Chuva

1 A chuva que o céu derrama sobre mim


Notas iniciais
Bem, essa foi a minha primeira fanfic desse tipo.

Enquanto a chuva grossa caia no chão, lá estava ele, segurando um boque de flores, imóvel. Ele olhava a menina que ele era apaixonado, beijando outro rapaz. A expressão no rosto de Wally já não era de tristeza, mas sim de vazio, já era 7ª vez que isso acontecera com ele. Em seus óculos, haviam uma mistura de água da chuva com lágrimas. As mãos dele desprenderam-se do boque, e suas pernas deram meia volta para ir para casa.

Wally abriu a porta de casa devagar, e espiou o relógio, que mostrava 23:50. Ele subiu as escadas e foi até o seu quarto para dormir. Ele sabia que amanhã teria que passar a mesma tortura de novo, ver a menina que ele tanto amava com outro. Não importava quem Wally tentasse amar, ele nunca era correspondido. Talvez sua alma gêmea tenha morrido em algum acidente de carro, ela poderia estar do outro lado do mundo ou até mesmo ela poderia não existir.

E para piorar tudo, ele teve o mesmo pesadelo; ele parece estar deitado no chão, enquanto chove. Ele não consegue se mexer e alguém parece estar o sufocando-o. Quanto mais ele clama por ajuda, mais a chuva aumenta. Toda vez que ele tinha esse pesadelo, Wally acordava e se espremia no canto da cama. Ele sempre tentava não chorar, mas sempre era em vão.

No outro dia, Wally foi a escola, ele já sabia a tortura mental que estava prestes a acontecer. Subindo as escadas para ir a sua sala, ele se depara com uma garota ruiva no fim do corredor, indo a algum lugar. Ela tinha um sorriso cativante, ela também usava óculos, provavelmente para esconder o seu olhar tão apaixonante e fixante. Seus cabelos eram tão vermelhos que faziam Wally se lembrar da chama vermelha do amor.

Após pensando sobre a garota, ele se deu conta de que ela já não estava mais ali e Wally estava atrasado para a aula de física. Ele então correu o mais rápido possível e foi correndo e rezando para que o Mr. Winkley o perdoasse desta vez. Wally olhou pelo vidro da porta, e viu que o professor estava escrevendo no quadro negro.

Então, calmamente, Wally abriu a porta da sala e dirigiu-se a sua carteira.

— Wally, a aula começou faz 15 minutos.

— Desculpe, eu tive alguns probleminhas.

— NÃO QUERO SABER! FORA DA MINHA SALA JÁ! — Ordenou Mr. Winkley, apontando o dedo indicador para a porta.

Wally já estava saindo da sala, quando ele ouviu uma doce voz no fundo da sala

— Professor, o zelador havia pedido ajuda a Wally, por isso o mesmo demorou. Não é mesmo, Wally?

Wally virou-se de costas e viu a mesma garota ruiva que ele estava admirando a alguns minutos atrás.

— S-sim, é verdade.

— Ah... se for assim, então, desculpe. Sente-se. — Resmungou Mr. Winkley, enquanto voltava para escrever no quadro

Wally sentou-se em sua cadeira e começou a assistir aula, porém, uma dúvida martelava sua cabeça. Por que aquela moça, que nem ao menos o conhecia, o ajudou?

Semanas passaram-se e a dúvida continuava a martelar cada vez mais forte a cabeça de Wally, por que uma menina iria ajuda-lo? Ele já havia sido iludido várias vezes, por várias meninas, de várias maneiras.

Ele sabia que por mais que tentasse, não poderia conviver com a dúvida para sempre, e perguntar era o único remédio para uma dúvida impertinente. Era mais um segunda-feira chuvosa, o coração de Wally batia tão rápido quanto a velocidade que as gotas da chuva que se derramavam no chão. Todos já estavam indo embora, porém, ele decidiu esperar até que a moça aparecesse. Já haviam passado 15 minutos após o fim da aula e ninguém havia aparecido. Ele já tinha perdido suas esperanças, porém, no fim do corredor ela caminhava em direção a porta. A garota se aproximou perto da porta, já indo embora, quando Wally gritou

— Moça!

A garota olhou para Wally e sorriu.

— Oi, meu nome é Ani...

— Ani, temos que ir logo! — Murmurou uma garota do lado de Ani

Os olhos de Wally brilharam como nunca haviam brilhado antes, Wally sentiu algo novo dentro de si, como se fosse o sentimento de realmente estar apaixonado. Será que tudo que ele havia sentido anteriormente não era amor? E se ele estiver realmente apaixonado por ela e ela não sentir nada por ele? As dúvidas de Wally só se expandiram.

A chuva caía mais forte a cada dia, a única alternativa para Wally era observá-la. Wally sempre pensava em puxar assunto, mas por que puxar assunto? Ela poderia estar sendo apenas gentil com ele, talvez Wally se apaixonava muito fácil? Ou talvez fosse algo além disso, algo que nem ele mesmo poderia explicar.

Wally precisava de respostas, mas ele não tinha coragem suficiente para perguntar a Ani. Então, ele procurou uma de suas amigas, Sara.

— Então... você quer saber mais sobre a Ani? — Perguntou sara, enquanto tomava um copo de suco pelo canudinho

— S-sim, se possível.

— Bem... ela sempre andou com a gente, ela era constantemente rejeitada pelos outros garotos, porém ela nunca abaixou a cabeça, ela sempre seguiu em frente, sem deixar que ninguém entrasse no seu caminho. — Explicou Sara.

— Mas como, ela parece ser tão leg--

— Você tá afim da minha amiga, não é mesmo? — Sara perguntou em tom de humor

— N-N-NÃO, PELO AMOR, NÃO FALA NADA PARA ELA — Wally respondeu assustado

Sara gargalhou um pouco e depois disse:

— Quer um conselho? Vai fundo. Ela não é tão diferente assim de você. Inclusive, você é o único garoto da escola que ela trata gentilmente.

As palavras da amiga de Ani encheram Wally de determinação. Então, na sexta-feira Wally esperou novamente Ani na porta do colégio. Ani vinha sozinha dessa vez, o que deixou Wally mais confiante ainda.

— Posso te acompanhar até sua casa? — Perguntou Wally, curvando-se para a garota

— Claro, por que não?

Os batimentos do coração de Wally eram profundos e rápidos. Ele nunca havia se imaginado naquela situação, porém, Wally olhou para o céu, e viu novamente aquele tempo de chuva. Para ele, aquilo com certeza era um prelúdio. Wally já estava quase chegando na casa de Ani, quando ele pediu que ela parasse. Então, Wally perguntou:

— Ani, por favor, me responda. Por que naquele dia, você, que nem me conhecia, me ajudou a escapar do Mr. Winkley e por que você é tão gentil comigo? — Perguntou Wally

— Bem... eu acho que, você é muito parecido comigo. Desde a primeira vez que te vi, me senti como se estivesse vendo meu reflexo em outra pessoa.

— Mas você é tão incrível, e eu sou apenas mais um perded--

A face de Ani se encontrou com a face dele. A cabeça de Wally havia virado uma bagunça, mas ele enfim entendeu tudo. Ele percebeu que o sentimento que ele havia sentido, não era só de amor verdadeiro, era bem mais que isso: era um amor verdadeiro correspondido. Os pesadelos de Wally acabaram, pois toda vez que ele precisasse de ajuda, ela estaria lá.

Wally já poderia abrir a janela que estava fechada, pois enfim a chuva havia acabado.

Notas finais
Gostaria que vocês respondessem nos comentários: o que é a chuva, ao seu ver?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!