Choque de Tempo
3 Capitulo 03 - A idéia de Challenger, o resgate de William e encrencas que estão por vir.
Nota da autora: Logo após os acontecimentos de “No Coração da Tempestade”, quando todos retornaram para a casa da árvore graças à ajuda de Abigail Layton, que esteve guiando Verônica durante as turbulências, se percebe que algumas coisas ficaram como fios com pontas soltas. A data para quando voltaram quando a tempestade acabou foi antes de o soldado de Xan vir buscar o Oroboros, possibilitando que Marguerite, com a ajuda de John, fosse até a caverna e juntasse ambas as partes obtendo, assim, o controle e domínio do medalhão. Também Finn não estava presente, pois Challenger havia reencontrado o teletransportador intacto, como se não tivesse feito a viagem para o futuro quando trouxe Finn. Apesar disso, todos os moradores da casa da árvore se lembravam de cada ocorrido, de cada pessoa que havia passado em suas vidas; era como se o platô lhes desse uma segunda chance, embora não soubessem o motivo disso, nem mesmo a data precisa em que estavam vivendo ou o que lhes aguardava no futuro.
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Na caverna, Challenger colocava a idéia relapsa que teve naquela manhã ao ouvir e ver tamanha angústia e tristeza de seu amigo.
C – Bem, talvez se eu voltar para alguns anos atrás... Ou melhor, se eu voltar para a data de depois de amanhã, mas há 14 anos, eu ainda terei a margem de voltar dois dias antes do ocorrido trazendo, assim, William para o platô e dando tempo para esses dois conversarem. Porém, não sei se dois dias é o suficiente para que eles acertem as contas, mas certamente servem para terem uma conversa de irmão para irmão, uma conversa que talvez nunca tiveram antes.
Com essas palavras, aprontando o teletransportador como planejado, Challenger segura seu chapéu firme na cabeça, se coloca no centro do círculo riscado no chão, bem no centro das energias da terra e fecha seus olhos. Ainda que receoso que algo desse errado, ele aguarda durante poucos minutos o feixe de luz que é direcionado para o refletor e volta para as paredes magnetizadas, inundando a caverna e passando diretamente por ele.
Ao abrir os olhos ele ainda se vê dentro da caverna, mas ouvia-se uma enorme gritaria do lado de fora, até mesmo uma voz semelhante à de John. Ao sair, Challenger se sente como se congelado, como talvez nunca tivesse sentido antes em suas experiências. “Por Deus, homem, o que foi que você fez? Não voltou dois dias antes, mas sim no momento exato da fatalidade e agora está diante da imagem que tanto assombra as memórias de John”.
Lá estava John, anos mais novo, empunhando seu rifle de caça, ainda estático, sem saber o que deveria ser feito, ouvindo os gritos de seu irmão – os gritos de medo e de horror de William – diante daquele gorila enorme lhe encurralando, pronto para sufocá-lo, para apertá-lo a ponto de quebrar todos os seus ossos matando-o de uma só vez. Challenger, ao ver a cena, soube que algo tinha que ser feito. “Vamos, George, faça alguma coisa. Você não está aqui para ficar olhando apenas, você já quebrou as barreiras do tempo novamente mesmo, a linha temporal já está sendo mudada, então reaja”. Seus pensamentos, sua coerência, pediam para que fizesse algo depois de toda a conversa que tivera com John. Ele não podia tomar outra decisão.
C – É isso, vou salva-lo antes que a bala de John atravesse o gorila indo direto para o peito de seu irmão. É bom que Verônica não se importe em termos mais um hóspede.
Challenger, como se despertando com suas próprias palavras, ainda que sabendo de todos os riscos, se lança em direção a William, derrubando-o de imediato no chão e ordenando para que ele o seguisse na direção da caverna que ele indicava. Por sua vez, John, ao ver a imagem daquele desconhecido se lançando sobre seu irmão, erra o tiro e apenas acerta de raspão no braço do gorila, que logo já estava indo em direção aos dois homens que tentavam fugir para caverna. Na tentativa de ajudar, John joga uma pedra na cabeça do animal para chamar sua atenção.
R — Ei, seu grandalhão, venha aqui! Venha me pegar! Eu estou aqui!
Logo o gorila se vira para John, que acenava com os braços propositalmente e começa a persegui-lo. O homem aperta seu chapéu na cabeça e sai correndo em uma perseguição que não estava tão perto de acabar.
R — Ah ótimo, o que foi que eu fiz?!
Na caverna, Challenger estava com um sangramento, um corte fundo na cabeça; ao se lançar sobre William, acabou acidentalmente batendo a cabeça em uma pedra próxima.
W – Meu caro senhor, muito obrigado, lhe devo a vida. Mas o senhor está ferido. Faço questão que me permita levá-lo até o nosso acampamento, podemos ajudá-lo.
Challenger já estava acertando as regulagens devidamente, adequando as datas para voltar ao platô. Ele mal havia percebido seu ferimento, nem teria se dado conta se não fosse pelo comentário do jovem loiro ao seu lado que o observava atentamente – e mais atentamente ainda com os aparatos do cientista.
C – Oh, não, não é necessário. Vamos para onde moro, minha amiga pode cuidar disso muito bem. Se eu ainda estiver certo, tem alguém que precisa muito ter uma conversa com você.
William olha ao redor e não vê outra brecha senão a que lhes permitiu acesso a caverna e sem entender muito bem o que o cientista estava fazendo ou mesmo falando, logo deduz que a pancada talvez tivesse sido forte demais.
W – Senhor, não querendo ser ingrato ou mesmo mal educado, mas não vejo outra saída desta caverna senão pela brecha por onde entramos. E quanto a quem quer que esteja querendo falar comigo, pode esperar mais um pouco. Talvez a pancada tenha sido forte demais, o senhor agora é minha responsabilidade, vou levá-lo para o acampamento imediatamente.
John logo estava correndo de volta para o local da cena anterior com o intuito de se proteger, na caverna, do gorila que o perseguia incansavelmente. Porém, na caverna, Challenger já havia acionado todos os botões e adequado as datas, enquanto conversava com William, era questão de segundos agora. Quando John conseguiu entrar, apenas viu um feixe de luz que iluminou todo o lugar obrigando-o a fechar os olhos de tão forte que era a claridade, espantando até mesmo o gorila.
Quando John volta a abrir seus olhos ele estava em uma caverna escura e sem nenhum sinal de William ou do desconhecido que havia lhe salvado a vida.
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