Chuva cinza
8 Capítulo 7 - Respirando
Notas iniciais
Eu não tinha ideia para onde ele estava me levando, só sabia que, a pequena parte do meu cabelo que estava pra fora do capacete, parecia gelada, e muito embaraçada! Ainda bem que André estava em minha frente, se não estaria congelando agora... Mesmo não estando tão frio.
Não estou acostumada à velocidades, por isso, na maior parte do trajeto, eu fui de olhos fechados.
–Estamos quase chegando! — exclama André.
–Legal! — eu digo o mais alto que posso, ainda de olhos fechados.
Percebo que André ri, e depois exclama:
–Pode abrir os olhos, não vai morrer não! — diz debochado.
–Estou melhor assim, obrigada! — tento parecer irritada, o que era impossível, pois estava morrendo de medo.
Depois de um tempo, ele para a moto, e diz:
–Chegamos! — e tira seu capacete.
–Eu abro os olhos lentamente, ainda abraçada nele. Então percebo isso, e o solto rapidamente. Tiro o capacete, e Nossa! Era perfeito! Então desci da moto:
–Legal né? — ele diz já de pé.
–Incrível! — digo impressionada.
–Descobri esse lugar, no meu terceiro dia aqui. — e então continua. — Nunca veio pra cá? — pergunta.
–Não sabia nem da existência... — falo sem tirar os olhos do lugar, enquanto coloco o capacete na moto.
O lugar era incrível, existia uma pequena cachoeira cristalina, com um pequeno lago logo em baixo, envolto por pedras, grandes e pequenas; também flores, coloridas, de todos os tipos eu acho. Dava para enxerga-la ao longe. Então entramos na floresta, sem trilhas (não sei como), porém com grama baixa, e seguimos para próximo a cachoeira:
–Sua moto ficará bem aqui? — pergunto preocupada.
–Sim! — André diz sorrindo, depois muda a expressão. — Talvez... Ou não... — ele olha pro chão fingindo estar profundamente triste. — Mais vamos acreditar que sim! Que nada de mal possa acontecer! — ele volta a sorrir, e eu concordo; a moto era dele, ele que sabe...
Ao chegarmos lá, sentamos nós dois numa única pedra, de costas um para o outro, nos mantendo assim apoiados. Ficamos em silêncio por um bom tempo. Eu estava de olhos fechados, prestando atenção em minha respiração, e ouvindo atentamente o som da água que descia em sintonia ao canto dos pássaros.
E do nada, André começa a tossir. Tossir mesmo, alto e forte:
–Ei, tá tudo bem? — digo desesperada, me virando, e colocando a mão sobre o seu ombro.
Ele respira bem fundo; e eu me desespero mais ainda; pois parecia que ele estava com falta de ar. E o quê eu podia fazer? Só nós dois estávamos ali.
–Pega... — André tenta dizer, que agora tossia um pouco menos, mais não respirava direito. — A minha mochila... Na moto... — ele tenta dizer.
–Não posso te deixar sozinho! — digo sem pensar.
–Rá... pido. — ele ainda tossi.
Então eu corro o mais rápido que posso, e pego sua mochila, que estava presa na parte da trás da moto; desenrolo as cordas, e a pego rapidamente. Saio correndo de novo até ele, e lhe entrego a mochila.
–Obri... — ele quase não respira.
–Sh! — eu o repreendo. — Não fale.
Então André abre a parte menor, a da frente, de sua mochila; o mais rápido que consegue, eu o ajudo. E de lá, ele tira uma "bombinha" de asma, retira a tampa, e a aperta uma vez, em sua boca, respirando fundo; depois de uma pequena pausa, aperta novamente.
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