Notas iniciais
Bom, pessoal, este é o último capítulo. Eu, Karla (K2 Phoenix) e a Alice ( MsMimiMarquez), gostaríamos de agradecer o carinho de cada review! Enfim, devo dizer que a responsável pela ideia da fic foi a Alice, mas eu fiquei imensamente feliz em ser convidada por ela para participar. Nossa, a gente combina tanto que dá até medo! rsrsrs Pensamos e escrevemos quase numa simbiose, por isso, vejo "Christmas night" como um verdadeiro presente de Natal dado por uma amiga querida. Espero que gostem deste cap., ele foi feito com muito carinho por nós! Bjus!

Finn piscou um pouco até acordar completamente. Estava ao lado de Rachel, o cabelo liso e longo dela espalhando-se sobre o travesseiro, sua respiração ainda em profundo sono.

Ele adorava contemplá-la dormindo. Seu semblante tranquilo, a paz no descanso... ele detestava ter que acordá-la, mas era preciso. Mesmo sendo véspera de Natal, eles tinham dois filhos pequenos, e era preciso estar de pé para toda a demanda que aquele dia exigiria: arrumar a casa para a ceia, prepará-la, ajeitar as crianças.

Era a primeira vez que eles recepcionariam uma ceia de Natal em sua própria casa em Nova York. Desde que tinham casado, há cinco anos, eles empreendiam uma viagem rumo à Lima, Ohio, mas naquele ano seria diferente. Blaine tinha tido uma forte gripe, e Kurt não quisera lhe deixar sozinho; com isso, já seriam duas baixas na ceia. Para ninguém perder a reunião familiar, e até com entusiasmo de turistas que se embeveciam com a graça nova-iorquina naquela época do ano, Burt e Carole decidiram desembarcar lá e deixar por conta de seus filhos e cônjuges a ceia.

–Amor... acorda.- Finn sussurrou no seu ouvido. Repetiu a ação mais uma vez até ela despertar, esfregando um pouco os olhos.

–Já tá na hora?- ela perguntou bocejando, os olhos ainda muito sonolentos.

–Sim. Mas os meninos não acordaram ainda.

–Hum, Julia acordou no meio da noite com fome, acho que ainda está numa soneca gostosa, mas o Chris...

Enquanto Rachel falava, Finn a enlaçava pela cintura e dava pequenos e perdidos beijos em seus ombros, distraído no carinho matinal.

–O que tem ele?

– Nossa, deve estar numa excitação imensa. Acredito que acorde já, já.

–Mas eu não entendo por quê...

–FINN HUDSON! – Rachel exclamou, aterrorizada, virando-se para o marido no alto da indignação. -Seu filho espera ganhar o Super Jack Power Turbo do Papai Noel!

Finn coçou a nuca, sem jeito:

–Eu esqueci de comprar, Rach.

–Quê?! – ela berrou de vez.

– Rachel, eu estava muito ocupado! – ele tentou se defender.- Eu tive muitas aulas, ensaios do coral para apresentações de Natal, provas teóricas para elaborar e corrigir...

Finn era professor em uma renomada escola de música em Nova York, e Rachel sabia que ultimamente sua rotina andava mesmo muito puxada:

– Por que você não me disse que não tinha tempo, Finn? Eu teria comprado.

– Mas você também anda tão ocupada... Rachel, ele nem tem quatro anos direito. Você acha que ele vai ligar se eu não comprar este bendito boneco?

–Claro que vai, Finn! Ou você quer que, com nem quatro anos direito, nosso filho já seja decepcionado pelo Papai Noel?

Finn suspirou profundamente. Ele não queria que seu filho, seu pequeno Christopher Adam Hudson, no auge dos seus imaturos quatro anos de idade, já começasse a suspeitar que Papai Noel era um velhinho salafrário que dava para seus coleguinhas o que eles queriam mas para ele, não.

–Ok, Rachel, vou dar um jeito nisso. – um Finn Hudson, disposto a lutar até o último boneco em véspera de Natal em todos os shoppings que tivesse que ir, levantou-se da cama e esticou seu 1,91 de altura numa grande espreguiçada. — Nenhum Papai Noel filho da mãe vai desiludir meu filho.

–Assim é que se fala!- Rachel pulou na cama, eufórica, pulando nos braços do marido.

{...}

Quarenta minutos depois, o pequeno Christopher estava postado à mesa, comendo seu cereal com leite enquanto seu pai fritava bacon e sua mãe já se esganiçava ao telefone com o tio Kurt , ambos ansiosos demais com a preparação da ceia.

O lindo menino saboreava seu café, e Finn reparou, parecia animado. Não tinha reclamado com a mãe por ter que tomar banho, e nem sobre aquele cereal cuja marca ele não gostava muito.

Fisicamente, seu cabelo era castanho mais escuro, da cor do de Rachel, mas ele era quase uma cópia de Finn, e pelo visto, ficaria tão alto como ele. Seus olhos eram do mesmo tom canela esverdeado e sobre seu pequeno nariz retilíneo e arrebitado (réplica do nariz do pai) pequenas sardas se estendiam. Seu sorriso também era o mesmo do pai, o clássico meio sorriso de lado, deixando aparecer duas covinhas na bochecha.

Finn olhava-o enternecido. Ainda lembrava muito claramente de quando Rachel anunciara que estava grávida, e depois, quando descobriram ser de um menino. A escolha pelo nome, o mesmo de seu pai, tinha sido rápida e de comum acordo; na verdade, o único cogitado. E ali estava ele, esperançoso, comendo cereal e de banho tomado sem reclamar, esperando avidamente para que a manhã de Natal chegasse e ele pudesse ganhar seu Super Jack Power Turbo.

– E aí, campeão.- Finn esfregou o cabelo do filho, arrepiando-o inteiro e sentando defronte a ele.- O que você pediu ao Papai Noel este ano?

– O Super Jack Power Turbo, papai.- o menino respondeu, sem nem pestanejar.

–Humm, bacana.- disse Finn. Pronto, agora ele tinha total certeza: ele não podia decepcioná-lo. Os olhinhos de Chris brilhavam, ele nem tinha hesitado em qual presente queria ganhar!

Alguns minutos depois, vestindo seu casaco, Finn deu um beijo em Rachel e nos filhos, por que a pequena Julia acabara de acordar e estava se contorcendo no colo da mãe, choramingando para pegar o telefone, e saiu, rumo ao destino dos pais desesperados para comprar o presente de última hora.


Finn estava se sentindo como o próprio Schwarzenegger em “Um Herói de Brinquedo” enquanto circulava o Upper West Side em busca do infame brinquedo que seu filho queria. Desviou da rua do Edifício Dakota como sempre fazia. Ele não se sentia bem passando em frente ao local onde Lennon viveu e foi assassinado, era o que sempre dizia. Ao virar uma esquina do bairro de Manhattan, ele se deparou com um repórter entrevistando pessoas às portas de uma das lojas de brinquedo mais famosas de toda a Ilha.

Ele tentou aproximar-se sem ser reconhecido, mas quando ouviu uma voz atrás de si, chamando-o pelo nome, ele viu que era tarde demais.

– Olha só quem encontramos na véspera de Natal!! – O repórter acenava animado para Finn. — Um dos mais conceituados mestres da Manhattan School of Music aqui em Nova York. Não podemos deixar passar a oportunidade, como estão os preparativos para a Ceia de Natal, Senhor Finn Hudson? A apresentação do coral hoje a noite no Rockfeller Center? Compras de última hora?

Finn coçou a cabeça, respirando o ar frio das ruas já cobertas de neve. Retirou as mãos do grande casaco escuro e esfregou-as antes de responder:

– Feliz Natal! – Ele disse, sorrindo ternamente para a câmera. – Eu darei sorte se conseguir encontrar um boneco que meu filho pediu para o Papai Noel. Todos os preparativos são por conta da minha esposa e do meu irmão, eles são bruxos nisso e o coral se apresentará as 23:00, seguindo o cronograma, esperamos todos por lá!

– Então desejamos muita sorte na sua jornada, Senhor Hudson. – O entrevistador deu-lhe um aperto de mão. – E não se esqueça de mandar os votos de felicidade de toda nossa equipe para nossa querida Rachel Hudson, Princesa da Broadway e de Nova York. Agora vamos para um intervalo e voltaremos no próximo bloco, dando a você, querido telespectador, os melhores lugares para cear, caso não queira ficar em casa ou visitar a família.

Finn aproveitou a oportunidade para sair à francesa, olhando o relógio, viu que ainda tinha tempo de conseguir comprar. o brinquedo, pegar a família para almoçar e a tarde ir ensaiar com seu amado coral.

O jovem professor havia preparado uma setlist que incluía uma versão mais agitada e moderna de My Christmas Present is you dos Skyliners, Someday At Christmas do Stevie Wonder, que possuía uma grande mensagem social e por fim uma redenção de It’s Christmas Once Again, uma música recente que ele havia descoberto após algumas idas à apresentações de corais no outrora boêmio Village. Ele estava confiante, pois, em seu íntimo sabia que seus alunos iriam arrasar. Eles já eram excelentes em apresentações pequenas, as apresentações de fim de ano era a chance deles mostrarem quanto potencial possuíam.

Embora estivesse ansioso para a apresentação de seus pupilos, ele ainda precisava encontrar o boneco da discórdia, caso contrário, ele não poderia aproveitar a apresentação, pois o pequeno Chris e uma nada amorosa Rachel Berry Hudson iam mata-lo antes que pudesse dizer uma única palavra. Ele sorriu pra si mesmo, pensando em como os anos que passou com Rachel o deixaram parecido com ela. Não que ele reclamasse – ele jamais reclamaria – mas era apenas engraçado como as coisas haviam discorrido. Após a noite juntos num motel à beira de estrada em Lima, eles haviam ficado sem se falar por mais alguns meses. Rachel estava profundamente envergonhada pelo ocorrido e Finn permitiria que ela tivesse seu espaço, demorou pouco tempo dai para que Finn se mudasse para Nova York e começasse a cursar Música e teoria musical na faculdade onde agora trabalhava. Inicialmente, ele morou com Santana, que se tornou sua grande amiga e braço direito com o tempo. Seus professores deram grande incentivo aos seus projetos e ele já havia dirigido corais, shows e até mesmo um musical na Broadway. Will Schuester em pessoa o indicou para a reitoria da Escola de Música onde ele agora trabalhava e ambos visitavam-se com frequência. Finn era, como não poderia ser diferente, padrinho da primeira filha de Will e Emma, Lily.

As coisas entre ele e Rachel começaram a entrar nos eixos de uma maneira nada tradicional.

Foi quando numa noite aleatória, Rachel chegou completamente embriagada no apartamento que ele dividia com Santana, dizendo que ele precisava deixá-la entrar, pois Brody a estava seguindo desde que ela saiu de uma festa da NYADA. Finn, na ocasião, não pensou duas vezes, antes de descer as escadas de casa, vestindo apenas a calça do pijama e pantufas e encontrou o estudante de artes dramáticas se escondendo atrás de uma árvore.

Após dar alguns socos há muito desejados no rosto cínico de Brody e de mandá-lo se afastar de Rachel pra sempre, ele voltou pra casa e Rachel dormiu em sua cama naquela noite, mesmo sem terem tido qualquer contato. Ela ainda estava fragilizada com a perseguição do ex namorado, depois disso eles estabeleceram novamente sua amizade até o Natal do mesmo ano, quando sob o visco, Rachel revelou “Eu te pedi novamente ao Papai Noel” e não havia nada que Finn pudesse fazer a não ser cumprir o pedido feito ao Bom Velhinho.

Nas prateleiras da loja, ele não conseguiu encontrar o boneco, quando perguntou a vendedora, ela respondeu-lhe que o boneco era um lançamento e estava sendo muito procurado e que o seu estoque havia acabado há dois dias, a vendedora também disse que Finn poderia encontrar diretamente com o fornecedor, mas para isso ele deveria dirigir até o Brooklyn.

Sabendo que não poderia ousar chegar em casa sem o presente do seu filho, ele passou no apartamento de Kurt e Blaine, pegando emprestado o carro do cunhado, já que para pegar o seu carro, ele levaria mais tempo e era esse tempo que ele não poderia perder.

Já estava entardecendo quando o jovem pai conseguiu encontrar o tal fornecedor mencionado e após um chá de cadeira de duas horas, ele tinha finalmente em mãos o todo poderoso Super Jack Power Turbo e um sorriso de orgulho enfeitava seu rosto. Aproveitou para comprar dois dvds, Elf e Love, Actually para levar de presente para Rachel, além de um bom vinho seco para Burt, que já havia se recuperado do câncer que o assolou há anos e era o melhor pai que Finn poderia ter. O rapaz não se esqueceu de levar também um quadro e um livro de decoração de interiores para Carole. Sua mãe vinha se especializando na área de design e jardinagem.

Ele chegou ao galpão onde ensaiava com o coral, desculpando-se pelo atraso e pedindo para que seus alunos dessem-lhe mais alguns minutos para que ele pudesse avisar sua esposa sobre seus imprevistos.

O telefone chamou algumas vezes, enquanto Finn escutava a trilha sonora de espera de Rachel, “People” de Funny Girl, ele sabia, já que como marido exemplar havia assistido a esse musical tantas vezes quanto a própria Streisand. Rachel assistia a Funny Girl sempre que ficava de TPM, era uma tradição, como também era uma tradição obrigar Finn a fazer-lhe companhia. Não era a toa que o toque do celular de sua esposa para chamadas dele era “My Man” do mesmo musical.

Rachel estava possessa com o marido. Finn sumira há horas e não dera notícias. A única informação que ela tivera é de que ele havia passado na casa do irmão e emprestado o carro de Blaine. Ela cortava os ingredientes para sua tradicional salada de peito de peru, quando ouviu seu telefone tocar e seu filho vir correndo para entregá-lo.

– FINN CHRISTOPHER HUDSON!!!!!!!!!!! – Ela berrou num tom de voz que assustaria toda Nova York. – ONDE DIABOS VOCÊ SE ENFIOU?? NÓS TEMOS QUE ESTAR NO ROCKEFELLER CENTER ÀS 23:00 E VOCÊ NÃO APARECEU COM O PRESENTE DO SEU FILHO!

– Eu sei, baby, eu sei. – Ele falou afastando o celular do ouvido para não ficar surdo. – Olha, não fique nervosa, eu consegui o Jack, mas não conte nada ao Chris, por favor. Eu quero entregar pessoalmente e fazer um surpresa. Eu vim direto pro Galpão, dar uma força pro pessoal. É a primeira vez dessa turma no Rockfeller, ok? Nós nos vemos aqui daqui a pouco. Te amo.

Rachel desligou o telefone, mordendo o lábio inferior, ela estava contente com as dádivas que a vida havia lhe dado. Quando ela era apenas uma garota sem amigos, que lutava pelos solos no Glee Club, nem em seus sonhos mais loucos ela poderia imaginar que estaria casada com Finn Hudson, mãe de dois filhos maravilhosos, na cidade que amava e sendo uma das atrizes mais bem sucedidas nos palcos da Broadway. Tudo o que ela almejava tinha se concretizado, ela não poderia estar mais feliz.

Rachel ainda esperou Carole e Burt chegarem para que pudessem ir todos juntos. Ela vestira ambos os filhos em roupas esporte-fino. O pequeno Christopher usava uma gravata borboleta, presente de Blaine do último aniversário e Julia trajava um vestido vermelho com bolinhas brancas, no estilo retrô que sua mãe ainda era adepta.

Rachel e o resto da família já estavam posicionados em campo aberto e um grande palco estava montado com a orquestra e banda que arrumavam seus instrumentos.

Sem que o resto da família percebesse, Rachel contornou o palco e encontrou o marido, todo preocupado, dando as últimas coordenadas aos seus alunos.

– Hey, Rach, já estão todos aqui. – Ele recebeu-a com um beijo leve.

– Estão sim, Finn, eu só vim aqui desejar boa sorte e também te dizer que...

Antes que ela concluísse, alguns alunos de Finn a puxaram para um lado e outros fizeram o mesmo com o professor, que olhava embasbacado, tentando entender o que estava acontecendo.

Quando Finn já estava longe, seus alunos tomaram a palavra explicando que ele tinha sido um grande mestre o ano todo, mas que agora era sua vez de ser homenageado e como ele sempre dizia “o trabalho de um professor só está completo quando seus alunos não precisam mais dele” e por isso, eles queriam prestar uma singela homenagem para o maior mestre de todos... O que os havia ensinado a andar com suas próprias pernas. Por isso, explicaram eles, Finn deveria ficar no público comum, em vez de se posicionar ao lado do palco como de costume.

Do outro lado, algumas alunas de Finn explicavam a Rachel o que ela deveria fazer.

Hora do show.

A banda deu os acordes iniciais pra canção de Stevie Wonder, a primeira da setlist que Finn fizera. O coral se posicionara no palco. Eles vestiam roupas simples e cantavam com emoção. Um rapaz negro, de feições serenas, tomou o vocal principal.


Algum dia, em um Natal,

Homens não serão meninos,

Brincando com bombas, como brincam com bonecos

Em um Natal caloroso, nós veremos

Um mundo onde os homens são livres


O peito de Finn se enchia de orgulho conforme as vozes se juntavam ao coro da canção. Era um dos momentos mais belos de sua carreira e ele sentia as lágrimas escorrem pelas maçãs do seu rosto, enquanto Carole apertava sua mão e Kurt segurava Julia no colo, cantarolando com a sobrinha.



Algum dia, em um Natal, nós veremos uma Terra

Sem crianças famintas, sem mãos vazias

Uma feliz manhã as pessoas irão compartilhar

Nosso mundo onde as pessoas se importam



– Você merece tudo isso, Finn! – Burt apoiou a mão em seu ombro.

Finn sorriu para o padrasto, antes de abraçá-lo.

Algum dia, em um Natal, não haverão lágrimas

Todos os homens em igualdade e sem medo

Um momento brilhante, a uma prece de distância

Do nosso mundo de hoje

–Eu sempre soube que você estava destinado a grandes coisas, irmão. – Kurt aproximou-se dele, entregando-lhe a pequena Julia, que ao se aconchegar aos braços do pai, sorriu. – Eu nunca duvidei disso.


Algum dia, no Natal, homens não falharão

O ódio terá ido embora e o amor prevalecerá

Algum dia, um novo mundo que nós podemos começar

Com esperança em cada coração



O coro se juntava ao centro do palco para cantar o último verso da canção e ser aplaudido por uma calorosa audiência.

A música a seguir foi “It’s Christmas Once Again”, um solo de uma das alunas mais aplicadas do Manhattan School of Music e que para Finn, lembrava muito a própria Rachel em seu início de carreira. A canção era envolvente, uma típica e cativante balada, numa versão mais pop, mais ainda assim melódica. As luzes do palco baixaram, mas não o suficiente para Finn não reconhecer a silhueta de sua bela esposa, parando no microfone ao lado de sua principal aluna.

Sua esposa vestia um longo vestido azul marinho, que possuía um tule brilhante por cima, ela assemelhava-se a uma das estrelas do céu.

Finn não entendia porquê exatamente ela estava ali, mas uma coisa era certa, ela estava mais deslumbrante do que nunca.

Quando a música terminou, Rachel tomou um passo à frente, respirando fundo, antes de tomar a palavra:

– Quando eu cheguei em Nova York há alguns anos atrás foi como se eu chegasse em outro planeta. – Ela olhou as estrelas acima de sua cabeça, antes de continuar. – Eu não tinha ninguém, exceto meu atual cunhado ao meu lado e como em todas as grandes histórias, as coisas foram difíceis a princípio, mas em determinado momento, eu ganhei uma honra que poucos ganharam na história da NYADA, eu ganhei a chance de me apresentar no Showcase de inverno e eu venci a competição. – Ela procurou o olhar de Finn na multidão. – Logo após eu tomar nota da minha vitória, eu senti a necessidade de entrar em contato com o homem mais importante da minha vida, porque eu precisava dividir minhas conquistas com ele e esse homem nesse dia tinha perdido tanto e mesmo assim, ele estava do outro lado pra me ouvir e pra me parabenizar, me apoiar. Muita coisa aconteceu desde então, entre encontros e desencontros, Natais e Hanukkahs felizes e tristes, nós formamos uma família, uma linda família, no que me concerne, mas em todos esses anos, existe uma coisa que eu nunca disse e que me machuca. O que mais me machuca é ele... não ter podido estar me assistindo na minha primeira apresentação oficial aqui em Nova York e por isso, hoje, eu vou repetir a minha apresentação em homenagem a pessoa que me salvou tantas vezes e me deu a melhor vida que eu jamais poderia sonhar em ter.

Uma luz âmbar caiu sobre Rachel, enquanto ela começou a cantar “O Holy Night”, as notas saindo leves de seus lábios, todo o amor que sentia por Finn, seus filhos e sua família envolvendo-a e aquecendo-a.


Sentindo os braços de Julia abraçá-lo com força e assistindo a Carole chorar pela performance sublime de sua esposa, seu peito só se inflamava mais de orgulho.

Orgulho por ter vencido todas as suas inseguranças e ter construído uma bela família, que ele tinha certeza que ainda lhe daria muita satisfação. Sua vida estava só começando.

Seu coração se inebriava na sensação de assistir a sua esposa. Por um momento ele teve a percepção de que todos os anos de desventuras, de luta, de confusão e sobretudo, de esperança, haviam valido a pena. Ela valia a pena. Eles valiam a pena.

Os dois tinham criado juntos uma história que valia a pena ser chorada, ser sentida e amada. Uma história pela qual ele cometeria os mesmos erros de novo e de novo.

Rachel concluiu seu solo em lágrimas e sentiu seu filho, Chris, abraçá-la.

E a próxima coisa foi inesperada para Finn. Junto com sua mãe e com o coral de seu pai, Chris cantarolava “You’re My Christmas Present”.

Finn já não segurava as lágrimas, quando a multidão começou a se abrir para que ele passasse.

Baby, você é meu presente de Natal,

Meu último Natal,

Meu Natal sempre.

Chegando ao palco, Finn abraçou Rachel, beijando-a ternamente e depois deixando Julia nos braços da mãe, agarrou seu filho mais velho, girando-o em seus braços.

– Eu não quero mais robôs bobos, papai. – O pequeno Chris sorriu, ressaltando suas covinhas. – Meu presente de Natal é você.

– E a mamãe... – Finn sussurrou, acariciando os cabelos do filho.

– ... e a mamãe. – Chris concordou.

O restante da noite, incluindo a ceia, foi recheado de momentos tão bonitos quanto. Finn olhava ao redor, e se deliciava ao ver Kurt ajeitando a gravata do marido, Blaine, enquanto ralhava com a quantidade de vinho que o pai tomava; ao ver a pequena Julia, cujo nome ele era orgulhoso de ter dado em homenagem à música “Julia” que o John Lennon escreveu pro White Album dos Beatles espalhando comida para fora do pequeno prato; apreciando Chris ser afagado pela avó enquanto de deliciava com um bom pedaço de peru, e ao sentir Rachel repousar sua mão sobre sua perna e lhe sorrir um sorriso calmo, límpido e doce.

A família ainda ficou ao redor da lareira, cantando, Blaine puxando as vozes com “Thank God is Christmas”, do Queen ao fundo, tocando no som.

Depois, vencidos pelo sono e, principalmente, pelo cansaço que o dia tinha exigido, todos se retiraram, e Rachel e Finn puseram os filhos para dormir e “esperar pelo presente do Papai Noel” na manhã seguinte.

–Cansada? – Finn indagou, abraçando Rachel, curvando-se para poder encaixar o rosto na curva do seu pescoço e sentir seu maravilhoso perfume.

– Sim... mas não o bastante para dançar esta última canção com você antes de dormir.

Rachel se referia à “The Christmas Waltz”, cantada por Frank Sinatra, que ecoava pelo apartamento. Finn sorriu e a segurou pela cintura, enquanto ele balançavam lentamente ao som da música.

–Eu adorei sua apresentação hoje com o coral. Acho que foi o momento mais sublime da minha vida.- Finn sussurrou no ouvido da mulher.

– Você mereceu este presente, Finn.- ela disse, antes de se pôr na ponta dos pés e beijá-lo.- Eu te amo.

–Eu te amo mais ainda.

–Duvido.- Rachel riu.

–Eu te amo, Rach. A você, a nossa família, a tudo o que somos.

Os olhos de Rachel brilhavam sob a luz do luar que entrava pela varanda do apartamento e que contribuía ainda mais para a atmosfera em que a voz de Sinatra reverberava.

– Acho que virou diamante. Isto tudo é o diamante que dou para você nesta noite de Natal, a coisa mais rara, forte e bela que pudermos ter.

Finn arqueou as sobrancelhas, sem entender, até Rachel rir:

– O pedaço de carvão no nosso primeiro Natal, lembra?...

Finn sorriu, abrando-a mais ainda, beijando-lhe os cabelos:

– Sim, lembro. Virou diamante.

Era uma vez um pedaço de carvão que após sofrer todo o tipo de adversidade, o calor fustigante do sol e a fúria dos mares, modificou-se, moldou-se e transformou-se no mais brilhante diamante que jamais existiu. O diamante tornara-se a metáfora dos dois e metáforas são muito importantes.


Notas finais
*Ah, todos os lugares e músicas citados existem, e, se eu fosse vcs, leitores, dava uma escutada nelas, pq a Alice convenceu até a mim a gostar mais de canções de natal, com seu bom gosto inconfundível. Reviews???
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!