Christmas Stops
3 A Luz da Felicidade
Notas iniciais
– Alô? – perguntou Lola, aflita. Já havia desfrutado da ceia com sua família fazia algum tempo, e ela estimava que era o suficiente para que Dona Maria já estivesse em casa. – Dona Maria?
– Olá, querida! – recebeu em resposta uma voz animada, o que a fez soltar um suspiro de alívio. Ela tinha chegado em casa em segurança. Ela estava bem! – Feliz Natal!
– Feliz Natal pra você também, vovó! – a menina sorriu. – Que bom que está bem, eu fiquei preocupada.
Maria assentiu, e depois de algum pouco tempo, Lola desligou, alegando que ainda precisava escovar os dentes. Após feito, deitou em sua cama e começou a refletir sobre o dia. Quem diria que uma velhinha que corria mais do que um profissional se tornaria alguém tão próxima em poucas horas! E também havia Alex. Seu jeito fofo e inocente, além de seus discretos e lindos olhos azuis iam e voltavam em sua mente.
Deus, como ele era bonito.
Era nisso que estava pensando quando sua música favorita tocou no celular e ela revirou a cama para tentar atender à ligação, já que tal música era o seu toque.
– Alô?
– Lola? Feliz Natal!
Era a voz de Alex. Mas como ele descobriu seu telefone, já que foi o próprio que entregou seu número para ela, e não o contrário?
– Feliz Natal. Como descobriu meu telefone?
– Meu amigo te conhece, o James, ele contou que é um de seus melhores amigos. – contou ele. – Aí ele me passou.
– Ah, okay.
– E desculpa te ligar tão tarde – ele parecia sem graça. – Quer dizer, são quase duas da manhã e..
– Não precisa se preocupar com isso, Alex. – Lola soltou uma risada – Eu sempre vou dormir tarde, mesmo.
– Somos dois. Ei, aquele papo de “marcar alguma coisa um dia desses ainda está de pé?”
– Claro.
– Certo. Topa dar um passeio por aquele jardim perto do centro da cidade? Leve uma amiga, eu levarei o James.
Ela notou que ele estava tentando não deixar a coisa oficializada como um encontro. Não era o que ela queria, também, constando que haviam acabado de se conhecer. Sendo assim, deu força:
– Pode ser. Vou levar minha melhor amiga, a Elise.
– Elise? – perguntou Alex. – O James fala de uma Elise aí. Disse que está meio afim dela.
– ELE ESTÁ O QUÊ? – berrou Lola, logo depois cobrindo a boca. Com certeza a vizinha apareceria por lá para tirar satisfações. E ninguém se atreveria a bater de frente com aquela vizinha. – Meu Deus! A Liz também fala de estar afim dele!
– Sério? – ele riu. – Vamos bancar o cupido nesse passeio.
E assim ficaram conversando. Quando Alex desligou, Lola agarrou o celular e apertou em “ligar.” E não era para Elise.
– Dona Maria! DONA MARIA, VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR NO QUE ACONTECEU!
– Menina, tem ideia de que horas são? – ouviu a voz sonolenta e, ao mesmo tempo despertada de susto de Dona Maria do outro lado da linha. – Não fique gritando assim!
– Desculpa, desculpa. É que aquele Alex, ele me chamou para um encontro! Quer dizer, não um encontro oficializado e tudo, mas... Ainda sim, dava a entender que era um encontro, só que com mais gente! Eu e ele vamos ter que bancar o cupido e... – Lola tagarelava, quase tropeçando nas próprias palavras de tão animada que estava. – Dona Maria, você está me ouvindo?
– Sim, querida. – respondeu pacientemente a senhora. – Mas não acha que está indo rápido demais? Você o conheceu hoje.
– Eu sei que não estamos em um filme da Disney, vovó. – disse a menina. – Mas vamos sair em grupo, e eu conheço o pessoal que vai, somente ele que não conheço bem ainda.
– Olha lá, hein...
– Pode deixar, vovó – Lola riu. – Vai dar tudo certo.
– Tudo bem, então. – Maria sorriu.
– Dona Maria, eu preciso desligar. – Lola afastou o celular e olhou a hora. 03:15. Caramba. – Já está tarde.
– Eu ia lhe dizer a mesma coisa. – a mulher riu. – Mas antes, preciso contar uma coisa. Na verdade, agradecer. Menina, como eu era sozinha antes de te conhecer. E hoje, você realizou o meu maior sonho. Interagi com crianças, dei presentes a elas, contei um pouco da minha história. Ajudei necessitados. Senti-me amada, tanto pelos pequenos tantos pelos que ajudei. Senti-me tão bem, tão viva para quem já passou dos setenta! E, além de tudo isso... fiz uma amiga. Você, querida. Uma amiga que me trouxe tudo isso. Você é a luz da felicidade, Lola. Fico feliz em tê-la conhecido.
Lola estava sem palavras, e deixou simplesmente as lágrimas rolarem. Era verdade, desde que se conheceram tratou Maria como uma melhor amiga. Respeitou-a, entendeu-a, amou-a. Como se já a conhecesse a muito tempo.
– Puxa, vovó... – sua voz saiu tremida por causa do choro. Ela estava tão emocionada quanto a própria senhora. – Eu que agradeço. Foi a melhor véspera de Natal que já tive.
– O que acha de fazermos o mesmo ano que vem? – Maria brincou.
– Talvez. – Lola riu. – Ano que vem quero que passe o Natal aqui, comigo, entendeu?
– Claro, querida. Agora preciso desligar. Obrigada, Lola, por tudo. E feliz Natal.
– Feliz Natal pra você também, Maria.
E desligou.
Sentia-se tão bem, tão leve, tão feliz. Havia tocado aquela vida que se já pensava não ter mais jeito, e a ajudou a provar de quão boa é aquela felicidade que vem diretamente do coração. E foi assim que Lola dormiu, envolta em alegria e espírito natalino.
***
Três anos já havia se passado, e muitas coisas haviam mudado. Lola oficialmente namorava Alex. E Elise oficialmente namorava James. E Dona Maria oficialmente era sua vovó, visto que ela passava alguns Natais com a família de Lola e sua presença era muito bem-vinda.
As Cinco Paradas do Natal, nome dado às cinco coisas que Lola e Dona Maria fizeram na véspera daquele inesquecível Natal, acabou se tornando uma boa história para contar. Sendo relembrada todo Natal e contada milhares e milhares de vezes, outra coisa que também se tornou oficial nesse meio tempo era o quanto Lola era maluca. Mas o que era dito em alguns livros e filmes era o que a família toda concordava:
As melhores pessoas são assim.
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