Christmas Night
3 3. The Star at the top of Christmas tree
Notas iniciais
Se situa na terceira temporada! (:
Esperamos que todos gostem e comentem.
Finalmente, entre escolhas do que proporcionaria um Natal perfeito para Rachel (incluindo aí desde um porco africano a um par de pérolas), Finn tinha se decidido.
O carro de Finn havia sido estacionado duas quadras antes da ponte do rio Hawg Creek, após eles ajudarem a Sam e Rory a fazer uma campanha beneficente no Natal.
Naquela altura do ano o rio já deveria estar ao menos parcialmente congelado, mas o que interessava a Finn era a visibilidade do céu. O Quarterback dos Titãs queria a qualquer custo que sua namorada pudesse ver com seus próprios olhos a estrela que ele comprara em sua homenagem. Ele hesitara muito antes de nomear a estrela com seu nome ao invés de simplesmente nomeá-la como “Rachel Berry”, mas inconscientemente, ele sentia que nem sempre se é possível estar perto de quem amamos e, para esses momentos, ele desejava ser simplesmente uma estrela para guiá-la pelos caminhos escuros, da mesma maneira que a pequena judia fazia por ele.
No primeiro dos doze dias do Hanukkah, Rachel havia dito a Finn que a estrela dourada pela qual ela era obcecada era, na verdade, não apenas uma metáfora para seu futuro estrelato, mas sim um símbolo de sua fé. Rachel sabia que as estrelas guiavam os caminhos dos humanos em busca daquilo que era importante. Elas eram capazes de levar qualquer um em direção ao seu destino. Rachel também contou que, na tradição judaica, cada estrela era guardada por um anjo.
Depois disso foi simples para Finn raciocinar que o melhor presente para sua pequena estrela seria deixá-la com uma lembrança dele para sempre.
O garoto desejava que seu relacionamento durasse por muito tempo. Ele falava sério quando dizia que queria ter filhos com ela e construir uma família ao seu lado, mas nem sempre ele sentia que isso era o que sua namorada desejava, ou melhor, nem sempre ele sentia que ela era destinada a isso. Para ele, Rachel era destinada a coisas grandes. Tão grandes que ele mal conseguia conceber. Ela merecia ter seu nome brilhando na Time Square, ela merecia ganhar seus sonhados Tonys e não apenas ensaiar seus discursos no banheiro, segurando um shampoo. Ela merecia o mundo e o único mundo que Finn conhecia não ia além dos limites de Lima. Enquanto encarava as águas calmas do rio, Finn se questionava se um dia ele seria bom o suficiente para ao menos se equiparar a Rachel.
A menina, entretanto, estava em uma bolha de felicidade. Ela chutava as pequenas bolotas de neve que se acumulavam aos seus pés com a ponta das botas.
Sem avisar, ela jogou uma bola de neve que acertou em cheio a nuca de Finn e logo em seguida, correndo, saltou nas costas do namorado, que segurou suas pernas, sustentando seu peso.
– Você me paga, A-Rach.
Sem dar tempo para a pequena Babra Streisand reagir, ele girou em seus calcanhares enquanto a menina desferia socos em seu ombro e gritava com ele, pedindo que a colocasse no chão. Quando as altas árvores a margem do rio começaram a girar rapidamente sobre sua cabeça, ele perdeu o equilíbrio e deixou que ambos caíssem sobre a grama agora coberta de neve. Preocupado em não machucar a namorada (novamente), ele apoiou o peso do próprio corpo sobre seus braços, olhando fixamente nos olhos castanhos e brilhantes de Rachel.
Suas bocas se aproximaram cálidas, contrastando com o clima ao redor deles. O beijo deles sob a neve parecia aquecer cada célula de ambos de paixão, e Finn segurou melhor a garota até erguê-la em seus braços enquanto beijava seu pescoço.
Desde sua primeira vez, há poucos meses, qualquer beijo já levava a um amasso difícil de controlar. Já seguros do frio no carro, Rachel sentou no colo de Finn e os beijos e gemidos se tornaram mais intensos, as mãos de ambos vasculhando todos os lugares, lábios, línguas dançando em conjunto, Finn já avançando seus dedos por baixo da grossa blusa de lã dela...
– Pensei que a gente viria aqui por outro motivo.- Rachel sorriu sobre os lábios dele, que acariciava seus seios enquanto eles se beijavam.
– Mas este motivo pode esperar...- ele riu, antes de beijá-la com novo fogo.
–x-
– Eu quero te mostrar uma coisa – Finn revelou saindo do carro e abrindo o porta-malas.
– E o que seria? — Rachel o acompanhou.
– Você não acha que não faria sentido eu te comprar uma estrela, se você não soubesse ao menos onde ela se encontra? – Ele disse, assistindo os olhos da menina se encherem de lágrimas. – Esse telescópio vai nos ajudar.
De mãos dadas, eles seguiram até o ponto mais alto da pequena floresta onde se encontravam. Finn carregando o telescópio e Rachel o seguindo um pouco atrás, temerosa de encontrar algum bicho em meio ao mato que cercava a trilha.
– No ano passado, quando estávamos brigados... Eu vim até aqui depois que você me deixou na loja das árvores. – Ela confessou.
Finn tornou a olhá-la e pôs uma mão sobre seu ombro, a puxando para encostar-se a seu peito.
– Pensei que havíamos nos prometido nunca mais tocar nesse assunto, amor. – Ele sussurrou incomodado.
– Não é isso, é que eu pedi pro Papai Noel me dar você de Natal novamente. – Ela sorriu de leve.
– Então alguém foi uma boa menina no último ano. — Ele disse baixinho no ouvido dela. – A melhor de todas no que me concerne.
– Eu te amo. – Ele segredou, tomando a enorme mão do namorado e levando-a aos lábios.
– Eu te amo pra sempre. – Ele respondeu, repetindo o gesto da namorada.
Chegando ao topo, Finn posicionou o telescópio e após realizar alguns ajustes, pediu que Rachel se aproximasse. A garota que estava sentada num tronco de árvore, esquentando-se a beira da fogueira improvisada que o garoto havia feito, pulou rapidamente e em questão de segundos estava parada ao lado do namorado, aquecendo as mãos nos bolsos do casaco dele.
Finn deu espaço para que ela pudesse ver através do telescópio. No começo Rachel não conseguia identificar os pontos difusos no céu. Finn ajustou um pouco mais as lentes, até que ficassem com a nitidez necessária.
– Agora está perfeito, Finn, mas qual é a estrela? – Embora amasse estrelas e suas representações, a pequena Miss Broadway nada sabia sobre constelações.
Finn sorriu antes de apontar em direção ao céu.
– Está vendo esse grupo de estrelas? – Ela assentiu com a cabeça, ainda com o olho no telescópio. — Elas pertencem a constelação de Gêmeos. As duas estrelas mais brilhantes, uma ao lado da outra são Castor e Pólux. É referente a alguma bobagem da mitolofagia. Um era filho de Zeus e Leda e outro da tal Leda com seu real marido. Eu nunca vou entender como isso é possível. Você sabe o que é mais engraçado? Eles nasceram de ovos. Existe isso mesmo, Rachel?
– É Mitologia, Finn. – Rachel riu. Quando Finn ficava empolgado com alguma coisa, ele era capaz de ficar mais verborrágico do que ela mesma. – Tudo bem, eu consegui identificar as estrelas gêmeas, mas eu estou mais interessada na estrela Finn Hudson.
– Eu sabia. – Ele brincou convencido. – É só você olhar a estrela a cima de Castor, ali está... não tão brilhante quanto as outras duas, menos brilhante ainda que você, mas mesmo assim te olhando de longe, caso um dia, eu não possa estar por perto.
Rachel sentiu uma lágrima quente rolar pela sua bochecha, quando se agarrou ao namorado, procurando assim acalmar seu coração que batia desenfreado dentro do peito. O pânico e a angústia pelo futuro tomavam conta de seu coração e ela, depois de meses de segurança, sentiu medo. Ela sabia que estava destinada a Finn, mas de repente a simples noção de que ele poderia não estar sempre ao seu lado a abateu e tudo o que ela poderia fazer era segurar-se ao momento. Segurar-se aos seus 16, não era isso?
– Finn Hudson, me prometa que não importa o que aconteça, nós ficaremos juntos. – Ela disse fungando um pouco. – Eu não quero nunca olhar pra essa estrela se você não estiver comigo. Promete?
– Eu não posso prometer algo assim, Rachel. – Ele passava as mãos pelos cabelos longos dela. – Mas eu posso prometer te amar pra sempre, mesmo se você não quiser que eu ame.
– Eu nunca iria querer que você não me amasse. – Ela disse num muxoxo.
– Nós nunca sabemos. – Ele adicionou olhando para o céu. – Mas seu não estiver por perto, eu vou estar com você de longe. Torcendo, te dizendo boa-noite e te desejando “Feliz Natal”.
– Nós vamos passar todos os Natais juntos, Finn. — Ele inclinou-se beijando a nos lábios.
– Eu não acredito que seja humanamente possível que alguém ame alguém tanto quanto eu te amo agora. – Ele disse de um fôlego só.
– Você está enganado. – Rachel fitou-o profundamente. – Você está ignorando que eu te amo mais do que você pode conceber.
Quando os lábios estavam quase se tocando em um doce e calmo beijo após seus votos sob o luar, uma luz mais forte que a da lua e um som mais alto que o das águas do rio tirou os pombinhos do seu estado de graça.
– Essa propriedade é privada, vocês não deveriam estar aqui. – Um senhor de meia idade, com cabelos grisalhos apontava sua lanterna no rosto do casal.
– Mas não há nenhuma indicação, Senhor e estamos à beira de um rio. Por acaso é ilegal ficar à margem do rio? – Finn levantou a voz.
– Você vai aprender a não ser petulante, rapazinho. – Dito isso o guarda começou a correr atrás de Finn e Rachel com a lanterna em mãos.
O casal desmontou rapidamente o telescópio e começou a correr com o máximo de velocidade que as pernas permitiam.
Tão logo alcançaram o carro, Finn passou a dirigir rapidamente para que pudessem sair do parque o quanto antes.
Passado o nervosismo, ambos riam descontrolados, parados em frente a residência dos Berry.
Após o terceiro grito de Leroy, Rachel resolveu que não seria bom chatear seus pais. Já passava da meia noite e se ela quisesse continuar com suas saídas noturnas com Finn, ela deveria cumprir à risca as regras que seus pais impunham. Após alguns minutos de tórridos beijos dentro do carro e fora dele, pressionada na lataria pelo namorado, ela despediu-se, desejando-lhe novamente um “Feliz Natal” e correndo pra dentro de casa.
Ela encostou a cabeça à porta, sorrindo pra si mesma, antes de virar e ser surpreendida por Hiram e Leroy Berry com suas piores expressões no rosto. A expressão que dizia “você está encrencada até a sua última geração, Rachel Barbra Berry”.
– Oi, pai e pai. – Ela sorriu, antes de tirar o casaco e colocar sobre o sofá. – A-Algum problema?
– Nós podemos saber em que lugar a senhorita se meteu? – Leroy começou e Hiram pôs uma mão sobre o ombro do marido para acalmá-lo.
O furacão Leroy Berry estava a caminho e Rachel não queria nem ver as devastações que ele deixaria com sua fúria.
– Finn me levou para ver as estrelas, pai, e você não sabe, mas ele... – Ela foi interrompida pela voz grave de Leroy.
– Finn, Finn, Finn. Ok, Rachel. Suba para o seu quarto, tome um bom banho e durma. – Ele disse checando o relógio. – Teremos que nos levantar cedo e comprar algumas coisas no mercado para levar pra casa dos Hummel-Hudson. Vamos cear com eles.
– Você não está bravo comigo ou algo assim? – Ela perguntou reticente.
– Eu deveria estar, você chegou uma hora além do combinado, afinal. – Ele suspirou. – Mas seu pai me fez entender que você não é mais um bebê que eu tenho que proteger do mundo e mesmo eu achando que você merecia se casar com um ator da Broadway e seu pai não concordar comigo nesse aspecto, como ele, aliás, não tem concordado em nada ultimamente. Você acredita que ele não gostou dos meu par de mocassins coloração mostarda número sete, filha?
Hiram apenas ajeitou os óculos no nariz e voltou a encarar Leroy.
– Leroy, meu bem, termine o que você ia dizer para nossa pequena Rachelah. – Hiram disse impaciente.
– O que eu tentava dizer antes do seu pai me interromper é que eu confio em Finn e sei que ele não vai te magoar. Até porque caso o contrário, eu ainda guardo uma arma do seu avô e não tenho medo de usá-la. Eu tenho que aceitar que você está se tornando uma mulher e que um dia, nós não estaremos mais presentes na sua vida e você terá que tomar decisões sozinha e passar os dias de Hanukkah sozinha... – Leroy balançou a cabeça afastando o pensamento. – Não, isso não. Quando estiver em Nova York no ano que vim, você vai pegar o trem que for e voltar pra cá durante o festival das luzes, não vai, princesa?
– Claro, pai. Eu nunca vou passar o Hanukkah longe de vocês. – Ela abraçou Leroy, seguida por Hiram. – Eu amo vocês, pais, e nada nesse mundo me afastará de vocês dois.
Rachel, naquela noite, encostou a cabeça no travesseiro feliz. Sonhou com estrelas, velas de Hanukkah, Finn, árvores de Natal. Nunca tinha sentido ser invadida por tantos sentimentos bons de uma vez.
–x-
–Kurt tá muito estressado, acho que vai matar alguém se derrubarmos uma gota de vinho que seja na toalha.- Finn segredou no ouvido de Rachel quando ela e seus pais chegaram para a ceia de Natal.
Os Berry eram até, podia-se dizer, muito íntimos de Carole e Burt. O quarteto de pais se juntava e passava horas e horas falando de tudo um pouco, da vida dos filhos, principalmente.
Enquanto isso, Kurt surtava com a organização da ceia e Blaine tentava acalmá-lo com carinho e paciência. A um canto, quietos e juntinhos, meio escondidos pelo enorme pinheiro cheio de penduricalhos e presentes, Finchel se envolvia em sua própria bolha natalina de felicidade:
– Este é o melhor Natal da minha vida.- ela disse, entrelaçando seus dedos nos de Finn.- Tudo por causa de você. A porquinha Barbra, os brincos, a estrela, nossa, Finn... eu não tenho palavras.
Ela levou as mãos dela aos lábios e beijou-lhe os nós dos dedos delicadamente:
– Eu sinto que me sinto cada vez mais feliz te fazendo feliz, Rachel. E isso vale para qualquer época do ano, enquanto aquela estrela brilhar no céu.
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