Choices

5 Capítulo 5


Notas iniciais
Esse ficou um pouco mais curto que os anteriores, mas foi o que deu para fazer com o pouco tempo que tive.

Espero que gostem.

Rachel pensou em recusar o convite de Quinn para sair à noite, mas toda vez que ela pegava o telefone para ligar, era como seu corpo agisse contra sua mente.

A secura na boca, o frio na barriga, o suor nas palmas das mãos, a aceleração e o descompasso do coração. Esses eram alguns dos motivos para que ela desistisse de ver a loira, mas também foi isso que a impediu de faze-lo.

Conforme o prometido, às oito horas Quinn estava na porta de Rachel. Quando ela viu a morena seus olhos brilharam e seu sorriso era tão grande que quase não coube em seu rosto delicado.

— Olá. — Rachel falou sorrindo ao atender a porta.

— Oi. Você está... linda. – Quinn parecia estar hipnotizada pela simplicidade e elegância com que Rachel se vestira.

— Obrigada. – Rachel disse com o rosto corado – Você também está muito bem. Vamos?

— Claro.

As duas se dirigiram ao carro e Quinn abriu aporta do passageiro para que Rachel entrasse.

— Nossa! Quanta gentileza! – Rachel disse sorrindo.

-Eu tenho meus momentos. — Quinn sorriu também.

Rachel entrou, Quinn fechou a porta e deu a volta para entrar no carro.

— Você já sabe aonde vamos? – Rachel perguntou.

— Ainda não, tinha pensado em jantar. O que você acha?

— Para mim tudo bem. Qual restaurante?

Quinn pensou um pouco e disse:

— Soube que abriu um novo na cidade, a gente poderia ir conhecer.

— Ótimo, adoro novas experiências.

-Sério?! – Quinn agora tinha um olhar sacana e um sorriso maroto nos lábios

— Novas experiências gastronômicas. – Rachel sorria e balançava a cabeça negativamente. – Nem precisa se empolgar.

— Eu nem sei do que você está falando. – Quinn se fez de desentendida e sorriu. Então as duas partiram para o restaurante.

O restaurante era um lugar bem agradável, elas esperaram no bar cerca de meia hora por uma mesa. Como era novidade na cidade, o restaurante estava cheio.

Quinn sentou-se de frente para a entrada do restaurante e Rachel se sentou de frente para ela. As duas conversavam sobre tudo o que se possa imaginar, riam muito e já haviam feito seus pedidos.

— E sua relação com seu pai, como anda? – Rachel perguntou.

— Meu pai vem tentando comprar o meu amor e meu respeito com dinheiro e presentes.

— E você?

— Eu tenho deixado ele tentar. – Quinn parecia indiferente. – Eu sei que me manter na faculdade é caro, não é justo minha mãe arcar com tudo sozinha.

Nesse momento, Quinn começou a olhar por cima dos ombros de Rachel, ela ainda prestava atenção no que a morena falava e tentava disfarçar o fato de algo mais chamar sua atenção. Infelizmente ela não teve sucesso, Rachel percebeu que a loira olhava para algo atrás dela e não nos seus olhos como antes.

Isso fez o sangue de Rachel ferver, ela tentou se controlar para não demonstrar o que estava sentindo. Mesmo assim deixou escapar.

— Acabo de descobrir que isso não é um problema de gênero. Acho que o problema está em gostar de mulher. – Mesmo tentando se controlar, o tom de Rachel demonstrava muita irritação.

— Do que você está falando? – Quinn estava confusa e agora prestava total atenção em Rachel.

— Da sua falta de respeito. Provavelmente você deve estar olhando para a bunda de alguma garçonete. Já passei por isso outras vezes, só não esperava passar por isso hoje. – Rachel começou a se levantar. — É muita sacanagem da sua parte me tirar de casa e agir dessa forma.

— Senta, por favor, não é nada disso! – Quinn suplicou segurando o pulso de Rachel com delicadeza, mas de modo firme. Rachel sentou-se novamente.

— Não estava olhando para a bunda de ninguém. – Quinn estava surpresa com o ataque de ciúme de Rachel. — Eu estava olhando os peitos de uma cliente que está parada na entrada.

— Isso fez eu me sentir bem melhor! – Rachel disse sarcástica e ainda demonstrava irritação.

— O restaurante todo está prestando atenção nela, não tem como não olhar. Ela está semi-nua.

Rachel olhou para os lados e constatou que praticamente todos estavam prestando atenção na mulher, então ela se virou para olhar. A mulher estava parada na porta com os seios praticamente à mostra em um vestido muito agarrado e curtíssimo.

— Por que isso não me surpreende? – Quinn falou ao ver Santana entrar pela porta e abraçar a tal mulher pela cintura.

Santana já estava quase se sentando quando viu as duas garotas e se dirigiu a mesa delas.

— Fabray, RuPaul. – Santana disse fazendo um aceno com a cabeça. — Essa é Candy.

— Muito prazer. – A mulher disse com uma voz extremamente fina e irritante. – RuPaul? Não acredito que seus pais te deram esse nome.

— Rachel, o nome dela é Rachel. – Quinn falou olhando para Santana e franzindo a testa.

— Esse é melhorzinho, com licença, vou retocar a maquiagem. – Candy falou indo em direção ao banheiro.

Nem Rachel, nem Quinn gostaram da observação da mulher.

- Você viu aqueles peitos? – Santana disse assim que a mulher se retirou.

— Todo mundo viu, eles estavam praticamente para fora daquele pedaço de pano que ela ousa em chamar de vestido. – Quinn falou.

— Aquilo é a coisa mais perfeita feita pelo homem em que eu já coloquei as mãos. – Santana disse sorrindo.

— Não é natural? – Quinn se espantou.

— Não. Só percebi por causa da textura. Ainda bem que te enganou também, achei que estava perdendo o olho clínico. — Santana colocou a mão no peito demonstrando alívio.

— Nossa! Mas o formato e o caimento são perfeitos. O médico deve ser um gênio!

Rachel revirou os olhos e olhou para Quinn mordendo o canto do lábio inferior enquanto balançava a cabeça negativamente. Estava na cara da morena que aquela conversa não estava agradando.

Quinn simplesmente olhou para Santana e a latina disse:

— Vou voltar para minha mesa, a propósito Fabray, eu vi sua mãe e o namorado dela. Dessa vez ele parecia estar com um bicho morto na cabeça.

— É uma peruca nova que ele está desenvolvendo. Você não tentou bater nele novamente, certo? – Quinn olhou desconfiada.

— Eu não tentei bater nele. — Santana revirou os olhos e cruzou os braços. – Achei que algum animal estivesse atacando ele, eu tentei salvar a vida dele. Daquela vez a peruca parecia um bicho vivo. Juro que vi ela se mexer. – Todas riram inclusive Rachel.

Santana se afastou e Quinn falou:

— Desculpa, sei que foi muito feio ficar falando sobre os peitos dos outros na sua frente, mas a gente mora em Los Angeles, o lugar que deve ter o maior índice de silicone por metro quadrado do universo. É impossível não comentar.

— Você não estava olhando para ela só por isso, a menina é linda. – Rachel parecia ter voltado ao normal.

— Ela é realmente muito bonita, é tão linda que não faz meu tipo. – Quinn falou com um leve sorriso.

— Como assim?

— Eu prefiro belezas menos obvias. Mas foi interessante ver seu ataque de ciúme. – Quinn falou somente para provocar Rachel.

— Nem nos seus sonhos mais coloridos. – Só agora Rachel percebeu o que tinha feito. – Aquilo está muito longe de ser um ataque de ciúme.

— Se não foi ciúme, o que foi então?

— Você pode pensar que aquilo foi um aviso do que vai acontecer, caso uma coisa dessas ocorra. – Rachel cruzou os braços e tentou ganhar tempo, ela não sabia dizer o que foi aquilo. – Eu não sou obrigada a ficar testemunhando ninguém desejar partes do corpo de ninguém. Se quiser fazer isso, não precisa ter a mim como platéia.

— Sinto muito, seu argumento foi fraco e não me convenceu. Ainda acho que foi ciúme mesmo. – Quinn falou sorrindo.

— Você esta se valorizando de mais Fabray. –Rachel sorria também.

— Eu não me valorizo de mais, isso é justamente o quanto eu valho.

— E quanto você vale?

— O suficiente para te fazer querer pagar para ver. – Os sorrisos se intensificaram. Elas foram interrompidas pelo garçom que trazia a comida.

Da mesa de Santana ela observava tudo com um grande ar de interrogação. Ela já havia visto Quinn com várias garotas antes. Perto de bem poucas a loira havia ficado à vontade, mas naquela intensidade ela nunca tinha visto. Santana foi tirada de seus pensamentos pela voz irritante de Candy.

— Elas formam um lindo casal. Faz quanto tempo que estão juntas?

— Quem? – Santana perguntou sem entender.

— Suas amigas. Elas namoram há quanto tempo?

— Elas não namoram. Elas meio que... se odeiam. – Santana franziu a testa olhando para as garotas.

Candy riu de uma forma que mais parecia um grunhido e disse:

— Se elas não namoram, vão começar logo, o que eu vejo ali é qualquer coisa menos ódio. Eu sinto o cheiro de tensão sexual no ar de longe, e entre elas dá para sentir a milhas de distância.

Santana olhou para Candy, olhou para as meninas, tirou o celular da bolsa e começou a gravar discretamente um vídeo das duas que agora experimentavam a comida uma da outra entre sorrisos e conversas.

Quando terminaram o jantar, elas decidiram que iriam procurar outro lugar para comer a sobremesa. Pagar a conta foi algo que elas fizeram com dificuldade, porque as duas faziam questão de pagar. Levou algum tempo para que entrassem em um acordo e decidissem dividir o valor. Ao passar pela mesa de Santana, se despediram e saíram em busca da sobremesa.

Quinn parou o carro em uma rua paralela à avenida principal da cidade, para que pudessem caminhar e decidir o que comeriam.

Enquanto caminhavam escutaram seus nomes sendo chamados, ao se virarem, viram a figura de Finn se aproximando.

— Boa noite meninas! – Ele disse sorrindo.

— Boa noite. – As duas responderam.

— O que vocês fazem por aqui?

— Nós estamos procurando por um lugar que tenha uma boa sobremesa. – Rachel respondeu.

— Vocês jantaram juntas?

— Nós fomos ao novo restaurante, mas as sobremesas não eram muito atrativas. – Quinn falou com um sorriso simpático.

— Droga! Eu ia te levar lá amanhã Rachel. – Finn falou frustrado.

— É só a gente ir a outro lugar. – Rachel falou sorrindo.

Ao ouvir Rachel confirmar que sairia com Finn no dia seguinte, todo o ar de simpatia de Quinn sumiu, seu corpo todo foi tomado por um sentimento muito forte, um misto de fúria e euforia.

— Então você escolhe. As férias estão quase acabando e nós quase não tivemos momentos a sós. — Ele colocou uma mecha dos cabelos Rachel atrás da orelha da garota e deslizou a mão pelo seu rosto moreno. Ele não se deu conta do que acontecia bem ao seu lado.

Rachel tentou se esquivar de maneira sutil, mas ele segurou seu queixo e beijo seus lábios docemente.

Diante daquela cena, Quinn sentiu toda a pele de seu corpo ferver, virou-se e começou a andar, precisava sair desesperadamente dali.

Rachel se afastou de Finn rapidamente, mas só a tempo de ver as costas de Quinn enquanto a loira dobrava a esquina alguns metros à frente. Ela saiu correndo para tentar alcançar Quinn e nem se despediu de Finn, que ficou ali plantado com cara de quem não acreditava no que via.

— Quinn... Quinn, espera...Quinn. – Nesse momento Quinn parou a alguns passos de seu carro e virou –se para encarar Rachel.

— O que foi? Volta para o que você estava fazendo e me deixa em paz! – Não foi preciso que Quinn falasse para demonstrar descontrole, seus olhos demonstravam isso.

— Voltar para o que? Eu não fiz nada, foi ele quem me beijou! – Rachel queria transmitir calma em seu tom de voz, mas na verdade transmitia desespero.

— Eu não vi você fazer nada para impedi-lo.

— Aconteceu tudo muito depressa, eu não sabia que ele faria aquilo.

— Talvez o fato de você ter marcado um encontro com ele no meio de um encontro comigo, tenha sido a deixa. – Quinn tinha um tom de voz bem alto agora, mas não chegava a gritar. – Se você quisesse platéia devia ter me avisado antes, isso foi total falta de respeito comigo.

— Respeito, você quer falar de respeito? – Agora Rachel estava furiosa e também elevou o tom de voz. – Você demonstrou muito respeito por mim falando dos peitos daquela stripper que estava com a sua amiga.

— Eu já te expliquei, a gente falava da estética. Eu não consigo entender o que você vê nele. _ Quinn gesticulava muito.

— Me diz você, o que você via nele para namora-lo?

— Status, era isso que eu via nele.

— Felizmente eu não sou tão superficial e fria quanto você. – Rachel estava tão nervosa que tentava ferir Quinn com suas palavras. — Ele foi meu primeiro beijo, meu primeiro amor, meu primeiro... meu primeiro tudo que você possa imaginar.

— E por causa disso ele pode te beijar quando quiser?

— Você sabe muito bem que nossa relação não é bem definida, isso permite que ele me beije quando quiser. – Rachel apontava o dedo para Quinn.

— Até mesmo no meio de um encontro com outra pessoa? Isso é muita consideração da sua parte. — Quinn falou sarcástica.

— Isso não era um encontro Fabray. – Essas foram as palavras que realmente feriram Quinn. – Seu charme pode funcionar muito bem com as aspirantes a prostitutas ou com as garotas metidas a intelectual que amam filmes franceses chatos que você está acostumada a sair, mas não comigo. – Quando Rachel terminou essa frase, estava com o rosto vermelho e quase sem ar, pois a frase foi dita sem que ela tomasse mais fôlego.

— Claro que não funciona para você, com você o que funciona é ordem de chegada. Se eu soubesse teria me apressado em pegar uma senha antes.

— Melhor assim do que viver no meio do rodízio de camas que você vive. Pelo menos eu sei o nome de todos eles.

— Por que você veio atrás de mim? Eu já estava indo embora e você poderia ficar pendurada no pescoço dele o quanto quisesse!

— Por que eu achei que você tinha mudado, mas pelo visto você continua a mesma arrogante, pretensiosa e egoísta que sempre foi.

— Meu Deus! – Quinn levou as mãos à cabeça e depois abriu os braços levantando as mãos para o céu. – Você não consegue se esquecer disso! – Ela soltou os braços junto ao corpo. – Como você pode ser tão presa ao passado?

— É fácil se desprender quando é você que tenta convencer as pessoas de que elas são o lixo do mundo!- Rachel sentiu que seus olhos logo começariam a marejar.

Após ouvir essas palavras, Quinn simplesmente parou e ficou estática. Todas as coisas grosseiras que disse e ouviu, sumiram de imediato.

Seu coração foi tomado por sentimentos de dor e culpa tão grandes, que logo pareceram se espalhar por todo seu corpo. Pela primeira vez, ela se deu conta de que suas atitudes afetaram a vida de Rachel negativamente.

Quinn começou a dar alguns passos na direção de Rachel que ainda estava muito brava. A distância que as separava era muito pequena, e Rachel não conseguiu imaginar o que aconteceria. De supetão, Quinn agarrou Rachel e a trouxe para um abraço apertado e afetuoso.

Rachel ficou imóvel, não sabia o que estava acontecendo, até sentir as lagrimas que rolavam dos olhos de Quinn molharem seu ombro onde a loira havia repousado a cabeça. Ela não acreditava que havia feito Quinn chorar, se sentiu péssima por isso.

Quinn levantou a cabeça e segurando delicadamente o rosto de Rachel entre as mãos, olhou-a nos olhos e disse:

— Perdão! Eu não fazia idéia do que eu tinha feito. Prometo que não acontecerá novamente. – Ela não fazia a menor questão de esconder os soluços e lágrimas que vinham espontaneamente. – Foi um prazer te conhecer, Rachel Berry. – Forçou um sorriso, beijou atesta da garota e disse: — Adeus!

Antes que Rachel pudesse esboçar qualquer reação, Quinn entrou no carro e saiu apressadamente, deixando para trás a morena com o coração apertado e o rosto banhado em lágrimas.

Notas finais
Eu sei que foi maldade minha acabar o capitulo quando as coisas não iam tão bem, mas achei que precisava de uma sacudida.

Prometo que tentarei postar o próximo até sábado.

Espero a opinião de vocês, bejo.