Chosen: A Ascensão
12 Alex
– Tudo que sei é que Joseph está jogando nos dois lados. Também tenho certeza de que ele deve ter o Conselho a seu favor, e por um tempo cheguei a pensar que Anthony estava com ele. Mas agora tenho 100% de certeza de que Anthony Graymane é o único tentando fazer alguma coisa a respeito da corrupção na Ordem. – Explica Lana. – Quanto a esse tal de Sebastian, não faço ideia de quem ele possa ser. Não sei o porquê de 21 de agosto ser tão importante. Só temos de tomar muito cuidado, Quinn, independente do que façamos. Joseph está monitorando cada movimento meu. E seu também, para ser sincera. Não sei como, mas está. Ele sempre sabe onde você esteve, para onde vai, com quem conversou... Quinn, eles planejam te fazer recuperar todos os fragmentos e depois roubá-los. Usarão os recursos e laboratórios da BS para fabricar armas patrocinadas pela Bowden e depois as venderão para quem pagar mais. Isso, em parte, é culpa minha. Descobri que a energia e as propriedades da Pedra poderiam ser direcionadas para produção de armas de destruição em massa, já que a potência dela é enorme. Se os fragmentos forem usados para esses fins, teremos uma guerra em escala mundial a caminho. Mas ela não será justa. O lado que detiver o armamento feito a partir da Pedra mutilará quem quer que apareça em seu caminho. Se, de fato, chegarmos a tanto, a Bowden fará Hitler merecer o Nobel da Paz. Estou falando de milhares de soldados e civis mortos em questão de minutos. Cidades simplesmente desaparecendo do mapa. A coisa seria feia. Só não sei o que podemos fazer sobre isso. Somos duas contra duas das maiores Organizações do planeta, e só Deus sabe quem mais está participando disso.
Tenho que pensar. Preciso fazer alguma coisa. A Ordem está corrompida há anos e eu nunca percebi. Anthony esteve sozinho na batalha por tanto tempo. Coisas gigantescas estão acontecendo e ninguém faz nem ideia. Joseph está ajudando a patrocinar uma guerra e me usando como soldado. Está usando Lana e todo o resto da Ordem como soldados. Treinando seus guerreiros e assassinos, preparados para, assim que a ordem for dada, exterminar tudo e todos em seu caminho. Dispostos a tudo para satisfazer seus líderes. Como eu nunca percebi isso? Desde pequenos, somos treinados para isso. Colocam em nossas cabeças que estamos fazendo o correto e lutando no lado certo, por propósitos justos e bons. Agora, tanto a Bowden quanto a BS detêm de um número gigantesco de pessoas altamente especializadas nas mais diversas áreas, espalhadas pelo globo. E o resto do mundo não faz nem ideia. Somos como um poderoso vírus ainda não descoberto. Estamos em todo lugar, mas ninguém nos vê ou sabe que existimos. Uma vez que encontrarmos nossa primeira vítima, é só uma questão de tempo até que todos estejam infectados. E assim a guerra se espalhará, porém, não há ninguém verdadeiramente preparado. Não haverá sinais de que a batalha se aproxima. Serão apenas pilhas de corpos jogados nos cantos, caso decidamos começar. As Ordens são assim poderosas.
– Lana, o que faremos? – Digo, abismada. – Temos gente demais atrás dessa Pedra. Quantas daquelas caixas rastreadores existem?
– Apenas uma, até onde eu sei. Apenas eu sou capaz de reproduzi-la e só a BS tem uma. Mas como eu havia falado no outro dia, a caixa é o jeito mais fácil de procurar os fragmentos, não o único.
– Joseph tem acesso às informações fornecidas por ela, certo? Ele te obriga a fornecer relatórios semanais sobre as atividades da caixa, não é?
– Sim, mas não sei onde você quer chegar, Quinn. Admiro sua coragem, porém você está sendo ingênua se acredita que temos condições de enfrentá-los sozinhas. – Fala Lana. Ela ainda não compreendeu meu plano.
– Forneça relatórios falsos.
– Você está louca.
– Forneça relatórios falsos até encontrarmos gente suficiente para lutar ao nosso lado. Do mesmo modo que eu e você somos contra essas coisas, deve haver mais gente. Faça-os acreditar que a caixa não está encontrando o próximo fragmento, mas me mande para a próxima localização. Recolherei o máximo de fragmentos que conseguir sem ser notada. – Lana ri ironicamente enquanto a multidão vibra com alguma coisa no Pentágono.
– E depois o quê, hein? Digamos que a gente consiga encontrar todos os outros fragmentos. O que acontece com eles? Não importa o que façamos. Alguém vai acabar conseguindo usá-los de maneira... Fatal. Pense um pouco, Quinn.
– Não importa o que faremos. Por enquanto, manter a Pedra longe da Bowden basta. – Lana balança a cabeça, não convencida. – Você precisa fazer isso, Lana. Tem muita coisa em jogo. Rastreie os fragmentos e faça os relatórios falsos, entregue-os para Joseph e faça-os convincentes. Deixe o resto comigo. Não o dê motivos para suspeitar, Lana. Vamos dar um jeito nisso. A Bowden não vai conseguir todos aqueles fragmentos enquanto eu estiver viva.
– É, tá bom. Serei convincente, farei os relatórios e rastrearei os próximos fragmentos. Mas como vamos saber quem está do nosso lado? Não podemos simplesmente sair espalhando o que pode acontecer por aí e esperar que as pessoas queiram nos ajudar. Querer enfrentá-los é quase um desejo suicida!
– Deixe que eu me preocupe com isso, ok? Só... Faça o que eu pedi. Tudo vai dar certo.
Lana se levanta e me deixa sozinha n’O Covil. Ela parece irritada. Preciso pensar. Jared está fora de cogitação no momento. Se esse tal de Sebastian é um problema para eles, talvez possamos usá-lo a nosso favor. Lana está certa quanto a procurar “recrutas”, não posso sair por aí perguntando. Terei de esperar por uma oportunidade para testar a lealdade (e a sanidade) dos membros. E agora não é o momento. Preciso encontrar Anthony, ele me deve algumas explicações. Sem contar que ele pode saber mais alguma coisa sobre essa história das armas e toda essa corrupção rolando na Ordem. Até onde eu sei agora, há pessoas procurando pela Pedra por diversos motivos. Pouco me importa quais são. Nas mãos erradas, os fragmentos podem causar muita coisa ruim. Isso porque ainda não descobrimos quais são todas as propriedades da Pedra e qual a sua verdadeira função. Esses são apenas alguns dos seus usos. Só sei que se a Bowden quer patrocinar uma guerra, esse é problema deles. Não vou permitir que a BS seja parte disso. E se evitar uma crise for o que vier junto, vou considerar um bônus. Começarei caçando todos os fragmentos. Depois, precisarei arrumar um jeito de recuperar os que a Bowden já possui. Essa provavelmente será a parte mais difícil. Mas eu nunca disse que seria fácil, certo? Tenho que procurar me manter positiva. Não pretendo fazer tudo isso sozinha, precisar de ajuda é iminente. A questão é encontrá-la. Toda essa situação é muito louca e confusa. Pensar sobre isso me deixa um tanto indignada. Há quanto tempo Anthony deve saber disso e nunca disse nada?
Depois de um tempo, levanto-me e deixo O Covil também. A multidão se dissipou. Agora há apenas Joe e mais algumas poucas pessoas bêbedas vagando por aí. Sinto a cabeça cheia. Minhas preocupações são como águas profundas para aqueles que não sabem nadar: elas penetram meu corpo e me arrastam para o fundo, lentamente acabando comigo. Entretanto, pensando bem no assunto, talvez ainda haja alguém disposto a usar a Pedra para fabricar energia limpa. Esse seria um bom uso para ela. Ou talvez alguém disposto a estudá-la, entender como ela surgiu ou de onde veio. Eu só preciso achar esse alguém. E rápido.
Fora do Alojamento B, resolvo passar na Sede e ver se Anthony está por lá ou se alguém o viu. Preciso dele agora mais do que nunca. O sol já está quase nascendo quando chego ao hall de entrada da Sede, onde as pessoas estão observando uma pequena confusão bem na portaria. Aproximo-me. Enxergo uma cabeleira dourada ao longe, cercada de guardas brutamontes. Chego mais perto, a cabeleira ganhando forma entre eles. Um garoto tenta convencer os guardas de algo. Ele arrisca passar por eles, adentrar no edifício, mas não consegue. O garoto grita e esperneia, alegando ser um membro e achar um absurdo estar sendo impedido de entrar. Quando chego perto o suficiente, percebo que o garoto veste um short estampado, camiseta regata branca bem colada e um tênis. Seu estilo lembra muito um surfista. A pele bronzeada e os cabelos dourados, aqueles colares e pulseiras pendurados. O corpo definido e porte atlético. Seu cabelo é comprido, mas não muito. Passa um pouco das orelhas, porém não chega aos ombros. Ele é (muito) bonito, para falar a verdade. Seus olhos estão escondidos por trás de um Ray-Ban preto.
– Ah, qual é! Eu moro aí! – Grita o garoto para os guardas. – Chamem alguém, sério. Eu tô aqui há meia hora, preciso ir ao banheiro! – Ao me aproximar mais ainda, percebo quem estou encarando, mas não acredito. Quando me dou conta do que estou fazendo, já é tarde demais. Ele me viu e sorriu para mim. Aquele maldito sorriso esnobe e inevitavelmente encantador. – QUINN! – Grita ele. – Hey, eu conheço ela ali. Aquela ruiva bonita! — Os guardas se viram para me encarar. Alguns riem e cochicham entre si.
– Senhorita Fabrey, você conhece esse garoto? – Pergunta um deles, sério e pronto para chutar o intruso para fora da Sede. Respiro fundo e respondo com calma.
– Infelizmente sim. Ele é da Ordem... – Os guardas saem de perto dele, parecendo tristes por não poder enxotá-lo do prédio. O garoto se aproxima alegre, sorridente. O que fizeram com ele?
– Quinn! – Diz ele, ao tentar me abraçar. Esquivo na mesma hora. O garoto faz uma cara confusa.
– ALEXANDER BLACKTHORNE, NÃO SE ATREVA A ENCOSTAR EM MIM! – Digo aos berros no meio do saguão. Alex está de volta, mundo. Dou uma boa olhada nele, de cima a baixo. – Que diabos fizeram com você?
– Ah, isso? – Diz ele, apontando para si. – Bem, estive numa missão à paisana, sabe... Na Cali. Tive que me misturar, Quinn.
– Aos surfistas? Seu cabelo está mais brilhoso que o meu... – Falo. Ele ri.
– Senti saudades desse seu... humor. Nós devíamos dar uma volta na Califórnia um dia desses. – Diz ele, dando uma piscadela para mim e mascando chicletes. Novamente, ele esboça um sorriso charmoso que revela seus dentes brancos. Alex tira os óculos para dar uma olhada em mim. — Você está tão bonita quanto me lembro. — Sou obrigada a conter um sorriso quando ele diz isso.
– Nós não vamos fazer nada, Alex. – Aproximo-me dele, nossos narizes quase se tocando. Falo lentamente e de um jeito que sei que vai doer. – Não há mais “nós” e pouco me importa se você me acha bonita ou não. – Viro-me e caminho em direção à saída, ignorando completamente meu antigo objetivo de falar com Anthony. Alex vai atrás de mim.
– Você faz questão de lembrar disso sempre, não é? Olha, assim que eu voltar a ser, bem, eu, gostaria de conversar. Tomar um café, sei lá. Colocar o papo em dia. Que tal? – Estava pronta para recusar, soltando algum comentário sarcástico e maldoso, porém algo me ocorre: Se vou precisar de aliados, Alex é quem preciso. Ele pode ter me traído, mas sua lealdade à Ordem e aos seus propósitos é enorme. Se falar com ele sobre isso, vai aceitar me ajudar. Só preciso achar a situação perfeita.
– É, um café. – Falo, sorrindo e usando todas as minhas maravilhosas habilidades de dissimulação. Satisfeito, ele diz que me encontrará depois. Balanço a cabeça em concordância.
Aparência diferente, o mesmo idiota. Espera só até Jared... Eu ia dizer que estava ansiosa para falar com Henning sobre isso, mas não posso. Não sei se realmente quero, mas é força do hábito. Compartilhei boa parte da minha vida com ele, cortá-lo fora não será fácil. Novamente, serei obrigada a contar com a minha ótima atuação e dissimulação. Farei ele acreditar que tudo está bem, que não sei de nada. Isso não deve ser lá muito difícil. Ainda assim, não posso dar bobeira. Jared não é tão idiota e ingênuo quanto Alex, terei de ser convincente. Ele pode ser tão manipulador e fingir tão bem quanto eu. Ok, talvez não tanto assim. Mas ele é bom. Jared não pode desconfiar, ou vai acabar falando alguma coisa para Joseph e já sei onde isso vai levar. Henning não vai suspeitar. Não vai nem saber o que o atingiu. Quando perceber, já vai ser tarde demais.
Sei que deveria estar com muita raiva de Alex pelo que ele fez, mas admito que grande parte disso já passou. Meus sentimentos por ele não passam da mais pura indiferença. Entretanto, estou feliz por tê-lo aqui. Agora que não consigo mais confiar em Jared, ter um amigo ao meu lado pode me fazer bem. Alex pode não ter sido o namorado mais confiável, mas acho que ele pode ser um bom amigo. Quero falar com alguém, porém sinto que a falta de intimidade entre Lana e eu ainda é grande e atrapalha. Nunca pensei que fosse dizer isso novamente, mas eu meio que preciso de Alex agora.
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