Chronnos
8 A ruptura
Certo dia estávamos na escola e eu resolvi fazer uma surpresa para Tom pois, no dia anterior, ele havia ganhado primeiro lugar dentre outros quinze dos solistas de violino da escola. Tinha sido uma apresentação belíssima e ele tinha tocado de forma genial. Eu cheguei na escola e arrumei uma faixa de algodão e com letras azul escuro da cor dos olhos de Tom, na eu mesma havia bordado com a frase:
PARABÉNS AO NOSSO QUERIDO AMIGO E MÚSICO TOMMY WODD-ALLEN PELO SEU ESPLENDOROSO TALENTO, CARISMA E PELO PRIMEIRO LUGAR NA AMOSTRA ANUAL DE MÚSICA DO COLÉGIO COSANOSTRA.
AMAMOS VOCÊ.
Também preparei uma mini-festinha com itens de café da manhã e uma pequena variedade de chocolates, além de balões e muitas serpentinas.
Quando estava tudo pronto sentei para esperar o Tom, ele sempre chegava cedo e não tardaria a aparecer na porta de entrada da nossa sala com aquele sorriso encantador e seus olhinhos de cabra pidona.
Foi quando de repente eu escutei um zumbido, no começo achei que fosse um enxame de abelhas ou algo parecido mais foi ficando cada vez mais alto e atordoante e eu não sabia mais onde estava, de repente meus pés ficaram dormentes e imóveis e eu não conseguia me localizar estava me sentido perdida, dilacerada, cada músculo do meu corpo doía. Fechei os olhos tentando suportar a dor e minhas articulações pareciam não suportar a tensão exercida sobre elas. O que estaria acontecendo? Eu me perguntava.
De repente pensei em algo. Será? Não. Não poderia ser, eles avisariam, daria em todos os jornais. Ah não, eu não assisti nada ontem à noite, pois estava planejando cada detalhe da surpresa do Tom e agora... Ah não pode ser...
Eu tinha sido tragada pelo tempo. Agora estava deslocada e solta pelo tempo em algum lugar do espaço. Podendo ir a qualquer lugar menos onde eu deveria estar. Não tinha prestado atenção aos noticiários e acabei sem fazer os preparativos. Uma coisa muito simples: ir para um dos templos do tempo espalhados pela cidade e carregar consigo algum momento especial de sua vida traduzido por um objeto. Podia ser um anel de formatura, seu brinquedo preferido da infância... Na verdade qualquer coisa que lhe localize na sua era.
No momento em que todo os lugares e emissoras estiveram anunciando, eu com certeza estava no meu quarto fazendo os preparativos da surpresa do Tom e meus pais nunca estão comigo desde a separação há cinco anos, desde a qual competem por tudo menos por um tempo comigo... Também não chequei minhas mensagens no celular de tão excitada que eu estava com a surpresa...
Raiva, frustração, medo... Nada explicava o que eu sentia neste momento. Eu estava vencida, exasperada e sem nenhuma esperança de minha vida voltar a ser como era.
- Puxa... Que saudade dele... Como eu queria poder chorar em seus ombros agora e sentir no seu abraço que está tudo bem... Ele sempre me transmite calma.
Fiquei pensando em tudo isso e nem percebi o ambiente ao meu redor... Um magma gasoso e azulado, repleto de pontos brilhantes e com figuras estranhas aparecendo a todo instante. De repente uma figura estranha apareceu:
- Olá, sou o tempo, também chamado de Chronnos. Fazia muito tempo que ninguém do seu mundo me visitava. Sou contínuo porém aos pedaços... Quero dizer, sou separado pelas gerações e pelos acontecimentos. Espero que seja corajosa e sábia senão nunca voltará ao seu mundo... Se é que você realmente queira... Ah, e que já tenha encontrado o seu amor verdadeiro senão ficará para sempre presa por aqui. Cada ponto brilhante ao seu redor é uma era ou midlet como costumo chamar. Você terá que visitá-los e esperar que seu quo-o apareça em um deles pra te salvar. Devo avisar que nenhum destes pontos é seu tempo pois, ele só brilhará quando os dois pedaços se unirem. E brilhará com tal potência que será achado e ao passarem por ele, o portal se abrirá. Espero que consiga fazer as melhores escolhas.
E eu fiquei completamente desconsolada. Eu não tinha mais meu grande amigo, a pessoa que têm me consolado todos esses anos e que tem feito meus dias mais felizes, que tinha preenchido os momentos da minha vida. Também não tivera ainda tempo de descobrir meu quo-o.
Soltei um grito imenso no meio daquela imensidão, tão vasta quanto só o tempo poderia ser. Me sentindo tão só quanto mais ninguém em todas as eras poderia estar...
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