Notas iniciais
Tenho essa fanfic postada em outro site há tempos e agora resolvi postá-la aqui. Espero que gostem. Boa leitura!

Chuva de Fim de Tarde

Draco não gostava desses hábitos de Ginevra nem um pouco. Em algumas horas ela era adulta e séria e em outras, como agora, ela parecia uma criança de sete anos de idade que não raciocinava direito. Não era possível que ela tivesse algum desvio de personalidade, ele conferira isso antes de se deixar envolver. Ok, talvez, ela tivesse um pequeno desvio, afinal, ela estava noiva dele. Mas após uma árdua avaliação da personalidade da ruiva ele chegou a uma conclusão simples: talvez ela quisesse apenas chamar a sua atenção, pois como fora criada numa família com quinze filhos ela não deve ter tido muita atenção durante sua vida. Porém, ainda restava a pior das hipóteses que ele preferia nem verbalizar: talvez ela quisesse mesmo parecer uma menina boba porque gostasse disso. E Draco repugnava isso. Eles eram adultos, ora essa! Deveriam agir como tal.

Bem, o fato era que Draco não estava gostando nada de ver sua noiva agindo dessa forma tão infantil. Ele a escolhera e lutara para ficar com ela porque sabia que ela madura o suficiente e isso combinava com ele. Era uma das coisas que ele mais gostava nela. Eles tinham o mesmo gênio, embora isso nem sempre fosse bom. Eles combinavam de uma maneira estranha e quase surreal, mas ainda assim combinavam.

No entanto, enquanto ele assistia a cena de infantilidade que Ginevra representava tão bem nos jardins dos fundos da Mansão Malfoy ele simplesmente não entendia como aquilo poderia estar acontecendo. Ele mantinha o olhar direcionado para a noiva, mas não prestava mais atenção nela ou em seus atos infantis. Seus pensamentos estavam se desviando e, talvez, por isso ele tenha se surpreendido quando algo passou voando à sua frente. Ginevra estava jogando seus sapatos para o ar! Como se não bastasse ela estar dançando sem música enquanto uma chuva de fim de tarde persistia em cair, agora ela resolvera ficar descalça, pronta para pegar uma gripe e acabar internada por um mês no St. Mungus. Certo, talvez não fosse para tanto, mas uma gripe ela pegaria com certeza.

Surpresa maior do que ver os sapatos dela aterrissarem nos canteiros cuidadosamente cultivados de Narcisa Malfoy – e ele deu graças a Deus que seus pais tivessem resolvido ir morar na França, do contrário sua mãe iria azarar Ginevra – foi vê-la caminhando descalça – e sujando os pés de grama molhada – em sua direção. E ao chegar perto dele estendeu os braços em um claro convite para que ele fosse se juntar a ela e à sua criancice fora de hora. Ela sorriu convidativa e falou numa voz suave e doce:

- Vamos, Draco. A chuva está maravilhosa! Venha aproveitar comigo – ela falou e seu sorriso pareceu raios de sol no meio da chuva persistente: iluminavam tudo à sua volta.

Mas ainda ele resistiu e, resoluto, balançou a cabeça negativamente.

– Não quero ficar doente. Pode ficar sozinha, eu não me importo.

Ginevra abaixou os braços, mas insistiu no convite ainda com um pequeno sorriso. Ele respondeu com um "não, obrigado" bem seco para que não restassem dúvidas de que ele não se juntaria àquela loucura.

Então, ela colocou as mãos na cintura e olhou-o mais severa agora. E Draco permitiu-se arquear uma sobrancelha em sinal de desafio. Ela relaxou o corpo, suspirou, encolheu os ombros e fez biquinho. Dando-se por vencida murmurou um "deixa pra lá" fraco e sem emoção e virou-se de costas para ele, naquilo que ele consideraria como a pior atuação da história da humanidade.

No entanto, ele suspirou e abaixou a cabeça com pesar. Balançou-a levemente em negação.

– Mole demais, Malfoy — falou para si mesmo, repreendendo a si mesmo.

Inconformado com sua própria atitude ele se levantou da cadeira onde estava na varanda e foi até a noiva em passos lentos e descansados. Abaixou-se, já que Ginevra estava sentada de pernas cruzadas na grama enquanto brincava com a mesma. Ele chegou por trás dela e depositou um beijo casto e demorado em seu pescoço. Ela sorriu e virou-se para ele.

– Ando sendo mole demais com você – ele constatou em voz alta para ela.

– Pois saiba que eu tenho gostado muito disso – Ginevra sorriu de novo.

Ele adorava vê-la sorrindo. As sardas espalhadas por sua face se salientavam e ele podia se perder facilmente na contagem delas. Suas bochechas elevavam-se de forma graciosa e preenchiam o seu rosto de forma perfeita. Ele até gostava da marca de expressão que ela tinha no canto esquerdo da boca. Mas ele não seria burro o suficiente de falar tudo isso para ela. Primeiro, porque acabaria admitindo o quanto está dependente dela. Segundo, porque ele sabia que nenhuma mulher gostaria de ouvir que estava com marca de expressão. Até mesmo Ginevra. Terceiro, porque isso seria uma fraqueza. E ele já vinha sendo muito mole com ela. Ele sorriu com o próprio pensamento idiota. Era nisso que dava ficar muito próximo da ruiva.

E foi então que ele percebeu o quanto estava perto dela. Podia sentir o hálito quente e doce dela resvalando em sua face. Seus olhos tentavam ler o pensamento um do outro, embora ele realmente pudesse ler os dela, mas não o fazia por respeito. E isso era uma coisa que ela o ensinou: respeitar os outros. Realmente essa ruiva estava realizando mudanças drásticas nele. E o que ele fazia para impedir? Nada. Assim como não fez nada para impedir que ela o beijasse enquanto ambos estavam debaixo de uma chuva cada vez mais grossa, sentados numa grama encharcada. Ele não fez e nem faria nada.

Entregou-se ao doce sabor da boca dela. Ela logo tratou de segurar seus fios loiros na nuca como ela sempre fazia. Seus lábios se moviam no mesmo ritmo de uma música inexistente. Suas línguas mal se tocavam de início. Eram como um casal de adolescentes descobrindo os prazeres de um beijo.

Mas ela era ruiva – e isso dizia muita coisa – e ele um sonserino safado e logo toda aquela delicadeza foi deixada de lado. No instante seguinte ele se viu deitado na grama molhada, mas não reclamou. Ginevra se posicionara por cima dele de modo que suas pernas estavam uma de cada lado do seu corpo. Ela se inclinou para frente e continuou a beijá-lo. Agora os beijos estavam mais ansiosos, mais necessitados. Ele podia notar isso na forma como ela mordia-lhe o lábio inferior entre um beijo e outro. Já as mãos dele percorriam a pele da barriga dela por baixo da blusa que ela vestia. Os cabelos molhados dela formavam uma cortina flamejante e ele nada mais enxergava. O beijo apaixonado seguia em uma cadência particular e única, somente deles.

Agora ele também podia ouvir uma música que não tocava. Agora ele podia entender porque a chuva era tão convidativa. E, querendo entender como era brincar debaixo de chuva, ele levou uma das mãos para o pé descalço e sujo de grama de Ginevra. Na mesma hora que ele o tocou a ruiva começou a rir e se contorcer em cima dele. Ele não parou até que suas posições estivessem invertidas. Fora uma batalha difícil, mas ele vencera. Ele podia ler nos olhos dela o quanto ela estava apreensiva pelo próximo passo dele. Ele realmente estava se divertindo com tudo aquilo.

Draco parou com as cócegas e olhou divertido para ela. Ameaçou por duas vezes continuar com a pequena tortura, mas desistiu. Ele se aproximou dela e a beijou carinhosa e delicadamente. Ginevra se entregou a ele por completo. E, mesmo já tendo anoitecido e a chuva passando a ser uma tempestade, eles não interromperam o beijo. Suas mãos passeavam livremente pelos corpos um do outro, tendo como único obstáculo suas roupas encharcadas. Eles não pararam o beijo nem mesmo quando o elfo doméstico os chamou para o jantar. Mas, quando Ginevra espirrou no rosto de Draco, aí sim eles pararam e ficaram se encarando.

– Eu avisei que você ia ficar doente. Vamos entrar log. Vou pedir para que um dos elfos acenda a lareira e poderemos trocar de roupa e nos aquecer.

– Tudo bem – ela falou como uma criança que se entristece por ter que ir embora do parquinho.

Draco se levantou e ajudou a ruiva a se erguer também. Ela deu outro espirro. E, olhando para os pés descalços dela e suas roupas molhadas, achou melhor que a levasse para dentro da mansão no colo. Ela reclamou e reclamou, mas quando Draco a ergueu em seu colo, o máximo que pôde fazer foi ficar balançando os pés. E, embora estivesse fazendo bico e cara de aborrecida, no fundo estava gostando daquela atenção especial. E não se surpreendeu quando Draco beijou sua boca delineada por um biquinho de pirraça. Deu-lhe um belo sorriso em resposta.

Todos a perguntavam por que ela estava com Draco Malfoy. E ela não sabia responder ao certo. Mas era por momentos como esse, em que ele deixava de lado suas frescuras e se entregava a ela e ao amor deles, que ela sabia exatamente porque estava com Draco. Por que ele não era apenas um loiro mimado; ele era um loiro mimado que a beijava carinhosamente enquanto estavam deitados na grama, debaixo de uma chuva no fim da tarde e depois a levava para dentro de casa nos braços somente para que ela não ficasse mais doente. Era por isso que ela amava Draco. E, claro, por causa dos beijos com sabor de menta que ele tinha. Em primeiro, o amor. E logo atrás dele, os beijos que ela jamais enjoaria enquanto estivesse viva.

Fim

Notas finais
Comentários são bem-vindos :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!