Christmas Late Wishes

1 Oneshot - Capítulo Único


Notas iniciais
OLHA S?“ QUEM APARECEU AHAHAHAHAHAHA o natal já passou mas eu não podia deixar de escrever algo pq amo e acredito na magia do natal, nem que seja apenas nas minhas histórias.

Dessas vez não é uma oneshot de natal atrasada, é uma oneshot que realmente se passa entre o natal e o ano novo.

Espero que gostem, que matem a sdds de Jeller! Comentem, façam esta escritora feliz nesse finalzinho de 2018.

Boas Festas para vocês, Feliz 2019! Queria agradecer a todos que me acompanham, que leem e comentam as oneshots, seja aqui ou no twitter comigo, vocês me deixam muito feliz! ❤

28 de dezembro

Ninguém disse que seria fácil, mas ninguém disse que os finos flocos de neve caindo lá fora, batendo ocasionalmente contra a janela, competiriam com o frio que parecia ter se instalado no vazio que ela deixara. As ruas estavam escuras exceto pelas luzes de natal piscando, o que deixava tudo ainda mais melancólico. Tudo exatamente igual a um ano atrás, exceto pela presença dela. Acima da lareira, onde as meias de natal faziam seu papel apenas por aparências, e a ausência da meia dela junto à dele e a de Bethany, era mais um lembrete de que Jane não estava mais ali.

Nenhuma notícia. nenhum alerta, nenhum telefonema, pelo menos até o exato momento em que Kurt se vira para pegar um pouco de uísque e seu telefone exibe uma chamada de “número desconhecido”.

— Houve um natal em que Jane queimou o peru da ceia. — começa ela assim que ele atende o telefone, sem nem esperar que ele dissesse alô. Do outro lado de linha, é possível ouvir Kurt respirar fundo prestes a falar alguma coisa. Mas antes que ele fale, ela continua. — Fez tanta fumaça que um vizinho do prédio da frente ligou para os bombeiros.

Sem conseguir segurar o riso, Kurt ri ao lembrar daquele natal; Remi encarando a janela, vendo a neve fina que caía, continua.

— Nós rimos tanto, sentados no chão da cozinha. Terminamos pedindo pizza. — diz Remi. — Sua filha... Bethany, adorou o natal diferente, comeu pizza pela primeira vez.

— Allie quase me bateu aquele dia. — Kurt relembra o olhar fuzilante que recebeu de Allie assim que colocou a pizza na mesa, enquanto Jane assumia toda a culpa pelo desastre na cozinha e prometia que no próximo natal a ceia seria perfeita.

— Mas sua filhinha adorou.

— Ela sempre adorou a tia Jane.

Os dois engolem seco ao mesmo tempo e é quase possível ouvir as respirações profundas, carregadas com o peso de mágoas, ressentimentos e sentimentos negados a todo custo. Encarando a lareira na própria sala, Kurt quase podia ver Jane sentada no sofá com os pés escondidos a fim de esquentá-los enquanto ele preparava um chocolate quente para os dois. Mas a sala vazia o trazia de volta à dura realidade de que ele na verdade nem sabia onde ela estava. Alguns segundos ou talvez minutos tenham se passado sem que nenhum dos dissessem nada ao telefone; Remi, sozinha, encarando a janela, fecha os olhos engolindo o nó preso na garganta.

— Minha mãe fugiu. — diz ela quebrando o silêncio, soltando um meio riso debochado. — Ela simplesmente me deixou, desapareceu.

— Quando--

— Você estava certo. — responde Remi interrompendo-o sem deixá-lo terminar a pergunta. — Eu te odeio por lembrar a mim mesma do fracasso que eu sou.

Mesmo não concordando por saber que ela não era um fracasso, não importa quem ela fosse no momento, Remi ou Jane, Kurt não diz em voz alta. Não por não querer dar o braço a torcer, mas por não querer interrompê-la; não quando ela finalmente estava se abrindo.

— Acho que ela acabou percebendo isso afinal. — completa ela.

— Você não…

Mas se deixar que Kurt termine a frase, Remi o interrompe novamente, elevando o tom e deixando a emoção transparecer em sua voz.

— Para de ser gentil e carinhoso comigo quando eu não mereço isso!

— Eu não ia ser gentil e discordar de você. — replica Kurt quase no mesmo momento. — Eu ia perguntar se você não acha que ela pode ter ido atrás de algo ou alguém.

A resposta rápida a pega de surpresa mas faz um sorriso tímido cruzar seu rosto dela por alguns segundos por notar que Kurt mesmo não querendo ser gentil, de alguma forma ainda se preocupava com ela e isso estava nas entrelinhas e implícito em seu tom de voz; mesmo que ele estivesse talvez apenas fazendo perguntas para o interesse do FBI.

— O engraçado é que o tempo está passando e por mais que eu queira, eu mesma já não consigo ser e me sentir como antes. — continua ela depois de alguns momentos de silêncio. — Tudo o que eu fiz, minha vida inteira eu segui todos os passos que ela queria que eu seguisse. — Mas acho que não foi o suficiente.

— Talvez seja hora de ser você mesma agora.

— Eu como Jane ou eu como Remi? — rebate Remi em um falso tom de deboche.

— Por que você está me ligando?

— Eu te odeio por me fazer sentir a sua falta. — continua ela em resposta, ignorando a pergunta dele assim como ele havia ignorado a dela. — Mesmo que todo o tempo que eu tenha vivido ao seu lado eu estivesse fingindo ser outra pessoa…

— Não todo o tempo. — interrompe Kurt lembrando-a da vida de Jane, a qual mesmo que não se recordasse, fora vivida por ela.

— Não conta. — mente ela.

— Aliás, quer que eu conte os motivos? — brinca Kurt, fazendo-a rir também. Revirando os olhos, ela só consegue perceber o quanto sente falta dele.

— Sinto falta do seu café da manhã, dos seus pratos veganos estranhos que eu aprendi a gostar, mesmo que eu nunca tenha sido vegana.

— Jane era.

— Ainda não acredito que deixei Jane me tornar vegana. — murmura ela para si mesma em meio a um risinho. — Jane, o que você fez comigo?

— Eu sinto falta do seu temperamento.

A confissão pega ambos de surpresa. Kurt por admitir pela primeira vez que sente falta de algo do lado Remi e a própria Remi, por saber que mesmo não sendo mais quem Kurt amava, ele sentia falta de algo dela.

— Na verdade, eu não sei mais quem eu sou, onde é meu lugar. — diz ela soltando o ar junto com a confissão entalada na garganta. — Eu não sou mais a Jane, mas também não sou mais eu mesma, Remi...

— Você é a pessoa com quem estou falando agora. — responde Kurt. A voz dele é suave, calma, ao mesmo tempo em que é segura. — A que mesmo contrariada, admite os sentimentos e fraquezas; que saiu de onde quer que estivesse para me ligar debaixo da minha janela mesmo que estivesse nevando e ela pudesse fazer isso de qualquer lugar do mundo.

Kurt sorri indo até a janela da sala, oposta à lareira, e Remi, do outro lado do telefone se vê sorrindo também ao vê-lo chegar na janela.

— Outro lugar do mundo eu não encontraria uma pessoa tão teimosa a ponto de continuar insistindo em mim mesmo que eu tenha dito que o mataria na próxima vez que o encontrasse.

— Então, o que você está fazendo aqui? — pergunta Kurt, provocando-a. — Veio cumprir a promessa?

Olhando-a pela janela, ele a vê parada do outro lado da rua, segurando o celular contra o ouvido e olhando fixamente para a janela. Através do vidro manchado pela neve, os olhares deles se encontram e Remi sorri levemente.

— Ainda está valendo? — questiona ela.

— O que?

— A mensagem que deixou na minha caixa postal.

O dia da falsa ameaça dos mísseis. O dia em que Kurt pensou ser talvez seu último dia e deixou uma mensagem na caixa postal dela. “Jane, eu não sei se você vai ouvir isso, mas, você é o amor da minha vida e eu nunca deixei de lutar por você. Eu te amo, tchau.” A situação entre eles já não estava boa ali, mas a iminência da morte faz todos os problemas desaparecerem, deixando restar só o amor que ele sempre sentiria por ela.

— Eu nunca desistiria da minha esposa. — reafirma ele respondendo a pergunta que ela havia feito anteriormente. Sim, a mensagem estava valendo, sempre valeria.

Sem desligar o telefone, Kurt desce e vai ao encontro dela. A noite fria de repente parece até mais agradável, exibindo seus flocos de neve finos em meio às luzes de natal que ainda estavam nas casas e nas árvores. Kurt para a poucos metros dela, encarando-a ainda sem acreditar que ela estava mesmo ali.

— Você é a única pessoa que não desiste de mim. — admite ela. — E de alguma maneira, você é a única coisa que eu tenho, mesmo não sendo meu, sendo da Jane.

— Se eu não te conhecesse tão bem, eu diria que isso foi uma declaração. — diz Kurt tirando a mão dos bolsos do casaco e dando um passo para frente, para mais perto dela.

— Se eu me conhecesse bem, eu negaria isso. — confessa Jane rindo levemente. Kurt a observa atentamente, como se quisesse memorizar cada detalhe dela.

— Naquele natal, você comprou damascos. — diz Kurt observando as luzinhas natalinas que pendiam da janela, piscando ritmadamente, relembrando sobre o desastroso natal que ela havia mencionado.

— Não era damasco. — diz Jane em um impulso virando-se para ele. — Era pêssego.

— Como você sabe?

— Porque você acha damasco muito azedo.

Com as sobrancelhas franzidas e sentindo o coração falhar uma batida, Kurt ergue os olhos para encontrar os dela, ligeiramente marejados, assim como os dele. Seria possível que o tratamento finalmente estava começando a mostrar algum resultado?

— Jane...?

— Quase? — diz ela com os lábios tremendo. — As lembranças estão começando a voltar e… eu não sei o que pensar, o que sentir. É como se houvessem duas de mim, lutando o tempo inteiro para tomar o controle, é uma loucura.

Remi seca discretamente as lágrimas que não caíram, mas basta encontrar o olhar de Kurt para que as lágrimas rolassem por sua bochecha sem qualquer permissão.

— Eu preciso de alguém ao meu lado porque… Eu não consigo passar por isso sozinha.

— Alguém? — provoca Kurt.

Você. — confessa ela. — Eu preciso de você.

Acabando de vez com a curta distância que havia entre eles, Kurt se aproxima dela e enlaça sua cintura, puxando-a para um beijo. Os lábios dela, frios pela fina neve que caia, logo se tornam quentes em contato com os dele. O vazio no coração de ambos também é aquecido no calor de seus corpos juntos.

— Desejo de natal atrasado? — sussurra Kurt entre o beijo, roçando o nariz suavemente no dela.

— Talvez. — responde ela segurando um sorriso e puxando-o mais contra si, sedenta pelo beijo que havia sentido falta, mas que não ia confessar tão cedo. Em resposta, Kurt apenas a encara fixamente acariciando sua nuca, fazendo-a arrepiar.

— Kurt! — chama ela, cobrando uma resposta. — Eu não tenho a vida toda.

Kurt ergue as sobrancelhas para ela, que dá um meio sorriso para a ironia do que acabou de falar. Sem se afastarem, os dois apenas se olham, como se quisessem memorizar o momento; Kurt encarava a mulher que ao tempo que estava igual ele se lembrava, agora possuía traços diferentes. Traços esses que ele até aprendera a gostar também.

— Eu disse que nunca desistiria de você, não disse? — diz ele estendendo a mão para ela. — Na saúde e na doença, nos bons e maus momentos.

— Quando eu for eu, e quando não for, também?

— Sempre. — responde ele puxando-a para mais um beijo.

Ninguém disse que seria fácil, mas ninguém disse que não seria possível recomeçar.

Notas finais
E então, gostaram? Espero que sim, que tenham morrido de amores por Remi se abrindo e confessando os sentimentos tanto quando eu gostei de escrever isso. ❥

Boas Festas para vocês, Feliz Ano Novo, 2019 tem mais história! Obrigada a todos que leem e comentam as oneshots, seja aqui ou no twitter comigo, vocês me deixam muito feliz! ❤
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.