Chuva cinza
16 Capítulo 15 - Opostos
Notas iniciais
Eu ainda o observava pela janela; perdida em pensamentos, e sem saber ao certo o que fazer. Ele me olhava, e eu não tirava os olhos dele. E quando, por um momento; eu viro meu rosto, pensando em como aquilo não poderia fazer diferença; ele exclama:
–Ei! — diz, e eu abro a janela; um tanto lentamente, pois ela era velha.
E começo a olhar em seus incríveis e mágicos; olhos profundamente azuis. Ele então, continua, mais baixo:
–Por favor... — me olhava, implorando; aquilo me doía; como eu pude ter sido tão patética?! — Olha eu... — ele continua; porém eu o corto.
–Não é...! — coloco as mãos sobre a cabeça. — Você... Você não tem... Você não fez nada! Fui eu! Como sempre, não sei porque mas...! — agora ele é que me corta.
–Ei, calma. — sorri de lado, gentilmente. — Eu estou aqui não estou? — era uma pergunta retórica.
E eu logo consigo sorrir para ele de volta; sem querer forçar nada, ou tentar algo que fosse mais conveniente; somente, sorrio verdadeiramente de volta. Ele relaxou, e sorriu mais ainda; foi quando meus olhos começaram a se encher de lágrimas; involuntariamente; o que aquela altura, eu não sabia o quanto me expressar por tudo o que eu sentia.
Minha vontade? De verdade mesmo? Era pular da janela; e cair perfeitamente em seus braços molhados. Parece loucura...! Mas, existem pessoas mais loucas do que eu; e quando me dei conta; André já tentara subir em minha janela, a qual estava cercada por úmidas vegetações as quais ninguém cortava nunca. E ele tentou, tentou e caiu umas sete vezes! Eu tive que rir... Mas ainda o amava.
E, não tendo como não desistir; ele somente me olhos com expressão de fracassado. Eu então ri mais ainda; e não pensei duas vezes! Sai correndo do meu quarto; desci as escadas, passando assim, pela sala e cozinha; sem pensar no que pensavam sobre mim; ou no quanto eu poderia ser louca! Ou qualquer coisa! Logo abri a porta com tudo!
Então lá estava ele, como eu já esperava. De braços abertos; me esperando por entre a imensa chuva. Eu corri o mais rápido que pude para seus braços molhados, e o abracei fortemente.
E assim estávamos; ensopados, abraçados. E André retribuiu meu abraço de um jeito tão doce; como se esperasse por isso à anos. Fechamos os olhos; nos imaginando para sempre ali. Porém era isso o que eu tinha em mente agora. E chuva começa a engrossar mais ainda; e eram exatamente como opostos; o frio que jazia da chuva forte; juntamente ao calor de nosso abraço.
Não queria solta-lo.
Nunca.
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