Chuva

1 Chuva - Capítulo único


Notas iniciais
Das Kunoichi de Naruto, a Konan é uma das minha preferidas. Ela também é um dos meus membros da Akatsuki preferidos. E por querer escrever sobre ela (talvez pela insatisfação pelo fato de ela ter sido descartada da história e esquecida pelo Naruto, que nem se lembrou dela, antes, chorou pela morte do odioso Obito), saiu isso. A história nada mais é que uma introspecção; espero que gostem.

— Você pode ouvir a chuva, Yahiko?

Do alto edifício — o maior em toda a Vila Oculta da Chuva —, ela observava, serenamente, o céu cinzento e o horizonte distante. O vento que vinha pela sacada fazia a capa dançar; o manto negro da Akatsuki parecia ter vida própria...

E Konan parecia não ter vida.

Chuva, sempre chuva. Os olhos dela — tão claros por fora; tão escuros por dentro — queriam ver algo que se diferenciasse da monótona, triste e costumeira precipitação que deu origem ao nome da vila. Um dos motivos da organização que havia criado junto com os amigos Yahiko e Nagato, a Akatsuki, receber tal nomenclatura foi exatamente por isso: fugir daquela realidade tão sombria e aprisionadora que os envolvia. Akatsuki significava “Amanhecer”, e para Konan, bem como para Yahiko e Nagato, um amanhecer de uma nova era, de um recomeço pacífico e alegre não somente na Chuva, mas também em todo o mundo.

Até a traição de Hanzou de Salamandra.

O acordo frágil entre a Akatsuki e o líder da Vila da Chuva nada mais significava que um golpe, uma tentativa de destruir uma organização que visava apenas a paz. Konan foi refém, Yahiko foi morto e Nagato deixou de ser ele mesmo, tornando-se outro alguém; uma pessoa amargurada, sôfrega, rancorosa. Nagato Uzumaki tornou-se a Dor, tornou-se Pain.

Quanto a Akatsuki, a organização criada pelos três companheiros, perdeu o significado original, adquirindo outro deveras mais obscuro. Pior, as nuvens vermelhas no uniforme; um pequeno detalhe a mais no manto negro que representou a inversão comportamental de seus criadores. As nuvens vermelhas representavam a chuva de sangue durante a Terceira Grande Guerra Ninja.

E outra vez lá estava a chuva perto de Konan, perseguindo-a.

Mas haveria um amanhecer, Konan acreditava nisso. A esperança de que, um dia, ela veria o sol radiante, o arco-íris e a paz no mundo, alimentava-a. A certeza de um amanhã melhor, um que ela tivesse lutado para construir, sustentava-a. Konan, mesmo nas sombras da Akatsuki, cria e batalhava junto com Nagato por um futuro do qual ela se orgulharia.

E ela lutaria naquele dia também. Ao lado do parceiro, Nagato, ela invadiria a Vila da Folha e capturaria o Jinchuuriki da Kyuubi. Em posse das Nove Bijuu, a Akatsuki criaria a arma mais poderosa do planeta, uma com o poder de destruir tudo, inclusive as guerras. A paz seria alcançada por meio da dor.

E Konan, finalmente, viveria para ver dias ensolarados.

Os olhos cor-de-mel, frios, ainda viam o distante. Passos vagarosos e intimidadores se fizeram ouvir atrás da mulher.

— Está pronta, Konan? — perguntou uma voz grave.

Ela se virou para o parceiro e líder da Akatsuki.

Os seis caminhos de Pain a encaravam aguardando a resposta. À frente, o corpo líder, o Caminho Deva, o cadáver de Yahiko.

— Estou pronta, Nagato.

Grande parte do corpo de Konan se desfez em papel que voava pelo ar; uma técnica bonita, mas igualmente letal.

— Ótimo. — Pain assentiu devagar. — Irei primeiro.

Os seis corpos se dispersaram quase instantaneamente, deixando a parceira para trás. Konan olhou outra vez para a chuva fina e fraca que caía.

— Yahiko, o nosso sonho será alcançado. Eu, Nagato, a Chuva, este mundo; todos nós veremos o amanhecer um dia.

Parou de chover. E Konan se dispersou em bonitos origamis no ar.

Notas finais
Obrigado por ler.

Até mais o/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!