Chuva cinza
15 Capítulo 14 - Amando
Notas iniciais
Era minha tia Marta. Ela sorri gentilmente para minha mãe; a qual sorri de volta. Minha tia então, logo olhou para mim, e disse:
–Tem um garoto ali fora, sentado sobre a calçada. — diz inocente, olhando diretamente para mim.
Eu me mexo desconfortavelmente na cadeira; tentando encontrar uma posição melhor, tanto para mim, quanto para quem me ouvia. E logo digo:
–E o que isso tem à ver comigo? — pergunto normalmente; porém, meus pais devem ter achado, que fui muito rude com ela.
–M.J! — exclama mamãe com os olhos arregalados.
–Me desculpa! — digo, acho que de uma maneira exagerada.
–Tudo bem. — diz minha tia, junto à um pequeno sorriso. — Só achei, que por ser um garoto...
–Ah! Entre por favor! — exclama minha mãe; a qual tinha se esquecido de deixar de tia Marta entrasse.
–Obrigada. — responde minha tia entrando. — Então. — continua. — Achei que por ser um garoto... — eu a corto, sem a menor intenção de ser mal educada; só não queria me lembrar.
–Eu entendi! — respondo com lágrimas nos olhos; e com uma dor enorme que brotava em meu peito.
Logo me levanto dali, e saio correndo escada à cima. Percebo que todos me olham; o que já era de se esperar. Acho que alguém me chama, talvez papai; porém eu não estava entendendo direito; na verdade, não estava entendendo nada direito! Não sei o que eu faço! E Dandan? E André? E meus pais? Porquê eles estão aqui, porquê voltaram?! Tantas perguntas simples, sem respostas concretas e óbvias!
Bati a porta do quarto num estrondo, e a tranquei; só por precaução; caso alguém quisesse conversar comigo. Bom, chorar sempre era um alívio; porém eu não queria mais chorar, pelo menos não agora; na verdade não queria nada. Só... Nem eu sei...!
Eu então, apoio minhas mãos na janela; com os olhos fechados. E ao abri-los; era ele. André estava de pé ali. Levo um susto, e saio rapidamente da janela. Ele grita:
–Espera! — exclama alto suficiente, para todos os que estavam na sala ou cozinha, ouvirem.
Ainda estava de costas para a janela. Fecho os olhos, e dou um leve suspiro; com os punhos cerrados, e depois, consequentemente, abrindo as mãos. Ando até mais próximo à janela, lentamente; e vejo que lá estava ele; com o buquê de rosas; de cabeça para baixo, praticamente pendurado, tendo como apoio sua mão esquerda; como que sem jeito, ou sem cuidado algum; ele o segura-se.
Começa a chover.
Ele me olhou, em meio a chuva que engrossava. Estava completamente lindo em meio à chuva. Com cada pingo, escorrendo suavemente por entre seu rosto perfeito; deixando seus cabelos negros incrivelmente encharcados; e sua blusa preta, colada em seu corpo, o qual jazia de um aspecto definido.
Eu o amava.
E ele também me amava.
O que eu estava esperando para pegar o buquê, e ir ao seu encontro; correr para seus braços; e o abraçar como nos filmes; em meio a grossa chuva fria, e mágica.
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