Notas iniciais
Espero que gostem =)

Rosalie estava atrasada para sua aula de ballet. Havia chegado em casa uma semana atrás, pois tirou férias da faculdade de direito que cursava, em Nova Iorque. Distraída, entrou numa rua errada com o carro e foi parar em um lugar que nunca esteve na vida. Era um bairro de pessoas mais pobres, realidade que não condizia com a sua, já que ela havia crescido juntamente com a alta sociedade de Seattle. Seus pais eram um médico de muito prestígio e uma famosa estilista, seu irmão mais velho, Edward era professor de Inglês e Literatura numa renomada escola de Nova Iorque e já era casado, com Bella. Tentou fazer o retornou mais se perdeu mais ainda. Viu mulheres em salões de beleza baratos, homens em bares sujos bebendo até cair. Ficou com medo, por isso, levantou o vidro do carro. Pisou no acelerador do seu Volvo C30 que seu pai lhe dera no seu aniversário de dezesseis anos. Percebeu que um de seus pneus traseiros havia furado.

– Mais que droga! – Praguejou. – e agora? O que eu faço? Eu não sei trocar o pneu, meu celular não dá sinal aqui e todos estão me olhando. Vão me roubar até as calças.

Viu no retrovisor que um homem se aproximava de seu carro. Entrou em pânico.

– Ai meu Deus! O que eu faço? Ele vai me roubar!

Viu o homem parado do lado de sua porta, olhando para ela. Percebeu que ele tinha traços marcantes. Ele bateu duas vezes no vidro e ela não abaixou. Ficou parada, tremendo, morrendo de medo de o rapaz levar seu lindo carro de luxo. O rapaz bateu uma terceira vez no vidro e ela o abaixou.

– Por favor, moço, não me machuque! Pode levar tudo! Toma minha carteira. – Disse entregando-lhe a sua carteira. O rapaz por sua vez, fez cara de bravo, tirou a camisa deixando seu peitoral definido à mostra e jogou-a em cima da moça, que recuou.

– Mais o que é isso? – Rosalie perguntou ao desconhecido. – você não vai me roubar?

– Você tem um macaco?

– Como?

– Pra eu trocar o pneu.

– Ah! Claro. Está no porta malas.

O rapaz foi até o porta malas do carro e pegou o macaco. Trocou rapidamente o pneu e foi até a moça, que agora estava do lado de fora do carro, sentada na guia da calçada.

– Obrigada. – Disse meio constrangida. – Quanto é o serviço?

– Sabe? Esse é o problema de vocês, ricos. Acham que tudo se resolve com dinheiro. E isso não é assim. E... Mais uma coisa moça: nem todo mundo que mora nesse bairro de pessoas mais humildes é bandido ok? Agora, eu preciso ir trabalhar. Sustentar minha família. E você vá fazer compras em algum shopping por ai.

– Eu nem sei o que dizer. Eu sinto tanto. Eu não queria te ofender eu só não... Estou acostumada com este tipo de bairro. Eu não tenho culpa moço, por favor, quero que me perdoe. Sou Rosalie. E você? – Disse estendo-lhe a mão.

– Tudo bem. – Disse retribuindo o gesto e apertando a mão da moça. – Sou Emmett McCarty.

– Muito prazer. Quer que eu te leve para o seu trabalho?

– Não precisa. Eu vou de ônibus.

– Eu te levo Emmett, afinal, eu te devo essa. Onde é?

– Na Avenida Principal, num restaurante italiano chamado Della Posta.

– Mesmo? Eu adoro esse restaurante. Sempre que eu venho pra cá, eu como lá. Entre.

– Tudo bem. Mais olha, não precisa mesmo.

– Deixe de besteiras, Emmett.

Emmett entrou quieto no carro e permaneceu assim por um bom tempo.

– Então Emmett.. Quantos anos você tem? – Disse Rose, quebrando o gelo.

– Vinte e dois. E você?

– Também. Você faz faculdade?

– Eu não tenho dinheiro pra pagar moça. Mais eu adoraria fazer.

– O quê?

– Literatura.

– Você gosta de ler? Eu também. Meu irmão é professor de Literatura.

– Que bom. E você faz faculdade?

– Sim. Direito.

– Hum...Porque você não faz Literatura, já que gosta?

– Por causa de minha mãe. Ela não queria que eu seguisse os passos que ela julga errado do meu irmão. Ela é uma mulher difícil.

– Eu imagino.

Após alguns minutos, Rose chegou ao tal restaurante e Emmett desceu.

– Obrigado, Rosalie. – Disse descendo do carro. – a gente podia tomar alguma coisa qualquer dia desses quem sabe? Se você quiser, é claro. Gostei muito de conversar com você!

– Claro! Eu iria adorar. Vou te passar o meu número. – Disse, anotando em um papel. – toma. Até mais. E eu também gostei de conversar com você.

– Até mais, Rosalie.

Rosalie decidiu faltar à aula. Voltou pra casa, tomou um banho, vestiu um moletom bem confortável e ficou o dia inteiro andando de um lado pro outro na enorme mansão que morava com seus pais. Não parava de pensar em Emmett. Em seus belos olhos azuis, na sua pele branca e no seu sorriso tímido. Rosalie não sentia isto desde o colegial e temia que pudesse ser mais grave do que pensava. Emmett se sentia igual. Lembrava-se a todo o momento de Rose, do seu longo cabelo loiro, nos seus belos e grandes olhos castanhos, que tinham mexido muito com ele.

– Ah! Emmett... Você mal a conhece. – Disse para si mesmo.

– Com quem você está conversando, Emmett? – Perguntou James, seu colega de profissão.

– Com ninguém, James. Só pensei alto.

– Sei... Você está muito diferente cara. O que é? Tem mulher na parada?

– Não...

– Eu sei que tem.

– Tudo bem. Foi uma patricinha que eu conheci ai.

– Ela tem peitões?

– Para com isso James. Ela é linda. Como eu nunca vi. Ela parece uma boneca.

– Ai que bonitinho! Suas palavras me emocionaram tanto que eu vou chorar.

– Vai se ferrar! E aproveita e me deixa em paz. Idiota.

– Tudo bem bravão. – Disse James, jogando uma toalha molhada em Emmett.

– Vai se ferrar. – Disse o moço, mostrando o dedo do meio para o rapaz.

– Já entendi cara. Desculpa.

Quando sua longa jornada de trabalho terminou, Emmett se trocou e pegou o ônibus para sua casa. Era longe, sua vida era difícil, porém, não reclamava. Encostou a cabeça no vidro e por alguns minutos, o cansaço o venceu e ele acabou cochilando. Quando acordou já estava quase chegando. Antes, passou numa padaria para comprar uma trufa para sua irmã, Bree, que tinha dezessete anos. Andou vagarosamente até a entrada do pequeno apartamento que dividia com Bree e com sua mãe, Sue, que também batalhava trabalhando de empregada doméstica para colocar comida em casa. Seu pai foi um homem bom. Morreu quando Emmett tinha dezesseis anos, de uma parada respiratória. Sua irmã tinha cinco anos na época. Desde então, a vida deles nunca foi a mesma.

– Emmett! – Gritou Bree, pulando em seu colo.

– Oi minha princesa! Como foi na escola?

– Eu tirei A em História.

– Muito bem! É assim que eu quero ver! Você vai ser a melhor um dia, Bree. Onde está a mamãe?

– Na cozinha. Preparando o jantar. Vamos ter macarrão com queijo hoje.

– Hum... O cheiro está ótimo, mãe. – Disse Emmett, entrando na cozinha e dando um beijo na testa suada de sua mãe.

– Emmett, querido. Fico tão preocupada com você. Andando por essas ruas perigosas... Tenho medo que...

– Calma. Nada vai me acontecer. Eu prometo. – Disse, beijando sua mão. – o jantar sai ou não sai?

– Vai lavar as mãos que eu já vou por a mesa. Bree, me ajude por favor querida.

– Claro, mamãe.

Do outro lado da cidade, Rosalie aguentava mais um daqueles jantares que seus pais organizavam para os amigos íntimos. Ela odiava todos eles. Tentou escapar, mas sua mãe não deixou.

– Aonde que você pensa que vai mocinha? – Perguntou sua mãe.

– Para o meu quarto. Tomei muito vinho e estou tonta.

– Eu não vi você tomando vinho. Só espumante sem álcool. Desça e seja agradável com as visitas. Olha lá! Victoria está ali. Vou falar com ela. Comporte-se.

– Tudo bem dona Esme.

Rose sentou-se por um momento e logo Jacob veio falar com ela. Ele tinha sido seu namorado no colegial. O casal mais invejado do colégio. Rei e Rainha do baile de Formatura. A líder de torcida com o capitão do time de futebol. Aquele monte de clichês que são preferidos nos filmes para adolescentes. Rosalie, até hoje, não sabia como ela tinha aguentado Jacob por tanto tempo. Ele era idiota, fútil, metido a galã, machista...

– Oi Rose. – disse.

– Ah! É você.

– Nossa! Como você é grossa. Eu tenho tanta saudade da época em que éramos namorados.

– Você tem? Que ótimo! Porque eu não.

– Você não tem saudades do meu corpo tocando o seu?

– Cale-se. – disse Rosalie, bufando e levantando-se.

– O que foi, querida? – perguntou a mãe.

– Nada, O Jacob me irritou.

– Eu queria tanto que vocês se acertassem. Formam um casal muito bonito. Ele é o melhor pra você.

– Você não sabe o que é melhor pra mim.

– Comporte-se e cuidado para não amassar seu vestido. Lembre-se que ele custou muito caro.

– É SÓ NISSO QUE VOCÊ PENSA? ISSO É CARO, AQUILO É DE MARCA... CUIDADO COM SUA BOLSA LOUIS VUITTON. CUIDADO COM SEU SAPATO LABOUTIN. – Rosalie elevou o seu tom de voz e os convidados começaram a olhar, cochichando um com o outro.

– Rose! Olha o vexame. – disse a mãe, virando as costas para os convidados.

– VEXAME? A ÚNICA COISA QUE VOCE SE IMPORTA É COM O SEU STATUS. SABE O QUE EU VOU FAZER COM ESSA MERDA DE VESTIDO? – Rose, num impulso, rasgou o vestido que sua mãe havia pagado tão caro.

– O que é isso menina? Suba e fique lá no seu quarto. Você já aprontou demais por hoje.

– Por mim tudo bem. – Disse ela, subindo rapidamente as escadas, deixando pedaços do vestido pelo chão. – E VOCÊS, BURGUESIA MEDÍOCRE DE SEATTLE, APROVEITEM OS DRINKS. SÃO IMPORTADOS DA FRANÇA. APROVEITEM E VÃO PARA O INFERNO TAMBÉM. – Rosalie se trancou no quarto e começou a rir. Nunca havia enfrentado a mãe deste jeito. Nunca tinha feito aquilo. Lembrou-se das palavras de Emmet e descobriu que nem tudo na vida o dinheiro pode comprar...