A primeira coisa que noto é meu reflexo no espelho, vejo como meu cabeço está bagunçado e quase choro de desespero. As paredes cobertas de vidro que refletem a minha imagem milhares de vezes, o resto da parede até o teto é puro cinza, quatro grandes lustres compostos por uma cúpula iluminam o local.

Dou um posso a frente para observar o balcão que está localizado exatamente no meio da cozinha. Há duas cadeira altas em um das partes, um grande prancha de mármore branco sobre o balcão, há duas pias embutidas, grandes torneiras metálicas, um fogão cooktop com cinco bocas lisas, há um exaustor cilíndrico de ferro prateado sobre as panelas de alumínio.

Na parede Direta há milhares de prateleiras de vidro cobertas de comida de todo os tipos, minha barriga ronca simplesmente pelo fato deu estar próxima dos alimentos. Caminho até o outro lado e Peter me segue, há um enorme armário que cobre quase completamente a parede, assim como os espelhos.

Alguns anexos com porta branca e outras de vidro, há panelas, copos, e talheres nelas. Há um microondas entre os cômodos, e uma geladeira fixa junto ao armário.

– Você vai cozinhar para mim?

– Sim. – Ele responde singularmente.

– Suponho que tenha na faixa de Vinte e Seis anos, há quanto tempo cozinha?

– Há quatro anos.

Estremeço. Ele tinha minha idade quando começou a ter seu primeiro surto, ele já fazia comidas macabras enquanto eu mal consigo fritar um ovo.

– Quantas “Voluntarias” já teve? – Faço aspas no ar, não quero ofende-lo porem o termo escrito nos contratos me parece ridículo. Apesar deu entender que ele me fornece o alimento, assim sendo chamado de Fornecedor (o que me lembra drogas, mas tudo bem.) enquanto eu, como sua cobaia me ofereço para experimentá-las.

– Nove.

– E... – Começo a falar, mas sou cortada.

– Silencio se quiser fazer perguntas é so marcar uma entrevista.

– Desculpe.

– Então, quando você estava comendo algo exótico, do que mais gostou?

Tento pensar, e talvez a coisa mais estranha que já ingeri foi lasanha de frutos do mar.

– Eu nunca gostei nada muito estranho. — digo.

– Mas você já provou de sopa mexicana, correto? — ele fala com esperança.

– Sério, eu nunca comi nada exótico.

Ele por a mão na cabeça, quase puxando os fios de cabelo, ele está ficando corado, ele começa a caminhar de um lado para o outro, inspirando e expirando devagar.

– é virgem?

Engulo em seco, ele não tem direito de se meter em minha vida intima, mas não posso deixá-lo sem resposta.

– Eu já fui casada, lembra? — digo, porém isso parece deixá-lo ainda mais bravo.

– não é isso, me refiro a comida, você nunca comeu nada escroto?

Lembro que algumas vezes que eu e o Gustin ficamos sozinhos, mas não é isso que ele quer saber.

– Nesse caso, sou virgem.

– Merda. Por que não falou antes?

– sei lá, eu estava curtindo o papo de culinária...

– Meu Deus, eu lhe mostrei meu contrato, você deve me achar louco!

Não consigo evitar, rio.

– olha, louco eu acho você desde que empurrou o sofá pela janela.

Peter me fuzila com o olhar, posso senti-lo me punindo com batatas quentes mentalmente, como queima, imagino também sendo obrigada a tomar muito sorvete, estremo só de pensar na dor de cabeça de gelo.

Ele pega uma embalagem de macarrão em uma das prateleiras, já um desenho de uma galinha na embalagem, o que não faz sentido. Ele vai para trás do balcão e abre um gaveta, dela tira um pano preto, passa a alça pela cabeça e amarra os cordões nas costas, está escrito SR. EAGLE É O MÁXIMO NA COZINHA. Controlo-me para não gargalhar, pois imagino que ele arremessara uma faça em mim. Se ha uma coisa que aprendi na vida é, nunca ria de um homem isso pode acabar custando a vida de alguém.

Ele abre a torneira para lavar as mãos, passa sabão em seguida as seca em um pano do lado da pia.

– O que está fazendo? — Pergunto.

– Resolvendo o seu problema. — Ele olha para mim enquanto enche uma panela água. — Sente-se. — ele diz.

Faço que ele manda.

Ele pega uma tesoura e abre a embalagem. Em seguida joga a massa de sopa na água e a coloca no forno, enquanto ela ferve ele vai na geladeira e pega alguns legumes.

Com uma faca ele descasca a batata, chuchu, cenoura, e joga as partes inúteis nunca Lata de lixo escrito "Orgânicos."

Ele os corta em pedaços minúsculos, em seguida pega o que mais me assusta, uma pimenta vermelha, gostaria de saber o nome mas os pelos do meu braço se arrepiam.

Ele joga em tudo em outra panela com tampa de vidro assim como a outra que está cozinhando o macarrão. Enche com um pouco de água, Peter corta o tomate e o pimentão em partes miúdas e joga na panela, ele corta o tempero verde também e joga junto com os outros ingredientes. Salpica um pouco de sal e cobre com um fio de olho, também coloca estrato de tomate, o cheiro está ficando cada vez melhor.

Ele desliga o fogo e com uma luva segura o cabo da panela, assim escorre a água, e deixa a massa secar, depois mistura tudo em uma panela só.

Lambo os lábios, parece muito saboroso.

– Está quente aqui. — digo.

Peter sorri com malícia, e pega um controle sobre o balcão e liga o ar condicionado. O vento invade a cozinha, sinto-me refrescada, e tiro o casaco.

– Quer alguma música?

Faço sim. Ele tira o iPhone 5s cinza do bolso, meu corpo acelera, tão rico e gostoso. Meu deus.

A música começa, e eu começo a rebolar.

– Britney? — pergunto com um sorriso no rosto.

Peter me beija e vai para trás do balcão novamente a sopa uma tigela.

Está na hora, observo o líquido fervente, tem tom alaranjado por causa do tempero, e está saindo fumaça.

– Você confia em mim? — Peter pergunta.

– Sinceramente não... — Digo, mas ele parece triste. — Brincadeira, confio sim.

Ele sorri, e fico grata por sua beleza.

– feche os olhos.

Meu coração acelera mas eu obedeço.

Tudo fica escuro, quem apagou a luz?

– abra a boca.

Respiro fundo.

Obedeço.

Então ele preenche minha boca, sinto o aço sobre minha língua, em poucos segundos começa a queimar . Junto os lábios e Peter retira a colher vazia, o pouco da sopa é ardente, salivo um pouco e tento saborear o máximo. Mastigo os legumes e a massa.

A sensação é de queimação porém chega a ser prazeroso, engulo. Abro a boca para tomar fôlego, e Peter enfia outra colher na minha boca.

A segunda vez é melhor, e me sinto mais resistente a pimenta. Mastigo é engulo rapidamente.

– Por favor.

Digo sem abrir os olhos.

– eu quero mais.

Ele me dar o que peço. Como até me sentir satisfeita.

Quando finalmente a música "I Slave for you" termina.

Abro os olhos e ele me entrega uma toalha, limpo o suor em minha testa, ele também me entrega um copo de água, bebo-a e me sinto aliviada. Peter se aproxima e beija-me nos lábios. Isso é tão bom quando a sopa, penso.

– O que achou?

– Bastante intenso.

Ele não consegue esconder a felicidade.

– Há muito mais comida de onde veio essa, e se você assinar o contrato, terá muito mais que apenas comida.

Estou feliz e considerando a idéia, entre tanto já coisas que me parecem estranhas ao extremo naquele papel.

– tenho dúvidas.

– eu teria uma grande decepção se você não tivesse.

Sorrio.

– que tão uma reunião de negócios amanhã?

– tudo bem, enquanto isso estou livre, e tenho que dar uma lida novamente. — Digo enquanto nós encaminhamos para a porta.

É bom está novamente em um cômodo normal, vejo a noite através da janela, e lembro-me de Witija. — Tenho que ir embora.

– passe a noite aqui. Tenho um quarto para você.

Nem considero a idéia de dormir na casa de um estranho. Lembro também do Isaac que com certeza deve ter ir fazer queixas para meus amigos.

– minha amiga japonesa deve estar preocupada.

– eu mandei uma mensagem pro Yamaha, ela já está avisada e ciente de você está comigo. — Peter diz. Merda. Ele pensa em tudo.

– Sinto muito, tenho uma matéria para escrever.

Não tenho mais desculpas, estou nervosa, n sei oq dizer mais, se ele me desarmar estarei ferrada.

– quer dizer que conseguiu um emprego. — Seu sorriso branco e radiante me contamina, sorrio também, não resisto. — tenho um presente.

Ele caminha até uma mesinha, pega uma chave dentro de um pote e joga para mim, pego-a no ar.

– Agora o Brad é seu.

– Você poe nome em seus carros? — Pergunto. — De qualquer modo, muito obrigado.

Aproximo e beijo-o intensamente.

– Eu não posso aceitar.

– Você comeu minha sopa, é a única forma que eu acho pra agradecer.

– Obrigado, agora tenho que ir, e arranjar um notebook para escrever a matéria.

Ele segura minha mão.

– você não tem um computador?

– que merda, eu pagava tão mal assim, Srta. Zaneze?

Rio.

– já volto.

Ele sobe as escadas e volta comuna caixa. Não é possível, eu acabei de ganhar um carro, agora um MacBook. Beijo-o novamente.

– aqui está. Espero que escreva um bom texto.

– Sopa é muito melhor que cachorro quente. Vou ser a melhor das noves, Sr. Eagle. Pode acreditar.

Entro do elevador, e na garagem entro no meu novo carro. Pela primeira vez em muito tempo me sinto verdadeiramente bem, e não é pela comida.