—Você tem duas opções. — Astra falou levantando os cabides com os dois vestidos, um era bem decotado branco, já o outro era mais delicado. — Tem que ir sexy hoje.

—Esse! — apontei para o vestido e ela pareceu decepcionada, mas guardou o outro.

Não demorou para eu estava pronta, meu cabelo estava com ondas nas pontas. Uma maquiagem impecável, sombra marrom degrade, olho de gatinho, blush laranja e um batom vermelho. Me levantei para colocar o vestido a parte de cima era cima com flores em tons de rosa, um pequeno decote em v dava mais volume aos meus seios, o vestido tem uma alça fina e fica perfeitamente em meu corpo. A saia é bege claro, quase branca, um tecido brilhoso estava por cima do tecido de seda por baixo, a saia começava exatamente na minha cintura, onde terminava a parte de cima, parecia mais um conjunto do que um vestido, mesmo assim é extremamente lindo. A saia ia até um pouco a cima do joelho. Nos pés um salto fechado branco com o salto cheio de pedras brilhantes.

Um brinco dourado foi colocado, junto com um colar de coração dourado e algumas pulseiras douradas com rosa. Um anel com uma pedra rosada também foi colocado em meu dedo. Kayla passou perfume em mim e eu sorri.

—Talvez queria guardar isso. — Kayla falou me entregando um papel com uma textura diferente. Era uma foto, para ser exata uma polaroid. Sorri ao ver que era de agora, enquanto me arrumava.

—Obrigada. — Sorri para a menina, que retribuiu. Andei até meu criado mudo deixando a foto ali, estava linda, eu distraída enquanto ajeitava meu cabelo.

As duas começaram a ajeitar a bagunça feita para me arrumar e eu aproveitei para pegar a porção no meu criado mudo, coloquei o pequeno fraco em eu sutiã e respirei fundo. Eu tenho que conseguir a coroa.

O bater da porta me fez ficar nervosa, as duas me olharam e sorriram indo até a porta.

—Não! — falei alto para apenas as duas escutarem — Eu atendo. — disse e respirei fundo, caminhando até a porta tentado não cair do salto. Abri a porta lentamente dando de cara com Justin, em uma roupa social, mas sem terno ou blazer, apenas a camisa branca e uma calça preta assim como o sapato.

—Boa noite! — Justin falou sorrindo.

—Boa noite, Alteza! — falei o reverenciando.

—Está pronta? — perguntou e eu assenti.

—Claro, podem ir meninas — falei para as duas antes de fechar a porta. Justin estendeu o braço e eu passei o meu pelo dele — Onde iremos jantar, Alteza? — perguntei olhando seu rosto angelical.

—Em uma sala. — Ele disse tentando ser misterioso e eu ri.

—Entendo, aqui só tem uma. — falei fazendo ele ri.

—Exatamente. — Ele gargalhou e me olhou — Está linda, Kylie — sorri sem mostrar os dentes e senti meu rosto corar.

—Você também, Alteza. Sempre está lindo — falei e ele sorriu em forma de agradecimento.

—Que tal me chamar de Justin? Ficar me chamando de Alteza vai parecer um jantar formal.

—E, não é? — perguntei enquanto subíamos as escadas.

—De certa forma, sim. Só não tem necessidade dessa formalidade, senhorita. — Ele me olhou com um ar brincalhão e eu ri fraco.

—Entendi, Justin. — Ele sorriu convencido e parou de andar na frente de uma porta dupla dourada. Justin soltou meu braço e empurrou a porta dando espaço para que eu entrasse.

Entrei na sala e me surpreendi com a magnifica decoração. Alguns quadros estavam pendurados na parede, muito bem pintados por sinal. Olhei para o Justin e ele estava parado na porta me olhando, só então percebi que estava no meio da sala. Entortei um pouco a cabeça ainda sorrindo e ele se aproximou lentamente, minhas bochechas doíam de tanto sorrir.

—Essa sala é linda! — falei encantada — Parece com a ilustração do baile da Bella e da Fera. — Justin olhou para a sala e pareceu surpreso.

—Tem razão, parece mesmo. Só que vamos comer e não dançar. — Bati de leve em seu ombro — Podemos dançar depois. — Ele falou puxando meu corpo para perto do dele.

—Claro. — falei sorrindo, seus olhos são tão intensos e lindos, eu não poderia me deixar levar por sua beleza.

—Que tal sentarmos? — Justin se afastou e eu suspirei frustrada. Ele me guiou até a mesa, puxando a cadeira para que eu sentasse. Não demorou para o loiro estar na minha frente. Olhei para o prato na minha frente — É meu prato favorito — ele falou e eu o olhei com a sobrancelha arqueada, esperando ele falar o que seria — Macarronada à bolonhesa.

—Parece bom. – disse e ele sorriu aliviado.

Comemos em silencio, apenas nos olhando.

—Quer uma sobremesa? — ele perguntou se levantando e trazendo sua cadeira para o meu lado.

—Pode ser — disse fitando seu rosto, não cansava de olhar para ele.

—Então, sua família? Você não me contou.

—Só é minha mãe, não sei quem é meu pai. Minha mãe é bem controladora, se não fosse obrigatório ir para o colégio, ela teria me educado em casa.

—Do que ela tem medo? — ele perguntou me olhando atentamente.

—Não sei, ela sempre foi assim. — disse dando de ombros. — Ela não me apoiou em nenhum momento para participar da seleção. Tudo que envolve sair de casa, ela me coloca para baixo até eu não fazer. As fases da seleção foram dias difícil, ela só falava o necessário comigo. — Abaixei a cabeça, sem acreditar no que tinha acabado de contar. Que efeito esse menino tinha?

—Sua mãe parece ser bem complicada — ele falou e eu assenti — Minha mãe sempre me apoia, então não posso dizer que te entendo — sorri de lado. — E suas amigas?

—É complicado, elas não sabem o que acontece na minha casa, eu nunca as levo lá. Tínhamos nosso lugar.

—Você já namorou? — Justin me olhou desconfiado, entortei um pouco a cabeça e apoiei ela em minhas mãos com os dedos entrelaçados, apoiadas nos cotovelos.

—Tive, vocês são bem opostos. — falei fazendo sua curiosidade aumentar

—Como assim? — ele prestava tanta atenção que isso estava me deixando aflita.

—Ele não é todo certinho. Não sei como explicar. — disse envergonhada.

—Eu não sou certinho, eu bêbado, já peguei várias meninas, mas sempre as respeitei.

—Exatamente o que eu disse, vocês são opostos. — Suspirei fitando o chão. Algumas lembranças borbulhavam em minha mente.

—Como o conheceu? — Justin mudou de assunto e eu sorri de lado.

—Conheci ele na escola. Ele era a única pessoa que realmente me dava atenção, que se importava comigo, claro tirando minhas amigas.

—Você o amava? — juntei as sobrancelhas olhando seus olhos, que mostravam o medo presente.

—Nunca tive amor na minha vida, minha mãe mal está presente para mim e dificilmente é gentil, então não sei se amei algo na minha vida.

—Isso é bem intenso. — Ele respondeu surpreso. — Se você tem dúvida, não o amou.

—Eu não sei, Justin. — Sorri de lado e abaixei a cabeça. — Sempre disseram que era um relacionamento toxico.

—Quem disse?

—Minhas amigas. Eu nunca acreditei, até agora.

—Por que até agora? — ele se aproximou e eu abaixei o olhar.

—Nunca ficamos longe de verdade. Tudo sempre foi do jeito dele, ele sempre queria que eu fizesse algo por ele. Brian me manipulava. — Sorri triste me lembrando de tudo que eu já fiz por ele. — Ele é perigoso e eu iludida. Não sei o que poderia acontecer se eu o visse novamente.

—O que quer dizer? — Justin me olhou preocupado.

—Já falei demais, Alteza — falei fazendo ele revirar os olhos, algo que não tinha visto.

—Ele te ameaçou? — Justin questionou sério.

—Vamos falar de algo bom, que tal? — sugeri.

—Eu sou um prêmio de consolação? — Justin questionou se levantando um pouco furioso, talvez até decepcionado.

—Não vim para cá achando que iria te conquistar, até porque minha mãe acabou minha esperança. Eu vim porque fui escolhida.

—O que está querendo dizer? — ele me olhou e eu suspirei.

—Que somos 33 mulheres e apenas uma será escolhida. Eu, particulamente, estou tentando não me iludir com cada coisa que acontece aqui. Um coração partido por ilusão é demais para mim. — Senti meus olhos lagrimejarem e me levantei dando as costas para ele. — O que acontecer entre nos pode se tornar várias coisas, Justin. — Me virei para ele e uma lagrima escorreu — Não quero juntar os cacos do meu coração novamente. Ele nunca foi perfeito, alguém sempre tenta quebra-lo. — abracei meu próprio corpo ficando novamente de costas para ele. Como em um filme curto as imagens de todos me magoaram passaram na minha mente e diversas vez a imagem da minha mãe estava lá.

—Eu entendo — Justin falou calmamente. Fechei meus olhos fazendo as outras lagrimas descerem.

—Brian não era o primeiro menino que eu gostava, mas foi o primeiro que me deu atenção. Eu já tinha sido humilhada de tantas formas no colégio, por gosta de menino de casta maior que a minha, menino mais bonito, menos bonito, casta inferior. Eu nunca perdi as esperanças em achar meu par, então Brian apareceu. Como um anjo para me salvar de tudo aquilo, enfrentou todos que tentavam me humilhar e aos poucos me ganhou. Desde então é apenas eu e ele, eu não queria perde-lo, então fiz tudo que ele queria. — falei ainda de olhos fechados, senti sua mão em meu ombro e ele me virou. Sua mão foi para o meu queixo levantando meu rosto.

—Você fez tudo por ele? — Justin perguntou olhando em meus olhos, senti a vergonha me atingi e me afastei dele.

—Nem sempre queria fazer — disse envergonhada. Eu sentia a porção machucar minha pele, mas eu não queria usa-la. Brian não merecia isso.

—Kylie — me virei lentamente e o olhei sem olhar nos olhos — Ele te abusou? — meu queixo tremeu e eu abaixei a cabeça. — Esse cara abusou de você, Kylie? — Justin perguntou segurando meus braços.

—Talvez — respondi com medo de sua reação, Justin me soltou e socou a parede do meu lado me fazendo encolher.

—Odeio esse tipo de cara — ele falou com ódio. — Vou achar ele. — Olhei para Justin e neguei.

—Não faça isso — disse segurando seu braço.

—Por que? — Justin perguntou procurando meus olhos, fitei o chão respirando fundo.

—Apenas não faça. Se você fizer e eu voltar para casa, vai ser pior para mim. Além de que é minha palavra contra a dele, namoramos por dois anos, Justin. — falei e ele respirou.

—Tudo bem, por enquanto. — Justin puxou meu braço e me abraçou.