar o rosto.
— Preciso te dizer que eu sou a pessoa que te enviou os buquês e os poemas nas últimas semanas. Mas não se preocupe, eu não vou mais fazer isso. Achei que a ideia de um admirador secreto abriria seu coração, e quando me revelasse, poderia ser que eu tivesse uma chance. Acredito que esse não seja o caso, certo? — e dito isso, entrou e fechou a porta.
Mais uma revelação que deixou Minji sem chão, esse tempo todo era Dodo, lhe enviando flores e poemas bonitos. Não sabia o que fazer ou pensar, foi muita informação em pouco tempo. A garota que acreditava que a odiava, na verdade a amava, por todo aquele tempo alimentou um sentimento amargurado por base em achismos, nunca se sentiu tão idiota.
Subiu na cama e se encolheu no canto, segurando os joelhos com os braços, olhando para o nada enquanto sentia agonia em seu estômago. O tempo passou e só acordou do torpor em que estava, onde repassava tudo que ouviu, quando Dodo abriu a porta do banheiro. Em nenhum momento a mulher olhou na direção de Minji, guardou a outra roupa suja em uma sacola, estendeu a toalha na porta do armário e penteou os cabelos depois de passar um pouco de creme, usava um short preto e uma camisa azul.
Foi até a cama dela, pegou o travesseiro e a coberta, e caminhou para a porta, tudo isso feito sob o olhar da outra ocupante do quarto.
— Onde você vai? — Minji perguntou quando entendeu as intenções dela.
— Vou dormir na sala, não quero te deixar desconfortável, nem me machucar mais — não esperou resposta, apenas abriu a porta e saiu.
Minji queria detê-la, mas não o fez. Por que faria isso depois do que aconteceu? A situação estava complicada demais.
Nas horas seguintes ela relembrou tudo que havia acontecido desde a entrevista, pelo menos o que lembrava, e olhando as situações agora por uma outra ótica, tudo fazia sentido. Todos os olhares, toques, as gentilezas, o cuidado. Quando achava que Dodo estava rindo de si, ou a julgando, ela estava agindo como uma boba apaixonada. Sentiu um peso se apossar do seu corpo.
Como pode ser tão burra? Olhando agora pela lógica, quando você odeia alguém, você quer distância da pessoa, mas com Dodo era o contrário. Em algum momento se levantou e pegou o caderno, relendo os poemas que agora tinham um rosto e um nome. A última vez que Dodo lhe dirigiu o olhar, ela estava chorando depois de se declarar e esclarecer o mal entendido.
Sentiu o peito doendo e os olhos nublaram.
Não entendia o que estava acontecendo, mas se sentia tão mal que deitou na cama abraçando o caderno, chorando copiosamente até a madrugada. Não percebeu quando dormiu, só sabia que quando acordou, o lado de Dodo no quarto estava limpo e depois soube que ela tinha ido embora, sozinha.
Quando se juntou aos outros, percebeu o clima pesado, todos a olhavam estranho e soube que todos sabiam o que tinha acontecido. O primo de Dodo resolveu ir embora depois do café da manhã junto com o namorado, ele sequer disfarçava a expressão de raiva quando a encarava. Depois da noite anterior, Minji sabia a diferença e se sentiu ainda pior.
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À tarde, retornou para casa junto com Dior e Wonho no carro do cunhado, por um bom tempo ficaram em silêncio, até que a irmã mais velha resolveu quebrar o silêncio.
— Minji — chamou a irmã, que olhava pela janela para a paisagem do lado de fora.
Estava tão dispersa que não conseguia sequer ouvir música, sua cabeça estava pesada, só conseguia pensar em Dodo. Acabou não ouvindo o chamado de Dior.
— Minji! — aumentou o tom e a mais nova acabou se assustando, olhando para a irmã alarmada — Desculpe, você não estava me ouvindo — Dior ficou sem graça.
— Tudo bem — Minji respondeu sem expressão — O que você quer falar?
Dior hesitou e olhou para Wonho, que retribuiu o olhar. A morena já entendeu sobre o que se tratava, apesar do tamanho enorme do homem que frequentava a academia diariamente, ele extremamente doce e gentil. Naquele momento deixaria as duas conversarem sem se meter
— Pode falar, é sobre a Dodo, não é? — disse e depois suspirou.
— Min — Dior falou olhando para a irmã — Você realmente não percebeu que ela gostava de você?
Minji desviou o olhar, sentindo vontade de chorar, ainda se recriminado por ter sido uma idiota.
— Estava tão na cara, mesmo não conhecendo ela, eu percebi — Dior continuou — Hyunwoo e Yeojoo confirmaram hoje de manhã, eles já sabiam que era ela quem te enviava os buquês.
Mais pessoas sabiam sobre os sentimentos da secretaria do seu chefe, não conseguiu impedir as lágrimas se acumularem em seus olhos e logo passaram a escorrer por suas bochechas.
— Oh Minji... — Dior se pegou aflita pela irmã — Você realmente achava que ela te odiava mesmo?
Realmente, todos sabiam o que havia acontecido entre as duas.
— E-eu — Minji soluçou — Interpretei os sinais errado — admitiu e então passou a chorar ainda mais.
— Oh meu Deus — Dior não aguentou, e mesmo sendo perigoso, desafivelou o cinto de segurança e saiu do bando do passageiro da frente e foi para o trás, com cuidado para não atrapalhar a direção do namorado.
Ao se ajeitar abraçou a irmã forte, trazendo o corpo dela junto ao seu, Minji aceitou o carinho e se ajustou ao abraço.
— Está tudo bem, você não tinha que saber, já que ela nunca te falou nada — tentou confortar — Ela deveria ter sido um pouco mais clara, não esperar que você adivinhasse que ela tinha sentimentos por você.
— Mas Dior — Minji falou abafado, o rosto encostando no ombro da outra — Estava tudo tão na cara, ela sempre foi tão legal comigo e eu sempre pensei o pior dela — falou sentindo o choro aumentar — Os poemas eram tão lindos e cada flor tinha um significado importante, eu amei tudo que recebi, e descobrir que era ela, foi tão... — ela nem sabia o que falar.
— Tão o que? — Dior queria ajudar Minji a se esclarecer.
— Foi como se um véu fosse tirado dos meus olhos, e tudo que eu acreditava estava errado. Eu não sei o que fazer — apertou o abraço, afundando ainda mais no ombro da irmã, ainda chorando — Tá doendo muito.
— Oh meu amor — Dior afagava as costas da morena — Então se arrepende de ter achado que ela era má?
Minji só balançou a cabeça, sem coragem para responder falando, pois ainda chorava.
— Então você amou os poemas que recebeu dela? — Minji não viu, mas a mais velha sorriu ao perguntar aquilo.
A mais nova demorou pra responder, mas o choro diminuiu e ela mudou a posição do rosto, ficando de lado no ombro de Dior.
— Sim, todos são lindos, eles me ajudaram a ter mais confiança e me senti até um pouco amada — respondeu lentamente.
— E como você se sente ao saber que sempre foi ela? — a mais velha estava tentando sondar os sentimentos da outra, quem sabe assim poderia ajudar a Minji a entender a si mesma.
Essa reação dela, de chorar, demonstrava que o coração dela havia sido tocado pela outra, só restava saber até que ponto.
— Um pouco estranha — respondeu confusa.
— Mas bom ou ruim?
— Não sei, mas não é muito ruim.
— Por que? Por ela ser uma mulher?
— Não acho que seja isso, o que me deixa mais estranha e que eu nunca esperava isso dela. Ainda é muito confuso ver que ela não era nada daquilo que eu achava — explicou envergonhada.
— Então, pode haver uma possibilidade de você chegar a corresponder ela?
Houve um momento de silêncio, Minji não chorava mais, apenas o barulho do ar condicionado era ouvido, e o namorado de Dior estava atento a tudo.
— Eu ainda não sei... — Minji respondeu sincera.
— Tudo bem, apenas descanse, vamos apenas deixar isso passar, com o tempo tudo vai se esclarecer e você vai entender melhor a si mesma e os seus sentimentos. Não se preocupe, acredito que tudo vai se encaixar — Dior apertou a irmã em seus braços.
Mini não falou mais nada e pelo resto da viagem a mais velha apenas lhe fez companhia e carinho.
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Quando o fim de semana acabou e tudo voltou ao normal, Minji se preparou para a realidade. Tinha passado pouco tempo para se recuperar e não sabia como encararia o escritório, mas ela precisava trabalhar, então com a cara e a coragem, foi para o seu andar já costumeiro.
Tudo parecia normal, as mesmas caras, mesmas cores, a única coisa diferente era que estava mais silencioso que o normal. Temia encontrar Dodo pois não sabia como iria reagir quando a visse, porém durante todo o dia não topou com ela sequer uma vez. Achou meio estranho, mas não reclamou, era melhor pois poderia se preparar e colocar tudo em seu lugar se isso continuasse por mais alguns dias.
No entanto, quando dias passaram e a outra continuou não aparecendo, passou a ficar incomodada, não era normal, todos os dias Dodo sempre tinha algo para fazer ali na sua zona de interação. O que não estava mais acontecendo e passou a pensar se Dodo aparecia mais por sua causa, o sumiço dela parecia confirmar isso.
E o pior foi que apareceu mais trabalho que o normal, mal tinha tempo de almoçar ou sequer pegar um café. Quando chegava em casa, sentia que seu dia não havia sido produtivo o suficiente, se sentia vazia. Ficava se perguntando o que tinha acontecido com Dodo, estava começando a sentir a falta dela.
Os minutos que tinha para descansar, ia até a mesa de Yeji, que trabalhava em uma outra sala, com paredinhas finas ao seu redor que iam até um pouco acima do seu busto. Conversavam brevemente e nesse curto período de tempo, passou a esperar que Dodo aparecesse. Mas estava sem sorte.
— Yeji, a Dodo... — um dia perguntou, mas nem sabia como perguntar — Ela... Ela apareceu por aqui esses dias?
A outra funcionária a observou por alguns segundos, era menor e mais magra que Minji, e mais nova também. Ela gostava de usar roupas formais no escritório, ao contrário de Minji que gostava de usar roupas mais coloridas, às vezes descontraídas, estampadas, saias e vestidos. Minji era uma das poucas do local que se aventurava em trazer um pouco de cor para o trabalho, e sua aura alegre geralmente contagiava.
Entretanto Minji estava meio apagada naqueles dias, e Yeji havia percebido, sabia o que tinha acontecido, porém não comentou antes pois tinha receio de parecer intrometida, mas viu ali uma abertura.
— Ela vem todos os dias usar a impressora, mas tem vindo rápido demais, quase não conversamos — respondeu observando a outra atentamente — O que aconteceu?
Minji desviou o olhar, não sabia muito bem como explicar, e aquilo a deixava mal. Ainda mais por saber que a secretária de Hyunwoo a estava evitando, sentiu uma sensação ruim no estômago novamente, quase como sentiu naquela noite.
— Olha, eu soube mais ou menos o que rolou, e foi um pouco chocante — Yeji falou de forma cuidadosa, chamando a atenção de Minji que tinha se desligado do presente por quase um minuto.
— Como assim? — Minji se alarmou, não sabia exatamente o porquê, mas ficou preocupada.
— Você não ter percebido os sentimentos dela, estava tão na cara — a mais nova explicou se encolhendo um pouco.
Minji desviou o olhar, mais uma confirmação de sua burrice.
— Você gosta dela? — Yeji perguntou sem rodeios.
Aquilo pegou a outra de surpresa, sentiu seu coração acelerar e não sabia como responder.
— Eu.. eu.. — de repente ficou nervosa.
— Sente a falta dela? — outra pergunta, mas essa Minji conseguiu responder.
— Sim, mas do que eu imaginava — sorriu nervosa.
— Então você deve gostar dela, pelo menos um pouquinho — Yeji sorriu.
— Acho que sim — Minji concordou, depois de tudo o que aconteceu, levando em conta tudo o que descobriu, seu coração ficou extremamente balançado.
Quando voltou para a sua salinha, voltou a refletir, algo que estava fazendo muito, e parando para analisar tudo o que estava sentindo, Dodo estava a evitando de propósito. Aquilo machucou demais. Só depois de sentir a ausência da mulher, percebeu o quanto seus próprios sentimentos estavam ali, escondidos sob uma máscara de desafeto que jurava ter com a outra.
Ela se importava demais com Dodo, prestando atenção em tudo que ela fazia para criticar, achou que odiava a aproximação dela, mas agora via o quanto estava equivocada. Sentia tanta falta dos sorrisos que incomodavam-na, e do calor que o corpo alheio trazia quando estava perto. Percebeu que queria ter tudo aquilo de volta.
Lembrou de algo e pegou a bolsa bege que tinha, abrindo a caixinha onde ainda guardava a pulseirinha que havia recebido, com as flores e pétalas pequenas de cerejeira. Foi uma das coisas mais lindas que ganhou na vida é que tinha pena de usar com medo de a cor se acabar, mas mudou de idéia e colocou no pulso, depois da dificuldade que foi prender a correntinha sozinha.
Sentiu vontade de chorar, mas se conteve, tinha que dar um jeito de resolver aquilo, só não sabia como.
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Quando chegou a sexta-feira, o dia no qual estava acostumada a receber as flores, acabou esperando que um milagre acontecesse. Mesmo ciente que Dodo havia dito que não enviaria mais nada a ela, tinha uma expectativa no fundo do seu coração de que ainda poderia acontecer. O dia passou lentamente, os dedos sempre iam de encontro às flores da pulseira que estava usando desde a conversa com Yeji, não tinha tirado mais.
Porém, nada de flores, nem de Dodo.
Quase no fim do expediente, já desanimada, saiu para pedir um favor a Yeji. Quando saiu da sala e foi em direção a mesa da colega, viu que Dodo estava com ela. Quando a mulher percebeu sua aproximação, a encarou surpresa.
Notou que Dodo estava vestida impecavelmente, como sempre, um vestido xadrez de cor vermelha com listras brancas e pretas se entrelaçando. Ele era de alças, justinho até a cintura e a saia era composta por três camadas descidas até o meio das coxas, junto com um sapato preto. Os cabelos castanhos estavam soltos de lado e o rosto levemente maquiado.
Estava perfeita aos olhos de Minji e ela acabou suspirando, ela foi muito idiota por ter magoado aquela mulher, lembrou de todos o sorrisos que ela lhe dirigiu, de toda a preocupação e cuidado, a atenção que recebia. Ela tinha tudo para ter percebido antes, e se não tivesse insistido para permanecer cega, teria se apaixonado há muito tempo.
Maldita insegurança que ainda reinava em sua mente no dia de sua entrevista.
Minji notou que os olhos de Dodo estavam diferentes, não brilhavam como antes e ela não esboçou sorriso algum ao lhe ver, como costumava fazer. Sentiu uma sensação ruim no peito, que piorou quando a secretária desviou o olhar e se despediu rapidamente de Yeji, saindo sem dirigir sequer uma palavra à morena.
O sentimento amargo de ter ferido tanto Dodo a ponto de a mulher sequer falar consigo subiu por sua garganta. Esqueceu o que tinha ido fazer e foi atrás de Dodo. Chamou a mulher, mas ela não parou de andar e nem olhou para trás, apenas entrou no elevador apertando rápido o botão para que fechasse as portas, não queria que a outra a alcançasse.
Olhou para Minji uma última vez antes das portas se fecharem, a mais nova percebeu que eles estavam brilhando, e não era de felicidade. Vendo que ele subia, Minji correu para as escadas, sabia que ela estava indo para o terraço.
Eram sete andares, no fim da subida suas pernas estavam tremendo quando alcançou a porta, mas não podia parar. Saiu observando o local, tinha uma espécie de jardim e alguns bancos para acomodar quem fosse lá, era uma área que era frequentemente usada por fumantes.
Caminhou procurando Dodo, era fim da tarde, o céu estava começando a ficar alaranjado, depois de mais uns passos, viu ela encostada na mureta observando o céu. Mesmo de costas, percebeu que ela enxugava o rosto, então estava chorando, Minji não aguentava mais saber que era a culpada daquilo.
Parou apenas para ajustar a roupa, estava querendo ficar bonita para ver a outra, uma péssima hora para se preocupar com isso, mas não queria parecer desarrumada na frente da mulher, constatando que estava realmente no mínimo se apaixonando. Arrumou as alças da blusa roxa que usava, olhou a calça branca, estava limpa.
Mexeu no cabelo, ajustados os fios, passou as mãos pela testa e restante do rosto com cuidado para tirar o suor que se acumulou sem borrar a maquiagem. Com a respiração regulada, rumou para seu destino, pedindo aos céus que conseguisse resolver aquela situação.
— Dodo! — chamou ainda de longe, ela caminhou enquanto a outra virava para trás, com os olhos molhados e surpresos.
— O que você quer? — perguntou terminando de secar a beirada dos olhos.
Era a primeira vez que Dodo respondia de forma tão seca para a morena, mas Minji não iria reclamar, ela merecia.
— Precisamos conversar — Minji falou quando chegou mais perto.
— Não temos mais nada para conversar — Dodo disse já dando indícios de que sairia — Estou te deixando em paz, como você queria, agora peço que faça o mesmo.
Cada palavra era uma facada em Minji, mas ela não desistiria.
— Não posso — Minji respondeu dando um passo de lado, para evitar a fuga da outra.
— Por que? — Dodo perguntou temendo levemente, mas cruzou os braços para disfarçar.
Não queria criar qualquer expectativa que fosse, mas seu coração idiota estava acelerando gradativamente conforme Minji se proximava.
— Primeiro, eu quero pedir perdão — Minji começou, sabia que o certo era começar por isso antes de falar sobre qualquer outra coisa, tipo seus sentimentos.
Dodo a observou sentindo mais onda de tremor passar por seu corpo.
— Eu fui burra, cega, idiota por não ter percebido antes — continuou, devagar — Mas queria explicar para que não achasse que eu apenas te julguei sem nenhum motivo — falou e então desviou o olhar para as mãos — Naquela época eu era muito insegura com a minha aparência, passei a vida toda sendo comparada com Dior, não era tão bonita, ou tão alegre, ou magra o suficiente, não tinha qualquer charme. Meus pais sempre combateram isso, mas as outras pessoas não me deixavam em paz, principalmente na escola, os garotos que eu gostava sempre eram os que mais me maltratavam. Depois da terceira humilhação eu desisti de me declarar, por mais que gostasse da pessoa. Passei muito tempo me odiando, me achando feia e rejeitando qualquer tipo de aproximação, todos eram suspeitos — explicou voltando o olhar para Dodo — No dia da entrevista, eu ainda estava cheia desse tipo de pensamento, e quando você me olhou, achei que estava me julgando, como todos os outros.
A ouvinte ouvia tudo um pouco surpresa.
— Você estava muito bonita naquele dia — Dodo revidou, mas Minji balançou a cabeça negando.
— Por mais que hoje eu não tenha mais esses pensamento sobre mim, eu ainda tinha um guarda roupa péssimo — falou sorrindo pequeno, para tentar amenizar um pouco a situação, e voltou ao assunto mais importante — Uma das coisas que eu prometi a mim mesma depois que conseguisse um emprego, era que procuraria ajuda psicológica, eu tenho um certo grau de ansiedade desenvolvido ao longo dos anos. Mas isso não vem ao caso agora — respirou fundo antes de continuar, e acabou baixando o olhar conforme as mãos passavam a brincar com a borda de sua blusa — Depois de começar terapia, eu acabei me enxergar melhor, minha auto estima melhorou e eu passei por uma mudança tanto interna quanto externa. Hoje eu sinto que sou uma mulher feliz e contente em ser eu mesma — falou levantando o olhar, sorrindo mais abertamente, com os pequenos olhos se fechando e as covinhas ficarem fundas em suas bochechas
— Você é perfeita, Minji, sempre foi — Dodo deixou escapar, estava hipnotizada com a visão, e a luz amarelada sob a pele da mulher a sua frente a fazia brilhar.
O elogio acabou fazendo a outra corar, levantando o olhar novamente sentindo um pequeno bolo na garganta, o olhar da mais alta sobre si, agora que sabia o que realmente significava, fazia seu estômago ficar estranho, como se tivesse muitas borboletas pequenas se movimentando dentro. Fez força para não perder o foco.
— Por mais que eu estivesse melhorando a imagem que tinha de mim mesma, eu ainda ficava insegura quando te via — foi sincera — Eu não conseguia achar que realmente gostasse de mim, achei que estava caçoando, ainda mais quando você estava perto do Hyunwoo — falou insegura, mas queria saber sobre aquilo, então decidiu perguntar — Você sabia dos meus sentimentos por ele?
Dodo a olhou por alguns segundos antes de responder, acabou dando passos para trás, estava perto da mureta e logo se encostou nela de novo, desviou o olhar antes de responder.
— Sim — sua voz saiu baixa.
— Então você fazia de propósito quando ficava perto dele? — perguntou devido a algumas coisas que aconteceram.
Uma delas foi uma vez quando tiveram um encontro formal em um jantar da empresa, e Dodo havia ido com um vestido um tanto revelador, a cor era vermelha e tinha um belo decote. Dodo ficava sempre perto de Hyunwoo e agulhas vezes acabava se inclinado de propósito na mesa, mostrando parte do busto e sempre na direção de Minji.
Ela a encarava com intensidade e na época, entendeu aquilo como um tipo de provocação pelo fato dela gostar do chefe de ambas. Era um pouco desconcertante porque a secretária estava com os olhos com um delineado marcado e os lábios carnudos com um vermelho vibrante a deixando terrivelmente sexy.
— Sim — Dodo respondeu sem pestanejar — E era por ciúmes, só não do jeito que você imaginava, eu queria chamar a sua atenção, não a dele.
Minji corou quando Dodo se desencostou e se aproximou novamente, a mais alta ficou a um passo de distância.
— Agora você percebeu o quanto eu estava terrivelmente e loucamente apaixonada por você? — era uma pergunta retórica.
Não esperava que a mais nova estivesse tão disposta a explicar tudo, mas naquele momento, não conseguia se afastar.
— Sim — Minji acabou respondendo — E por isso gostaria de dizer que eu sinto muito... — desviou o olhar, ela não sabia se deveria continuar, pois Dodo falou "estava", poderia significar que ela não estava mais apaixonada por si, e não sabia se seria uma boa ideia falar sobre seus sentimentos.
Dodo entendeu que Minji ainda a rejeitaria, então seu semblante caiu, era só aquilo mesmo? Por um momento teve esperanças, mas mais uma vez estava errada, não poderia esperar ser correspondida.
— Tudo bem, agora tudo está esclarecido, então eu vou indo — a secretária suspirou desviando o olhar dando um passo para o lado.
— Você vai parar de me evitar? — Minji perguntou um pouco desesperada, não queria que elas continuassem sem se ver.
— Eu preciso de um tempo, não é assim tão fácil superar alguém que a gente ama — respondeu sem olhar, dando mais alguns passos.
Minji ouviu aquilo e então pensou, então ela ainda a amava? Apressou o passo e segurou na mão de Dodo, virando o corpo dela para a encarar. A outra ficou surpresa, sem entender nada.
— Então você ainda me ama? — Minji perguntou com urgência.
— Claro que sim — Dodo reafirmou.
Uma leve brisa passou por elas, fazendo os cabelos de ambas se mexerem para o lado, e Minji se encheu de coragem conforme o coração acelerava com o que estava prestes a fazer. Andando até Dodo, levou as duas mãos para o rosto da mais alta, e ficando na ponta dos pés, beijou os lábios grossos. Totalmente surpresa, a mulher beijada não conseguiu sequer reagir, nem fechar os olhos, assim como Minji, que não demorou no contato e se afastou.
— Não sei se é amor, mas eu tenho sentimentos por você — Minji falou baixo, olhando em seus olhos — Eu não paro de pensar em você desde aquele dia, repassei tudo que aconteceu milhares e milhares de vezes, e finalmente enxerguei os seus sentimentos em todas a lembranças que tenho. Foi inevitável não me sentir tocada, as flores e os poemas, eles foram os maiores responsáveis por eu abrir meu coração, no fim você estava certa — e sorriu.
Dodo ficou alguns minutos processando o que tinha acabado de ouvir. Ela estava sendo correspondida? Sentiu como se seu coração ganhasse asas e finalmente pudesse voar, seu corpo ficou tão leve que parecia que iria flutuar. Observando Minji que a olhava da maneira que sempre quis, com carinho, não evitou sorrir sentindo os olhos se encherem novamente, mas dessa vez eram lágrimas de felicidade.
Segurou uma das mãos de Minji que ainda estava sem seu rosto e com a outra enlaçou a cintura dela, a puxando para si, não falou nada, apenas abaixou um pouco a cabeça para alcançar os lábios em formato de coração da mulher que amava. Dessa vez o beijo foi mais intenso.
Com os olhos fechados, massageou os lábios, comprovando a doçura deles até que Minji abriu passagem e pode tocar o interior da boca da menor, ambas as línguas provando uma à outra, massageando-se enquanto se ajustavam ao primeiro beijo.
Logo Dodo abraçou de vez o tronco de Minji e os braços da morena foram para o seu pescoço enquanto ainda beijavam-se intensamente sob os últimos raios de sol. Quando o ar fez falta e se separaram, permaneceram abraçadas juntando as testas, sorriram uma para a outra, o momento se eternizando, onde seria lembrado como o início de sua história de amor.
— Ah, tenho uma pergunta — Minji lembrou de algo — Na primeira vez que recebi as flores, você falou que era brega — ela estava confusa com isso.
Dodo acabou rindo nervosa.
— Aquilo foi porque depois que fiz o pedido das flores e do poema, fiquei muito insegura de você não gostar — explicou — Por isso acabei perguntando, se você respondesse que sim, eu mudaria de tática.
— Ainda bem que você acertou de primeira — respondeu sorrindo e deu mais um selar nos lábios da outra.
Dodo pegou na mão esquerda de Minji, onde estava a pulseira que ela havia dado para a mais nova.
— Agora que notei que você está usando meu presente — acabou beijando o pulso com delicadeza — Você gostou?
— Eu amei — Minji respondeu.
— Estou aliviada.
— A gente pode sair para jantar amanhã? — Minji perguntou de repente, pegando a outra de surpresa.
— Que direta! — exclamou alto.
— Estou muito apressada? — de repente se viu insegura.
— Não — Dodo sorriu de novo — Esperei isso por muito tempo.
— Não precisa esperar mais — Minji enlaçou o pescoço dela novamente e a beijou.
Saber que era amada fazia seu coração bater tão acelerado que parecia que ia explodir, e pelo andar da carruagem, tinha certeza que logo iria retribuir os sentimentos da mulher. Constatar isso a deixou ainda mais feliz por estar beijando Dodo naquele momento.
Notas finais
E aí, gostaram?
Eu gostei muito, só penei para terminar ela porque fluiu demais e eu queria algo curto. Mas quem me conhece, sabe como o Jooheon e a Minji tomam conta de tudo e eu só obedeço :)
Eu penei muito para achar os poemas, esse foi o motivo por eu ter perdido o prazo, eu precisava DO POEMA, porque a Minji é exigente. Porém, uma moot do twitter me salvou, a Carol, e me apresentou alguns da Bianca Dominici, e eu particularmente amei demais. Obrigada a Carol e a Bianca, se vocês lerem isso, saibam que me salvaram. Se quiserem comprar o livro dela, se chama Sentir na Alma, fica a dica.
A fic ficou linda e eu tô orgulhosa de mim sim, vocês que lutem com meu amor próprio.
Essa é a minha primeira fic sáfica/yuri e eu curti demais, acho que pode vir mais por aí, quase escrevi um hot
Mas se eu fosse fazer, iria demorar mais ainda e não posso porque tenho que dar conta de outras fics
E é isso gente, muito obrigada a quem leu e chegou até aqui. Beijinhos Amorinhas
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