Chuva cinza
9 Capítulo 8 - Surpresas
Notas iniciais
André estava deitado no chão perto do pequeno lago, e eu sentada ao seu lado, molhando sua testa com água. Não havíamos falado nada, desde a hora em que ele havia deitado. Mais como sempre, André quebra o silêncio:
–Me desculpe... — ele diz mais calmo, e já melhor.
–O quê? Porquê? — pergunto sem entender.
Ele ri, e continua:
–Eu te chamei pra sair, a acabei estragando tudo... — agora me olha nos olhos.
–Não diga isso. — eu acaricio seus cabelos incrivelmente negros, e olho para aqueles profundos olhos azuis. — A culpa não foi sua...
Ele somente sorri, e fecha os olhos. Nisso, meu celular, que eu havia trazido no bolço de trás, toca, e começa a introdução da música Awake and Alive do Skillet. André continua com os olhos fechados, e eu atendo o celular:
–Alô.
–Maria Júlia? Oh meu Deus querida! Onde é que você está? — pergunta alguém, que pela voz, provavelmente era minha Tia Marta.
–Calma, só estou dando uma volta! O que houve? — pergunto curiosa.
–Venha logo para a casa!
–Porquê? Pra quê? — continuo sem entender.
–Irá descobrir quando chegar, agora ande logo! — diz exaltada.
–Mais... — ela desliga o telefone na minha cara!
Eu aperto um botão, para finalizar a chamada; o que é uma mania minha, pois minha tia já havia desligado; eu dou um sorriso espontâneo, ainda sem acreditar que que Tia Marta havia feito aquilo. André ri, já de olhos abertos, e diz:
–Skillet né? Legal... Bom gosto! — fala sorrindo.
Eu dou um sorriso debochado, por pensar que ele estava sendo sarcástico:
–Porquê? Não gosta? — digo cínica.
–Pelo contrário! Eles são muito bons... — ele fala ainda deitado.
Uma pausa ia se iniciar, então eu resolvo dizer logo de uma vez:
–Preciso ir. — falo me levantando, e limpando minhas calças e minhas mãos, na verdade, minhas mãos nas calças, assim os dois saem limpos rs.
–Peraí, eu te levo! — diz André, que tenta se levantar rapidamente.
–Tudo bem, melhor você descansar um pouco... — tento impedi-lo, como se fosse ter algum sucesso.
–Você acha mesmo que eu vou ficar bem aqui, deitado no chão de uma mata desconhecida, sozinho? — ele diz e eu o fuzilo com os olhos, e então continua. — Ainda por cima, correndo risco de nem perceber se roubarem minha moto! — ele diz num tom sarcástico.
–Não né! — falo cínica, e ele me olha com uma cara de que fosse obvio. — Mais é melhor você não dirigir assim...
–Relexa! Qualquer coisa, você tá comigo... — ele me olha nos olhos, e eu sinto meu estômago congelar.
–Se é o que você diz... — acabo concordando.
Então nos dois seguimos de volta para onde está a moto. Vestimos os capacetes, e voltamos para a casa.
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*
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Chegando perto da minha casa, eu avisto um carro parado bem em frente, e logo o reconheço:
–Espera! — dou um grito, e ele para a moto.
–O quê? — André pergunta.
–Aquele carro... — eu começo. — É dos meus pais... — falo séria e surpresa, porém nem um pouco feliz, eu acho...
–Ótimo! Está feliz com a volta deles? Que tal nós dois entrarmos e...
–Não! — respondo brutalmente, o cortando. — Não acredito que... Porquê eles voltaram? Porquê estão aqui? — digo exaltada.
–Calma, relaxa. — André tenta me acalmar. — Vou te deixar aqui okai, assim pode refletir um pouco até chegar lá. — eu olho atenta. — E nada de fazer besteirinhas! — ele me alerta de um jeito brincalhão.
–Tudo bem... — concordo saindo da moto.
Eu me despeço dele, e sigo em frente. Esperando apenas, pelo que iria chegar.
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