Christabel

1 Capítulo 1 - Já se passaram dezesseis anos...


Notas iniciais
Ta aí.. ;)

Antes de começar, quero me apresentar. Sou Christabel, sou um anjo caído, isso mesmo, um anjo. Eu caí a mais de cem anos e só agora tudo parece finalmente fazer sentido. Há dezesseis anos eu fiz uma coisa, uma coisa que nenhum outro anjo faria. Eu entrei no corpo de uma humana e até hoje eu tomo seu lugar. Não é uma coisa que um anjo faria, mas é uma coisa que eu fiz.

Naquela noite, quando minha áurea passeava pelo pequeno hospital de Nova Orleans, eu os vi; E lá fiquei observando quatro criaturas... E logo haveria cinco. Aquela cena tão comum nesse mundo, para mim, era épica.

“já esta nascendo!” — Exclamava o mortal de branco, e então ela nasceu. Na face da mulher que agora suava, sorria e chorava ao mesmo tempo, eu percebi naquele estante que ela seria capaz de matar seu próprio companheiro para poder por um simples segundo pegar a filha no colo.

Segundos se passaram e o rosto de cada um soava preocupação. Eu primeiramente não entendi o porquê daquilo. E então, quando ele apareceu no meu lado eu havia entendido.

Um ceifeiro.

Empoeirado e melancólico, ele tinha a forma de um homem grande com uma capa preta, seu rosto era enrugado e pálido como um cadáver; em suas mãos ele segurava uma alma, branca e pequena, como um pedaço fino e transparente de ceda. Eu a reconheci. A alma tinha o choro que aquela criança deveria ter. E então ele sumiu. A enfermeira com o bebê morto no colo e correu até a sala ao lado. Eu fui atrás dela, tentando ignorar o grito de desespero dos pais. Na outra sala havia outro médico. A enfermeira, tremendo colocou com cuidado o corpo na maca, lá o medico fez de tudo para animá-la e não conseguiu. Eu estava com medo, no momento em que os dois trocaram olhares, eu entendi. Quem diria aos pais que sua filha morrera? A filha que esperaram por nove meses... Eles a cobriram com um lençol branco e saíram da sala. Eu não os segui. Não queria ver. E então toquei no corpo, e vi que não havia nada lá — geralmente quando eu toco em mortais mesmo sendo ainda novos eu sinto sua alma —, mas dessa vez não, dessa vez estava literalmente vazio. Eu me inclinei e tentei reanimá-la, mesmo sabendo que era impossível, mesmo sabendo que sua alma agora estava longe. E então, eu ouvi os gritos dos pais, agora mais altos do que nunca. Eu tive medo, medo de que outra alma se perdesse e medo que eu visse um soldado do *cavaleiro (* um dos quatro cavaleiros na bíblia – a morte) novamente. Eu cheguei mais perto, e cheguei e senti. Como se uma coisa me sugasse para dentro dela como um ímã. E então tudo ficou escuro. Abri os olhos e vi que havia algo em cima de mim, algo que me impedia de respirar, então, esse agora era meu corpo o corpo da criança morta agora era eu. Tentei sem sucesso tirar o lençol branco e pesado que agora me sufocava e então eu gritei, mas no lutar do grito saiu um choro, fino e alto. Continuei gritando, gritando para eles, então uma mão o tirou de cima de mim, tentei enxergar, mas minha vista era difícil, as coisas quase não tinham cores.

“Ela esta viva!” — Exclamou o médico, várias e várias vezes.

Agora era tarde.

Tarde para desistir, essa já era a minha vida, essa foi uma escolha que eu nem sei se fui eu que a fiz. Mas se estou viva, como humana, devo ficar, isso sempre foi o que quis, mas nunca imaginei que aconteceria tão rápido.

Foi ai que a vi claramente.

Linda. Pálida, olhos azuis e um cabelo negro até o ombro. Ela abriu um sorriso enorme a me ver, seus olhos encheram de lágrimas, eu não me mexia direito, e nem enxergava muito bem, mas sua beleza era clara de mais. E naquele momento, eu sabia que eu a amava.

“meu bebezinho, minha filhinha” — Chorou de emoção me pegando no colo pela primeira vez, senti mais um carinho na cabeça. Foi quando ele apareceu na minha frente, tentei abri os olhos – sem sucesso –, mas eu escutava sua voz.

— Nossa filha, Liza, nossa filha! – sua voz era grossa e gentil, e a mesma coisa que sentir pela mulher, eu também sentir por ele.

Meus pais.

Uma coisa impossível de acontecer, até porque eu já tenho um pai, um pai maravilhoso, que eu simplesmente deixei de lado para viver aqui.

Agora sou humana – pelo menos um pouco.

Hoje eu, Anna Sophia, ou melhor, Sophie — como todos me chamam—. Sou uma típica adolescente americana. Ou melhor, tento ser.

Alta, magra, cabelos negros, pálida e olhos azuis. Sou o espelho de Liza, minha mãe aqui. Mas mesmo sendo um anjo caído, e sabendo que sou diferente das outras garotas, mesmo assim eu continuo. Não sei por que, mas continuo. Nunca encontrei ninguém como eu, nesses 16 anos como mortal, nunca mais vi um anjo ou um demônio e até mesmo um ceifeiro. Acho que algo deve ter mudado, no momento em que me pus a viver aqui. Ou, pode apenas ser, talvez, que eu esteja sendo evitada. Pelo os dois lados da balança do bem e do mal.

Primeiro dia de aula, meu 2º ano no ensino médio, eu estou andando pela Maple Streep a caminho da escola, vesti um casaco preto que veio do Canadá e uma calça jeans brasileira, que minha mãe trouxe de uma de suas viagens ao Rio de Janeiro; eu também usava botas de couro que comprei semana passada de Rita Vi’el no outro lado da cidade, eu e Amélia percorremos mais de vinte quilômetros de carro, rondando a cidade até achar a loja. O tempo hoje estava calmo, até mais calmo que o normal. O subúrbio de Nova Orleans era sempre assim, são raras às vezes em que vejo o Sr. Campbell – o velhinho da esquina -, pegando o jornal caído na calçada. Parei de andar por um segundo, e tive a sensação de estar sendo seguida. Olhei para trás e não havia nada, o vendo frio soprou meus cabelos fazendo-os cair em meu rosto. Tirei com uma das mãos e continuei andando.

Era ridículo, eu não preciso ter medo, estou sendo Sophie há 16 anos e nada aconteceu. Eu só deva estar achando estranho, pelo fato de não ter nada me atrapalhando, nada me impedindo de continuar. Olhei para o relógio no meu pulso, marcavam 08h56, eu estava completamente atrasada.

Então fiz algo que não queria fazer, mas eu estava sendo obrigada.

Sumi do local e num piscar de olhos já estava na escola. Olhei para os dois lados para ter certeza de que ninguém me vira. Voltei para meu armário logo atrás de mim, coloquei a senha ao abri, peguei o livro de álgebra e o coloquei na bolsa.

— Aqui tão cedo! — disse uma voz atrás de mim, me virei meio assustada por não ter percebido que Amélia estaria de pé ao meu lado, sem ao menos eu perceber sua chegada.

— Você me assustou — eu disse ofegando.

— Você parece doente, está tudo bem? – perguntou ela.

Não respondi sempre ela me fazia essa pergunta – muitas vezes era quase impossível não ligar. Balancei a cabeça como um sinal de não.

— Fez a pesquisa que química? – ela perguntou abrindo sua mochila – Sr. Thompson irá me matar se eu não tiver feito!

— Você não fez? – perguntei sorrindo, fingindo interesse na conversa fiada.

Ela sorriu mais alto que o normal, Amélia era uma garota legal, um tanto magricela alta e com os cabelos secos e castanhos, tinha a pele um tanto parda quanto branca e uma alto-estima de dar inveja.

— Claro que não, esse fim de semana estava com meus tios, nosso... – ela parou de falar e estava olhando atônita pra o fundo do corredor. Senti outro cala frio ao me virar e ver ele. Ele estava diferente, apesar de estar no mesmo corpo humano há quase dois séculos, ele estava andando em minha direção, era o mesmo olhar que eu conhecera a mais de 100 anos.

— Olá – ele disse.

Ouvir Amélia sussurrar um “Uau” no meu ouvido.

— Oi – respondi ainda o encarando.

— Sou Amélia – disse a garota erguendo a mão para ele. Ele sorriu e disse:

— Davi.

Puxei Amélia pelo ombro e dei as costas para Davi que ficou sem compreender nada.

— Nossa quem era? – perguntou a garota.

— Ninguém – continuei andando depressa a segurando firmemente pelo cotovelo.

Ela sorriu.

— Não me pareceu ninguém, você viu aqueles olhos negros? Desde quando você o conhece?

Eu sorri, não seria legal abri o jogo para Amélia e contar toda a verdade de uma vez. Davi e eu tivemos problemas no passado, e não queria que ele estivesse aqui agora. Somos dois anjos, caímos no mesmo dia, eu escolhi viver e ele, ser mal. Um demônio, um traidor!

Sacudi a cabeça e deixei com que as lembranças ruins sumissem de uma vez. Andamos até a sala de aula; estávamos atrasadas, entrei primeiro e logo me sentei. Amélia se sentou logo atrás. Tentei respirar normalmente até que um bilhete um tanto abolado apareceu na minha mesa, olhei para os dois lados para ter certeza de que ninguém vira o tal aparecer do nada. Abaixei minha cabeça devagar e o abri, dentro havia uma caligrafia um tanto ambígua, mas ao mesmo tempo elegante. Nele dizia:

“Encontre-me nos fundos daqui a dez minutos. Não falte. É importante. Davi”.

Não disse nada, pus o bilhete no meu bolso e levantei, o Sr. Collins que já estava entrando me fez parar na porta e voltar, e dizer-lhe o motivo de eu deixar a classe tão cedo. Bolei uma desculpa muito humana e muito mal pensada. E sai.

Andei pelo corredor rápido de mais, as botas estavam apertando meus pés, o que me fazia diminuir os passos, o vento vindo das assombrosas janelas no alto faziam meus cabelos saltarem de uma forma grotesca, eles se soltaram e caíram sobre meus ombros, olhei em volta, tudo estava tranquilo, me virei para o outro lado e não avistei mais nada do que uma fileira de armários e todas as salas fechadas. Soltei um suspiro, corri para os fundos, desci dois lances de escada até a área restrita, abri uma porta vermelha de ferro, ela já estava enferrujada. Lá dentro estava abrasador e abafadiço, ascendi o interruptor da luz, e me sentei perto dos históricos escolares, havia uma mesa a minha frente e outra cadeira logo atrás. Abaixei a cabeça devagar. Eu estava aterrorizada. Desde quando eu, Christabel, aceitaria um pedido – um tanto estranho – de ver Davi.

— A reconheci no instante em que a vi – ele disse.

Assustei-me em um pulo.

Davi apareceu como um fantasma, ele estava sentado na cadeira que há dois segundos estavam vazias. Olhei para cima até encontrar seus olhos negros.

— Falando nisso, o que quer aqui? – perguntei ainda respirando com dificuldades, e tentando parecer firme.

Ele sorriu.

— Respostas.

— Respostas? – bufei.

Como respostas?

Ele sorriu de uma forma perturbante, o que me fez lembrar claramente o motivo de tê-lo deixado. Ele levantou andou até a mim, andei uns três passos a trás até estar completamente contra a parede. Minha respiração estava mais forte, seu hálito batia em minhas bochechas me fazendo tremer, quando ele sorriu, se afastou e disse:

— Depois as busco, só quero deixar claro que, quero reunir os 19 novamente. E pra isso, preciso de você.

Fiquei pasma, não acreditava no que ele dissera. Os 19 eram o número de anjos que caíram junto comigo há séculos, a maioria eu não via desde então. Davi me dissera a um tempo que esse era o seu objetivo na terra, reunir os 19 novamente e quebrar a maldição que nos deixava ligados uns aos outros, e quebrando-a, nos deixaria livre de vez, livres de uma ligação na qual nenhum de nós pode evitar.

— Por que agora? Por que não me procurou antes? Antes... Disso. – perguntei me referindo ao corpo de Anna Sophie.

Ele abaixou a cabeça e voltou a olhar para os pés, Davi e eu poderíamos ter nossas diferenças e desavenças. Mas ele não deixava de ser meu irmão. E ajudá-lo, é o que uma parte de mim mais quer. Porque, quebrando a ligação, enfim, eu iria conseguir ser cem por cento humana.

Davi continuou calado, não disse nada por uns três minutos. Até ele finalmente sair da sala, respirei fundo e sair também atrás dele, mas lá fora ele não estava mais. Com o orgulho ferido, e os pés doloridos, voltei à aula.

Depois de mais de seis horas na escola, ouvindo Amélia e seus comentários sobre todos, fiquei completamente exausta. Até o fim das aulas de hoje, consegui a manter distraída. Não queria ela me perguntando sobre o Davi – pelo menos não até eu encontrar alguma desculpa convincente a seu respeito. Finalmente consegui voltar para casa. Torci a maçaneta que não abriu, pensei em “aparecer” lá dentro, mas mesmo assim não o fiz. Sentei-me na varanda e lá fiquei quieta, até ouvir passos claros de dentro da casa, eles estavam descendo as escadas, levantei-me e bati a aldrava duas vezes.

— Mamãe?Cheguei! – exclamei em voz alta. Quando a porta se abriu, e ela com um sorriso maravilhoso, ela recebeu-me com um abraço; Ela era o motivo de eu não ir embora, ela era o motivo de eu continuar essa louca jornada.

— Mais cedo do que eu esperava – ela sorriu – como foi seu dia? Terá que ajudar no jantar!

Ela continuava e continuava a gargalhar, nunca imaginei que poderia amar tanto um mortal assim. Entrei em casa e subi as escadas, minha casa era calma e fria. Geralmente meus pais trabalham o dia todo e só chegam de noite. Então eu sempre fico sozinha por esse período entre cinco da tarde e oito da noite.

— Por que não foi trabalhar? – perguntei parando no meio da escada.

Ela que já estava indo para a cozinha voltou e disse:

— Acordei tarde. – e sorriu.

Por um momento, aquele sorriso meio torto me preocupou.

A “mãe” parecia muito com Sophie, mesmo eu estando nesse mundo há mais tempo, me sinto uma simples adolescente ao seu lado. Por ser, tão autêntica e tão bela. Liza era o que uma mãe deve ser. Chata em seus momentos de sermões – apesar de eu quase nunca precisar –, um pouco desengonçada na hora de se vestir e um tanto infantil para a sua quase meia idade. Mas mesmo assim, era minha melhor amiga e estando do lado dela, me fazia bem. Até agora, quando ela olhou para os pés e me deixou no corredor com aquele aperto no coração, tentei fingir que tudo aquilo eram apenas besteiras da minha cabeça, coisas que iriam embora logo. Então, quase convencida de tudo isso, fui até a cozinha, disposta a ajudá-la com o jantar.

Depois que a ajudei, subi para o quarto. Meu pai havia chegado, a chuva La fora havia começado, fazendo-o entrar com os cabelos encharcados em casa. Erick era bastante parecido comigo – ainda não consigo entender o porquê – Meu “pai”, me lembrava de alguém de meu passado, ainda não consigo saber quem, depois de tanto procurar em memórias quase esquecidas... Mesmo assim, ele era diferente de qualquer outro mortal, era a pessoa mais verdadeira e mais autêntica que eu já conheci.

— Nossa, se eu contar pra vocês o frio danado que está lá fora – disse Erick pendurando o casaco molhado em cima de uma cadeira na porta da cozinha.

Liza sorriu e foi até ele, lhe deu um beijo nos lábios e disse:

— Meu querido, pode pegar um resfriado...

— Vou dormir, tenho que acordar cedo amanhã. Boa noite pra vocês – eu disse andando até eles, dei um beijo de boa noite no rosto de cada um e subi.

Abrir a porta do meu quarto e entrei, fiquei parada por um minuto o observando, esse quarto sempre foi meu abrigo... Olhei em volta mais uma vez, as paredes pintadas de violeta, a cama de casal, uma escrivaninha com vários livros, uma mesinha na qual eu usava para fazer as lições de casa, logo em cima dela a direita estava meu notebook. Era um quarto lindo, sempre o amei desde “pequena”... Andei mais um pouco e me joguei na cama, fiquei olhando para o teto por alguns minutos, quando uma lembrança na qual eu não queria, invadiu meus pensamentos.

Paris

Era manhã de junho de 1612. As árvores balançavam de uma forma bela pelos campos. Eu estava completamente perdida, apesar de conhecer o mundo como a palma de minha mão – na verdade, eu estava perdida por não encontrar o meu próprio lugar perto de tanta gente, e nem sei por que procurá-lo, esse aqui não era meu lugar, e nunca foi. Subi em um carvalho, fiquei sentada sobre seus galhos olhando para o céu que agora estava nublado e opaco; O vento batia muito forte, fazendo-o o galho balançar às vezes. Eu estava em minha verdadeira forma humana, que também é minha forma angelical: Um cabelo longo e sedoso louro, uma pele de bronze e os olhos... Ah, os olhos... De um preto perfeito quase vácuo. Esse era o verdadeiro eu, essa era eu. Tentei relaxar, fechei os olhos e deixei que o vento me guiasse, quando uma voz vinda a baixo me chamou:

— Christabel! – Era Davi, meu irmão.

Sorri e pulei um salto perfeito, cai em pé, nem se quer dobrei os joelhos ao encostar ao chão.

— O que? – perguntei depois que o abracei, ele me rodopiou no ar e depois me pôs no chão.

Seus olhos brilhavam, ele estava sem camisa e suas asas estavam soltas, duas enormes asas brancas, quase cinzas e quase brilhantes.

— Falei com Meredith e Joseph, disseram-me que hoje começa a grande queda, a grande rebelião, vamos ter uma imensa audiência com os Arcanjos, até mesmo nosso Pai estará presente.

Ele falava como se fosse ser a coisa mais natural de todas, eu virei o rosto. Ainda não tenho certeza de que cair e isso mesmo que eu quero. Não sei o que fazer aqui fora! Só sei que cair é uma coisa na qual eu sonhava todos os dias há alguns meses atrás, mas agora, de alguma forma, é diferente.

Abrir os olhos e deixei com que essas lembranças sumissem de vez. Eu não queria me lembrar disso, não queria me lembrar do quase erro que cometi. Olhei para o relógio digital ao lado da cama, ainda eram 19h00. Levantei a fim de fazer qualquer coisa, escrever um email à Amélia ou fazer a lição de casa do mês que vem. Antes de chegar perto à mesa, me virei e encarei o espelho, um sorriso um tanto triste apareceu em meu rosto. Essa agora sou eu. Pálida, magra e cabelos negros. Respirei fundo, olhando para o reflexo do novo eu, tão diferente do antigo. Tão diferente do natural.

Abri minha caixa de emails, como eu esperava, havia sete emails de Amélia; um atrás do outro. No primeiro dizia:

Para: sophie008@aol.com

De: amléliasamp@gmail.com

Enviada: Segunda-feira, 03/08 às 18:35

Assunto: RESPOONDE AGORAA!

Sophie? O que aconteceu com você hoje na aula? Eu poderia lhe pegar e lhe sacudir de um lado para o outro! Quero saber exatamente o porquê dessa demora! É sobre Davi? Claaro! Claro que sim. Quero que você me conte tudo por email já que não consegue me contar pessoalmente.

Comecei a sorrir, e ao mesmo tempo, tentei pensar em alguma história convincente para contar a Amélia. Eu não podia contar que Davi e eu somos dois anjos, eternamente almadiçoados a vagar por essa terra. Então comecei:

Para: amléliasamp@gmail.com

De: sophie008@aol.com

Enviada: Segunda-feira, 03/08 às 19:34

Assunto: Calma!

Amélia, que isso?

Eu estava no meio de um jantar com meus pais. Demora nada! Não estou escondendo nada também. Bem, Davi é um primo... De 3º grau, da família do meu pai e... Longa história. Bem, é isso. Quando éramos crianças ele me afogou na piscina de plástico do tio patinhas, lembra-se dela? Então, a gente se ver amanhã. Tenho que terminar um trabalho de história e sim, acho que ele vai estudar na nossa escola e sim, ele é solteiro. Beijos.

Notas finais
Um capítulo a cada três dias, não sou de ferro. :) Espero que gostem.