Chuva cinza
12 Capítulo 11 - Apaixonada
Notas iniciais
Estávamos nós quatro ali, na sala. Eu estava com mamãe sentada no sofá, papai estava em uma das poltronas, e André na outra.
Meu pai estava fazendo um verdadeiro questionário para com André, coitado... E mamãe só concordava. Porém, parecia que ele estava reagindo bem à isso, e respondendo à todas as perguntas sem se incomodar; e com aquele sorriso, que só ele tinha:
–E já sabe o que vai fazer da vida André? — pergunta meu pai, depois de jazer um barulho inconfundível ao limpar a garganta.
–Bom. — ele começa. — Gosto muito de desenhar sabe! — exclama sorrindo; porém meu pai olha para mame um pouco sem jeito.
–Desenhar querido? — pergunta minha mãe tentando parecer simpática.
–Isso! Eu desenho muito bem sabe. — continua a sorrir, depois se corrige. — Modéstia a parte é claro. Quero me tornar um grande artista um dia. — diz mais sério.
–Entendo... — começa papai. — Mas isso não daria um futuro promissor, daria? — ele pergunta; percebo que André está sem palavras, e também sem graça; então eu digo.
–Não pai! — exclamo. — Talvez não, porém é o que ele gosta de fazer, e é isso o que importa! — digo e todos olham para mim.
–Tudo bem Maria Júlia, seu pai tem razão; talvez eu devesse escolher outra coisa. — indaga André sem tirar os olhos do meu pai, que assenta.
Uma pausa logo se inicia, como já era de se esperar. Entretanto, eu quebro o silencio:
–Podem nos dar licença um minuto, por favor. — digo já mais calma me levantando.
Ninguém se pronuncia, então eu começo a subir os degraus da escada; paro por um momento; e movimento a cabeça, querendo dizer para que André me seguisse. E ele vai logo atrás.
–É... Com licença. — pede aos meus pais com um sorriso; meu pai logo assenta, fingindo sorrir; enquanto mamãe soa pensativa.
E ele sobe as escadas logo atrás de mim. Eu entro em meu quarto, sento-me na cama; deixando a porta aberta para que André entrasse. Ele logo passa pela porta, e se vira para fecha-la lentamente; acho que não queria fazer barulho. André fica parado, olhando a porta se fechar, ou somente ganhando tempo para não ter que olhar para mim. E depois de ela realmente ter se fechado, ele volta o olhar para o chão, e do chão, para mim; que o observava atentamente.
Não sabia o que dizer; não sabia como começar, ou o que falar. Então, começo dizendo a única coisa que eu tinha certeza:
–Não sei o que dizer. — quase sussurro, olhando em seus olhos. — Não! Não sei mesmo o que dizer! — agora volto o olhar para baixo, e ele se aproxima.
–Tudo bem. — ele se senta ao meu lado, e acaricia minhas mãos. — Ei! — ele me faz olha-lo. — Está tudo bem. — diz sorrindo, e eu sem conseguir me conter, sorrio de volta.
–Olha, me desculpa mesmo. — eu tento explicar.
–Eu entendo. — ele começa. — Sempre soube que um dia iria que ter a "temível conversa" com o pai de uma garota. — fala sorrindo, e diz sarcástico "temível conversa".
–Sempre soube? Nunca havia tido a "temível conversa"? — também destaco as mesmas palavras.
–Não. — ele sorri e desvia o olhar. — É que eu nunca namorei antes. — continua olhando para o lado.
–O quê? — pergunto sem acreditar.
–É! — ele agora sorri, e olha para mim. — Por mais que eu seja tão atraente assim. — nem se gaba... — Nunca me apaixonei por uma garota, como estou apaixonado por você. — ele diz olhando nos meus olhos, e sorrindo de lado.
Ai Meu Deus! Sério que ele disse isso? Desse jeito não aguento! Eu vou chorar...!
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