Christmas' Magic
2 Boys Do Not Kiss | Draco + Harry
Notas iniciais

Todos os dias eram iguais no Instituto Hogwarts Só Para Meninos: professores exigentes e milhares de trabalhos e provas.
Harry Potter caminhava apressadamente pelos corredores da escola, carregando dezenas de livros pesados com seus braços magricelos. Assim que cruzou o corredor principal, ele deu de cara com o menino mais popular da escola: Draco Malfoy. Ele era um dos únicos que tinha coragem de enfrentar a diretora do colégio e levava suspensão quase semanalmente. Com todo seu charme e sua cabeleira loira, Draco era quem todos queriam ser: corajoso e lindo. Incrivelmente lindo.
Harry continuou andando, fingindo que não vira o menino que o observava atentamente.
– Corra, Potter. — ele zombou. — Você não pode perder a primeira aula, ou seus pais vão te matar. Ah, quase me esqueci, eles estão mortos.
O menino respirou fundo e continuou andando pelo corredor cheio. Dar atenção a ele só pioraria as coisas e, ainda pior, ele poderia ser mandando para a diretoria para um bate-papo com a assustadora diretora McGonagall.
– Ah, vamos, Potter. — Draco caminhou até ele, parando diante do menino. — Você não vai nem me responder? Papai e mamãe não ensinaram que é falta de educação?
Draco pressionou o indicador contra o peito de Harry, impedindo-o que continuasse seu trajeto.
– Me deixe em paz, Malfoy. — Harry cuspiu.
– Uau, que língua afiada, Potter. — Malfoy deslizou seu polegar pelos lábios de Harry rindo. — A Weasleyzinha deve ficar muito satisfeita.
Harry bufou e contornou o loiro, andando o mais rápido que podia.
* * *
– Por conta do feriado de Natal, não haverá aulas ou atividades extracurriculares no dia de amanhã. Vocês poderão ficar em seus dormitórios e nos juntaremos no refeitório para as três refeições, como o usual. — a diretora McGonagall comunicou a todos na sala de aula. Depois de dar o recado, ela fez uma cara feia para Draco Malfoy, que ria com seus amigos, e saiu da sala.
– O que acham de uma festa escondida? — Draco propôs aos seus amigos, que sorriram em resposta. Em todos os feriados, ele encontrava algum jeito de tirar McGonagall do sério. Ele só não tinha sido expulso da escola por conta de seu pai.
Harry lançou-lhe um olhar feio. Ao perceber, Malfoy riu e deu-lhe uma piscadela de leve. Harry encarou por um segundo, indagando a si mesmo se aquilo que Malfoy o dera fora uma piscada.
– Estranho. — sussurrou para si mesmo, dando uma última olhada no loiro.
* * *
Depois da aula de Biologia, todos os meninos da classe se dirigiram ao ginásio para a aula de Educação Física.
– Ponham seus uniformes de futebol e venham jogar, seus molengas. — a treinadora Hooch gritou.
Harry se dirigiu ao vestiário com incerteza. Ele odiava que os outros meninos o vissem sem camisa. Ele trocou rapidamente a calça social preta por um short azul escuro e tirou a camisa.
Assim que se virou para pegar a camiseta de futebol, deu de cara com Malfoy o encarando.
– Precisa malhar mais, Potter. — Draco riu e indicou o peito nu de Harry com o olhar. — Ouvi dizer que a Weasley gosta de meninos sarados, não de magricelos que não levantam nem cinco quilos.
Harry bufou e enfiou a mão em seu armário em busca da camiseta.
– Está procurando por isso? — Malfoy levantou a blusa e balançou-a no ar em frente a cara de Harry.
– Pare de ser infantil, Malfoy. — Harry bufou. — Me dê a camiseta.
Draco riu e escondeu a camiseta atrás de si.
– Venha pegar então, Potter. — ele sorriu. Harry não pode deixar de reparar em seus dentes brancos perfeitamente alinhados.
Harry se lançou para frente, batendo peito a peito com Malfoy. Ele enticou a mão para recuperar a camiseta, mas tudo que encontrou foi a bermuda larga de Malfoy.
O loiro não pode deixar de reparar nos olhos lindos que Potter tinha. Iguaizinhos os da mãe, eram o que todos diziam. Os olhos azuis de Malfoy e os verdes de Potter se encontraram. Eles se encaram por alguns instantes — que pareceram horas.
– Que seja, Potter. — Draco deu de ombros e lhe entregou a camiseta.
Assim que Malfoy o entregou a blusa, seus dedos se tocaram por um breve instante — o suficiente para Harry sentir todos os pêlos do corpo se arrepiarem.
* * *
Harry tentou não pensar em Malfoy pelo resto do dia, mas jurou ter flagrado o loiro o observando uma meia dúzia de vezes.
Isso é errado, repetiu para si mesmo. Ele é um menino. E ele é mau também. E lindo. Maravilhoso, para ser sincero.
Harry flagrou-se pensando em Malfoy enquanto terminava sua lição de casa de Geometria pelo menos umas três vezes. A cada exercício que terminava, pensava em seus cabelos louros, ou em seus lábios carnudos.
Assim que terminou todos os trabalhos, juntou seus livros e rumou para o dormitório. Ao entrar em seu quarto, que ele dividia com Rony e Neville, largou seus livros na mesa velha de mogno e chutou os tênis para longe.
– Cadê os modos, Potter? — Harry sentiu seus pêlos da nuca se arrepiarem ao ver Malfoy sentado na beira de sua cama, examinando-o com o olhar.
– O que você está fazendo aqui, Malfoy? — Harry bufou.
– Não posso mais esperar meu amigo em sua cama? – o modo que ele pronunciou a última palavra fez os pêlos de Harry se arrepiarem mais ainda.
– Não somos amigos, Malfoy. — Harry sibilou.
Malfoy fez um biquinho.
– Vem cá, Potter. Precisamos conversar. — Malfoy soltou um sorriso amarelo.
Harry sabia que, de algum jeito, aquilo iria acabar em uma grande merda: um olho roxo, ou talvez até um nariz quebrado. Ele lutou com todas as suas forças, mas algo o dizia para seguir com a cabeça erguida.
O moreno se aproximou e sentou na cama ao lado de Malfoy, mantendo uma distância razoável.
– Não tenha medo, Potter. Chegue mais perto. — Malfoy ordenou, dando um tapinha na cama ao seu lado.
Harry suspirou fundo e veio para mais perto, ficando apenas um palmo de distância do menino.
Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. Ou minutos. Estar perto de Malfoy era, de algum jeito, reconfortante. Sim, ele era o menino que Harry mais odiava na face da Terra, mas de algum jeito, ele se sentia atraído por ele. E aquilo era bom.
– Harry... — Malfoy chamou. Harry não pode deixar de notar que aquela era a primeira vez que o loiro o chamava pelo primeiro nome. — Eu quero experimentar uma coisa.
O coração de Harry parou por um instante, mas ele concordou rapidamente com a cabeça.
– Mas você tem que me prometer que não vai contar pra ninguém. Nem pra Weasleyzinha. – a voz de Malfoy soou suave e reconfortante.
Harry murmurou um "Prometo" baixinho.
Draco se virou em direção à Harry, e o moreno fez o mesmo. Ele passou o polegar pela face rosada de Harry e examinou seus olhos verdes. Aquilo era muito estranho para ambos, mas eles não podiam negar que sentiam uma sensação boa crescendo dentro de si.
Harry segurou a cara de Malfoy e a puxou para perto. Seus lábios ficaram a centímetros de distância. Draco sentia a respiração acelerada de Harry fazendo-lhe cócegas nas bochechas. Eles ficaram naquela posição por um segundo e, antes que qualquer um dos dois desistisse, Malfoy agarrou a face de Harry e a puxou para si.
Seus lábios se encontraram numa explosão doce e voraz. Os dois exploraram os lábios um do outro como se fosse a primeira vez. Potter sentiu o gosto doce da boca de Draco enquanto deslizava as mãos pelo abdômen do loiro.
Quando ambos estavam sem fôlego, se separaram por um instante. Harry havia beijado um menino, e não era qualquer um. Ele havia beijado Draco Malfoy.
– E você não se atreva a contar isso para ninguém na face da Terra, Potter. — Malfoy falou sério, mas sem tirar o sorriso do rosto.
– Nunca. — Harry sorriu e puxou o loiro para si mais uma vez. — Será nosso segredinho.
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