Chosen
2 Fazendo amizades
Notas iniciais
SEGUNDO CAPITULO:
Ao entrar na sala encontrou Aghata sentada nos fundos, guardando um lugar para Catherine, ela não pode deixar de sorrir com aquilo, mal conhecia a garota, mas já simpatizava com ela. Cathe sentou-se ao lado de sua nova amiga que não esperou um minuto sequer para bombardeá-la com um interrogatório
–E então — começou animada- Como foi à aula de biologia?
–Boa, mas como sabia que eu teria aula de literatura com você!
–Boa? — perguntou Aghata com a sobrancelha arqueada — Não aconteceu nada de interessante?
Por um instante Cathe ponderou se deveria ou não contar a ela sobre sua breve apresentação na aula de biologia, e por fim decidiu que não.
–Não!
–Você mente muito mal, e está sendo monossilábica, isso me deixa nervosa! Olha todos já sabem do deslize de Thomas durante a aula, e quando digo todos, quero dizer a escola inteira.
–Se já sabe o que aconteceu então porque está me perguntando?
Aghata abriu um enorme sorriso e respondeu.
–Eu soube por terceiros e ir direto a fonte é muito mais eficaz! — E naquele instante a professora entrou na sala interrompendo qualquer coisa que Cathe pretendesse falar, o que a fez lembrar que Aghata não havia respondido sua pergunta.
A professora falava sobre matérias e livros que Catherine estava cansada de ler, aquilo tudo era muito fácil e muito entediante, por isso quando se deu conta já havia desenhado o nome dele na contra capa de seu material de literatura, sabia que estava sendo observada por Aghata, por isso tratou de fechar rapidamente o livro. Por alguns instantes deixou as mãos pressionadas sobre a capa do livro, mantendo ali segredos que ela mesma desconhecia. Fingiu prestar atenção no que era dito pela professora, mas sua mente se perdeu facilmente.
“-Luna! Luna! -chamou o pequeno garotinho de cabelos cor de cobre — Onde você está Luna? Quero te mostrar uma coisa... Luna...
–Pare de gritar, logo vão vir brigar com a gente! — Disse a garotinha.
–Tudo bem, me desculpe! Mas vamos, quero te levar a um lugar que descobri.
A garotinha fixou seus olhos opacos na direção do irmão.
–Eu não sei não, a mamãe e o papai me pediram para não sair hoje, está nevando, pode ser perigoso para mim. -Ela respondeu receosa.
–Confie em mim Luna, não vou deixar que você se machuque, além do mais, não vamos sair de casa, não é perigoso — Ele disse segurando as pequenas mãos de sua irmã entre as suas.
Ela sabia que podia confiar nele, se sentia segura sempre que estava com seu irmão, sabia que ele sempre estaria segurando sua mão, jamais a deixaria se perder.
–Tudo bem — Respondeu com um pequeno sorriso brincando por seus lábios.
Ainda com as mãos entrelaçadas eles saíram do quarto, enquanto avançava pelos corredores da enorme casa ela pode sentir a mudança de temperatura. Aquele era o terceiro andar, a parte da casa a qual eles geralmente não tinham acesso, as cortinas ali estavam sempre fechadas, principalmente nessa época do ano, quando eles vinham passar as férias.
–O que estamos fazendo aqui Lucky? O papai não gosta que venhamos até aqui, acho melhor voltarmos. Podemos pedir chocolate quente á Auguste e brincar no meu quarto até que nossos pais voltem!
–Não seja medrosa Luna, confie em mim, não a nada de errado. -Ele disse apertando levemente as mãos dela sob as suas.
Eles param em frente a enormes portas duplas, ambos colocaram suas mãos sob a madeira que estava fria pelo inverno, e empurraram. Tiveram de exercer um pouco de força, as portas eram de madeira espessa e maciça.
Entraram em uma grande sala adornada, o cheiro que invadiu as narinas da garotinha a fez sorrir, não havia nada no mundo que ela gostasse mais do que livros, com exceção é claro de seu irmão e seus pais.
–Onde estamos Lucky? Nunca estive em uma sala tão cheia de livros!
–É uma torre Luna, é nossa torre encantada, só eu e você podemos vir até aqui agora, só nós!
–Mas como vamos escondê-la dos outros? Como vamos esconder todos eles dos nossos pais? -Ela perguntou confusa. — Qualquer um pode entrar aqui!
–Não pode não Luna, os adultos são distraídos, eles nem se lembram mais que este lugar existe.
–Você é incrível Lucky! — Disse ela pulando sobre o irmão- Incrível, o melhor irmão do mundo! O melhor!
–Você também Luna, você também."
–Ei, Cathe! Olhe para mim, você está me ouvindo?
Catherine ouvia a voz de Aghata, mas não conseguia responde-la, muitas coisas passavam por sua mente, mas nenhuma delas era suficientemente coerente para formular uma resposta.
–Vamos Cathe, o sinal já tocou, levante-se logo, não posso te esperar para sempre.
Cathe fixou seus olhos na garota a sua frente, sua visão ainda estava turva, mas livrou-se da latergia e dirigiu-se á Aghata.
–Tudo bem, vamos!
–Você é muito estranha novata! -Aghata disse com as sobrancelhas erguidas. — A sua sorte é ter um pouco de charme.
–Bom, disso eu já sabia, e não diga besteiras. — Cathe disse caminhando para o refeitório. -Mas vamos andando, eu estou morta de fome.
Elas caminharam em meio à multidão de alunos, e todos eles, de alguma forma conseguiam encarar Catherine, e agora que a maior parte deles sabia quem ela era a olhavam com maior curiosidade.
–Você é a mais nova celebridade de New Lighshine!
–Por favor, não diga isso, eu odeio todas essas pessoas me encarando como se eu fosse a mor...
–Como se você o que? -Aghata perguntou com a sobrancelha arqueada.
–Nada, eu não ia dizer nada. -Catherine disse sorrindo cinicamente.
–É claro que não ia. -Aghata a encarou fixamente e Cathe sentiu que ela podia ver muito além do que deixava transparecer.
As duas continuaram o restante do caminho em completo silêncio. E quando entraram no refeitório, grande parte dos alunos olharam na direção das duas, Cathe apenas continuou andando até a fila, enquanto Aghata gargalhava atrás dela.
–Dá para parar de rir? –Cathe perguntou irritada. – Alias, do que diabos você está rindo?
–Estou rindo de você novata. Para alguém que com tanta fama e tanto dinheiro, já deveria estar acostumada ao assedio.
–Isso não é tipo de coisa á que você se acostuma.
–Eu me acostumaria muito fácil. E eu não entendo o porquê de você estar tão assustada, até parece que algum de nós vai pular em cima de você e te atacar.
–É que eu nunca estive num colegial antes Aghata, é um pouco estranho, não sei como agir, o que dizer, não sei o que as pessoas vão pensar de mim, eu estou ansiosa, dá pra acreditar? –Catherine perguntou elevando a voz. — Eu nunca me senti assim antes, eu nunca fui insegura, e eu odeio ter que estar aqui quando eu poderia estar por ai fazendo coisas bem mais interessantes.
– Tudo bem, eu te entendo. –Cathe olhou por cima do ombro e arqueou a sobrancelha. – É serio Cathe, entendo mesmo, só que você não tem motivos para se sentir assim, você está perfeita!
Aghata encarou Cathe por alguns instantes, prestando verdadeira atenção na garota á sua frente, em suas roupas, seus cabelos, em seu modo de agir e se movimentar. Catherine parecia ter sempre certeza do que fazer, de como fazer, e do que falar. Possuía feições angelicais, embora seus olhos fossem azuis e frios como gelo, e aparentassem algo que Aghata não conseguia distinguir, mas que a fazia hesitar, seu olhar era vigilante, ela parecia o tipo de pessoa perceptiva e pronta para detonar alguém, e que via além do que qualquer um teria coragem de mostrar. E tinha alguns traços um tanto infantis, mas qualquer um que a olhasse jamais vereia uma criança ali. Algo em Cathe a deixava intrigada, ela era diferente, Aghata á conhecia há pouco tempo, mas percebeu que Catherine era algo muito mais além do que uma simples garota órfã e rica, ela era contida, mas não de um jeito evidente, estava sempre na defensiva, quase sempre monossilábica, ela parecia ter algo á temer e a esconder. Além da beleza que transbordava por cada poro da jovem Bower.
Ela poderia ser modelo – PensouAghata– Ela se parece com uma.
Era um tanto injusto que Cathe fosse tão bela e ao mesmo tempo tão rica, ao analisar as roupas da novata percebeu o quão bem vestido ela estava, todas as peças evidenciavam boas marcas, marcas essas que Aghata conhecia muito bem. O jeans justo e escuro mostrava que a novata tinha um belo corpo, a regata branca era simples, mas não á desvalorizava em nada, e para completar uma bela jaqueta caramelo.
–Ah meu Deus! –Exclamou Aghata. – Os sapatos, eu não acredito!
–O que tem os meus sapatos Aghata? Você tem algum problema com saltos? –Cathe perguntou irônica olhando para os sapatos dela enquanto pegava dois bolinhos de chocolate.
–Não seja boba, você fez muito bem em usar salto, grande parte das garotas usa sapatos assim, é claro que você não precisa usar todos os dias, mas quando usar ninguém vai olhar feio para você.
–Então o que foi? –Ela perguntou novamente. Ainda se servindo, dessa vez pegando uma garrafa de suco, acompanhada por Aghata.
–São DOLCE & GABBANA Cathe! –Ela disse fazendo a novata dar de ombros. –E pare de fingir que não se importa! –Disse nervosa. — Agora me responda quem você matou para conseguir esses sapatos? Eles são da coleção outono inverno.
–Não matei ninguém. –Cathe respondeu enquanto as duas se encaminhavam para o caixa. – Simplesmente os comprei.
–Comprou, mas eles só estão disponíveis para celebridades, modelos ou...
–Ou quem pode pagar por eles Aghata! Eu os vi, gostei e resolvi compra-los, não haja como se eu estivesse partindo para Marte.
–Tudo bem, mas quando se cansar deles, pode dá-los para mim. E só mais uma coisa, como você vai comer tudo isso? –Ela perguntou apontando para a bandeja de Cathe.
Catherine olhou para sua bandeja e depois para Aghata sem entender o que ela dizia, afinal ali não tinha nada de mais.
–Como assim “tudo isso”? –Cathe perguntou depois de pagar pela comida das duas.
–Cathe, ai tem dois bolinhos de chocolate, uma fatia de pizza, bolo de carne, uma maça e um suco, e nem sei se você vai comer mais.
–Sempre comi assim Aghata, não sou do tipo que enlouquece contando as calorias do que come. Gosto de comer!
–Eu também, é só que você é tão bonita, e pessoas ricas tem mania de dietas. –Disse dando de ombros como se aquilo justificasse algo. Cathe apenas balançou a cabeça e deu uma mordida enquanto alguém se sentava ao seu lado.
–Não fique atormentando nossa nova colega Aghata, ela é muito bonita, um bolinho a menos ou um a mais não fará diferença. –Chris disse dando um beijo na bochecha de Cathe, fazendo-a sorrir.
– Oi Chris. –Aghata disse com a voz carregada de tedio.
–Olha só pessoal, nosso querido Christopher já tem intimidade com a Bower. – Disse Thomas que estava parado em frente à mesa de Cathe, ao lado de duas garotas que ela não conhecia.
–Se você não fosse tão idiota também poderia ter intimidade, ou quem sabe até amizade com alguém. – Chris falou á Tomas que se sentou ao lado de Aghata, enquanto as duas garotas se sentavam perto de Cathe e Chris.
–Ah Chris não seja maldoso, eu tenho amigos, ou vocês não são meus amigos? Talvez até a Bower queira ser minha amiga!
–Qual é o seu problema? –Catherine perguntou irritada. – Eu tenho um nome, caso você ainda não tenha percebido.
–Bom, deixando as discussões de lado, quero te apresentar o resto do pessoal. –Disse Aghata interrompendo a troca de olhares zangados entre Tom e Cathe. –Essa é Selena, a irmã do Chris. –Ela disse apontando para uma garota baixinha, de rosto e formatos arredondados que não se parecia em nada com Chris e seus traços angulosos. Sua pele era quase tão branca quanto à de Cathe, os olhos eram de um verde muito forte, e seus cabelos extremamente lisos eram loiros platina, quase brancos. Ela era bonita, mas algo nela intrigava Catherine, e isso não era algo bom.
–Olá Catherine. É um prazer conhece-la. — Ela disse dirigindo-lhe um sorriso brilhante.
–Pode me chamar de Cathe, e é um prazer conhece-la também Selena.
–E essa sentada ao seu lado é Arya. –Catherine olhou para a ruiva sentada ao seu lado. De algum modo ela pareceu diferente das outras garotas da mesa. Ela tinha uma aura que exalava força e sabedoria e seus olhos castanhos e brilhantes eram calorosos. Cathe gostou dela, seu cabelo abaixo do queixo era completamente desfiado e jogado para todos os lados, dando peso ao seu rosto fino e de traços angelicais. Suas roupas eram despojadas e ousadas, Catherine pode perceber que ela definitivamente tinha estilo.
–Oi Arya, gostei do seu cabelo. –Disse sorrindo para a garota.
–Obrigada Cathe.
–Bom agora que as apresentações foram feitas, será que eu poderia comer Aghata?
–Mas é claro novata, só tente não se lambuzar. –Ela respondeu irônica dando uma mordida em uma maçã.
Cathe apenas rolou os olhos e continuou a comer seus bolinhos enquanto os outros conversavam sobre assuntos banais que não eram de seu interesse. E enquanto comia com os cabelos lhe cobrindo o rosto podia sentir o calor dos olhos de Thomas sobre ela. Talvez ela voltasse atrás sobre dar uma nova chance á ele.
–Qual a sua próxima aula Cathe? –Lhe perguntou Arya.
–Eu não sei, mas acho que é no ginásio.
–Ótimos todos nós vamos para lá também.
–Tudo bem, eu já acabei. Mais alguém vai agora?
–Nós todos vamos agora Cathe, olhe para trás, somos praticamente os últimos aqui. –Disse Chris ao seu lado.
Cathe olhou por cima do ombro e viu que somente algumas pessoas ainda estavam no refeitório. Chris se levantou e estendeu a mão para ela que a segurou de bom grado, enquanto todos os outros se levantavam com exceção de Thomas que estava resmungando algo que Cathe não entendeu.
Enquanto desciam as escadas Selena se dirigiu á Cathe.
–Você é boa em algum esporte Cathe?
Catherine sorriu, ela era boa em muitos esportes, e uma viciada em adrenalina.
–Sim. –Ela respondeu com um enorme sorriso. – Eu sou boa em vários esportes.
–É mesmo? –Perguntou Aghata. — Por exemplo?
–Natação, vôlei, futebol, Box, jiu-jitsu.
–Sorte sua, porque hoje teremos teste físico. –Disse Aghata com a voz arrastada.
–E porque vamos fazer teste físico?
–Porque o treinador é louco, todos os anos ele nos obriga a fazer este maldito teste para ver nossas aptidões e nós encaixar em alguma equipe, mas com os veteranos ele só quer saber se aprendemos alguma coisa durante o verão. –Tom disse a Cathe, ela não havia percebido que ele estava ao seu lado e por isso se assustou fazendo com que ele sorrisse.
–Você pode me dizer por que motivo você sabe lutar Box? –Arya perguntou parecendo surpresa.
–Bom, meu pai era brasileiro, e antes de ir pra Itália e conhecer minha mãe a família dele era dona de uma academia, então eu... –Cathe parou de falar assim que eles passaram pelas portas duplas e chegaram a um largo corredor. As paredes eram cobertas por várias fotos, troféus e matérias de jornal, mas o que a chocou foi que estava pintado na parede direita logo á sua frente. No topo da parede as palavras “Ginásio Elizabeth Bower” estavam pintadas em vermelho sobre o fundo branco em letras garrafais, e abaixo das palavras um enorme pintura á óleo emoldurada em uma madeira escura exibia uma mulher muito bonita ao lado de sua família. Ela era tão bela, suas feições tão calmas e doces, Cathe se lembrava muito bem do som de sua voz e do sorriso caloroso que tinha visto em várias fotos. Seus olhos grandes e verdes brilhavam como esmeraldas, e seu sorriso recatado era encantador. Seus cabelos eram negros como ébano e desciam livremente até sua cintura, em um perfeito contraste com sua pele de marfim. O homem ao seu lado era igualmente belo, tinha a pele bronzeada, mas seus olhos eram de um azul tão intenso quanto os de Cathe, seus cabelos castanho acobreados estavam desalinhados combinando perfeitamente com seu sorriso brincalhão, ele tinha nós braços uma garotinha com pouco menos de um ano e de olhos opacos, enquanto a bela mulher segurava a mão de um garotinho que se parecia muito com o pai, mas tinha os impactantes olhos verdes da mãe.
Cathe saiu de seu estado de transe e deu um passo a frente parando próxima ao quadro fazendo com que o grupo a encarasse sem entender. Ela estendeu a mão tocando o quadro a sua frente, e sem se conter soltou um suspiro, deixando que uma lágrima rolasse por seu rosto.
No instante seguinte sentiu a mão de Chris em sua cintura e virou-se para ele, eles se olharam nos olhos e Chris deu um sorriso sem humor, Cathe não hesitou em afundar seu rosto na curvatura do pescoço dele e deixar que algumas lágrimas rolassem, ele deu um beijo no topo de sua cabeça e levantou seu rosto suavemente com a ponta dos dedos.
–Com o tempo você se acostuma com a dor e com a ausência deles. –Chris falou em seu ouvido.
–Foi minha culpa Chris, todos eles morreram por minha culpa.
Mas Chris não disse nada, apenas enxugou o rosto dela com a ponta dos dedos, e assentiu, passou a mão por sua cintura e a conduziu de volta aos colegas a olhavam atordoados.
–O que houve Cathe? –Aghata lhe perguntou com a voz um pouco alterada.
Mas Catherine não falou diretamente a ela, seus olhos estavam focados no rapaz de pele bronzeada á sua frente, Tom mantinha os olhos fixos nos dela e Cathe podia ver claramente as perguntas que ele fazia a si próprio a respeito de Cathe, e foi a ele que ela respondeu.
–São os meus pais, Elizabeth e Samuel Bower, me desculpem por isso. –Ela disse colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha. – Eu só não me acostumei ainda, e estar aqui, nessa cidade onde tudo tem um toque deles me deixa um pouco mais sensível.
–Tudo bem Cathe, você não precisa se desculpar por isso. –Cathe se surpreendeu ao ouvir a voz de Selena, direcionou seu olhar para ela e a viu morder os lábios e baixar o olhar, mas ela ainda podia sentir o teor do que se passava dentro da garota de cabelos platina. Mas logo seus olhos voltaram a Tom, mesmo enquanto eles recomeçavam a andar, Cathe conseguia manter o olhar sobre ele, e antes de chegarem ao local onde estavam o restante dos alunos e o treinador ela sentiu a mão dele sobre a sua lhe dizendo coisas e lhe passando um tipo de conforto que ela não esperava receber dele.
–Por favor, alunos, aquietem-se, todos para cá, vamos, todos reunidos aqui! –Cathe e o restante do grupo foram para onde o treinador estava.
Ele era um homem alto e corpulento, mas forte. Tinha cabelos pretos e grandes entradas que ficavam evidentes a cada sorriso que dava para os alunos que se aglomeravam ao seu redor. Usava calças de moletom e um agasalho cinza com o logo da escola e o nome “Sr. Brandon” bordado em letras pretas. Cathe o conhecia de algum lugar, sua voz era estranhamente familiar, mas ela não conseguia se lembrar de onde.
–Parece que temos uma novata. –Ele disse sem realmente olhar para ela, mas quando o fez, ele abriu e fechou a boca algumas vezes, sem saber o que dizer, até que seus olhos se abriram de um jeito alarmante.
–Eu sou Catherine Bower, mas me chame de Cathe.
–Bower? Catherine Bower, a pequena Cathe? Filha da Liza?
Catherine apensa deu um aceno positivo, sequer teve tempo de formular uma resposta, pois se sentiu sendo tirada do chão por um abraço de urso, mas que não teve nenhum efeito.
–Cathe, pequena Cathe! Ah meu Deus como você cresceu criança! E está tão bonita. – O homem depositou Cathe no chão, e lhe deu um afago na cabeça, enquanto os alunos tentavam conter as risadas.
Ela olhou para o homem e sentiu que o conhecia, sua aura e sua voz, até mesmo sua tentativa de abraço sufocante lhe eram muito familiares.
–Eu conheço você. –Cathe disse sorrindo de lado. – Eu sei que conheço, mas não me lembro de onde treinador.
–Ora... Isso era de se esperar Luna, você era tão pequena e tão especial, você jamais se lembraria do meu rosto pequena. Mas e do “Grande” você se lembra? – Ele perguntou sorrindo e revelando as entradas.
–Grande! Eu não acredito, tio Grande! É claro que eu me lembro! Mas, desde quando você é treinador?
–Luna minha criança, eu já era treinador quando você era pequena, mas isso não importava muito pra você não é mesmo?
Ambos começaram a gargalhar, mas os alunos ao redor deles não pareciam achar mais tanta graça, na verdade eles não compreendiam nada. Mas algo alarmou Cathe, ao seu lado, Tom prestava mais atenção á conversa do que era de se esperar, fazendo-se perguntas e observando Cathe.
– Tudo bem já chega pessoal. – Brandon disse com sua voz de trovão. – Garotas e garotos as roupas de banho estão no vestiário, às combinações de seus armários ainda são as mesmas e quem tiver ganhado alguns quilinhos é só me procurar. Cathe venha comigo, vamos procurar algo que sirva em você garota.
O treinador a levou até sua sala e abriu as portas duplas de um pequeno armário de canto, lá dentro Cathe viu várias caixas, de uma delas Brandon tirou um maio vermelho que jogou para ela.
–Você é um Chosen não é? — Ela perguntou com seu sussurro de soprano, mas que ela tinha certeza de que Grande tinha ouvido.
Ele se virou para ela e em seu rosto não havia mais sinal do sorriso caloroso, seus olhos azuis assemelhavam-se muito a lápis azule e tinham um estranho contorno vermelho na pupila, Cathe sabia que aquilo lhe tornava um tipo diferente de Chosen, ele não era só um escolhido, era acima de tudo um catcher, o que o tornava um tanto ameaçador.
–Isso não importa agora criança, vá para o vestiário e troque-se, seus colegas já devem estar prontos, mas vamos esperar por você.
Ela apenas acenou com a cabeça e saiu da sala. Quando entrou no vestiário todas as garotas olharam para ela, mas Cathe continuou andando sem olhar para nenhuma delas até avistar Arya nos fundos do vestiário encostada a um dos armários com o mesmo tipo de maio vermelho que ela havia recebido.
–Creio que este seja seu armário, ele está aberto e a combinação está lá dentro. –Por alguns segundos Arya olhou no fundo dos olhos de Cathe, deixando-a alarmada, e fazendo-a baixar os olhos, mas a garota não disse nada, só se virou e rumou para fora do vestiário com as outras garotas.
Cathe ficou sozinha lá dentro, e não estava nem um pouco a vontade, sentia um suor frio descendo por sua nuca e na palma de suas mãos, sua barriga parecia dar voltas e sua cabeça estava a ponto de explodir. Nadar não era um problema, mas aquele maio, o maldito maio iria revelar todas as cicatrizes de Cathe. Ela se despiu rapidamente e de costas para o grande espelho, e colocou o maio, tomou uma grande quantidade de ar e virou-se para o espelho.
Pela segunda vez no dia Cathe observou seu reflexo, sua pele extremamente branca ganhou ainda mais destaque no pequeno maio vermelho, e curvas que Cathe sequer sabia que existiam em seu corpo ficaram extremamente evidentes. Suas bochechas coraram ao imaginar os garotos que a veriam quando saísse do vestiário, e esse pensamento a fez dar as costas para o espelho, pegou sua bolsa e suas roupas e colocou no armário, voltou para o espelho e amarrou os cabelos. Tentou não olhar muito para seu corpo, mas os cabelos presos avivavam ainda mais as cicatrizes.
Por fim não podia mais prolongar e se dirigiu para a saída do vestiário, inspirou uma grande quantidade de ar e saiu.
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