Choices
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Esse saiu curto também, mas espero que gostem.
Tantas coisas passavam pela cabeça de Quinn, que ela decidiu para o carro em qualquer lugar e seguir seu caminho a pé, caminhando ela pensava melhor.
Durante a caminhada, ela tentava entender como tudo chegou aquele ponto. Ela não era do tipo que sentia ciúme, pelo menos achava que não, e sentir ciúme de Rachel Berry, era inconcebível. Afinal, ela jurava que não sentia nada por Rachel. Então por que tudo aquilo? Além disso, outra coisa que não parava de martelar na cabeça da loira eram as palavras de Rachel. Ela nunca havia se dado conta antes do tipo de pessoa que ela foi no colégio, nunca tinha sentido tanta vergonha de si como agora. Pensava que além de Rachel, muitos mais a odiavam por suas atitudes. Pensar que Rachel a odiava, fez com que as lágrimas começassem a correr novamente. Foi andando sem rumo certo, que Quinn esbarrou em alguém e pediu desculpas sem nem mesmo olhar para quem era. — Claro que desculpo Quinn, sorte que eu já tinha terminado meu sorvete. — Quinn reconheceu a voz de Brittany, e ergueu a cabeça para olhar no rosto da garota. — Oi Britt, te machuquei? — Quiin falou enxugando as lagrimas com as costas das mãos. — Por que você me machucaria? Foi só um esbarrão. — Digamos que eu tenha machucado muito as pessoas hoje, quer dizer, só hoje não. Parece que tem sido assim minha vida inteira. Brittany parou pensou um pouco e perguntou: — As pessoas ou a Rachel? Quinn ficou espantada com a percepção da amiga e falou: -Como você...? — Todo mundo me acha burra o bastante para não dar atenção ao que eu falo, eu te avisei que você poderia se machucar. — Brittany falava com muita calma. — Não é isso Brittany, é que às vezes, você é tão inocente que... — Brittany interrompeu Quinn. — Ta vendo, você está querendo me enrolar. — Brittany disse sorrindo. — Eu sei que eu sou meio avoada e que a maioria das coisas não prendem minha atenção, mas eu me interesso por pessoas, e isso faz com que eu as leia sem dificuldades. Principalmente meus amigos. A calma e doçura de Brittany fizeram com que Quinn se acalmasse, ela queria ficar sozinha, mas foi bom ter encontrado a amiga. — E por que você acha que sou eu quem vai se machucar? — Por que entre as duas, você é a fraca. – Brittany falou com muita naturalidade. — O que? — Quinn se assustou quando ouviu essas palavras. — Olha, não pense que isso é uma ofensa, mas Rachel cresceu aqui sendo tratada como atração de circo, todos queriam ver a menina que era criada por dois homens. Ela cresceu mais um pouco e se tornou... bem, se tornou a Rachel que nós conhecíamos, e você sabe que não foi fácil para ela. — Boa parte disso é minha culpa. — Quinn falou balançando a cabeça positivamente. — De certa forma isso foi bom para ela. — Brittany falou enquanto passava o braço em volta dos ombros de Quinn que tinha os olhos marejados novamente. – Parece que ela tem a capacidade de absorver as coisas ruins e transformar tudo em forças para continuar. É como se ela fosse mole por fora e dura por dentro. Entende?- Nesse momento Quinn soltou um leve sorriso. — E eu? — Você desenvolveu a casca. Você é dura por fora e mole por dentro, e quando algo atravessar a casca, pode fazer estragos. Quinn não concordou com Brittany, mas não disse nada. As duas se sentaram no chão encostadas na porta de uma loja. — É muita coisa para eu pensar hoje. – Quinn falou enquanto deitava a cabeça no ombro de Brittany. – Você não vai me perguntar o que aconteceu? — Você está pronta para falar? — Na verdade não. — Então tudo bem. — A gente pode ficar aqui um pouco?- Quinn tinha muita tristeza na voz. — O tempo que quiser. Só tem um problema, na próxima semana eu viajo. – Quinn sorriu e disse: — Eu pretendo ficar menos que isso. — Então tudo bem. – Brittany disse sorrindo enquanto encostava a cabeça na cabeça da amiga.- Banho também seria um problema para a gente. As duas riram, e Quinn já estava mais calma. Foi realmente bom encontrar Brittany. Rachel estava atordoada com tudo que havia acontecido. Ela ficou em tempo no mesmo lugar em que tudo aconteceu. Passou por sua cabeça pedir ajuda de Finn, mas antes de decidir o que realmente faria, um táxi se aproximou e parou algumas casas a frente de onde estava. Sem pensar duas vezes, assim que a mulher que descia com muitas sacolas de compras pagou o taxista, ela entrou no táxi e seguiu para casa. Ao chegar em casa, ela ficou aliviada por seus pais não estarem, não queria ter que explicar o rosto em lágrimas. Na verdade não queria falar com ninguém, o que realmente queria, era se enfiar em um buraco e ficar lá até tudo passar. Tudo o que havia acontecido naquela noite, passava em sua cabeça como se fosse um filme continuo. Cada gesto, cada palavra, cada detalhe. Era um tormento que parecia não ter fim. Saber que Quinn chorava por sua causa, foi o mais difícil. Rachel havia ficado realmente brava com a loira, e sabia que muita coisa foi dita no calor da discussão, mas faze-la chorar, passava muito longe de seus planos.
Ela adorava o sorriso de Quinn, e pensar no adeus que a garota falou em lágrima antes de partir, fazia Rachel imaginar que nunca mais iria vê-la sorrir novamente, e cada vez que isso acontecia, o aperto no peito parecia ser mais intenso. Passado algum tempo, ela chegou à conclusão de que com a cabeça quente, não raciocinaria direito, e que o melhor era dormir. Foi até o banheiro dos pais, pegou no armário dois comprimidos de calmante e tomou. Ela chorou mais um pouco até finalmente o sono chegar. Dois dias se passaram desde a noite em que tudo aconteceu, e elas ainda não haviam se falado. Quinn tinha conseguido evitar Santana e Sam durante esse tempo, ela achava que tinha que processar tudo o que tinha acontecido sozinha. O vazio que sentia era algo que ela simplesmente não conseguia entender. A presença de Rachel fazia muita falta. Rachel também não retornou as ligações de Finn e Kurt. Ela queria entender o que estava sentindo, e a opinião dos outros poderia afetar seu julgamento. Nem para seus pais a morena contou o que estava acontecendo. Eles perceberam a tristeza da filha e perguntaram o porquê dela estar assim, Rachel desconversou, pois não queria e não sabia responder. Ela sentia como se tivesse um buraco enorme na barriga e todos pudessem ver através dele. As duas não desgrudavam de seus celulares. Hora pensando em ligar, hora esperando a outra ligar. Mas uma tinha medo da reação da outra caso ligasse. Depois de pensar muito, e de duas doses de tequila do bar dos pais, Rachel decidiu mandar uma mensagem, afinal, uma mensagem ignorada doeria menos do que ter o telefone desligado na cara. Quinn estava deitada na cama e escutou o aviso de que uma mensagem havia chegado. Ela pensou ser mais uma das ameaças de morte de Santana, que pelo fato de Quinn estar fugindo dela, mandava uma a cada meia hora. Mesmo assim, ela resolveu ver o que era dessa vez. Ao ver o nome de Rachel na tela do celular, a loira ficou extremamente eufórica, mas logo depois sentiu uma ponta de medo por não saber do que se tratava. Seu rosto se iluminou ao ler: Tem uma barata no meu quarto, você prometeu. Ela levantou-se da cama e começou a andar de um lado para outro no quarto. Não sabia o que fazer, não sabia se ligava ou se respondia a mensagem. Decidiu tomar um banho enquanto pensava. Quinn saiu do banho, se trocou e não sabia ainda o que fazer. De repente teve uma idéia, mexeu nas pilhas dos DVDs que colecionava pegou um e saiu sorrindo de casa. Ao chegar à casa de Rachel, Quinn sentiu um pouco de ansiedade, pois não sabia da reação da garota, respirou fundo e tocou a campainha. — Quin!!- Rachel se assustou ao ver a loira parada em sua porta. — Oi Rachel. – Quinn falou meio sem jeito colocando as mãos no bolso. — Eu esperava no máximo uma mensagem. Não sei se estou preparada para isso. — O coração de Rachel estava disparado. — Não sabia o que fazer, tudo ficou tão estranho de repente. Se você quiser eu posso ir embora, eu vou entender. – O corpo todo de Quinn latejava esperando por uma resposta. — Pode entrar. Cedo ou tarde a gente teria que resolver isso. – Rachel saiu da frente da porta para que Quinn entrasse. Quinn entrou, sentou-se, tirou a bolsa do ombro e colocou ao seu lado. Rachel sentou-se em outro sofá. Apesar de estarem perto, sentiam como se quilômetros as separassem. — Tem certeza que não quer pular essa parte e fingir que nada aconteceu? – Quinn perguntou tentando quebrar o gelo. — Você consegue ignorar o que aconteceu? – Rachel respondeu muito séria. — Não. – Quinn falou sem ao menos pensar. — Achei que depois da dramaticidade daquele adeus, nunca mais te veria. — Rachel falou ainda meio sem jeito. — Sei que aquilo foi meio exagerado, mas é que eu tenho andado muito com a rainha do drama. Devo ter aprendido com ela. – As duas tinham sorrisos tímidos nos lábios e apesar da tentativa, Quinn não conseguiu quebrar o clima pesado da sala. — Então nesse caso, o discípulo superou o mestre. – Rachel tentava fazer o mesmo. Elas nunca haviam se sentido tão pouco a vontade perto uma da outra. — É difícil saber que eu continuo sendo a vaca que fui no passado. Eu sei que não fui a melhor pessoa do mundo no colégio, mas só me dei conta do quão ruim eu fui depois que você me falou. – Quinn estava sendo muito sincera. — Muita coisa foi dita no calor da briga. Você não é nem de longe a pessoa que costumava ser. Quanto ao passado, se eu disser que não foi nada, eu estarei mentindo, mas já passou. Dizer que isso me afeta hoje, é cretinice da minha parte. Na verdade eu fiquei louca da vida com o seu ataque de ciúme sem cabimento... — Rachel foi interrompida por Quinn. — Espera um pouco, aquilo não foi um ataque de ciúme. — Então o que foi? – Rachel usava um tom desafiador. — Foi ego ferido. Ver a garota com quem eu estou saindo beijando outro na minha frente, não foi legal. Se fosse o contrario você também não gostaria, porque para mim era um encontro até você dizer que não. Rachel ficou em silêncio durante um tempo, Quinn dizer que foi apenas ego ferido, foi uma coisa que ela não gostou de ouvir. — A quem você está tentando enganar? Você sabe tão bem quanto eu que você só veio atrás de mim por causa daquela aposta estúpida. — Até então esse era uma assunto sobre o qual as duas não haviam conversado ainda. — Pode até ter sido no começo, mas eu realmente gosto da sua companhia. Eu não acredito que vou dizer isso, mas Rachel Berry você é irritantemente adorável. – Pela primeira vez desde que se encontraram, elas tinham sorrisos grandes e sinceros nos rostos. — Você não perde a chance. — Rachel falou sorrindo enquanto balançava a cabeça negativamente. — Como você acha que eu conquisto as aspirantes a prostitutas e as amantes de filmes franceses chatos? – As duas riram muito, parecia que estava voltando tudo ao normal. — Acho que você as persegue, ela ficam com medo e acabam cedendo. — É... algumas vezes é assim mesmo. – Quinn fazia cara de quem estava se lembrando de algo. Depois que pararam de rir ela continuou a falar. – Trouxe uma coisa como sinal de paz. — O que é? – Rachel falou franzindo a testa. — Chocolate. — Quinn dizia enquanto abria a bolsa. — Sua oferta de paz é me engordar?- Rachel falou sorrindo. — Não chocolate, chocolate, é Chocolate o filme. Esse filme não é musical, mas tem música, e as pessoas dançam. Não é um filme francês chato, mas se passa na França. Se bem me lembro tem drama, romance e comedia, enfim, é um filme completo. — Você acha que eu vou gostar? – Rachel olhava meio desconfiada. — Rachel, nós somos mulheres! A natureza nos permite gostar de chocolate seja ele um doce, ou seja ele um filme. – As duas riram. – Além disso, de quebra ainda tem o Johnny Depp pra gente admirar. — Mas você não é lésbica? –Rachel perguntou franzindo a testa. — Eu sou lésbica, não cega. – Quinn falou sorrindo. – O cara além de ótimo ator é um gato. Os pais de Rachel estavam em casa, e assistiam a um filme na sala de TV. Então as duas subiram para o quarto da morena e colocaram o filme. As duas estavam deitadas na cama, mas ainda mantinham distancia uma da outra. Parecia estar tudo bem. Num certo momento do filme quando há um incêndio. Rachel começou a chorar, isso fez Quinn sorrir e se sentir aliviada, porque as lágrimas que a morena derramava agora, não eram por causa dela. Em um movimento praticamente involuntário, Quinn passou o braço por baixo do pescoço de Rachel e a puxou para si. — O que é isso? – Rachel falou assustada. Ela o corpo todo pulsar com a atitude de Quinn. — Não precisa se assustar, eu estou te confortando. — Quinn tentou parecer calma, mas na verdade ela estava com medo de que Rachel escutasse a força com a qual seu coração batia. Rachel pensou em falar algo, mas o aconchego dos braços de Quinn fez com que ela desistisse. Algum tempo se passou e a pesar do clima leve e caloroso, a morena falou: — Quinn, você sabe que eu nunca vou te beijar, não sabe? – Rachel tinha um tom sério na voz. A loira parou de prestar atenção no filme, desviou o olhar para Rachel, sorriu e disse: — E você sabe que eu nunca vou desistir, não é? Rachel sorriu e movimentou a cabeça em um sinal negativo. Ela voltou aprestar atenção no filme e terminou de assisti-lo nos braços de Quinn. O filme terminou e Rachel tratou logo de se soltar dos braços de Quinn. Antes que o clima ficasse estranho, ela falou:
— Eu estou com uma vontade louca de comer chocolate. — Eu trouxe, sabia que isso ia acontecer. – Quinn falou sorrindo. – Está na minha bolsa lá em baixo, vamos descer assim você pega o chocolate e me acompanha até a porta. — Você já vai? – Rachel falou desanimada. — Sim, Santana me ameaçou de morte varias vezes caso não falasse com ela hoje. Vai que ela decide cumpri-las, não posso correr o risco. — Quinn falou enquanto colocava o sapato. As duas desceram, e Quinn deu o chocolate para Rachel. Em seguida, rumaram para a porta. — Eu te ligo para combinarmos algo. – Quinn falou já em tom de despedida. Rachel não disse nada, apenas fez um sinal de sim com a cabeça. — Então até mais. — Quinn falou — Até. Quinn já havia dado alguns paços quando ouviu rachel falar: — Posso te fazer uma pergunta que me deixou curiosa naquela noite? — A gente vai brigar por causa dessa pergunta? – Quinn virou-se para olhar para a morena. — Não. – Rachel falou sorrindo e franzindo a testa. — Então pode. — Você me disse que a garota que acompanhava Santana era muito bonita e que não fazia seu tipo, que você preferia belezas menos obvias. Você se lembra? — Lembro. – Quinn não estava entendendo. — Que tipo de beleza é a minha? Quinn mordeu o lábio inferior e disse sorrindo: — Única, sua beleza é única Rachel. – Quinn fez sinal de tchau com a mão, andou até o carro, entrou e partiu. Ao partir, deixou para trás Rachel com um sorriso bobo no rosto. Naquela noite Rachel foi deitar-se para dormir com a frase de Quinn ecoando nos ouvidos. Ela dormiu muito bem, como não dormia há dias.
Notas finais
Eu sei que dava para ter explorado mais, mas a primeira coisa que me veio à cabeça foi o final, aí queria chegar logo nele.
Antes que vocês achem que foi rápido demais, era para ser assim mesmo, porque não foi uma briiiga, briga. Foi uma discussãozinha boba por causa do ciúme que elas teimam em não admitir. Se elas namorassem resolveriam em 10 minutos.
Por falar em namorar...
Para quem namora feliz dia dos namorados!!!!
Para quem não feliz dia da depressão coletiva!!!!
êêêêêêêêêêê!
Espero a opinião de vocês, bejo.
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