O inverno na Itália não era rigoroso, mas era bem frio. Carly Shay usava dois casacos grandes, luvas nem um pouco bonitas e uma calça enorme, mas mesmo assim sentia um pouco de frio.

Era o dia vinte de dezembro e Carly nunca havia se sentido mais solitária. Havia se mudado para Itália com o pai há mais de um ano e não podia estar mais feliz. Em junho do ano seguinte se formaria no ensino médio e ainda não havia decidido se faria faculdade nos EUA ou na Itália, mas já havia decidido que faria de jornalismo.

Ela estava adorando morar com o pai, mas às vezes sentia falta dos amigos.

Carly estava olhando fotografias antigas dos amigos no quarto. Em uma era durante a festa do chapéu doido. Eles eram tão pequenininhos naquela época. Ela sentia tanta saudade de todos. De Spencer, de Sam, de Freddie, de Gibby... Pensando alto ela falou:

— Que saudades deles... — ela pensou que estava sozinha em seu quarto, mas na verdade Steven, seu pai, estava entrando em seu quarto no momento que ela disse ele e se sentiu culpado. Ela não o viu, pois estava de costas, então ele saiu.

Ele sabia que Carly era feliz. Ela gostava da Itália. Ela gostava do colégio militar e do fato de que graças ao colégio ela poderia escolher a faculdade que iria a dedo. Ela gostava do italianos. Ela gostava de estar com o pai.

Mas, sentia falta dos amigos.

Steven então teve uma ideia. Em alguns dias seria o natal. E talvez o pedido de Carly se realizaria ainda naquela semana.

•••

Na noite seguinte, Carly e Steven jantavam em silencio. Até ele puxar assunto.

— Então, Carly... O natal está chegando. — ela sorriu e assentiu. — Tem algum pedido? — ela suspirou. Não sabia se devia falar com ele sobre isso. Parecia indelicado falar que queria passar um feriado em outro continente.

— Nada em especial.

— Nada mesmo? Nem talvez uma viagem? — Carly ficou confusa. Semicerrou os olhos e inclinou levemente a cabeça.

— Viagem?

— É. Eu estava pensando que talvez... Talvez você gostaria de passar o natal com seus amigos em Seattle. — o rosto de Carly se iluminou. Seu sorriso já normalmente grande aumentou e suas sobrancelhas se levantaram em surpresa.

— Sério?

— Sim. Já comprei a sua passagem para o dia vinte e quatro. E a de volta para o dia vinte e oito.

— Ai, meu Deus, pai! Eu te amo tanto! — disse sorrindo de orelha a orelha. — Tenho de ligar agora mesmo para Spencer e...

— Espere. Termine seu jantar. Você está muito magrinha, filha. — nem mesmo esse comentário abalou a felicidade de Carly.

— Certo, pai! — disse animadamente.

•••

Mais tarde, Carly ligou para Spencer.

Alô? — perguntou Spencer. Em Seattle era em torno de uma da tarde, enquanto na Itália eram quase onze.

— Alô, Spencie!

Maninha? Nossa, como que você tá?

— Estou bem e melhor ainda!

Hã, como assim? Lerdei.

— Papai comprou passagens pra eu passar o natal com você! Estou indo aí dia vinte e quatro! — disse Carly saltitante. Spencer largou os objetos da escultura que fazia na hora. Estava felicíssimo.

Sério?

— Sério! — Carly deu um gritinho de felicidade e Spencer a acompanhou. — Por favor, chame a Sam, o Freddie e o Gibby também. Estou morrendo de saudades deles! Mas, não conte que eu estou vindo! Quero fazer uma surpresa...

Freddie e Gibby vão ser fácil de convencer, mas a Sam... Ela está em Los Angeles, você sabe.

— Aaah, por favor.

Tá, vou fazer o meu melhor. — disse sem emoção. Sabia que seria difícil trazer a loirinha teimosa sem estragar a surpresa, mas o quê não fazia pela irmã? — Eu te pego no aeroporto que horas?

— Devo chegar oito, nove horas da noite.

Então até lá!

— Até! — disse e desligou. Estava animada demais para dormir, porém certamente tentaria.

•••

No dia vinte e quatro de dezembro, Carly chegou em Seattle as oito e dois da noite. Spencer já a esperava do lado de uma mulher alta e loira.

— Carly!

— Spencer! — disse ela correndo em direção a ele. Eles se abraçaram como não faziam a um bom tempo. Finalmente depois de um ano estavam de frente um para o outro pessoalmente e não por skype em horários extremamente difíceis de serem combinados.

— Nossa, você está diferente!

— Mais bonita?

— Como sempre foi, mana. — Carly corou de felicidade. — Ah, eu já te falei da... — disse Spencer se lembrando da namorada ao lado. Ela se levantou. Era realmente alta apenas uns cinco centímetros mais baixa que Spencer.

— Ellen? Acho que sim.

— Sou a Chris. — corrigiu a loira. Carly sentiu vergonha.

— Ah...

— Terminei com a Ellen há dez meses. Foi quando conheci a Chris... — disse Spencer com um brilho especial no olhar. Carly sorriu. Era o primeiro grande namoro do irmão. Talvez Chris fosse especial.

— O pessoal...? — perguntou Carly.

— Todos confirmaram, até mesmo a loirinha marrenta. Sério, foi muito difícil convencê-la, Carly. — disse Spencer pegando as malas de Carly. A morena por sua vez só pegou uma mochila marrom.

— Você deveria ter dito que tinha arranjado um bolo gordo canadense. — sugeriu Carly. Spencer parou para pensar.

— Droga! É verdade. Assim o mais difícil de se convencer seria o Freddie (porque teve que pedir pra mãe dele, sabe como é) já que o Gibby foi só falar "Oi, cara" que ele já respondeu "Pode crer, vou ceiar com você, cara!". — Carly riu. Era bom estar de novo com seu irmão. Mesmo que só por alguns dias.

•••

Eles chegaram no Bushwell as oito e vinte e seis. As oito e trinta e quatro, a campainha tocou. Carly foi atender, não sem antes ver no olho mágico que era...

— ...Gibby! — gritou ela de felicidade ao abrir a porta. Gibby, que usava suas costumeiras roupas estranhas de sempre, se surpreendeu ao vê-la.

— Oh, Deus! Carly?

— Não, Joana.

— Sério? Nossa, você me lembra muito à uma amig...

— É claro que sou eu! — gritou sem paciência. Porque Carly sem surto não é Carly.

— Eu quem? — perguntou Gibby confuso.

— Carly!

— Ah! — ele sorriu e eles se abraçaram. Depois entraram e fecharam a porta.

— Como você está?

— Bem... Indo né? Estou bem. E a minha outra cabeça também, obrigado por perguntar, sabe.

— E a Tasha?

— O de sempre. Ainda firme e forte. Bem, nem tão forte. Ela pediu exclusividade, mas sabe como é né. — Carly abaixou as sobrancelhas.

— Não, não sei. — nessa hora alguém tocou a campainha. — Spencer, atenda! — disse e entrou no quarto de Spencer para se esconder. Este bufou e parou de ajudar Chris na preparação da ceia natalina para atender a porta. Deu de cara com Freddie e fez uma careta.

— Cara, que suéter horrível. — Freddie assentiu.

— Minha mãe quem fez.

— Deveria ter imaginado. — disse e foi em direção a cozinha novamente. Freddie entrou e fechou a porta.

— Oi, Gibby.

— Oi, Freddie! Que suéter horrível. — disse animadamente feliz. — A Carly se escondeu no quarto do Spencer! — Carly saiu do quarto com raiva.

— Gibby! — se virou para Freddie e forçou um sorriso porque estava com raiva por não tê-lo surpreendido. — Oooi, Freddie! — Freddie sorriu.

— Carly! — disse e ambos se abraçaram. Carly temia em segredo que graças ao beijo de despedida as coisas ficariam estranhas entre ela e Freddie. Que ele não entenderia que foi só algo para concluir de uma vez por todas as coisas entre os dois e não porque ela "finalmente" havia correspondido ao amor dele. Mas, ao sentir o abraço dele sem segundas intenções viu que ele sabia que não havia significado algo romântico. — Nossa, quanto tempo! Como que você está?

— Bem! O colégio militar é bem puxado, mas tem muita gente legal e uns carinhas legais daquele jeito. E você?

— Ah, o de sempre. Notas altas, academia dando resultado, minha mãe me fazendo passar vergonha tipo esse suéter... — disse e Carly concordou. — ..., nenhuma garota em especial. Só.

— É, esse suéter é realmente horrível. — concordou animada com a desgraça dele. Todos estavam. — Foi difícil convencê-la a te deixar vir a ceia?

— Pff. Mas, é claro. Ela fez a ceia dela mais cedo e me obrigou a comer tudo com ela. Nem te conto do amigo secreto que só tinha nós dois. — disse ele com raiva. É claro que não mencionou que tinha que estar em casa quinze pra uma.

— Sério? Se quiser nem precisa comer a nossa, só a sua companhia já basta.

— Qual é. A que a minha mãe fez não enche ninguém. Eu quero uma ceia de verdade, não uma ceia sem nada gorduroso, frito, assado ou sei lá mais o quê que não é bom pra saúde. — Nessa hora a campainha toca.

— Ajam naturalmente! — disse Carly sentando no sofá junto com Freddie. Gibby foi atender.

— Spencer, eu acho bom que o Meião realmente tenha achado um peru do tamanho daquela abóbora de Halloween porque... Ah, oi Gibby*. — disse Sam. Ao ouvir a voz dela, Freddie virou a cabeça pra vê-la. Ela estava linda, ao menos na opinião dele. — Oi, Freddoente. — disse com uma pitadinha de raiva. E uma felicidade escondida beeeem no fundo do coração. Franziu o cenho. — Que raio de suéter é esse Freddie? Oi, Carly. — disse normalmente indo em direção a cozinha até ter se dado conta do quê havia visto. Andou "de ré" rapidamente e se virou calculadamente. Arregalou os olhos.

— Oi. — disse Carly normalmente como se não tivesse importância.

— Ca... Carly?

— Sim, sa-sam. — disse Carly se levantando e a zoando. Sam correu e a abraçou.

— Meu Deus, isso é melhor que o peru! — disse ainda abraçada.

— Que bom que disse isso! — falou Spencer aliviado. Detestava mentir.

— Pera, quer dizer que não tem peru grande? — perguntou Sam se virando para Spencer com um olhar maligno. Ele engoliu a seco.

— Vou providenciar.

•••

Depois de convencer Sam que foi uma boa mentira da parte de Spencer e que não daria tempo de conseguir o peru prometido, eles conseguiram conversar um pouco mais. Como ninguém sabia que Carly estaria ali, decidiram trocar presentes no dia vinte e oito que era o último dia de Carly em Seattle.

A meia noite comeram a ceia. Sam comeu a maior parte, além de ter derramado um pouco a de Freddie nele mesmo "sem querer". Carly comentou com Spencer baixinho:

— Algumas coisas nunca mudam. — disse ela.

— É verdade, esses dois continuam se gostando. — disse Spencer como se fosse óbvio. Carly se virou para ele.

— Você acha?

— Ah, mas é claro. Quero dizer acho que o Freddie passou por um período de dúvida quando o Gibby abriu aquele restaurante no porão, mas quando as duas foram embora era evidente que ele ainda gostava da Sam. — Carly tentou não levar pro lado pessoal e acabou se sentindo um pouco feliz pelos amigos. Afinal, se ambos ainda se gostavam já era um passo. Talvez um milagre de natal poderia uni-los. Talvez.

Em meio a várias conversas paralelas, Sam e Freddie tinham a deles mesmos.

— Certo, nerd, eu realmente não te entendo. — disse ela do nada. Freddie franziu as sobrancelhas.

— Como assim não entende? Eu estava falando apenas do quê que esse suéter estúpido é feito. — Sam abaixou as sobrancelhas e trincou o maxilar. Deu um peteleco nele. — AI!

— Não é disso que eu to falando! Eu to falando do fato de que depois que você saiu do hospital não me ligou para marcar nada, cabeçudo.

— Eu pensei que você ligaria, então eu esperei, esperei, esperei... E nada.

— Não! Eu te convidei a me convidar! É diferente, quer dizer que você que tem que me ligar! — Freddie parecia confuso. Ele estava lerdando, como sempre.

— Você é... Confusa.

— E você é um panaca. — Freddie realmente não estava com cabeça pra briguinhas idiotas. Qual é, era natal.

— Certo, certo, certo. Houve um mal entendido, vamos deixar de ser orgulhosos e vamos ser mais comunicativos da próxima vez, mas... É natal. A gente marca algo essa semana mesmo. — Sam continuou o encarando feio. — Me desculpa. — disse ele e deu seu adorável sorriso de canto. Sam não conseguiu dizer não. E se odiou um pouco por isso.

— Tá. — disse reprimindo um sorriso. Estava ansiando pelo encontro há meses. — A propósito... Freddie, Gibby. Vocês dois estão de baixo de um visco. — disse. Freddie e Gibby (que conversava com Chris sobre a ceia) olharam pra cima e viram o visco. Gibby deu de ombros.

— AH, NÃO! NEM VEM CARA! — gritou Freddie. Sam estava morrendo de rir.

— Se a gente não fizer isso dá azar. — Freddie fechou a cara e bufou. Jogou um beijo no ar pra Gibby.

— Se isso não bastar, que venha o azar.

— Garotos, tem um quarto bem ali. — zoou Chris. Carly e Spencer riram, enquanto Sam gargalhava e Freddie e Gibby fecharam a cara.

•••

Depois que finalmente enjoaram da piada, Carly puxou Sam e Freddie para falar com eles.

— Eu estava pensando e talvez a gente devesse fazer um episódio de iCarly enquanto eu estou aqui, quero dizer, nós dissemos aos fãs que ainda não havíamos acabado de vez com o show. — Sam e Freddie concordaram.

— Que boa ideia!

— Mas, é claro! — os dois trocaram um olhar. — Desde que não seja no dia vinte e seis. — disse Freddie e Sam concordou. Carly os olhou sem entender.

— Por quê não no dia vinte e seis?

— É que... A gente... Combinou umas coisas... — falou Sam.

— Éééé... — disse Freddie. Carly levantou o queixo desconfiada e perguntou:

— Vocês vão ir num restaurante de carne e depois vão ficar se pegando por aí de novo, não vão? — Sam e Freddie concordaram na hora.

— Sim.

— Precisamente. — Carly sorriu.

— Awn! Eu fico tão feliz por vocês! É um milagre de natal! Se bem que... Os tempos de namoro de vocês não foram muito bons pra mim. — comentou Carly, mas deu de ombros. — Nah, mas eu vou estar na Itália, logo quem se importa? — disse e abraçou os dois.

No fundo talvez realmente aja uma magia do natal que une as pessoas. Ou talvez sejam os presentes. Certo, definitivamente são os presentes.

*Ouvi dizer que tem um episódio que o Gibby aparece em Sam&Cat. Eu não vi. Ignorem-o.

Notas finais
E aí? Bem docinha. Carly é uma personagem fofa, mas deixaram ela sem sal a partir da season 2 e ela ficou meio nojentinha na season final (nem vou comentar o beijo creddie), mas apesar de tudo eu gosto da ideia da personagem, então eu gosto um pouco dela. Só não a entendo. Quer dizer, se o Freddie gostasse de mim eu daria uma chance pra ele sem nem pestanejar. Pff. Nathan Kress era gato até mesmo na season 1 (certo, nessa era só gatinho, mas já dava pro gasto).
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!