Choices

15 Tentativa de fuga


Notas iniciais
Oláá amores!!! Estou de volta :D Esse capítulo deu um pouquinho de trabalho, espero que vocês gostem! Agradeço a todas que comentaram. Fico muito feliz em ver que vocês estão gostando da fic... ♥ FourTris Forever, minha flor. Desculpe, não consegui responder direito a sua msg. Estava com problema aqui tbm, toda vez que eu tentava, a msg saia cortada. Mas eu amei sua msg e agradeço mtoo! Mostrei pra Luh e ela tbm adorou... :* Beijooos à todas!! PS. Tenho um recadinho para quem acompanha minha outra fic (Em busca de uma nova vida 2). Eu estou um pouco atrasada com o próximo capítulo, me perdoem. Eu tive um enorme bloqueio criativo com ela. Estou trabalhando para encaixar algumas coisas antes de atualizá-la. Não se preocupem, não abandonei e nem irei abandonar a fic, ta? :*

Não vejo o Tobias desde ontem à noite.

Desde o beijo.

Eu não consegui dormir, o que não é nenhuma surpresa. Fiquei a noite toda rolando na cama, meus lábios formigando, levemente doloridos.

Como que um beijo que eu nunca sequer cogitei, pode — em alguns minutos — mudar a minha forma de olhar para uma pessoa?

Antes do beijo, eu sentia amor fraternal pelo Tobias. Uma amizade forte — pelo menos da minha parte. E depois que ele me abandonou e veio para cá, eu senti raiva, mágoa e uma irritação constante, devido a sua implicância.

Mas desde aquele beijo? Eu tenho meus sentimentos confusos. Suspensos. Barrados por alguns minutos de entrega, onde eu tive uma experiência nova, com meu ex melhor amigo.

Eu não sei de onde vem tudo isso, mas tudo o que eu consigo pensar, é que eu quero mais.

—Ei, você! – Christina diz. – Eu não estou te liberando, ouviu? Nós vamos conversar e você vai me dizer onde esteve ontem. Você fugiu de mim – ela acusa, chateada. – E não pense que me escapou que o Jensen também não foi visto em canto nenhum ontem – agora seu olhar é divertido e presunçoso. Como se ela tivesse uma dica do que eu estou escondendo.

Mas ela não tem ideia. Rio internamente.

Dou de ombros e suspiro, aliviada, quando Eric chega ao meio do círculo de iniciados formado no fosso. Estamos aguardando o resultado do teste final. Dessa vez, não foi o Tobias quem aplicou o teste de simulação, foi Eric. E isso só fez minha agonia ficar maior. Eu estou tremendo por dentro. Será que eles descobriram a minha divergência?

O silêncio toma conta do ambiente, enquanto os líderes da Audácia se juntam para decidir o rumo das nossas vidas.

—Iniciados – Eric começa. – Todos vocês tiveram sua oportunidade de mostrar sua coragem, determinação e motivação para continuar nessa facção. Mas como vocês sabem, só os verdadeiramente fortes podem ficar – ele sorri. Aquele sorriso maldoso. Ele vai ter prazer nisso. – Temos aqui o resultado do teste final! – Ele aponta para o telão atrás dele, mas Max levanta a mão e impede a divulgação do resultado.

—Antes do resultado do teste, temos um comunicado a fazer – Anuncia Max. Eric dá um passo para trás e Max se posiciona a nossa frente. – Nós da Audácia, somos conhecidos pelo nosso estilo de vida, digamos, aventureiro. – Ele ri. – Mas o nosso objetivo dentro do sistema de facções, é proteger a cidade e ajudar a manter a ordem – ele endireitou os ombros e começou a andar de um lado para o outro, com as mãos nas costas, mas sem deixar de nos observar. – E em cumprimento do nosso trabalho, nós estamos reforçando a segurança, não só com a chegada dos novos membros, mas também com o treinamento de todos os soldados... – Ele olhou para os membros antigos e ouve sussurros. Eu agora estava franzindo a testa, não entendendo aonde ele queria chegar. Max parou de andar e estendeu o braço para a sua esquerda. Todos acompanharam com os olhos enquanto ele continuava: – A partir desse momento, Quatro está se juntando a nós, na liderança. E seu foco será o treinamento dos iniciados e também dos membros atuais.

Fiquei imóvel.

Tobias andou até Max e parou ao seu lado, com os braços cruzados sobre o peito. Os olhos viajando entre as pessoas.

Foi então que a compreensão me bateu forte.

Ele nunca vai sair desse lugar.

Era isso que ele queria desde o começo?

—Além disso – Max continou. Sua voz agora está mais alta. Tentando sobrepor aos gritos de comemoração pela nomeação de Tobias. Eu nem mesmo havia percebido que estavam gritando, até então. E quando Max voltou a falar, os gritos diminuíram, dando a ele a oportunidade de continuar seu discurso. – Estamos iniciando uma busca, a todo e qualquer divergente da cidade! Aquele que for divergente ou acobertar algum, será punido com exílio.

As pessoas voltam a falar alto. Minha cabeça começou a girar e eu mal registrei quando Eric voltou a falar e anunciou o resultado do teste.

Eu não estava olhando para o telão. Para mim, não faria diferença, então não fiquei para ver o resultado. É claro que eles descobriram, e agora vão me caçar. Mas para quê? Serei apenas exilada? Ou serei morta por nascer diferente dos outros?

Saí correndo do fosso, os corredores estavam vazios, o que me deu um pouco de tranquilidade.

Cheguei ao dormitório aos tropeços, meu coração batendo forte, maltratando meu peito.

Comecei a juntar algumas peças de roupas. Não pretendendo ficar e esperar.

Tenho que dar um jeito de sair da cidade, hoje, sem demora.

—Tris? – Ouço alguém me chamar, logo atrás de mim. Eu gelo. – O que você está fazendo? – Me viro e vejo Al, parado perto dos banheiros, com os olhos inchados.

—Eu... Ãhn... Eu estou levando essas roupas para lavar – respondo. Lutando para esconder o nervosismo em minha voz.

—Agora? – ele questiona. – Não esta acontecendo o anúncio do resultado dos testes?

—S Sim... – Gaguejo. Mas aí me lembro, era para ele estar lá também, não? – Você não foi ver o resultado? – Jogo de volta para ele. Seus olhos arregalam por um segundo, antes dele desviar para o chão.

—Eu não preciso ver. Eu já sei que não fui bem e serei expulso – ele dá de ombros. Depois levanta o olhar para mim. – Mas você com certeza passou, eu vi como foi bem na segunda fase – ele ri amargamente. – E eu também vi você e o nosso instrutor, ontem à noite. Se você não fosse bem, de qualquer forma estaria aprovada.

O sangue corre longe do meu rosto e eu disparo o olhar para minhas roupas.

—Não sei do que você está falando... – divago. Ele ri.

—Tudo bem Tris, eu entendo, não vou falar nada a ninguém. Até por que, eu devo estar saindo em retirada ainda hoje – ele diz. – Ou, com um pouco de compaixão, eu possa ir embora quando amanhecer. – Ele está mesmo deprimido. Sinto pena de Al. Não somos muito próximos, mas nunca tive nada a reclamar dele. – Talvez você possa fazer isso melhor para mim? – Ele acrescenta.

Huh?

Ele dá alguns passos mais perto e eu congelo no lugar. Seus olhos continuam tristes, mas agora vejo alguma determinação neles.

—Você poderia me dar algo para eu me lembrar, quando eu estiver na miséria dos sem facção – ele sorri. Eu dou dois passos para trás.

—Desculpe Al. Eu sinto muito, mas não posso te ajudar com isso. – Me afasto mais um pouco.

—Você vê? Nem mesmo uma garota eu consigo! – Ele grita e isso me faz pular. – Vamos lá Tris, dê alguma merda por mim? Eu não sou nenhum instrutor, mas posso ser bom também, você vai gostar. – Al segura meu braço na altura do cotovelo e me mantém presa no lugar

— Al, me solta! – Grito na cara dele. Minha pequena muda de roupas cai no chão e ele vê minhas anotações caírem junto ao monte. Prendo a respiração quando ele abaixa e pega o papel.

—O que é isso? – pergunta.

—Não é nada, devolve! – Tento tirar de sua mão, mas ele é bem mais alto e ergue o papel acima da minha cabeça. Ele lê. E eu fecho os olhos, esperando sua conclusão óbvia.

—Isso são os horários e os nomes dos guardas do portão dos muros? – Ele está sério, perplexo. – Você pretende fugir?

—Al, me solta, caramba. Devolve isso! – Grito e me debato. Consigo soltar meu braço, mas não tenho sucesso para tirar o papel dele.

—Você quer sim! – Ele diz. Depois franze as sobrancelhas. – Mas por quê? Você foi bem nos testes, eu sei – ele fecha os olhos e eu sei, nesse momento, que ele chegou a verdade. Suspiro e olho em volta. Preciso dar um jeito de sair daqui, mesmo sem minhas roupas. – Você é um deles, não é? – ele abre o olhos e me encara. Mas não parece nervoso, só surpreso. – Você é divergente!

—Não! – Grito. – Não sou! – É inútil negar, eu sei, mas eu tento ganhar tempo. Ele sorri.

—Você percebe? – Pergunta, ainda sorrindo. – Isso é ótimo! – Seu sorriso aumenta e se torna uma gargalhada descontrolada. Eu não entendo o que pode ser tão engraçado.

—Preciso ir, Al – digo e me abaixo para pegar algumas roupas, mesmo sem o papel, eu darei um jeito.

—Sinto muito Tris, mas você não vai sair daqui. Não por conta própria. – Levanto e olho para ele. E encontro um sorriso enorme no rosto dele.

Ele vai me entregar.

Tento correr, mas ele segura firme o meu braço e eu caio no chão. Ele cai por cima e me prende com seu corpo.

—Me solta Al! Por favor, não faça isso, nós somos amigos!

—Amigos? – Ele ri. – Você estava me rejeitando minutos atrás, Tris, não seja falsa.

—Eu sou sua amiga, eu só não quero namorar você, merda! – Me debato inutilmente e ele segura meus braços ao lado do meu corpo. – Venha comigo! Venha para fora da cidade comigo – tento. Ele parece pensar por um segundo, mas depois se levanta, me puxando com ele.

—Não Tris. Você é muito estúpida por sequer ter pensado em fugir para fora da cidade. Não há nada lá! E mesmo que você conseguisse sair, não há como sobreviver.

—Seria melhor do que viver presa e com medo, Al – eu choro. Ele me segura muito forte e eu estou perdendo as esperanças de conseguir sair antes de alguém chegar aqui e ele me entregar.

—Eu não sou divergente. Não existe perigo para mim – ele diz. Seu rosto agora está sério, mas ele não parece reconsiderar. – Minha vida é aqui, Tris. Eu gostava de você, poderíamos ter sido bons juntos, mas eu não vou me sacrificar por você. Quando eu te entregar, eles vão me deixar ficar!

E com isso, ele começa a andar em direção a porta. Eu me debato e tento me puxar fora do aperto dele, mas eu só gasto as minhas energias, ele não me solta.

Solto meu peso e caio no chão. Ele me arrasta alguns passos, mas então ele para e me levanta, me batendo na parede, com força.

—Você quer ir do jeito mais difícil? Você poderia querer manter um pouco de dignidade, hã? Chegar diante dos líderes de cabeça erguida – ele rosna na minha cara. – Mas se você continuar resistindo, eu vou fazer você chegar lá desacordada.

Whow, isso é ruim. Eu preciso ter algo para tentar escapar. Estar desacordada não me ajudaria.

Deixo meus ombros caírem.

—Tudo bem Al. Me leve – digo. Por um segundo eu penso ver arrependimento nos seus olhos, culpa talvez? Mas ele não diz nada, apenas segura firme meu braço e me puxa, andando ao lado dele.

Descemos os corredores e eu sou grata por não encontrar ninguém.

Quando estamos perto do fosso, começo a me desesperar. Posso ouvir as vozes alteradas. Membros eufóricos, provavelmente comemorando a entrada dos novos membros, meus colegas iniciados.

—Você não precisa fazer isso Al... – Choramingo para ele. – Eu nunca fiz nada a você, eu não mereço ser punida por ser diferente. – Ele ri.

—Eu já ouvi muito sobre os divergentes – ele diz. – Vocês são tipo uma doença que se instalou entre nós para causar desordem. Vocês não se encaixam aqui, por que eu deveria ceder meu lugar para alguém que não deveria estar aqui?

—Al... – hesito. O que estou para dizer vai me custar um preço alto, mas eu preciso de uma saída. – Você pode pelo menos me ouvir?

—Não.

—Eu darei o que você quer – digo, engolindo o nó da minha garganta. – Vamos a algum lugar, eu dou o que você quer e você me ouve, o que acha? – Ele para de andar e me olha, procurando alguma coisa em meus olhos. Duas meninas passam por nós, rindo. Distraídas.

Al lambe os lábios e volta a me puxar, eu afundo por dentro. Serei morta, com certeza.

Mas quando estamos quase no fosso, ele desvia o caminho. Entramos em um corredor escuro. O mesmo que eu vi Tobias beijando a Maria quando eu cheguei aqui.

Ou como diz a Christina: O corredor dos amassos.

Assim que chegamos na parte mais escura, ele me encostou na parede e pressionou seu corpo no meu. Fiz de tudo para controlar o impulso de empurra-lo. Preciso distraí-lo. E esse é o único jeito.

—Eu quis você desde o primeiro dia, sabia? – Não respondo. – Eu vi a sua beleza escondida por trás daquelas roupas largas e cinzas. Eu reparei em você, Tris. Agora, muitos aqui te enxergam também, mas eu fui o primeiro. – Seu hálito é limpo, seu corpo é quente. Al é bonito. Eu poderia ter me interessado por ele. Se houvesse mais tempo.

E se ele não estivesse tentando me entregar aos lobos.

Aproximando seus lábios dos meus, ele segurou meu rosto. Fechei os olhos. Seus lábios pressionaram os meus. Duro. Mas eu não senti nada. Não permiti que ele aprofundasse o beijo. Fiquei imóvel.

Ele desviou os beijos para o meu pescoço e suas mãos foram descendo até apalparem a minha bunda, passeando em direção à frente do meu corpo. Eu fiquei tensa e empurrei sua mão.

Eu não posso fazer isso. Não realmente.

Lágrimas tomaram meus olhos e eu empurrei seu corpo com toda força que eu consegui reunir. Em seguida, tentei chutar sua virilha, mas acabei acertando a coxa. Ele rugiu e veio para cima de mim.

—Desgraçada! – Tentei correr, mas ele agarrou meus cabelos da nuca, me jogando com força no chão. No mesmo instante ele estava de novo em cima de mim. Eu o empurrei de novo e consegui me levantar. Corri. Não adiantava muito, mas eu tentei.

No momento que ele me alcançou, nós caímos com força no chão. Ele por cima de mim.

Me debati, chutei, nada adiantou.

Espalhei minhas mãos em volta e senti algo duro, não pensei, agarrei e lancei para trás, com força.

Ele parou de se mexer assim que o atingi.

Respirando com dificuldade, tirei o corpo dele de cima de mim e percebi o sangue se acumulando ao lado de sua cabeça.

O que eu fiz?

Notas finais
Gostaram?? Comentem!! PS. Vou adc fotos nos capítulos (nos anteriores tbm), igual eu faço no Spirit.