Chronicles of Love and Blood
1 Capítulo 1
Notas iniciais
A pancada forte em minha cabeça resbalou por cada pequena parte do meu crânio, fazendo com que meus dentes se chocassem violentamente, emitindo um som seco perceptível por todo o pátio do Colégio Interno Frances Williamette.
"Porra! De novo essa merda!"
Respirei profundamente, sentindo o sangue começando a se acumular no local atingido por, vejam bem, UMA MOCHILA! Uma bela mochila vermelha reluzente indo de encontro novamente a minha cabeça, que rapidamente tratei de interceptar com meus braços magros cor-de-oliva, lançando um sorriso debochado para a dona da company avermelhada cuja porcaria brilhante que ela chamava de chaveiro preso ao bolso da mesma havia feito um corte superficial em meu couro cabeludo.
— Olá pra você também, Emory.
Grunhi mordaz já planejando o lindo soco em direção a seu nariz irritantemente arrebitado e coberto de maquiagem, a qual, convenientemente, cobria as pequenas sardas alaranjadas que a loira tanto tinha vergonha quando mais nova.
— Cala a boca, sua punkzinha de merda!
Senti uma risada nasalada sair automaticamente, " Uau, punkzinha de merda, isso sim é um xingamento fodidamente criativo!"
— Deixa eu te contar um fato básico, Em, todos nós somos punkzinhos de merda, acorda! A gente está na porcaria de um colégio pra adolescentes problemáticos, caralho!
Não esperei pela resposta da loira de grandes olhos verde- água repletos de sombra preta, desferindo um soco certeiro no rosto da garota, não esperando suficientemente para que a mesma recobrasse seu equilíbrio.
Passei a mão por meus cachos negros, sentindo o sangue quente na ponta de meus dedos, vendo o vermelho se misturar ao mais novo hematoma arroxeado em meu punho. Gemi baixo, virando- me para voltar em direção ao grande edifício aonde os dormitórios específicos dos alunos ficavam.
— Não tão cedo.
A voz familiar se fez presente enquanto um puxão em meu cabelo fez com que minhas costas se encontrassem diretamente com o concreto. Emory subitamente estava encima de mim, as coxas sobre meu tronco, impedindo consideravelmente meus pulmões de funcionarem, suas mãos fechadas em punho tentavam acertar meu rosto enquanto me debatia debaixo da loira, tentando de alguma forma arranhar a figura da pseudo cleptomaníaca que insistia em atormentar cada um de meus dias desde que havia sido transferida para Williamette.
Consegui desferir um arranhão horrível na bochecha direita da garota no mesmo instante em que um soco atingiu minha boca com toda sua potência. Senti o gosto horrível e levemente metálico do meu próprio sangue logo após Emory ser arrancada de cima do meu corpo inerte, o peso doloroso sendo retirado de cima de meus pulmões que implorava por ar.
— Senhorita Carter, Senhorita Stone!
Sr. Adam August Williamette, como adorava ressaltar o fato de descender do próprio fundador de nosso colégio, segurava a jovem de olhos verdes que me olhava com uma expressão quase assassina, quase.
Explodi em uma gargalhada audível, tossindo algumas vezes no processo, rolando para o lado até poder firmar meus braços e me levantar cambaleante. Lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto as risadas incessantes se faziam presentes, atraindo olhares de repulsa e confusão.
— Levem a Senhorita Stone para a enfermaria, parece que sua cabeça foi atingida com muita força. — Sr. Adam pediu a um dos garotos repletos de tatuagens que observavam animadamente a cena. — Assim que receber os tratamentos necessários, venha a minha sala, entendeu mocinha? Imediatamente.
Concordei levemente com a cabeça, ainda rindo baixo no instante em que o garoto me puxou com mais força que o necessário, guiando-me pelo tão conhecido caminho da enfermaria.
Havia sido transferida para Williamette á aproximadamente três meses atrás, e nesses poucos três meses já havia ido tantas vezes a enfermaria que Sra. Hellman, enfermeira encarregada de nosso colégio, já estava acostumada a fazer curativos e dar sermões como uma mãe preocupada, se é que ela era sequer mãe. Ou casada. Mas não iríamos comentar isso em voz alta.
— Bom dia, Sra. Hellms!
Cumprimentei sendo praticamente despejada pelo rapaz dentro do grande cômodo branco aonde cerca de 4 camas igualmente brancas estavam dispostas simetricamente, juntamente com uma mesa de ferro aonde a mulher encontrava-se.
A senhora de madeixas castanhas com alguns fios grisalhos e grandes óculos de grau com armação vermelho-escura lançou-me um olhar reprovador.
— Olá, de novo, Senhorita Stone.
— Ah, qual é, já somos íntimas, Sra. Hellms! Pode me chamar apenas de Luce, você sabe, não é?
Sorri, tinha quase certeza que meus dentes brancos estavam completamente manchados de vermelho, pois no instante em que viu, o rosto da mulher automaticamente perdeu um pouco sua cor.
— O que você aprontou dessa vez, Lucille?
— Ah... então... É complicado.
Se complicado explicasse suficientemente bem o fato de eu ter dedado descaradamente o local aonde Emory fumava com seus amiguinhos descolados para o regente da escola.
— Sente aqui, venha.
— Então você dedou a garota para o Sr. Williamette e ela descobriu, é isso?
Hellman suspirou exasperada, passando cuidadosamente o remédio sobre meu lábio superior agora visivelmente inchado.
Passei distraidamente meus dedos sobre o punho o qual havia acertado o rosto de Emory, me lembrando da sensação gratificante do soco desferido contra a loira.
— Você sabe que ela tem essa perseguição completamente doida comigo desde o dia que coloquei os pés nesse colégio, Hellms. É literalmente um inferno na terra, e ela é o capeta. Sério, tipo, com chifrinhos e tudo.
A mulher riu baixo, balançando a cabeça incrédula esperando que entendesse minha mão machucada para que fizesse o curativo. E assim fiz, vendo as marcas arroxeadas serem rapidamente cobertas pelo remédio e enroladas meticulosamente com uma gaze levemente amarelada.
— Se sua mãe continuar a receber notícias suas a cada duas semanas com um ferimento diferente, senhorita Lucille, é capaz de te amarrar com uma camisa de força.
Fiz uma careta para a mínima possibilidade, lembrando-me dos olhos penosos e irados da minha progenitora quando fui convidada a me retirar do último colégio em que havia sido matriculada.
— Você sabe que eu odeio que me chamem de Lucille, não é? Faz isso de propósito?
— Talvez...
Riu, batendo levemente com o indicador em minha testa, levantando-se para anotar novamente o famoso "veredito" em minha pasta de ocorrências de Williamette.
— Eu realmente tenho que ir pra sala do diretor?
Gemi exasperada, conferindo meu reflexo repleto de hematomas na janela próxima a cama em que me encontrava, vislumbrando um vulto pálido que rapidamente passou em meio as árvores do bosque que circulava toda a extensão do Colégio.
— Você já sabe a resposta, mocinha.
Bufei, jogando-me novamente na cama de lençóis brancos da enfermaria. Não se eu puder evitar, Senhora Hellman, não se eu puder evitar.
*
Em meio as extensas e escuras árvores do bosque circundante ao Colégio Frances Williamette, um jovem rapaz, aparentando ter não mais de seus dezenove anos, podendo-se passar tranquilamente por um dos estudantes do Colégio, escutava atentamente a conversa da morena com a enfermeira, a expressão séria e assustadora parecendo endurecer a cada palavra trocada.
Embora claramente aparentasse jovialidade, o rapaz esquio, de pele mortalmente pálida e olhos negros como a própria noite, havia visto o nascimento de cada uma das terras hoje existentes no mundo. Viu cada uma das grandes guerras e impérios romperem, participando o próprio de várias delas.
Mas agora estava acabado.
Seu temível e irritante destino havia sido encontrado.
E ele estava pronto para muda-lo.
Notas finais
??” E ENTÃO GALERA o que acharam da nossa personagem principal? Como acha que será o desenrolar da história?
Espero que tenham achado interessante
XOXO
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