Christmas Stops
1 A Senhora da Bolsa
Notas iniciais
Ela limpou o suor da testa. Não podia se desconcentrar naquele momento.
Desenrolar aquelas luzinhas de Natal realmente não era uma tarefa para qualquer um. Ainda mais na véspera de Natal. Além de exigir paciência (muita paciência), precisava-se de um nível de concentração absurdo para não se perder do fio onde estava.
Por que ela tinha que deixar tudo para a última hora?
– Mas que... AI! – gritou Lola, sacudindo a mão que acabara de entrar em contato com a luz quente que seu irmão ligara.
O que no momento ria descontroladamente feito uma hiena.
– Que droga, Colin, o que eu te fiz? – reclamou a garota, se levantando bruscamente e arrancando fora a tomada que ligava as luzinhas.
– Me fez derrubar a árvore naquela hora – o irmão um ano mais velho respondeu prontamente. – Se lembra? Eu estava colocando as bolas de Natal que a gente esqueceu que estava na caixa, você amarrou o fio das luzinhas de Natal no meu pé e saiu puxando.
A lembrança a fez soltar uma risada.
– Deus, como aquele troço é resistente.
– Eu sei, irmão, eu sei – Lola deu um tapinha nas costas do irmão e voltou a desembaraçar as luzinhas.
Quase meia hora depois, ela havia terminado.
– Mãe, vou lá fora pendurar as luzes! – berrou a menina dos cabelos castanhos.
– Você já colocou as botas? – ela berrou em resposta.
– Mãe, eu estou com elas desde que você me mandou colocá-las À DOIS MINUTOS ATRÁS! – respondeu. – MÃE, SE VOCÊ NÃO TEM ALZHEIMER, EU NÃO SEI O QUE VOCÊ TEM.
Logo, com o sinal verde da mãe, Lola foi até a fachada da casa com a caixa onde as luzinhas estavam nas mãos. Foi na garagem pegar uma escada, já que o telhado não era exatamente baixo. E assim, fez. Colocou as luzinhas e admirou o resultado. As luzinhas coloridas eram as que ficavam mais bonitinhas. Já tendo terminado o que deveria fazer, voltou para a garagem a fim de guardar a escada e a caixa vazia. Quando estava lá dentro, viu que uma senhora passava pela calçada, com uma cesta nas mãos trêmulas e uma bolsa pendendo do ombro.
E então seus olhos se cruzaram e a menina arqueou a sobrancelha. “Por que aquela velha está me olhando?” – pensou.
E, tão rapidamente como surgiu, a mulher saiu correndo, e sua bolsa caiu, mas não o cesto, que ela segurava com força. Lola, em seguida, pegou a bolsa e começou a correr atrás dela.
– Por que está correndo, senhora? – gritou. A mulher olhou para trás e apressou ainda mais o passo. – Senhora? Senhora? SENHORA VOLTA AQUI PELO AMOR DE DEUS!
A idosa pegou um desvio e entrou em um bosque. Para uma pessoa que já devia ter lá seus setenta anos, aquela ali corria muito.
– Saia daqui! – gritou ela.
– SENHORA, VOCÊ PERDEU A BOLSA, SENHORA – gritou Lola de volta.
E, saindo do bosque, (o que aliviou Lola do pensamento de a mulher ser uma bruxa má que sequestrava garotas de 16 anos na véspera de Natal) a desconhecida entrou em uma rua completamente decorada e iluminada de enfeites natalinos e entrou em um dos prédios que seguiam o modelo francês. Pegou a escada que a deixou no primeiro andar e, quando estava prestes a entrar em casa, a senhora finalmente se virou para ela.
– O que quer? – perguntou rispidamente, mas seu medo era visível.
A jovem respondeu como se estivesse falando com uma criança de cinco anos:
– Bolsa – apontou para a bolsa, e depois para a mulher – Você.
Quando a idosa estendeu a mão para pegá-la, a menina a afastou de seu alcance.
– Você – ela novamente, com o dedo, indicou a senhora. – Correr que nem uma condenada. Eu – apontou para si – Não conseguir devolver para...
– Me dá isso aqui.
E então, quando estava prestes a entrar em casa, a menina finalmente perguntou:
– Por que estava correndo tanto?
Ela hesitou, mas depois se virou para ela.
– Sinto muito por ter fugido, garota. Quer entrar e comer uns biscoitos?
Ela era uma desconhecida.
Sabe-se lá o que poderia acontecer.
Mas a velha parecia simpática.
E poxa, eram biscoitos.
– Pode ser.
E assim entraram. A primeira coisa que Lola notou era que a casa era tão antiga quanto o prédio parecia ser. E a segunda foi o rápido cheiro de biscoitos assando saindo da cozinha. A terceira foi que a senhora já estava sentada em uma das poltronas, aguardando que se sentasse também.
Ela se sentou e permitiu-se relaxar. Qualquer coisa, tinha feito aulas de karatê.
– Por que estava tão assustada na véspera de Natal? – resolveu finalmente perguntar, pegando um biscoito e, em vez de comer, começou a brincar com as gotas de chocolate.
– Não estou acostumada a falar com pessoas, principalmente crianças – Lola engoliu o “crianças”, antes que armasse o barraco. – Geralmente eu vivo isolada do mundo. Dificilmente converso com as pessoas, e com o passar do tempo, fui me acostumando a isso.
– Mas isso é horrível! – exclamou a garota. – Senhora, estamos na véspera de Natal, e Natal é um tempo de união e amor! Não de se isolar!
– Compreendo. – respondeu, e levantou o olhar para o teto, com um sorriso esperançoso. – Meu sonho é me socializar com as pessoas. Não estou desesperada por isso, mas, é tediante viver sozinha. Gosto de crianças, de alegrá-las. Também gosto de ajudar a quem posso. Quero realizar tudo isso um dia.
A boca de Lola se contorceu em um sorriso travesso.
– Um dia, é? Por que não hoje?
A senhora suspirou.
– Entendo, menina. Mas não podemos fazer nada com relação a isso. Você mesmo precisa voltar para sua família e eu, para o meu canto.
– Assim como eu não sou mais uma criança a senhora não pode ser tão pessimista. – respondeu a menina, e acrescentou fazendo uma careta: – Eu não corri quase dois quilômetros gritando “SENHORA, SENHORA” para você me dizer isso.
Ela reprimiu um sorriso.
– Maria. Meu nome é Maria.
A jovem sorriu.
– Lola. Mas agora vamos resolver o seu problema e realizar o seu sonho, e o Natal é a melhor época pra isso. – ela se levantou com um sobressalto e olhou a hora. Ainda estava cedo.
– O que quer dizer?
– Antes que eu me esqueça... A senhora por acaso teria 200 dólares para me emprestar?
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