Chocolate e Violão | n.h
1 Prólogo
Notas iniciais
Há muita luz. Tanta, que se era obrigado a fechar um pouco os olhos até se ter o costume. Havia uma gritaria sem igual da gigantesca plateia. Um a um, eles pediam pelo tão desejado show.
Para a plateia não havia teto, só o céu. Um céu estrelado e que parecia mais bonito naquela noite. Um varal de estrelas parecia esperar pelo momento que a One Direction entraria.
Havia também muros que separavam a rua do local do show. Muros com grafites coloridos, alguns com indiretas ao governo. A caricatura de Lula montado em um cavalo alado com os disseres "Meu povo e minha pova! Daqui de cima estarei 'cuidando' de vocês!", era um exemplo claro de indireta ao governo. O brasileiro sempre teve a audaciedade de tratar assuntos assim com indiretas, na verdade.
As propagandas do telão pareciam não ter fim. Os fãs já haviam guardado a música da Coca-Cola e isto estava ficando extremamente cansativo.
De trás do gigantesco palco montado minuosamente para abrigar a banda britânica, cinco jovens falam quase junto aos gritos. Suas vozes pareciam ser perfeitas misturadas ao som dos fãs. Para eles, a travesia do camarim ao palco era quase mágica.
O som estava sendo acertado mais uma vez. O microfone era testado. Sem querer — ou talvez por querer — Louis liga seu microfone e manda um olá, causando um rebuliço fantástico da plateia brasileira. Harry solta uma risada alta demais, tampando sua boca logo em seguida.
Após testar a versatilidade de seu microfone, Louis se dirige a Zayn, que parecia descontente. Sua voz estava saindo esganiçada demais, fruto de uma gritaria sem igual no quarto de hotel quando ele finalmente havia conseguido ver, sem interrupções, uma novela cem porcento brasileira.
Era claro que ele não havia entendido nada, mas a felicidade do moreno era sem igual.
— Niall, entramos em cinco minutos. Saia de dentro desse maldito camarim! — Liam berrou para o quinto integrante da banda que estava feliz em seu camarim. Muito bem, obrigado.
Niall na realidade estava incerto. Desde que havia pisado em terras brasileiras legítimas, ele se sentia nostalgico demais e indisposto demais. Não que ele odiasse o Brasil, ao contrário, ele amou aquele lugar! Queria poder conhecer o restante do país e não só o Rio de Janeiro. O lugar não era o problema e sim o que fazia-o lembrar.
Uma época em que ele ainda não tinha seu sonho realizado. Uma garota amável e ao mesmo tempo de pulso firme. Se não fosse por ela... talvez Niall Horan nunca fosse um nome conhecido na mídia. Será que ela estaria ali, no meio da plateia, apenas para saber se ele estava ok? Ou será que ela seguiu em frente? Niall se chutou mentalmente, eram pensamentos estúpidos.
— Niall! Dois minutos! — a voz rouca de Harry foi o aviso da vez. O loiro ajeitou seu fone, verificou seu microfone e se olhou no espelho. Blusa branca, calça jeans, tênis. Nada muito extravagante.
Ele abriu a porta do camarim e foi assediado por Louis, que lhe deu um tapa na bunda mandando ele se apressar. Niall riu da brincadeira e deu alguns pulinhos no mesmo lugar, respirando fundo e soltando o ar. Ele estava pronto. Pronto para encarar o Brasil. Pronto para fazer daquele show o melhor da sua vida. Afinal, não existiam palavras para descrever a excitação de uma plateia ao simplesmente ouvir um 'olá' de longe. Ou da emoção e alegria de vê-los após eles falarem diretamente com os mesmos. Não havia palavras para descrever os rostos emocionados após eles cantarem um música. Ou dos gritos histéricos quando eles se atreviam a fazer algo mais safado.
E nada daquilo seria possível sem a força que o amor adolescente de Niall havia dado a ele. Este escrito é sua história. Alegria, tristeza, música, violão. O teatro do colegial, as fugas para a árvore-velha e o caderno com capa do The Beatles. Os cabelos cacheados, a pele chocolate e a nacionalidade diferenciada. Ninguém poderia imaginar que um dia aquilo iria acabar. Nem mesmo os dois jovens de dezesseis anos apaixonados e cheios de sonhos.
— Hello Brazil! — foi o suficiente para a plateia gritar e evaporar todas as lembranças felizes e dolorosas de Niall para fora de seu corpo.
Notas finais
Espero que tenham gostado da minha escrita, da minha maneira de descrever as coisas e tudo mais. Eu não fui nesse show, mas quero retratá-lo como se tivesse ido (o que vai ser meio difícil. Relevem).
Espero que tenham gostado. Não esqueçam de favoritar, acompanhar e comentar. Obrigada por ter lido, isto é muito importante para mim.
Até o próximo!
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